Por definição, amigos são as pessoas ligadas por sentimento de amizade, e essa, segundo o Aurélio, é o sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual. Dessa forma posso dizer que tenho muitos amigos, pois ao longo dos anos pude me relacionar, dentro desse conceito, com um número grande de pessoas, no entanto, em espaços curtos de tempo tenho sempre poucos amigos. Há amizades que duram toda uma vida, e outras que, de intensas num momento, tornam-se apenas boas lembranças, e há também aquelas das quais não se quer lembrar mais. Como assim? Não se tratava de um sentimento fiel de afeição e coisa e tal? Sim, tratava, mas as coisas mudam, as pessoas mudam e os sentimentos mudam.
Conquistar é mais fácil que manter já ensinava Maquiavel, e a manutenção da amizade exige uma boa dose de renúncia recíproca. Não renunciou, acabou, mas uma amizade bem alimentada pode resultar em muitos benefícios, principalmente psicológicos, pois são essas as pessoas com as quais podemos contar sempre. Amigos não devem ser amigos apenas para nos satisfazer, mas, principalmente para, de certa maneira, nos conter quando estamos extrapolando o limite do razoável. Nesse momento cabe ao amigo dizer não, você não está fazendo o certo. É claro que tal atitude pode gerar alguma tensão, mas se a experiência anterior tiver sido sadia e proveitosa, o momento será superado fazendo-nos crescer.
Amigos entram e saem das nossas vidas constantemente e seria muito bom se nunca os perdêssemos, mas para um filho de Xangô com Oxum como eu, isso não é possível. Sou perseverante e trabalho muito para criar as amizades, mas melindroso, não lido bem com a contrariedade, e tenho enorme dificuldade em pedir algo mesmo a amigos, mas se chego a pedir e recebo um não como resposta, o espírito de Xangô predomina e é guerra que quero, e depois disso é difícil me convencer do contrário. Não sinto orgulho por isso, mas assim já estraguei muitas amizades. Arrependo-me de ter perdido a maioria delas, e de várias, se eu tivesse oportunidade de reescrever a estória, eu o faria, mas como isso não é possível, paciência, amigos vão, amigos vêm. Também considero a perda pelo simples afastamento, seja por interesses distintos, ou seja, por causa da distância. Ainda que a comunicação e a rede mundial de computadores nos coloque sempre em contato, nada supera a convivência real e física, mas também nesse caso, paciência, acontece.
Melhor que falar de perda é falar de ganho, por isso, seja por aquelas amizades que estão sendo construídas ou por aquelas que estão sendo consolidadas, sou muito grato, espero que essas possam se enquadrar na categoria dos eternos, que mesmo à distância física ou temporal, quando se estabelece contato, que seja intenso, e mais do que me servir de vocês eu possa servir a vocês, pois isso me faz muito bem.
Eu havia planejado escrever 12 artigos em meio ano, mas em quase oito meses esse já é o de número cinquenta, e ainda que eu tivesse tido a oportunidade e assunto para escrever, preferi deixar esse número simbólico para prestar uma homenagem a todos os meus amigos e principalmente agradecer a vocês que lêem, comentam por mensagem, telefone ou pessoalmente. Se vocês me suportarem, escreverei mais uns cinquenta. Muito obrigado.
O link abaixo é da música A Lista, de Oswaldo Montenegro. Vale a pena ouvir.
http://www.youtube.com/watch?v=mJ-28ZiiExw&feature=fvsr
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