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terça-feira, 8 de maio de 2018

SET - SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENGENHARIA DE TELEVISÃO


      Pela décima quarta vez participei da exposição de equipamentos e soluções para televisão, rádio e produção em geral que ocorre anualmente em Las Vegas. Há similares na Ásia e Europa, mas em número de expositores e visitantes, a NAB Show é a maior. Há anos que a Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão, a SET, promove dentro da NAB Show um café da manhã e diversos painéis e palestras voltadas para o público brasileiro que vai a Las Vegas. Esse se tornou um ponto tradicional que une representantes de emissoras, produtoras, distribuidores e fabricantes. Muitos contatos e agendamentos são feitos nesse evento chamado de SET e Trinta, nome que remete ao horário de início dos trabalhos, muito embora, houve um período em que começava às 6:30h e judiava! Nesse ano refleti mais uma vez sobre o trabalho da SET.

NAB SHOW 2018 - PAVILHÃO SUL

      A SET foi criada em 1988 por engenheiros e técnicos das principais emissoras de televisão do país, alguns fabricantes e outros apoiadores. Sua visibilidade começou a aumentar a partir do segundo seminário técnico, realizado no Rio de Janeiro, em junho de 1989, e a responsabilidade foi se tornando maior com a publicação de uma revista, de um jornal, com uma exposição de equipamentos aqui no Brasil que começou no Anhembi, teve passagens pelo Rio Centro, se fixou no Centro de Exposições Imigrantes e agora tem ocorrido com o nome de SET Expo, no Center Norte, em Sâo Paulo. Como ocorre na NAB, onde em paralelo à exposição há uma série de palestras que são bastante concorridas, também durante a SET Expo e suas versões anteriores, há os congressos técnicos. Além disso, a SET promove anualmente congressos técnicos nas 5 regiões do país, levando ao seu público, principalmente aos que não têm acesso à SET Expo ou à NAB Show, aquilo que de mais moderno há no mundo de televisão e mídia digital.

PARTICIPEI DO SEGUNDO SEMINÁRIO TÉCNICO - FOTO EXTRAÍDA DA REVISTA DA SET

      A SET foi de fundamental importância, eu diria até que foi determinante na definição do padrão digital de televisão adotado no Brasil, e cujo processo de implantação tem sido modelo para os países pobres. A SET, com competência e diplomacia, estudou, pesquisou, comparou, discutiu e colocou na mesma mesa todos os representantes significativos de tecnologia, universidades, fabricantes e governos, sim no plural, pois entraram na disputa os americanos, europeus, japoneses e o brasileiro, a quem cabia a oficialização. Havia pressão de todos os lados, pois se tratava de milhões de dólares em negócios, mas a meu ver, o modelo escolhido, o japonês, era mesmo o melhor tecnicamente falando. A transmissão digital em alta definição e o desligamento do sinal analógico já é realidade nas áreas de maior interesse comercial do Brasil, e a previsão para a conclusão do processo nos remete a 2023 e olhe lá! Mas a SET já trabalha com vistas à TV de super alta definição, aliás, como já acontece no mundo industrializado.

      Me associei à SET ainda em 1989 mas nunca fui atuante por, primordialmente, ter morado no interior, trabalhado em emissoras pequenas e não ter atuação acadêmica. Mas ainda hoje, vários membros das diretorias originais e, lógico, outros abnegados se revezam no trabalho de manter a SET ativa e sendo representativa nos organismos mundias que atuam junto às áreas técnicas da radiodifusão, sendo reconhecida internacionalmente pela sua capacidade e competência.

      Não importa que você gaste mil, cem mil ou um milhão em uma festa, sempre haverá quem reclame. Da mesma maneira,  vejo colegas reclamando de algumas das ações da SET, falta isso, falta aquilo, poderia ser assim, poderia ser assado... mas trabalhar mesmo são poucos que se oferecem. E a SET necessita disso, de novos colaboradores, de jovens, principalmente, que se alinhem àqueles que sempre lutaram para mantê-la e aumentem a atuação e projeção, pois isso é importante para a categoria, para o negócio e para o país.

      Para mim, desde a sua criação, todas as diretorias foram constituídas por heróis que não recebem nada e fazem muito. À todos só posso deixar os meus parabéns e, principalmente, o meu muito obrigado.

domingo, 12 de novembro de 2017

Moinho de Reputações

      Dizer que o mundo mudou ou que as coisas não são mais como eram antigamente é lugar comum, pois sempre foi e será assim, o progresso de hoje é o atrasado do amanhã. As tecnologias tidas como revolucionárias e disruptivas, se vistas no curto espaço de tempo, foram, na verdade, gradualmente implementadas, isso ocorreu com a energia a vapor, com a energia elétrica e com a tecnologia da informação. Todas mudaram de maneira substancial, e sem volta, o modo de vida, e continuam evoluindo. Meu primeiro contato com computador foi em meu primeiro emprego com registro em carteira, isso há 42 anos. Está certo que o equipamento que tinha o tamanho de uma sala comercial era incapaz de executar um décimo do que um telefone celular de hoje faz, mas era um produto comercial. Uma das virtudes dessa tecnologia foi a agregação de funções, passando de simples executor de tarefas repetitivas para ser elemento de transformação social e do conceito de comunicação.

      Com a popularização da rede mundial de computadores a partir dos anos 90 do século passado a sociedade ganhou voz, e com o advento das redes sociais deram-se vários fenômenos, dos quais destaco dois:

1 - criação instantânea de celebridades, mesmo que, em muitas das vezes, efêmeras,

2 - destruidora de reputações.

      É dado valor a quem merece por alguém que daquilo gosta, comunga e compartilha, assim, mesmo que eu não reconheça alguns valores, a minha opinião não importa se aquilo é o que muitos desejam. Logo, mesmo que eu não os reconheça como célebres, os outros assim os determinam e ponto. São o que são.

      Somos complacientes com o que nos afeta e críticos contumazes daqueles que nos desagradam, e esse comportamento criou uma engrenagem informal que deu velocidade à maledicência. Os destacados Fake News são um exemplo. Não importa se não é verdade, a aparência é o que valida. O curioso é que nesse mecanismo nos associamos com os amigos em alguma causa e com os inimigos em outra, por exemplo, podemos defenestrar os torcedores do time adversário, mas sermos seus aliados políticos. Os xingamos no primeiro caso e os aplaudimos no segundo, e podemos mudar de lado quando nos aprouver.

      A boa reputação sempre foi difícil de ser construída e fácil de ser desmanchada e ainda demora uma vida para que alguém possa ser bem avaliado, mas a duração de um clique é suficiente para destruí-lo. E nesse sentido, aquilo que pode ser classificado como politicamente incorreto é campeão, veloz, certeiro e destruidor.

      Tivemos recentemente dois casos que tiveram o racismo como condição e o resultado foi devastador. A Ministra da Pasta do Direitos Humanos, reivindicando o direito de manter a sua aposentadoria como desembargadora e o salário de ministro, função em que efetivamente atua, disse em sua petição “…sem sobra de dúvida se assemelha ao trabalho escravo”. A tal frase foi lapidar. Jogou por terra toda a carreira construída ao longo de décadas de trabalho, estudo, promoções e ativismo. Não importa o que foi construído, o que importa é ter associado o termo escravo a um salário somado de cerca de R$ 33.700,00. Foi um argumento errado? Admitamos que sim. Foi uma colocação desastrada? Sim, foi. Ela perdeu uma boa oportunidade de ficar calada? Sim, perdeu, mas a carreira dela não tem valor? Se visto de outra maneira isso poderia ser diferente? Vejamos: se a Ministra estivesse liderando uma manifestação de valorização das minorias pobres e negras e dissesse que o salário recebido por essa parcela da população é insuficiente e que para sair dessa miséria que se assemelha a escravidão cada um teria que receber pelo menos R$ 30.000,00 de salário nada teria acontecido. Nada mesmo. Para mim a reação contra ela foi exagerada, mas essa marca será sempre lembrada em detrimento a tudo mais que ela construiu.

      Na semana passada passou a circular o vídeo gravado há um ano em que um jornalista, embora com parte inaudível, mas dedutível, parece dizer  ”…é preto... coisa de preto". De acordo com o contexto pode ser considerado racismo? Sim, pode. Ele pode vir a ser processado e condenado? Pode. Pode perder o emprego? Tanto pode que afastado da função já está, mas eu duvido que de fato ele seja racista. Que ele não tenha amigos negros, que não admire e tenha se inspirado em negros, que não respeite pessoas de raça negra. Reconheço que para os negros isso é um acinte, mas o caso foi amplificado justamente pelo fato de que ele é um jornalista culto, inteligente, competente, referência, e por trabalhar em um veículo de credibilidade e grande penetração. Haverá negros que se sentirão ofendidos e outros que poderão classificar como bobagem, mas muitos não negros que o acusam podem ter feito coisas piores, porém não foram flagrados. Será que esses nunca contaram ou riram de uma piada sobre negros, gays, argentinos ou portugueses ou ainda, não praticaram bulling na escola? Não haverá no meio desses acusadores uma grande parcela de falso-moralistas que se aproveitam da oportunidade para simplesmente se manter em evidência? Não estou aqui para defender o jornalista, pois ele é muito mais capaz e competente para fazer isso, além do que nunca precisou ou precisará de mim, mas será que nós precisamos ser assim?

      Eu gostaria que internet e as redes sociais fossem lembradas muito mais por aquilo que elas podem construir do que que pelas reputações que elas podem arrasar, mas esses são apenas os meios, o que importa são as pessoas que os utilizam. Quanto às celebridades meteóricas, bem, deixem pra lá…

domingo, 9 de agosto de 2015

De Que Lado Você Está?

      A humanidade se desenvolveu mas não foi sem dor, e isso fica evidente quando um grande e barulhento grupo começa a perder. Há situações em que se é fácil tomar partido, outras, nem tanto. Ser contra a escravidão? É fácil. Ser contra o racismo? É fácil. Defender a escola pública, gratuita e de qualidade? Nem se diga. Mas defender o auxílio reclusão? E defender a pena de morte? E quando somos nós ou alguém próximo que está perdendo? Dá para ser imparcial? Por exemplo, todo mundo sabe que o frete é um dos grandes componentes do chamado custo Brasil. Em sendo reduzido, muitos preços poderiam ser menores, seríamos mais competitivos na exportação e isso geraria riqueza, para isso o transporte ferroviário e o hidroviário deveriam ser incentivados. Isso traria um efeito colateral, muitas empresas de transporte rodoviário fechariam, muitos motoristas perderiam os seus empregos e o mesmo ocorreria com a industria de caminhões. Em qual lado devemos ficar?

      A revolução industrial foi dolorosa para os artesãos, a tecnologia mudou radicalmente a agricultura e a sociedade da informação está acabando até mesmo com as ligações telefônicas. Hoje as empresas de telecomunicações ganham mais com dados do que com voz. Muita coisa desaparece, muita coisa se transforma e independente do lado que queiramos defender, nem sempre seremos atendidos. A televisão não acabou com o rádio, mas esse se reinventou, deixou de ser mundial e passou a ser local. A internet ainda não acabou com o jornal, com a televisão nem com o rádio e nem sei se acabará, mas a televisão está voltando a ser como no início, tempo em que não havia gravadores de vídeo, cada vez mais a programação está sendo transmitida “ao vivo”. Hoje a própria Globo entra no ar “ao vivo” às 5 da manhã e segue assim até o final do Video Show, próximo das 15 horas.

      O CD praticamente matou o vinil, e hoje o download de musicas praticamente matou o próprio CD. As fotos eletrônicas acabaram com os filmes e reduziram em muito as impressões, e em todas essas mudanças alguém sempre ganhou e alguém sempre perdeu. Há cerca de um ano escrevi sobre os taxis de Salvador e elogiei o serviço das cooperativas, ele modificou o processo porém manteve os mesmos atores, mas agora a estória já não é a mesma. O aplicativo Uber, o mais conhecido, e seus similares vieram para modificar a estrutura e vai conseguir. Citei no mesmo post que o alto custo das licenças para se dirigir um taxi era produto do numero limitado de licenças, o que não existe na lógica do Uber. Para se trabalhar são poucas as exigências, mas o bom atendimento é o que o diferencia do taxi comum ou até mesmo do chamado especial, que de especial só tem o nome e o preço.

      Nessa luta eu não tomo partido e nem me afeta muito, porém sei que o barulho que a categoria faz, e que não é pouco, não vai dar em nada, pois essa é uma briga perdida. Pode ganhar o primeiro round e até nem ser nocauteada, mas, no final perderá. Não dá para brigar com a tecnologia, ela continuará se desenvolvendo independente da nossa vontade.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Escravo virtual


Não gosto de ir a supermercados e nem a lojas de roupas e calçados. Não consigo imaginar porque as mulheres gostam tanto de uma vitrine, mas gosto de ter aparelhos eletrônicos. Para comprá-los não preciso de muito tempo e nem mesmo sair de casa, basta um clique e dinheiro para pagar. Alguns deles troco com alguma frequência, mas outros fico por mais tempo como o netbook , ou como meu filho o chama, lerdobook, que por ser antigo não é tão eficiente como os atuais, mas me atende. No último final de semana substituí nele a versão original do Windows pelo novo Windows 8 e isso deu trabalho, pois havia uma certa incompatibilidade que foi superada. Nem aprendi a utilizá-lo direito, mas há uma certa vantagem: ficou muito mais rápido ligá-lo.

Se tem uma coisa que irrita o usuário de computador pessoal é ter que ficar esperando que o computador realize qualquer operação, seja do próprio sistema ou seja da rede. Os fabricantes sabem disso e se agora o chamado boot ficou rápido vem a pergunta: porque não fizeram isso antes? A tecnologia já estava disponível há bastante tempo, bastava implementá-la. Eu acho que eles gostam de nos ver irritados.

As novas funções são baseadas em aplicativos e há uma febre de atualização. A todo o momento há uma correção a ser feita, um aplicativo a ser atualizado e vários deles que requerem a intervenção do usuário, quando não, bloqueiam a operação fazendo-o esperar.

Além de gostarem de te irritar, hoje os 3 grandes fabricantes Apple, Microsoft e o Google, além do Facebook, desejam te escravizar. Os programas e máquinas de cada um deles tornam difícil a utilização dos recursos dos concorrentes e amarram o funcionamento aos seus próprios produtos. Além do que, eles sabem mais da sua vida do que você mesmo, e dessa maneira direcionam as buscas e as publicidades baseadas no histórico das operações anteriores. A invasão chegou a tal ponto que para trabalhar no Windows 8 o usuário praticamente tem que estar “logado” ao site da Microsoft, não basta ligar o computador, é melhor que ele tenha uma rede para se conectar.

Passei os olhos sobre uma reportagem nessa semana que diz que cada "assinante" vale R$ 450,00 para o Google e cerca de R$ 90,00 para o Facebook, ambos com cerca de um milhão de usuários. Há 20 anos quem poderia imaginar que haveria esse tipo de empresa e que isso pudesse gerar tanto dinheiro?

Ainda que sejam empresas concorrentes parece que há uma “teoria conspiratória” onde os grandes se unem para nos aprisionar. Eu odeio essa sensação, mas nos dias de hoje dá para viver sem essa tecnologia?

Obs. Esse texto está hospedado em uma das divisões do Google.

domingo, 16 de outubro de 2011

Animal Político.

      A política, como a conhecemos, nasceu na Grécia antiga e estava relacionada a todos os assuntos da Pólis (cidade estado). Os cidadãos defendiam os seus interesses perante os seus pares, ou seja negociavam, assim como negociamos desde o nascimento chorando para mamar. Como definiu Aristóteles, o homem é um animal político, e não é possível, dessa forma, imaginar que as recentes manifestações em diversas partes do mundo possam estar desprovidas de política.

      Em outubro de 1.929 uma sequente venda de ações derrubou os preços das ações da Bolsa de Nova Iorque resultando no que ficou conhecido como Crash, queimando a economia de milhões de investidores e trazendo conseqüências à economia mundial. Mas naquele tempo as crises locais demoravam para se espalhar, pois a economia viajava de navio, hoje se transporta quase que à velocidade da luz, e as distâncias são vencidas no tempo de um simples clique. Não é novidade que as economias sejam interligadas, os grandes impérios antigos já comercializavam intercontinentalmente. A diferença é que a escala hoje alcançada é sem precedentes, e além de bens de consumo, de produção, ou duráveis, há também os financeiros, esses voláteis e ariscos. Com o desenvolvimento da tecnologia, a informação e a comunicação passaram a ser imediatas e quase impossíveis de serem bloqueadas, ainda que os ditadores assim desejem.

      Devido a grande dimensão da economia americana o déficit financeiro de seu governo há muito põe em risco a economia mundial. Seu par em dimensão, a Europa, onde os governos de alguns países são lenientes com a austeridade fiscal, se envereda pelo mesmo caminho, assim, a bonança expansionista da economia terá uma retração e não haverá imunes, em maior ou menor escala todos sentirão, como já está sendo visto desde 2008 nos Estados Unidos, desde o ano passado está claramente identificado na Grécia e mais recentemente no bloco conhecido como PIG (porco em inglês) Portugal, Itália e a própria Grécia, além da Espanha, cujos bancos já tiveram as suas avaliações de riscos aumentadas.

      Por outro lado, desde o final do ano passado vemos no oriente médio e norte da África uma sucessão de revoltas populares contra governos ditatoriais que em alguns casos já os derrubaram como na Tunísia, Egito e Líbia, e há um número muito maior em andamento, movimentos que geraram o nome de Primavera Árabe, ainda que nem todos os países sejam Árabes.

      Já vimos no início do ano a revolta dos estudantes na Inglaterra, o quebra-quebra na França, novamente os estudantes no Chile, o movimento Ocupem Wall Street em Nova Iorque, o Ocupem a City em Londres, o movimento na Plaza Mayor em Madrid, ontem ocorreram as manifestações na Itália que terminaram em vandalismo e quebradeira e também há cerca de um mês temos visto os tímidos protestos contra a corrupção no Brasil.

      Há muita coisa comum em todos esses movimentos, a começar pela política que está na necessidade de ser ouvido, de ter, por cada um, os seus interesses defendidos. Tem também a economia. Ninguém reclama quando está abastado e sem ameaças, a economia em si embute o conceito de administrar a escassez, não a fartura. Há também a forma de comunicação que utiliza primordialmente a Internet como plataforma e as redes sociais como veículos para a mobilização e demonstração da sua força a fim de ganhar mais adeptos e engrossar as vozes.

      Cada um vê esses movimentos por sua própria ótica, para uns, a revolta contra a ditadura representa a superioridade da democracia, para outros a ocupação por populares do maior centro financeiro do globo significa a derrocada do capitalismo e há os que acreditam que a simultaneidade de todos os eventos é um cataclismo. Para mim o mundo não acabará em 2.012. Não sei dizer se os governos que sucederão os depostos serão melhores que os anteriores, até porque em 1.979 achei que nada seria pior para o Irã do que o Shah Reza Pahlev, mas veio o Khomeini e os seguidos governos teocráticos, e hoje temos lunáticos quase nuclearmente armados. Também não acredito em governos provedores de bem estar social, pois não é possível haver justiça se tudo é provido, haverá sempre os que merecem e nada recebem e os que nada produzem mas sempre se ajeitam. Assim acredito no governo regulador e na sociedade produtiva e recebedora de benefícios por mérito. Acredito ainda que o capitalismo não será extinto, será reformulado para a sua própria sobrevivência e a tecnologia que é um de seus produtos estará mais forte e presente a cada dia.

      Particularmente sou simpático às manifestações brasileiras, mas cético de seu alcance, pois somos capazes de brigar por um time de futebol, mas não de nos engajarmos em uma causa que demande exposição, disponibilidade e privação. No Brasil apenas o PT tem força de militância para fazer uma causa sair da inércia, mas como na essência a manifestação é contra o desgoverno do PT e seus aliados, não iremos a lugar algum. Eu, que sou muito orgulhoso, ficaria muito feliz por estar errado nesse último parágrafo.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Tristeza!

      Tenho muitas dúvidas e poucas certezas e por isso tenho alguma facilidade para elaborar diversas visões sobre o mesmo fato, evento ou situação, claro que são apenas opiniões, pois não tenho a competência de cientistas sociais. Porém faço uma afirmação: sou a favor da tecnologia, inclusive, no meu primeiro emprego regular, em que comecei emitindo notas fiscais em máquinas de datilografia, tive o meu primeiro contato com computador. Era um aparelho enorme, com vários módulos, leitor óptico de cartões e leitor magnético de fitas impressas em cartões de papel, além de muita mecânica para manipulação de fichas, impressão em formulários e perfuração dos cartões. Era uma máquina alugada da Borroughs que ocupava uma sala inteira super gelada, e cuja capacidade era uma pequena fração do que faz hoje qualquer telefone celular. O efeito colateral foi que dos 12 funcionários do departamento, 10 foram demitidos após essa implantação, ficaram apenas o chefe e eu.

      Aquela tecnologia já começava a modificar os fluxos de trabalho, mas não era acessível à população e nem produzia acesso às informações. Eu, que naquela época eu tinha 17 anos, ganhava 10% mais que o salário mínimo, cursava o último ano do curso técnico em eletrônica e vivia em cidade pequena, tinha contato limitado com o mundo. Em minha casa não havia receptor de televisão, logo, ouvíamos rádio, para ler revistas e jornais eu visitava bancas de conhecidos ou recorria a locais públicos como as bibliotecas, mas eu lia muito. A partir dos 12 anos, graças ao grupo de conhecidos do meu irmão, passei a ter contato com livros e pessoas esclarecidas e engajadas na luta contra a ditadura militar, e tive acesso à literatura nacional, internacional, filosofia e política. Meu comportamento era eclético, então conheci de Machado de Assis, a Jorge Amado, passando por José Mauro de Vasconcelos. Li Tolstoi, Dostoievski, Fernando Pessoa, alguma coisa de Shakespeare, Waldo Emerson, Maquiavel, Kant, Hegel, Sócrates, Platão, Marx e muitos outros. Como preguiçoso e invejoso que sou, eu não estudava, mas procurava entender as ideias e perguntava muito. Isso refletiu no meu gosto musical e em minha comunicação, que, de tímido, passei a ser tagarela, pois eloquente é muito para mim, e me arvorei a escrever, fazendo parte da editoria de um jornalzinho dedicado à juventude.

      Apesar de tantas atividades, apenas hoje vejo como o meu mundo era pequeno. Eu poderia saber de muita coisa do passado, mas não vivia intensamente o presente e muito menos poderia interagir com ele, pois não havia essa maravilha que é a internet, ferramenta que hoje está disponibilizada em praticamente todas as residências da classe média e em centros gratuitos para os de menor poder aquisitivo. Nem preciso listar todas as virtudes da rede, pois vocês que me lêem através dela a conhecem muito bem. Da mesma maneira que se diz que o mal não é o que entra pela boca, mas o que sai dela, não há mal na internet, mas o mal é o que se faz dela. Tenho uma conta de e-mail do Yahoo e por isso acesso esse portal todos os dias, e no lado direito da página inicial há um quadro com os 10 assuntos mais buscados e, se considerarmos que os que mais acessam a rede são pessoas que possuem um certo grau de escolaridade, são em sua maioria jovens, estão em idade ativa e produtiva, me dá enorme tristeza quando vejo os “top ten”

1. Horóscopo
2. Resumo das novelas
3. Robinho
4. Mineiros Chilenos
5. Eliana
6. Miley Cyrus
7. Sabrina Sato
8. Mariah Carey
9. Telelistas
10. Justiça Federal.

      Será que não há uma maneira melhor de aproveitar esse extraordinário recurso?

Obs. Não li Os Lusíadas, apenas algumas passagens. É claro que li Vidas Secas e Os sertões dentre outros. O José Mauro de Vasconcelos conheci pessoalmente, levei uma coleção de seus livros que pertencia a um amigo para que ele autografasse quando do lançamento de Chuva Crioula.