Não tenho autoridade intelectual
nem acadêmica para fazer esse tipo de comentário. Tenho, menos ainda, os
poderes premonitórios da Mãe Dináh, porém, por curiosidade apenas, afirmo que,
se não surgir um grande escândalo que o envolva, o Ciro Gomes será o próximo
presidente a ser eleito nesse ano. Tal afirmação tem base apenas em algumas
entrevistas dadas por vários candidatos a diversos meios: televisão, revistas,
jornais, internet e também a alguns comentários que li nesses próprios meios.
Também irei exagerar nos generalismos, claro que quando me referir ao brasileiro,
ao povo brasileiro, ou ainda, ao nosso povo, não estarei, evidentemente,
falando de todo mundo, mas será apenas a visão que tenho do cidadão mediano.
No cenário que se desenha,
somente o Bolsonaro se posiciona à direita e não acredito ser absurdo afirmar
que hoje já é possível dizer quantos votos ele terá, pois seus eleitores já têm
opinião formada. Esses são militantes e apoiadores que vão a manifestações de
graça. No entanto, a pouca articulação do candidato, aliada ao discurso simples
da honestidade, do patriotismo, do pouco tempo de TV disponível e com pouca
adesão partidária, não o deixará crescer. Mesmo afirmando que poderá privatizar
tudo o que não for estratégico não terá o apoio de quem coloca dinheiro em
campanhas, pois, como estratégico, ele cita a Petrobras, o grafeno, o nióbio,
enfim, o que ele achar que é, é, e tais cadeias produtivas não serão
privatizadas, o que o deixa longe do chamado “mercado”. O discurso da
honestidade não convence ao ponto de trazer votos, pois o brasileiro pode
afirmar que está cansado da corrupção, da roubalheira, da ladroagem, mas se
refere à praticada pelos outros, pois ele mesmo continua avançando o sinal, ultrapassando
pelo acostamento, vendendo lugar na fila, pagando uma cervejinha para o guarda
não rebocar o carro dele, concorda com a “malandragem” no futebol, e ainda quer
levar vantagem em tudo. Certo? ... O que pode mudar esse cenário é se ele apostar
firmemente na tecla da segurança, aplicar as técnicas populistas como o Maluf
fez com a promessa de “colocar a Rota nas ruas”. É falar da pena de morte, que
vai mudar o quadro de “polícia prende e justiça solta”, que bandido bom é
bandido morto, enfim, a elite intelectualizada irá torcer o nariz, mas isso é
efetivo, isso trás votos, e a gente sabe, ganhar a eleição é uma coisa,
governar é outra, até porque até hoje ninguém conseguiu fazer tudo o que
prometeu durante as eleições.
Não que seja o meu candidato,
pois ainda não refleti o suficiente sobre isso, mas o centro apresenta o
candidato com melhor condição de dirigir o país, ou seja, o Geraldo Alckimin,
pois é político, tem experiência administrativa, tem um partido organizado e
com capilaridade, porém, mesmo tendo apoio da ala conservadora da igreja ele é
mal visto pela direita, e é execrado pela esquerda, apesar de sabermos que todos
os representantes do centro têm, em si, um viés de esquerda. Além disso, se a
articulação partidária feita por ele, por um lado, é boa, ele é muito ruim de
palanque, ele não empolga e não sabe mentir. Tenho como certo que ele terá mais
votos do que as pesquisas agora demonstram, pois será catapultado pelo considerável tempo nos programas de televisão, mas faltará
vibração. Se houvesse nos agentes econômicos a esperança de que a candidatura
do Alckimin sairia vitoriosa, depois da divulgação dos nomes dos formuladores de
seu plano econômico: Edmar Bacha e Pérsio Arida, dois dos criadores do Plano
Real, e do José Roberto Mendonça de
Barros, ex-secretário de Política Econômica, o dólar não estaria subindo e a
bolsa de valores despencando.
O Henrique Meirelles poderá ser
apoiado pelo PMDB, mas apesar dele ter feito pelo governo Temer o que já
deveria ter sido aplicado na economia desde o segundo governo Lula, período em
que foi presidente do Banco Central, e de ter recursos próprios para financiar
a campanha, ele também não tem voto, e a própria imagem dele não tem apelo. Ele
terá 73 anos na época quente da campanha, fez carreira no PSDB, esteve no
governo Lula e ninguém se lembrará disso, mas se lembrará da austeridade
aplicada quando foi ministro da Economia do governo Temer, logo, será chamado
de golpista, e pelo seu passado no mercado financeiro e, principalmente, pelo
período em que trabalhou para a J&F será chamado de corrupto. Não terá
votos. Não creio que ele tenha uma mínima chance de chegar ao segundo turno.
Os outros como João Amoedo e
Flávio Rocha não são conhecidos e poderiam até surpreender se candidatando a
deputado, mas não para presidente. E tem o Ciro, mas vou deixá-lo para o final.
A única esperança para algum
candidato de centro é todos se unirem em torno de um só candidato, e,
sistematicamente, abrirem fogo contra os candidatos alinhados à esquerda,
dividindo-os, fazendo assim que tenham os votos pulverizados, não sendo,
individualmente, suficiente para chegar ao segundo turno, e é possível uma
articulação entre PSDB, DEM, PPS, MDB e PTB. Em um segundo turno, um candidato
como o Alckmin ganha do Bolsonaro, mas mesmo assim, perde do Ciro.
Sobre a esquerda. Em primeiro
lugar é importante dizer que o discurso de esquerda é sedutor. Todo mundo, um dia,
quando jovem, namorou a esquerda. A juventude olha o resultado ideal, a
igualdade, a liberdade, a revolução dos costumes, só não vislumbra que as
pessoas são diferentes, que têm espectativas diferentes, se aplicam de forma
diferente e que alguém precisa pagar a conta. Mas que é mais fácil defender um
ideário de esquerda do que um de direita, ah, isso é! Além disso, no momento
certo, a esquerda é sempre mais unida do que a direita.
Na esquerda a incógnita ainda é o PT. O Lula não será
candidato e o partido não tem ninguém de peso para substituí-lo. Todos os
antigos nomes fortes do partido ou estão na cadeia ou estão a caminho. Sobram o
Fernando Haddad que não se reelegeria a prefeito de São Paulo e o Jaques Wagner
que também não se reelegeria para governador da Bahia, e dessa vez não adianta
apelar para um poste ou para um cone. Porém há no PT uma certa capacidade de
transferências de votos, o que poucos partidos têm, e o candidato a quem ele vier apoiar pode ter
algum sucesso, pois há militância, há capilaridade, há um partido forte e
organizado, que facilmente já sai com 20% das intenções de voto, seja qual for
o candidato.
A Marina Silva tem um cesto de
votos também contados. Ela faz o estereótipo de coitada, pobre, trabalhadora,
doméstica, que se educou com dificuldade e venceu. Chegou a senadora e rompeu
com o partido quando descobriu as
falcatruas que são contra seus princípios, e brasileiro gosta de um sofredor.
Apoia esses até mesmo nas votações do BBB. Assim a candidata tem um público
cativo que, em muitos casos, frequenta a universidade, mas que não vê a
diferença entre o discurso genérico e a capacidade administrativa. Mesmo assim,
ela dividirá os votos da esquerda no primeiro turno.
Os mais radicais, Guilherme
Boulos e Manuela D`ávila irão competir entre si, têm um eleitorado ativo e
militante, porém pequeno, e sem tempo de televisão não irão se desenvolver, a
não ser que venham a ser apoiados pelo PT.
E quanto ao Ciro? Acredito que
ele tem a seu favor o maior repertório de possibilidade eleitoral. Explico: a
imagem que mais associo ao Ciro Gomes é a da água. Água limpa todo mundo quer,
desde que seja em quantidade suficiente. Se estiver suja, pode ser filtrada, se
estiver salgada pode ser dessalinizada. Se estiver solta, é maleável, se
estiver contida, se comporta, e se estiver contida e for congelada, toma forma,
mas se aquecer, escorre. Se ferver, evapora, mas se a condição estiver
favorável com temperatura e pressão corretas, chove, destilada e límpida. O
Ciro Gomes é o candidato mais forte porque junta duas características:
incorpora a teoria da evolução e se adapta sempre, por isso sobrevive e forte! e
a segunda, como disse Renato Russo na canção Eu Sei, “é mais forte quem sabe
mentir”, e o Ciro sabe!
Mostrando ser maleável e
adaptável, Ciro se filiou ao PDS – antiga ARENA, ao PMDB, ao PSDB, ao PPS –
antigo Partido Comunista, ao PSB, ao PROS e ao PDT, e serviu aos governos Itamar,
Lula e Dilma. Tudo de ocasião, não por
ideologia. Ele sabe bem aproveitar o bônus e quando aparece o ônus, sai
atirando, mas se precisar, se junta novamente. Ele é paulista de
Pindamonhangaba mas posa de nordestino, onde estudou direito e iniciou a
carreira política. Sempre um pé em cada canoa.
O vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=VLIeFkUU-lE
tem a duração de 2’:30”, mas basta assistir os dois primeiros minutos para ver
3 mentiras contadas pelo Ciro. 1 – ele nega ter dito que sequestrariam o Lula e
o entregariam a uma embaixada. 2 – que ele receberia a “turma do Moro” à bala.
3 – que ele não deu um tapa no blogueiro Arthur (mamãefalei). Nos dois
primeiros casos as falas estão gravadas, no terceiro, ele diz em entrevista ao
Datena - https://www.youtube.com/watch?v=bchY4ZE2mNI
que foi um “truque de edição”. Que isso
não aconteceu! Afirma que ele tem a mania passar a mão na cabeça das pessoas,
mas como foram cortados 2 frames na edição ficou parecendo um tapa. Opa! Aqui
não, se eu não tenho autoridade intelectual ou acadêmica para os comentários,
de televisão eu entendo, de edição eu entendo, e afirmo, ele bateu. Não foi uma
“porrada”, mas foi um tapinha intimidador. E o próprio Datena não quis “trucar”,
pois o Datena também entende. Trabalhamos juntos em televisão na década de
1980. Então, mentir, o Ciro sabe. Como o
vídeo é longo, pode assistir a partir do sétimo minuto. Na mesma entrevista ele
diz estar afastado da política há 12 anos, o que nos remeteria a 2006, ano em
que ele foi eleito deputado com mandato até 2010. Se isso não é uma mentira é
um erro crasso de quem foi ministro da economia e deve, pelo menos, saber fazer
conta de adição e subtração.
Assim como o Bolsonaro, o Ciro
tem temperamento explosivo e é também conhecido na internet como “Tiro Gomes”,
no link https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-menino-maluquinho-do-ceara-virou-um-cinquentao-muito-doido-2/
há
diversas declarações destemperadas. Porém ele é mais articulado que o primeiro.
Posa de intelectual, pois é advogado, professor de direito, escreveu alguns
livros, que não li e por isso não posso avaliar, porém apesar de ser Visiting
Scholar na Law School de Harvard, pagou mico tentando justificar, em inglês,
que, se eleito, não concederia indulto ao Lula – o vídeo é longo e chato, mas
se alguém tiver curiosidade https://www.youtube.com/watch?v=-b5jMvIyGkc&t=631s.
O Ciro é experiente tanto como
parlamentar quanto como executivo e com o discurso mais à esquerda (sedutor), e
com o apoio do PT, que acredito que virá, embora o Lula tenha mandado parar com
essa aproximação http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/gleisi-vai-a-lula-e-volta-com-duas-orientacoes-por-fim-a-conversa-doida-do-indulto-e-proibir-governadores-do-pt-de-manter-namorico-com-ciro/ e arrumando um vice, que por enquanto deve
ser indicado pelo PSB, acredito que ele é quem mais chance tem nas próximas
eleições, ainda que seus adversários possam apresentar os argumentos como o do
vídeo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=OeLukPiNwPI
.
Independente de quem venha a ser
eleito, a governabilidade estará seriamente comprometida. Pois a turbulência
política e institucional está tão grande que a população espera por um salvador
da pátria. Que o Batman apareça para dar jeito e isso não ocorrerá, e com o já
disse diversas vezes, damos muita importância ao executivo, mas nosso principal
problema está no legislativo. Nosso conjunto de leis é frágil e muito sujeito a
interpretações, o que propiciou a anarquia e desconfiança hoje estabelecida.
