sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Oportunidade

      Tenho outros assuntos para escrever, mas não podia deixar passar essa oportunidade, factual, como dizem os meus amigos jornalistas. Hoje, ao descer as escadas na empresa, deparei-me com o Engenheiro, Tenente Coronel e Comendador Marcos Pontes, que veio divulgar que às 18h ele estará no shopping Center autografando o livro de sua autoria: É possível – Como transformar seu sonho em realidade. Para quem não se recorda, seu feito é ter sido o primeiro homem do hemisfério sul a habitar a Estação Espacial Internacional (ISS), ou seja, é o primeiro brasileiro a participar de uma missão no espaço, e popularmente falando, é o primeiro, e até agora único, astronauta brasileiro.

      Consultando o seu site: www.marcospontes.com.br podemos obter algumas informações. Ele participou de 40 cursos e treinamentos, possui 35 qualificações e tem 37 condecorações, homenagens e prêmios, isso aos 48 anos. De origem humilde e iniciando cedo a trabalhar, hoje, ainda novo, e desligado das funções militares continua residindo em Houston e ganhando a vida com um milhão de atividades como empresário, palestrante, escritor, consultor etc. e tal.

      Senti alegria ao rever as imagens de seu treinamento que ocorreu no Centro Espacial Johnson, que visitei em outubro e conheci todos aqueles lugares, e também fiquei com uma ponta de inveja, pois queria eu ter podido viajar ao espaço, mas como trabalho para ganhar o meu sustento e pago as minhas despesas, tive apenas alguns dólares para visitar o centro espacial, mas nunca terei 20 milhões de dólares, que é quanto o nosso governo pagou para que ele fizesse a tal viagem.

      Sobre a missão realizada em março de 2006 ele disse ter feito 8 experimentos científicos, dos quais destacou um para a Universidade Federal de Santa Catarina sobre o controle de temperatura em estruturas de satélites, e outra sobre DNA, para a Universidade Estadual do Rio de Janeiro, mas o que me lembro mesmo foi do feijão plantado em algodão como é feito por toda escola de ensino fundamental, ou seja, 20 milhões de dólares, fora o custo de todos os treinamentos, subsidiados para plantar feijão no algodão.

      Ele classificou o seu livro como sendo motivacional, mas eu o classifico como auto-ajuda, e com toda ajuda que ele pode dar a si mesmo. Agora na vida civil e bem mais gordo do que mostram as imagens do seu período de treinamento, ele está ganhando dinheiro. Assim, aquilo que investimos e que deveria retornar como conhecimento para desenvolver a nossa agência espacial, está retornando para os seus próprios bolsos. Não que eu imaginasse que isso não pudesse ocorrer, mas sinceramente, que fosse com idade mais avançada, depois de ter dado a sua contribuição ao desenvolvimento da ciência no país, mas já? Em idade ainda produtiva? Só posso concluir que ele sabe realmente como se auto-ajudar.

      Espero que ele como piloto de combate e especialista em armamento aéreo não me declare como sendo seu inimigo e faça um disparo sobre a minha cabeça.

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