domingo, 3 de abril de 2011

Um Dia De Fúria.

      Não ando armado, não tenho 2m de altura e sim 1,73m, não peso 95kg, mas 71kg, e essas devem ser as razões pelas quais não gosto de discussões, barracos e coisas assim. Ainda que a minha sexta-feira tenha sido muito ocupada a cada segundo desde as 5:30h até às 19:30h, esse não foi um dia de aborrecimentos, além do que, dormi bem e bastante, logo não encontro justificativa para algumas das minhas atitudes no dia de ontem, a não ser que o governo deixou de perseguir o centro da meta de inflação, criou mais uma secretaria com status de ministério com 80 cargos nomeados e que custará 5 milhões por ano, além disso o nosso glorioso parlamentar por São Paulo e membro da comissão de Educação da Câmara que contratou 2 humoristas como assessores e que ganham 8 mil por mês sem trabalhar, e por ter exercido a nobre missão de visitar parentes no nordeste se hospedando em um resorte e apresentando a conta para que a Câmara pague. Após 52 anos eu deveria estar acostumado com a nossa pouca educação e a mesquinha cultura “do primeiro eu”, que com mediocridade faz com que as nossas cidades, com exceção de algumas ilhas urbanas, sejam feias, sujas e mal cuidadas.

      Ontem acordei cedo e com vontade de pedalar, mas aceitei o convite da minha esposa para caminharmos juntos, pois no circuito de 10km que fazemos de forma vigorosa e que cronometro e controlo os batimentos cardíacos, temos a oportunidade de colocar as conversas em dia em um ambiente e momento diferentes do nosso dia-a-dia. Comecei a ficar chateado com a sujeira e com as calçadas quebradas e intransitáveis. Passei a ficar com raiva pelo desrespeito que os motoristas têm pelos pedestres, por várias vezes, quando estávamos sobre a faixa para pedestres quase fomos atropelados pelos irresponsáveis. Voltando para casa, ao cruzar a avenida São Carlos na Praça Itália, isso ocorreu em um dos lados da rua, e no outro uma moto parou, um carro parou e um terceiro nem reduziu, o motorista, um jovem de uns 19 anos, no máximo, simplesmente jogou o carro em nossa direção. No reflexo meti o pé na porta do carro. Ele não parou e nós seguimos em frente e passei a ouvir um sermão da minha esposa.

      Esse local vocês conhecem, uma casa próxima do sindicato da Faber na qual se desenvolve a científica ocupação de astrologia, tarologia e outras charlatanices afins. Pois bem, um senhor começou a tirar um carro bom e novo daquela garagem e deixou parte do mesmo dentro da garagem, parte na rua, e fechando toda a calçada. Parei ao lado da porta do passageiro esperando que ele completasse a manobra. Ele disse: podem passar, indicando a traseira do veículo. Continuei parado e ele novamente nos “permitiu” a passagem. Eu disse, quero passar pela calçada, e ele determinou: então vai ter que esperar a minha esposa chegar, e sabe-se Deus onde ela estava. A minha vontade foi de passar por cima do carro, mas a minha esposa não deixou e começou novamente com o sermão. Fui grosso com ela.

      Chegamos à nossa casa, tomamos banho, e fomos ao shopping, pois eu precisava comprar algumas roupas, mas a loja que eu gostava fechou. Decidi não comprar nada e voltamos pra casa. Tomei outro banho e dormi por uns 40 minutos. Almoçamos e fomos, a pedido da minha esposa, à locadora de vídeo, e de lá eu iria deixá-la no supermercado. Chegando à XV de novembro para cruzá-la há duas possibilidades, ou ficar à esquerda para seguir em frente ou ficar à direita para entrar na XV, mas um motorista de táxi, vice dono da rua, pois os donos são os motoqueiros, resolveu que ele poderia passar pela direita por todos os otários que educadamente esperam a sua vez. Comprei a briga. De propósito larguei uns poucos mili-segundos após ele, pois no outro lado da rua ele teria três opções: bater no carro que estava estacionado em frente, virar para esquerda e bater no meu carro ou ficar atravessado no meio da XV, o que ele fez. Propositalmente reduzi a velocidade para deixá-lo exposto por um tempo mais longo. Permaneci na esquerda, pois na próxima esquina, onde tem um semáforo, eu iria entrar à esquerda, e ele, que continuaria em frente, passou-me pela direita me encarando com “cara de poucos amigos”. Deixei a minha esposa no supermercado e fui trabalhar das 13:30h até às 19:30h, numa tarde muito produtiva.

      Apesar de ter vivido isso não me reconheço nessas atitudes, pois não sou o dono da verdade e tampouco o redentor da humanidade, mas tenho certeza que todos aqueles que assistiram ao filme estrelado pelo Michael Douglas, Um Dia De Fúria, em algum momento deve ter pensado: às vezes dá mesmo vontade de fazer isso.

      Nega, me desculpe pelas atitudes infantis e por ter sido ríspido contigo.

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