sexta-feira, 18 de maio de 2018

Eleições 2018 - Presidente


      Não tenho autoridade intelectual nem acadêmica para fazer esse tipo de comentário. Tenho, menos ainda, os poderes premonitórios da Mãe Dináh, porém, por curiosidade apenas, afirmo que, se não surgir um grande escândalo que o envolva, o Ciro Gomes será o próximo presidente a ser eleito nesse ano. Tal afirmação tem base apenas em algumas entrevistas dadas por vários candidatos a diversos meios: televisão, revistas, jornais, internet e também a alguns comentários que li nesses próprios meios. Também irei exagerar nos generalismos, claro que quando me referir ao brasileiro, ao povo brasileiro, ou ainda, ao nosso povo, não estarei, evidentemente, falando de todo mundo, mas será apenas a visão que tenho do cidadão mediano.

      No cenário que se desenha, somente o Bolsonaro se posiciona à direita e não acredito ser absurdo afirmar que hoje já é possível dizer quantos votos ele terá, pois seus eleitores já têm opinião formada. Esses são militantes e apoiadores que vão a manifestações de graça. No entanto, a pouca articulação do candidato, aliada ao discurso simples da honestidade, do patriotismo, do pouco tempo de TV disponível e com pouca adesão partidária, não o deixará crescer. Mesmo afirmando que poderá privatizar tudo o que não for estratégico não terá o apoio de quem coloca dinheiro em campanhas, pois, como estratégico, ele cita a Petrobras, o grafeno, o nióbio, enfim, o que ele achar que é, é, e tais cadeias produtivas não serão privatizadas, o que o deixa longe do chamado “mercado”. O discurso da honestidade não convence ao ponto de trazer votos, pois o brasileiro pode afirmar que está cansado da corrupção, da roubalheira, da ladroagem, mas se refere à praticada pelos outros, pois ele mesmo continua avançando o sinal, ultrapassando pelo acostamento, vendendo lugar na fila, pagando uma cervejinha para o guarda não rebocar o carro dele, concorda com a “malandragem” no futebol, e ainda quer levar vantagem em tudo. Certo? ... O que pode mudar esse cenário é se ele apostar firmemente na tecla da segurança, aplicar as técnicas populistas como o Maluf fez com a promessa de “colocar a Rota nas ruas”. É falar da pena de morte, que vai mudar o quadro de “polícia prende e justiça solta”, que bandido bom é bandido morto, enfim, a elite intelectualizada irá torcer o nariz, mas isso é efetivo, isso trás votos, e a gente sabe, ganhar a eleição é uma coisa, governar é outra, até porque até hoje ninguém conseguiu fazer tudo o que prometeu durante as eleições.

      Não que seja o meu candidato, pois ainda não refleti o suficiente sobre isso, mas o centro apresenta o candidato com melhor condição de dirigir o país, ou seja, o Geraldo Alckimin, pois é político, tem experiência administrativa, tem um partido organizado e com capilaridade, porém, mesmo tendo apoio da ala conservadora da igreja ele é mal visto pela direita, e é execrado pela esquerda, apesar de sabermos que todos os representantes do centro têm, em si, um viés de esquerda. Além disso, se a articulação partidária feita por ele, por um lado, é boa, ele é muito ruim de palanque, ele não empolga e não sabe mentir. Tenho como certo que ele terá mais votos do que as pesquisas agora demonstram, pois será catapultado pelo  considerável  tempo nos programas de televisão, mas faltará vibração. Se houvesse nos agentes econômicos a esperança de que a candidatura do Alckimin sairia vitoriosa, depois da divulgação dos nomes dos formuladores de seu plano econômico: Edmar Bacha e Pérsio Arida, dois dos criadores do Plano Real,  e do José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário de Política Econômica, o dólar não estaria subindo e a bolsa de valores despencando.
O Henrique Meirelles poderá ser apoiado pelo PMDB, mas apesar dele ter feito pelo governo Temer o que já deveria ter sido aplicado na economia desde o segundo governo Lula, período em que foi presidente do Banco Central, e de ter recursos próprios para financiar a campanha, ele também não tem voto, e a própria imagem dele não tem apelo. Ele terá 73 anos na época quente da campanha, fez carreira no PSDB, esteve no governo Lula e ninguém se lembrará disso, mas se lembrará da austeridade aplicada quando foi ministro da Economia do governo Temer, logo, será chamado de golpista, e pelo seu passado no mercado financeiro e, principalmente, pelo período em que trabalhou para a J&F será chamado de corrupto. Não terá votos. Não creio que ele tenha uma mínima chance de chegar ao segundo turno.

      Os outros como João Amoedo e Flávio Rocha não são conhecidos e poderiam até surpreender se candidatando a deputado, mas não para presidente. E tem o Ciro, mas vou deixá-lo para o final.
A única esperança para algum candidato de centro é todos se unirem em torno de um só candidato, e, sistematicamente, abrirem fogo contra os candidatos alinhados à esquerda, dividindo-os, fazendo assim que tenham os votos pulverizados, não sendo, individualmente, suficiente para chegar ao segundo turno, e é possível uma articulação entre PSDB, DEM, PPS, MDB e PTB. Em um segundo turno, um candidato como o Alckmin ganha do Bolsonaro, mas mesmo assim, perde do Ciro.
Sobre a esquerda. Em primeiro lugar é importante dizer que o discurso de esquerda é sedutor. Todo mundo, um dia, quando jovem, namorou a esquerda. A juventude olha o resultado ideal, a igualdade, a liberdade, a revolução dos costumes, só não vislumbra que as pessoas são diferentes, que têm espectativas diferentes, se aplicam de forma diferente e que alguém precisa pagar a conta. Mas que é mais fácil defender um ideário de esquerda do que um de direita, ah, isso é! Além disso, no momento certo, a esquerda é sempre mais unida do que a direita.

      Na esquerda a  incógnita ainda é o PT. O Lula não será candidato e o partido não tem ninguém de peso para substituí-lo. Todos os antigos nomes fortes do partido ou estão na cadeia ou estão a caminho. Sobram o Fernando Haddad que não se reelegeria a prefeito de São Paulo e o Jaques Wagner que também não se reelegeria para governador da Bahia, e dessa vez não adianta apelar para um poste ou para um cone. Porém há no PT uma certa capacidade de transferências de votos, o que poucos partidos têm,  e o candidato a quem ele vier apoiar pode ter algum sucesso, pois há militância, há capilaridade, há um partido forte e organizado, que facilmente já sai com 20% das intenções de voto, seja qual for o candidato.

      A Marina Silva tem um cesto de votos também contados. Ela faz o estereótipo de coitada, pobre, trabalhadora, doméstica, que se educou com dificuldade e venceu. Chegou a senadora e rompeu com  o partido quando descobriu as falcatruas que são contra seus princípios, e brasileiro gosta de um sofredor. Apoia esses até mesmo nas votações do BBB. Assim a candidata tem um público cativo que, em muitos casos, frequenta a universidade, mas que não vê a diferença entre o discurso genérico e a capacidade administrativa. Mesmo assim, ela dividirá os votos da esquerda no primeiro turno.
Os mais radicais, Guilherme Boulos e Manuela D`ávila irão competir entre si, têm um eleitorado ativo e militante, porém pequeno, e sem tempo de televisão não irão se desenvolver, a não ser que venham a ser apoiados pelo PT.

      E quanto ao Ciro? Acredito que ele tem a seu favor o maior repertório de possibilidade eleitoral. Explico: a imagem que mais associo ao Ciro Gomes é a da água. Água limpa todo mundo quer, desde que seja em quantidade suficiente. Se estiver suja, pode ser filtrada, se estiver salgada pode ser dessalinizada. Se estiver solta, é maleável, se estiver contida, se comporta, e se estiver contida e for congelada, toma forma, mas se aquecer, escorre. Se ferver, evapora, mas se a condição estiver favorável com temperatura e pressão corretas, chove, destilada e límpida. O Ciro Gomes é o candidato mais forte porque junta duas características: incorpora a teoria da evolução e se adapta sempre, por isso sobrevive e forte! e a segunda, como disse Renato Russo na canção Eu Sei, “é mais forte quem sabe mentir”, e o Ciro sabe!

      Mostrando ser maleável e adaptável, Ciro se filiou ao PDS – antiga ARENA, ao PMDB, ao PSDB, ao PPS – antigo Partido Comunista, ao PSB, ao PROS e ao PDT, e serviu aos governos Itamar,  Lula e Dilma. Tudo de ocasião, não por ideologia. Ele sabe bem aproveitar o bônus e quando aparece o ônus, sai atirando, mas se precisar, se junta novamente. Ele é paulista de Pindamonhangaba mas posa de nordestino, onde estudou direito e iniciou a carreira política. Sempre um pé em cada canoa.

      O vídeo do link https://www.youtube.com/watch?v=VLIeFkUU-lE tem a duração de 2’:30”, mas basta assistir os dois primeiros minutos para ver 3 mentiras contadas pelo Ciro. 1 – ele nega ter dito que sequestrariam o Lula e o entregariam a uma embaixada. 2 – que ele receberia a “turma do Moro” à bala. 3 – que ele não deu um tapa no blogueiro Arthur (mamãefalei). Nos dois primeiros casos as falas estão gravadas, no terceiro, ele diz em entrevista ao Datena - https://www.youtube.com/watch?v=bchY4ZE2mNI  que foi um “truque de edição”. Que isso não aconteceu! Afirma que ele tem a mania passar a mão na cabeça das pessoas, mas como foram cortados 2 frames na edição ficou parecendo um tapa. Opa! Aqui não, se eu não tenho autoridade intelectual ou acadêmica para os comentários, de televisão eu entendo, de edição eu entendo, e afirmo, ele bateu. Não foi uma “porrada”, mas foi um tapinha intimidador. E o próprio Datena não quis “trucar”, pois o Datena também entende. Trabalhamos juntos em televisão na década de 1980. Então, mentir, o Ciro sabe.  Como o vídeo é longo, pode assistir a partir do sétimo minuto. Na mesma entrevista ele diz estar afastado da política há 12 anos, o que nos remeteria a 2006, ano em que ele foi eleito deputado com mandato até 2010. Se isso não é uma mentira é um erro crasso de quem foi ministro da economia e deve, pelo menos, saber fazer conta de adição e subtração.

      Assim como o Bolsonaro, o Ciro tem temperamento explosivo e é também conhecido na internet como “Tiro Gomes”, no link https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/o-menino-maluquinho-do-ceara-virou-um-cinquentao-muito-doido-2/   há diversas declarações destemperadas. Porém ele é mais articulado que o primeiro. Posa de intelectual, pois é advogado, professor de direito, escreveu alguns livros, que não li e por isso não posso avaliar, porém apesar de ser Visiting Scholar na Law School de Harvard, pagou mico tentando justificar, em inglês, que, se eleito, não concederia indulto ao Lula – o vídeo é longo e chato, mas se alguém tiver curiosidade https://www.youtube.com/watch?v=-b5jMvIyGkc&t=631s.

      O Ciro é experiente tanto como parlamentar quanto como executivo e com o discurso mais à esquerda (sedutor), e com o apoio do PT, que acredito que virá, embora o Lula tenha mandado parar com essa aproximação http://www3.redetv.uol.com.br/blog/reinaldo/gleisi-vai-a-lula-e-volta-com-duas-orientacoes-por-fim-a-conversa-doida-do-indulto-e-proibir-governadores-do-pt-de-manter-namorico-com-ciro/  e arrumando um vice, que por enquanto deve ser indicado pelo PSB, acredito que ele é quem mais chance tem nas próximas eleições, ainda que seus adversários possam apresentar os argumentos como o do vídeo a seguir:  https://www.youtube.com/watch?v=OeLukPiNwPI .

      Independente de quem venha a ser eleito, a governabilidade estará seriamente comprometida. Pois a turbulência política e institucional está tão grande que a população espera por um salvador da pátria. Que o Batman apareça para dar jeito e isso não ocorrerá, e com o já disse diversas vezes, damos muita importância ao executivo, mas nosso principal problema está no legislativo. Nosso conjunto de leis é frágil e muito sujeito a interpretações, o que propiciou a anarquia e desconfiança hoje estabelecida.

terça-feira, 8 de maio de 2018

SET - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE TELEVISÃO


      Pela décima quarta vez participei da exposição de equipamentos e soluções para televisão, rádio e produção em geral que ocorre anualmente em Las Vegas. Há similares na Ásia e Europa, mas em número de expositores e visitantes, a NAB Show é a maior. Há anos que a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, a SET, promove dentro da NAB Show um café da manhã e diversos painéis e palestras voltadas para o público brasileiro que vai a Las Vegas. Esse se tornou um ponto tradicional que une representantes de emissoras, produtoras, distribuidores e fabricantes. Muitos contatos e agendamentos são feitos nesse evento chamado de SET e Trinta, nome que remete ao horário de início dos trabalhos, muito embora, houve um período em que começava às 6:30h e judiava! Nesse ano refleti mais uma vez sobre o trabalho da SET.

NAB SHOW 2018 - PAVILHÃO SUL

      A SET foi criada em 1988 por engenheiros e técnicos das principais emissoras de televisão do país, alguns fabricantes e outros apoiadores. Sua visibilidade começou a aumentar a partir do segundo seminário técnico, realizado no Rio de Janeiro, em junho de 1989, e a responsabilidade foi se tornando maior com a publicação de uma revista, de um jornal, com uma exposição de equipamentos aqui no Brasil que começou no Anhembi, teve passagens pelo Rio Centro, se fixou no Centro de Exposições Imigrantes e agora tem ocorrido com o nome de SET Expo, no Center Norte, em Sâo Paulo. Como ocorre na NAB, onde em paralelo à exposição há uma série de palestras que são bastante concorridas, também durante a SET Expo e suas versões anteriores, há os congressos técnicos. Além disso, a SET promove anualmente congressos técnicos nas 5 regiões do país, levando ao seu público, principalmente aos que não têm acesso à SET Expo ou à NAB Show, aquilo que de mais moderno há no mundo de televisão e mídia digital.

PARTICIPEI DO SEGUNDO SEMINÁRIO TÉCNICO - FOTO EXTRAÍDA DA REVISTA DA SET

      A SET foi de fundamental importância, eu diria até que foi determinante na definição do padrão digital de televisão adotado no Brasil, e cujo processo de implantação tem sido modelo para os países pobres. A SET, com competência e diplomacia, estudou, pesquisou, comparou, discutiu e colocou na mesma mesa todos os representantes significativos de tecnologia, universidades, fabricantes e governos, sim no plural, pois entraram na disputa os americanos, europeus, japoneses e o brasileiro, a quem cabia a oficialização. Havia pressão de todos os lados, pois se tratava de milhões de dólares em negócios, mas a meu ver, o modelo escolhido, o japonês, era mesmo o melhor tecnicamente falando. A transmissão digital em alta definição e o desligamento do sinal analógico já é realidade nas áreas de maior interesse comercial do Brasil, e a previsão para a conclusão do processo nos remete a 2023 e olhe lá! Mas a SET já trabalha com vistas à TV de super alta definição, aliás, como já acontece no mundo industrializado.

      Me associei à SET ainda em 1989 mas nunca fui atuante por, primordialmente, ter morado no interior, trabalhado em emissoras pequenas e não ter atuação acadêmica. Mas ainda hoje, vários membros das diretorias originais e, lógico, outros abnegados se revezam no trabalho de manter a SET ativa e sendo representativa nos organismos mundias que atuam junto às áreas técnicas da radiodifusão, sendo reconhecida internacionalmente pela sua capacidade e competência.

      Não importa que você gaste mil, cem mil ou um milhão em uma festa, sempre haverá quem reclame. Da mesma maneira,  vejo colegas reclamando de algumas das ações da SET, falta isso, falta aquilo, poderia ser assim, poderia ser assado... mas trabalhar mesmo são poucos que se oferecem. E a SET necessita disso, de novos colaboradores, de jovens, principalmente, que se alinhem àqueles que sempre lutaram para mantê-la e aumentem a atuação e projeção, pois isso é importante para a categoria, para o negócio e para o país.

      Para mim, desde a sua criação, todas as diretorias foram constituídas por heróis que não recebem nada e fazem muito. À todos só posso deixar os meus parabéns e, principalmente, o meu muito obrigado.