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sábado, 21 de abril de 2018

Professor Ganha Mal. De Quem É A Culpa?


      É recorrente nas midias sociais a associação de uma imagem do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alkmin, a uma frase a ele atribuída na qual ele teria afirmado que o professor trabalha por vocação, não pelo dinheiro, se o professor quisesse ganhar dinheiro pediria demissão e iria para a iniciativa privada. É claro que acompanham xingamentos e afirmações óbvias quanto à necessária valorização da carreira de professor. Não pretendo aqui discutir política e nem filosofar sobre o sistema capitalista. Não importa nem mesmo a minha opinião sobre os dois, mas sim a realidade como essa se impõe.
      
      Que professor da rede pública estadual e municipal é mal remunerado não há dúvida, mas as críticas ao governo só demonstram o conhecimento rasteiro que se tem sobre economia. O salário é estabelecido pela raridade, não pela importância. Simples assim: professor ganha mal porque há muito. O exemplo primário é fazer a comparação com jogador de futebol. É fácil responder à pergunta: quem é mais importante, o professor que ensina a seu filho ou determinado craque do time A ou B? Esse é o problema, estamos comparando um professor de escola pública a um craque da iniciativa privada.

      Mesmo no meio do futebol a vida não é tão glamurosa. Uma pesquisa realizada em 2016 com 14.000 jogadores de 54 países mostra que 60% deles ganha menos que USD2,000.00 por mês, e no Brasil, 83% ganha menos de USD 1,000.00 por mês. (http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/noticia/2016/11/pesquisa-com-14-mil-jogadores-mostra-realidade-de-salarios-e-contratos.html) e que 0,9% ou seja, cerca de 6.700 jogadores no mundo ganha mais de USD 100,000.00 por mês. Só a rede pública estadual de São Paulo possui  mais de 482.000 docentes (https://pt.wikipedia.org/wiki/Educa%C3%A7%C3%A3o_em_S%C3%A3o_Paulo), isso é, são 7,2 vezes mais professores na rede estadual de São Paulo que o total de jogadores profissionais no mundo que é algo em torno de 67.000.

      Portanto não esperem que qualquer governo vá dar aos professores o valor salarial compatível com a sua importância. Só mesmo os professores podem fazer isso e não será fazendo greve, nem jogando cadeiras na entrada do palácio do governo ou invadindo o ministério. É preciso atacar a causa, não a consequência. É necessário ter compromisso com a solução, não com o problema.

      Se paga-se mal porque há muito, deve-se reduzir o número de professores. Poderia começar exigindo que escolas ruins de formação sejam fechadas e que os cursos de escolas consideradas boas ofereçam maior dificuldade para o ingresso e para a conclusão do curso. A realidade aponta que é muito fácil se formar professor hoje em dia. No Blog do Enem (https://blogdoenem.com.br/notas-de-corte-sisu-pedagogia/)  pode-se encontrar os seguintes dados sobre a nota de corte:

       
CURSO NC MIN. NC MÁX.
MEDICINA 880 900
ENGENHARIA ELÉTRICA 780 910
PEDAGOGIA 450 740

      Também são recorrentes na internet as imagens sobre as ideologias políticas pregadas nas consideradas escolas de bom nível em detrimento às técnicas de ensino. Aos professores cabem ensinar e apenas complementar a educação, pois essa deve ser obrigação dos pais e das famílias. Essa estória de formar cidadão integral e consciente é a melhor desculpa para quem não quer trabalhar. Ensinar dá trabalho, já fazer proselitismo político, é fácil.

      Além disso, a atuação dos representantes da classe, os tais sindicatos, deveria ser no sentido de estabelecer parâmetros de diferenciação para saber quem são os craques e quem são os comuns. Aos craques, salário de craque, aos comuns, rendimentos comuns. Em meus mais de 20 anos de estudos vi de tudo. Professor bom e produtivo e professor péssimo, enrolador, nem produzia e nem atendia direito aos estudantes. Certa vez ouvi de um professor na pós graduação, que respondendo a um comentário que a universidade fica triste com os alunos em férias, que há muitos professores que assim a preferem, ou seja, sem os alunos.

      Hoje, para atender aos quase 9 milhões de estudantes da rede pública estadual de São Paulo há 482 mil docentes, se esse número for reduzido em 30%, com certeza haverá um contingente desse tamanho de reserva, portanto é preciso reduzir drasticamente o número de professores formandos a fim de que haja escassez, e que a lei da oferta e da procura funcione a favor do professor, pois hoje está plenamente pendendo para o baixo salário.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um Bom Começo

      É muito difícil resolver grandes problemas, mas como toda longa jornada começa com o primeiro passo, divide-se o problemão em pequenos problemas para atacar um por vez.

      O Brasil está com um problemão. Vai mal na educação, na saúde, no transporte, na economia, na segurança e muito pior, na política. Não há resposta fácil e todos estamos perdendo, com excessão dos muito ricos. Não sei quantificar quantos escapam da crise, mas se chutar alto vale, vamos dizer que são 15%, isso dá cerca de 30 milhões. Na outra ponta deve existir um número igual de miseráveis, isso significa que pelo menos 70% pagam a conta.

      Talvez o mais difícil de resolver seja a política, pois suas excelências legislam em causa própria e detêm a força do estado. Mesmo se caíssem de paraquedas um exército de marcianos e os apartassem do poder e nos convocassem para organizar a bagunça nós não conseguiríamos, pois estamos tão acostumados à irracionalidade e a puxar a brasa para a nossa própria sardinha que não haveria acordo.

      Somente um povo educado pode pode discutir ideias e adotar o melhor para o conjunto, alguém deveria ceder para acelerar o desenvolvimento, mas isso está fora de questão atualmente, pois para se ter uma população educada são necessárias algumas gerações. E sabemos que patinamos nesse quesito há muitos anos.

      É lugar comum dizer que a saúde vai de mal a pior. É outro problema que para sanar vão gerações. Um programa de saneamento básico aliado ao planejamento familiar e atenção integral à saúde das gestantes e das crianças pode ser uma solução pragmática e de longo prazo, pois trabalhar-se-ia com prevenção, o que costuma ser mais barato. Para isso funcionar, diante do estado atual da economia, há que se abrir mão da saúde dos adultos, ou seja, deve-se escolher entre quem vai viver e quem vai padecer no falido sistema.

      Foi uma burrice histórica o programa econômico do PT. Mesmo os tão falados primeiros quatro anos. O governo do PT pegou um país minimamente organizado e teve a sorte de coincidir com um boom da economia mundial. O que fizeram? Venderam a janta para comprar o almoço. Foi como entrar logo cedo em uma corrente em que os primeiros ganham, mas a partir do rompimento do elo o prejuízo aparece. Hoje estamos sem a janta e o almoço é um pão dormido. Parodiando o folclórico recém empossado presidente americano, até um aluno ruim de economia (e de escola ruim - aliás é o que não falta) sabe que o modelo que que se tentou implantar era fracassado. Deu no que deu. Retroagimos, pelo menos, 8 anos e vai levar tempo até entrar nos trilhos novamente. Somente as polianas acreditavam que aquele armengue funcionaria. O transporte e a infraestrutura entram no bolo da economia desarrumada.

      Não dá para não falar da segurança. Hoje não há respeito pela vida. Hoje não há respeito pela pessoa. O sistema de segurança, incluindo os legisladores, os executores e os aplicadores de sentença (ou da falta dela) é caótico, falido e pouco operante. A gravidade da situação exige medidas efetivas e imediatas. A população de bem vê se maltratada, ultrajada e assinada por bandidos rasteiros e sofisticados, e sabe-se o mal exemplo vem de cima. Se 70% da população tem que pagar a conta, que pelo menos tenha sua integridade física garantida para que possa produzir. Isso não vai resolver tudo em curto prazo, mas é um bom começo.

sábado, 19 de novembro de 2016

Era da Intolerância

      Para melhor ser contada, a história é dividida em períodos. O Paleolítico, ou da Pedra Lascada, que durou cerca de 4,3 milhões de anos, vindo dos primórdios até cerca de 10.000 anos AC, quando a humanidade descobriu e utilizou ferramentas rudimentares, basicamente encontradas na natureza. Entre 10.000 AC e 5.000 AC há o período Neolítico, onde as ferramentas eram produzidas, o que também é conhecido como Idade da Pedra Polida. Os próximos 1.000 anos, são conhecidos como Idade dos Metais e termina em cerca de 4.000AC quando a escrita foi apresentada à humanidade pelos Sumérios. Tudo o que sabe antes disso é resultado de descoberta científica, deduzido a partir de registros físicos, como fósseis e objetos, mas a partir daí a história passou a ser contada.

      O período compreendido entre 4.000 AC até por volta de 500 DC, quando ocorreu a queda do império Romano, é tratado como Antiguidade ou Idade Antiga. Os próximos 1.000 anos são tratados como Idade Média que termina com a tomada de Constantinopla (hoje Istambul) pelos Turcos Otomanos em 1.453. De 1.453 até 1.789 tivemos a Idade Moderna com a expansão do colonialismo propiciado pelo domínio dos mares, e então conhecemos o Mercantilismo, a Reforma Protestante, o Iluminismo e chegamos à Idade Contemporânea, que se iniciou com a Revolução Francesa.

      Até aqui reproduzi o que entendi do foi dito pelos estoriadores, a partir daqui são minhas as divagações. Essa nossa era de quase 230 anos eu dividiria em pré e pós computador. Alguém pode falar da internet, mas sem computador ela não faz sentido. E o que importa nesse último período, e especificamente no Brasil, é o que estamos vendo, o que chamo de Era da Intolerância.

      A intolerância vem da desinformação, da falta de educação, do baixo nível escolar e da desintegração familiar. Hoje não se tem mais contendores, se tem inimigos. Não se debate, se enfrenta. Foi inaugurado o período do nós contra eles, “nóis é nóis e o resto é bost…” ou, é tudo nosso nada deles… Se hoje vivemos esse caos político, com um bando de ladrões e ordinários instalados nas três esferas de poder, temos que assumir que é nossa a culpa, fomos nós que permitimos, e só nós é que podemos consertar, mas como fazer isso se não há diálogo? Não há substância?

      Se no período da ditadura militar tivemos a censura à imprensa, hoje todo mundo, além de poder se expressar, encontrou o veículo: a internet com suas diversas redes sociais, que se inflamam fácil. A imprensa, ainda que existam seguimentos sérios, se rendeu à instantaneidade, sem análise, sem verificação, sem profundidade. A velocidade sobrepôs à qualidade.

      Nessa semana assisti a um pequeno vídeo que é sintomático, e é claro que o vídeo foi editado para mostrar o ridículo, mas tem lá seu fundo de verdade, ele se dizia um teste para saber se os estudantes estavam preparados para a prova do Enem, e fazia perguntas da quinta série, como: qual é o valor de π (Pi)?, quantos quais são os estados da região Sul? E ninguém acertava e ainda achavam graça, mas quando perguntado quantos caracteres podem ser digitados no Twitter? Complete a letra… e cantava um funkezinho sem vergonha, todo mundo acertava e ficavam maravilhados com a façanha.

      É angustiante olhar ao redor e não encontrar saída, pois a melhora só é possível com educação, mas isso leva tempo, e há 200 milhões de pessoas que têm que viver hoje, de preferência, em paz.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Reforma do Ensino

      Nunca se produziu e disponibilizou tanto conhecimento quanto agora. Segundo o IBGE, em 2013, 85,6 milhões de brasileiros com idade acima de 10 anos (49,4% da população) tinham usado a internet pelo menos uma vez nos 90 dias que antecederam a pesquisa. Quadro muito diferente da época em que frequentei o ciclo básico, quando nem computador existia.

      O computador transformou o trabalho, do computador também derivou a rede que transformou a sociedade. Na internet tem de tudo, do melhor que a humanidade pode produzir até a grande quantidade de lixo digital. As redes sociais deram voz a todos, trouxe a democratização da opinião, mas também trouxe o radicalismo, a pobreza do raciocínio e as posições extremadas. Hoje, sem-cerimônia, todo mundo pode opinar, como aprendi na Bahia, de parto de onça a atracamento de navio. A todo instante há uma nova polêmica, e sobre algumas, também exerço a minha opinião, ainda que ignorante sobre o (qualquer) tema.

      O governo sinalizou que quer modificar a grade do ensino médio e a gritaria foi grande. Apareceu mais incendiários do que bombeiros. Não poderia faltar o espírito de corpo, aqueles que politizam para manter seus próprios privilégios. Os sindicatos, de qualquer área, ainda vivem no século 18 e representam o atraso do país. Em qualquer ranking de educação o Brasil fica perto dos piores, seja em matemática, ciências ou linguagem, e os sindicatos dos trabalhadores da educação têm uma grande parcela de culpa pela lastimável ignorância em que o país vive.

      Fui um bom aluno nos ciclos fundamentais, medíocre em matemática e competente em engenharia e em uma pós graduação, além de diversos outros cursos de curta duração. Em todos observei o trabalho dos professores e tive de tudo. Dos excelentes aos medíocres, dos péssimos aos piores: os péssimos doutores. Não é apenas a formação e a capacidade de ser admitido através de concurso que faz o bom professor, é preciso ter talento, é preciso querer trabalhar na educação. Após a segunda grande guerra a Alemanha estava destruída física e organizacionalmente, e eles adotaram uma prática, todo mundo que sabia algo passava a ensinar em casa, ou seja, cada casa era uma escola. Não se exigia diploma, especialização ou concurso, e hoje a Alemanha é uma potência no conhecimento, na economia e na qualidade de vida. Portanto, há muita mudança a ser feita no nosso sistema de ensino, e dar mérito a quem produz é fundamental.

      Também como aluno pude ver o perfil do público (alunos) em cada curso. O destaque foi para o ensino superior. Na Universidade Federal havia muitos excelentes a maioria era mediana e alguns muito ruins que buscavam, principalmente, os cursos em que a relação candidato/vaga era pequena. Já na engenharia, que estudei em escola privada, o nível era muito baixo. A grade era excelente, os professores, em sua maioria muito bons, mas os alunos…E a culpa não era exatamente deles, mas da formação que tiveram na educação básica. Estou falando do final do século passado e de lá para cá só piorou.

      Para acompanhar a oferta de informação a grade dos ciclos básicos é extensa e pouco atraente. Muitas das escolas de educação infantil se transformaram em depósito de filhos que os pais não têm onde deixar. Os levam para que alguém cuide. Os diretores pedagógicos são os próprios executivos que lutam contra a burocracia, contra a falta de recursos e com profissionais mal remunerados e desmotivados. Tal conjunto não pode dar bom resultado.

      O argumento de que a reforma não foi amplamente discutida com a população e que não é democrática, também não me convence. Essa é só mais uma maneira de manter do jeito que está, pois nunca se chegará a um consenso. Faz parte da democracia eleger alguém para tomar decisões em nosso nome, e esse é o caso, é, portanto, democrático. Se o que o governo está propondo é bom ou não eu não sei, mas há especialistas competentes para julgar e fazer um bom plano.

      Se tem que ensinar biologia, educação física, filosofia, ou como estudei: educação moral e cívica, ou ainda OSPB (organização social e política do Brasil) eu também não sei, mas a certeza de que tenho é que tem que haver mudança, do jeito que está há somente um resultado: a perpetuação da desigualdade social.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




domingo, 6 de dezembro de 2015

E o Mico Pagou o Pato

      Bem que eu gostaria de escrever só boas notícias, mas o post reflete o meu momento e também o momento que o país atravessa. Só tem más notícias. Ladrões, políticos e políticos ladrões, todos roubando e acusando-se mutuamente, tratando de se safar, mantendo seus mandatos, seus privilégios e nós pagamos a conta. Pagam os que trabalham e muito mais os desempregados. Todos os dias vemos as notícias sobre a redução da atividade econômica e a nação se empobrecendo. Já conseguimos atingir o mesmo resultado de 5 anos atrás, e como ainda vai piorar, tudo indica que essa será mais uma década perdida. Eta administração pública vagabunda!

      Trabalho em Salvador e moro na região metropolitana, aliás, saindo de casa e andando pela praia, em 15 minutos chego a Salvador. Aqui não tem rede de esgoto, tratamento de esgoto então nem se cogita, não há coleta seletiva de lixo e a cidade é suja. Uma boa referência é o meu carro. Não sou daqueles que “amam”carro. Para mim é apenas uma ferramenta, e como não o dirijo pelo lado de fora, não preocupo muito com a limpeza exterior. Em São Carlos eu costumava mandar lavá-lo, em média, a cada 2 meses. Aqui preciso lavá-lo toda semana. Tudo bem que a maresia tem a sua parcela de culpa, mas a poeira, a água nas ruas e o lixo fazem a maior parte do estrago. Como para cada choro tem que vende lenço, eu poderia estar distribuindo renda deixando-o em algum posto ou lava-jato (nome não tão apreciado atualmente), mas ainda não encontrei melhor modelo do que eu mesmo cuidar da limpeza, pois tudo fica longe e perco muito tempo. Estou me aprimorando e já consigo lavar o exterior de um sedam médio com 15 litros de água!

      A falta de tempo e a distância são circunstâncias, mas a falta de saneamento e o lixo na rua mostram o estágio de desenvolvimento das pessoas. Parece que se cuida apenas do que é seu, ou seja, do portão para dentro, o lado de fora não é de ninguém. Assim se acumulam pedra, areia, restos de construção, lixo doméstico e tudo aquilo que é para ser descartado. Há aqui aquilo que se chama de pontos viciados, ou seja, elegem um local para jogar o lixo e que se dane quem mora perto. A prefeitura de Salvador diz que paga cerca de 1 milhão de Reais por dia para qua haja a coleta, mas não resolve, ou seja, poderia ser ainda pior.


Ponto viciado - esse é um dos mais limpinhos

      O trânsito é travado, pois pode-se fazer qualquer barbaridade, óbvio que desrespeitando as regras elementares. Carro sobre as calçadas é o mínimo, e não importa se é na periferia ou em bairros ricos e centrais. Estacionar sobre praças públicas também pode.


Estacionar na praça?  Pode!

      Há uma cena que há muito eu não via, pessoas na rua carregando gaiolas com armadilhas para capturar pássaros. Aqui é normal, vejo isso constantemente, e não são crianças, são adultos mesmo! E nessa semana uma cena foi emblemática. Há nas matas e em muitas praças, pequenos micos, aqui mesmo em frente de casa aparecem vários, e no campus da Universidade Federal há muitos, e eles se utilizam da fiação elétrica para se deslocar. Há poucos dias houve a interrupção da energia elétrica, pois um desse micos causou um curto-circuito na rede de média tensão da rua que cortou um fio e o infeliz bichinho morreu. Caiu completamente desidratado e com membros amputados.

       Seria só mais um acidente, mas o pior foram os comentários, todos culpando o animal. Não é assim! Eles estão aqui porque aqui é o seu habitat. Eles não estudaram eletricidade, tampouco fizeram o curso da NR10 e sobre Sistemas Elétricos de Potência. É nossa obrigação protege-los. As instalações elétricas comercias devem considerar essa hipótese. Já li algo sobre o Pantanal, onde os cabos passaram a ser isolados, pois, devido a envergadura, os Tuiuiús também morriam ao tocar os fios com suas asas. 

      Entristece ver a pouca sensibilidade das pessoas com o meio ambiente, e assim, como dar boas notícias?

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Sim, Faz Sentido

      Há um repórter na Globo que na primeira vez que o vi percebi que ele era diferente, e o meu comentário foi: vai fazer escola, pois a narrativa dele é diferenciada e bem construída. Já vi outros repórteres mais antigos o imitando. Mesmo quando assisto um jornal morno, se ele aparece, presto atenção, pois sei que ele faz um bom trabalho. Até acredito que ele não trabalha mais que os outros para ser melhor, pois o talento me parece ser inato. Hoje assisti a uma matéria dele no Bom Dia Brasil, mas mesmo o Pelé tem o seu dia de Mané. Seria uma matéria trivial para o nível dele se ele não tivesse se arriscado a fazer perguntas do tipo: para que? Ou ainda, Isso faz sentido? Explico.

      É apresentada uma pesquisa sobre o que irrita os passageiros em voos e aeroportos, até aí, tudo bem, todos podem se irritar pelo que quiserem, mas a principal resposta, e que ele não deu, é a falta de educação. Em uma cena o repórter se pergunta e entrevista um passageiro, se o número do assento é marcado, por que se forma fila muito antes do início do embarque? Faz sentido? Faz sim. A regra diz que em voos domésticos cada passageiro pode levar dois itens de mão, por exemplo uma mala e uma mochila, ou uma mala e uma bolsa feminina, ou que sejam duas malas, embrulhos ou pacotes, mas há limite. Individualmente não pode ultrapassar 5kg ou ter dimensão somados largura, altura e profundidade de 115cm, nos internacionais pode ser 125cm, mas também com 5kg. Sempre há perto dos balcões de embarque um gabarito para verificar se o volume está aderente à norma. Ocorre que isso não é respeitado por muitos passageiros e as companhias, muitas vezes, toleram. Isso piorou com o checkin por internet. Assim é comum você estar na poltrona 10 e ter que colocar a sua mala sobre a poltrona 27. Quem já tomou avião de Miami para cá sabe que isso é verdade. Quem já saiu de Salvador já dividiu o bagageiro com um (ou mais) berimbau! Quem entra primeiro garante que sua mala fique perto de você. Em voo longo você pode precisar de um colírio, de uma blusa, enfim, pegar o cabo para carregar a bateria do telefone e a mala estará próxima. Não costumo sair correndo ou ficar muito tempo em pé, mas também não gosto de ser o último.

      Outra pergunta foi, se para sair da aeronave há que se esperar até que as portas sejam abertas, porque o avião mal estacionou e muitos ficam em pé no corredor? Porque os outros ficam em pé eu não sei, mas eu me levanto e pego a minha mala. Costumo carregar um computador, um tablet e uma câmera fotográfica e não vou ficar sentado e dar a oportunidade para que roubem a minha mala. Na própria Globo já assisti a uma matéria sobre a prisão de uma quadrilha que roubava malas em voos que partiam de Brasília. Eram passageiros que pegavam malas no bagageiro e desapareciam.

      Teve outra, porque todos se apertam junto à esteira de liberação da bagagem? Pelo mesmo motivo acima. As malas costumam ser muito semelhantes e, no mínimo, um erro é possível. Por duas vezes eu peguei uma mala que não era a minha, verifiquei e a coloquei de volta na esteira. Qualquer um pode pegar uma mala e sair de qualquer aeroporto, pois não há verificação. É pegar e sair. É sim irritante ficar em torno da esteira, principalmente porque além das pessoas há os carrinhos que tomam muito espaço. Como não há outro sistema e isso não vai mudar, mesmo com esteira ainda desligada verifico em que direção ela vai se mover e vou logo para o início. Costumo pegar a minha mala na primeira passada.

      Sim, a pesquisa mostra a realidade, há muito com que se irritar, mas insisto, é a falta de educação o principal motivo. Fico irritado ainda nas salas de embarque pois as cadeiras são insuficientes e os folgados se sentam e colocam malas nas poltronas ao lado. Se você quiser se sentar tem que pedir. Não respeitam idosos, grávidas, enfermos. Já vi muito disso. E há aqueles que se sentam em uma poltrona, colocam a mala na outra e os pés, calçados, lógico, em outra. Como diz a letra de uma música: é tudo nosso, nada deles.

      Dentro do avião prefiro me sentar no corredor, pois não gosto de incomodar os outros, mas sempre tem aqueles que ao andar nos corredores se apoiam nos encostos das cadeiras, pronto: batem em minha cabeça e puxam os cabelos. E aqueles na poltrona de trás que ficam empurrando a da frente, ou então resolvem brincar com a mesinha? É um tal solta e deixa cair. Prende e bate com força. É uma maravilha quando você quer dormir.

      E os espaçosos? Aqueles que ocupam mais do que a área da própria poltrona? Te apertam seja com os ombros, braços e pernas, e além da disputa pelo encosto de braços eles ainda podem roncar! Sim, para o pior não tem limite. Tem aquele que fica te tocando querendo conversar e te catequizar, seja com política ou religião. Já passei por tudo isso.

      Outra regra é não seguir a regra. Após o pouso anuncia-se para manter o cinto atado até que o sinal seja apagado. Basta fazer esse anúncio e se ouve: clac, clac, clac, muitos soltando o cinto. Também se pede para não utilizar equipamentos eletrônicos, principalmente os celulares. Inútil. Hoje, apesar de proibido eles são usados durante a decolagem, o pouso e dentro do avião. Não acredito que com tecnologia de hoje os sistemas de WiFi e Bluetooth dos celulares possam derrubar um avião, mas acho sim possível que um expert possa usar um celular e entrar em um sistema de controle de um avião.

      O repórter é bom, aliás, é ótimo, mas não pode acreditar naquilo que na faculdade de jornalismo se fala dos médicos e esses falam dos jornalistas: uns pensam que são deuses, os outros, têm certeza. Para um engenheiro virginiano, sim, tem explicação e faz sentido.

domingo, 5 de abril de 2015

Não Está Fácil Para Ninguém

      Tenho ouvido muito a frase “não está fácil para ninguém” e como para mim não está, não deve estar mesmo. Um sintoma é que tem muito jovem clamando pela ditadura militar sem saber ao certo o que isso significa. Com certeza eles não sabem que a liberdade tem um valor inestimável, e não sabem porque são livres. Eles não experimentaram a repressão e a que eles conhecem é só a que aparece nos noticiários, longe da gente. Outro sintoma vem dos próprios jornais, só desgraça. Não há notícia acalentadora, apenas tragédias, crimes e bobagens.

      A inquietação provém da falta de esperança. É chover no molhado, mas a educação é uma piada, poucos chegam a um nível de excelência; a maioria apenas consegue um grau sofrível. Faz tempo que observo isso no ambiente profissional e nos atendimentos de serviços, muita gente se expressa mal mesmo em linguagem coloquial, nota-se que o conhecimento é parco e o raciocínio é primário, pouco elaborado. Some-se à isso a violência. Hoje pode-se dizer que o crime compensa. O grande exemplo vem das autoridades. Cada grande escândalo é esquecido quando se descobre o próximo. É muita gente roubando, é muita gente se aproveitando do poder para servir-se. Se o crime compensa para nossas autoridades qual é o exemplo que eles dão aos jovens? Estudar para trabalhar? Isso é coisa de otário, “se dar bem” é o que importa. O caminho mais fácil é o que é valorizado.

      Também vivemos um tempo de muito mi mi mi. Nesse tempo do politicamente correto sempre há quem se sinta ofendido por coisas óbvias. Os valores são confusos e o patrulhamento ideológico é perverso. Basta a defesa de um tema polêmico para ser perseguido, principalmente nas redes sociais que tem rápida e profunda penetração. Para expressar aquilo que lhe é correto deve-se pensar muito para que não seja processado ou moralmente linchado.

      Sim, análise superficial e crítica, assim como eu, todos são capazes de fazer, mas como resolver? Há saída? Claro que sim, na democracia sempre é mais difícil atingir os resultados, mas com certeza há pessoas capacitadas a nos liderar e nos conduzir por um bom caminho.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Entre carros e o ENEM

      Tenho uma boa relação com carros, mas não sou aficionado, os vejo como ferramentas e me sinto bem quando estou dirigindo. Hoje dirijo diariamente mais que nos últimos anos, e andava considerando ter um carro pequeno para poluir menos, pela facilidade para estacionar e, por fim, para economizar mesmo. No entanto, após o último acidente, passei a dar mais valor à segurança, por isso tenho um que é um pouco mais pesado. Não vou generalizar para não incorrer em erro, mas a maioria dos carros que passa por mim em alta velocidade, costurando no trânsito e executando manobras ilegais é de carro pequeno ou velho, até mesmo porque esses são a maioria. Também, na maioria, dirigido por jovens. Creio que vários fatores estão associados, a pouca maturidade, o senso de poder, o relativo baixo custo, e, claro, a educação. Mesmo não sabendo identificar as motocicletas, percebo que a maioria dos condutores também é formada por jovens, e isso justifica as estatísticas de serem, os jovens, justamente os que mais sofrem mortes no trânsito brasileiro.
      Os costumes variam com o tempo, às vezes evoluem, às vezes não, mas sempre causam impacto em nossas vidas. A seta dos carros não serve mais para indicar a direção que o condutor pretende ir, mas sim para te dizer: saia da frente que eu vou passar. Da mesma forma, a buzina não é um alerta de perigo, mas serve para te dizer, seu burro! Não sabe dirigir? Essa involução decorre da perda de valores, da falta de educação.
      A educação é responsabilidade da sociedade, da escola e, principalmente, da família. A família deveria educar e a escola ensinar, e hoje ambas estão em baixa. Há duas semanas o resultado do ENEM mostrou que cerca de 529 mil estudantes, 8,5% do total de inscritos obtiveram nota zero na redação.
      Na comparação com estudantes de outros países os brasileiros sempre disputam os últimos lugares, também pudera, a escola de ensino fundamental passou a ser um depósito de crianças e muitas delas têm estrutura precária que culmina com a baixa qualidade e que só faz se propagar para as séries superiores. No ensino médio há disciplina demais e exige-se conhecimento amplo, mas falta o básico, escrever, ler, entender e fazer contas simples.
      Com uma geração mal educada e mal formada fica fácil entender o porquê do aumento da criminalidade, que associada aos acidentes de trânsito geram mais de cem mil mortes anualmente. Assim fica difícil vislumbrar um bom futuro para o nosso país.

domingo, 8 de junho de 2014

Ser grande e forte já me bastaria

      Faz um mês que mudei de emprego e estou em processo de mudança de cidade. Isso me faz gastar muito tempo em lugares públicos como aeroportos, restaurantes e shoppings centres e nada chama mais a minha atenção do que a falta de educação.

      Ainda não passei por nenhuma situação difícil ou constrangedora, nem mesmo presenciei algo absurdo, a não ser a de um garoto que arrancou uma correntinha do pescoço de uma moça e fugiu de bicicleta no meio do trânsito com manobras que colocou em risco a sua própria vida, mas são muitas as pequenas atitudes que me decepcionam.

      Há o despreparo de muitos profissionais, seja no checkin de hotéis e de companhias aéreas como o de garçons e caixas de restaurantes e de outros estabelecimentos comerciais, porém, vários deles, mesmo que mal treinados, apresentam boa vontade. Mas não dá para aceitar banheiro sujo e demais formas de desrespeito às pessoas.

      Parece aquela estória do ovo e da galinha, quem nasceu primeiro? As empresas simplesmente desrespeitam as pessoas ou o fazem porque não são respeitadas? Isso também não importa, pois como prestadores de serviços deveriam fazê-lo com excelência, mas a atitude de alguns prejudicam a todos. É como o caso dos juros, uma das componentes que os elevam é a incerteza do recebimento, sendo que todos pagam por alguns.

      Vejo que com o acesso fácil à internet a situação piorou, pois basta uma rápida olhada no ambiente que se percebe que ninguém está mais sozinho. A maioria não vê quem está ao lado, mas está avidamente conectada em chats e redes sociais. As pessoas não se olham, não se vêem, pois estão sempre de cabeça baixa olhando para os seus gadgets. Ontem presenciei uma cena em uma praça de alimentação. Em uma mesa com 4 pessoas 3 teclavam e a última ficava com "cara de paisagem”. Não concordo, mas isso não é um problema meu e nem o quero para mim.

      O que me irrita é o sujeito se sentar em uma cadeira, colocar a mala, ou bolsa, ou pacote, enfim, qualquer coisa, em outra cadeira e ainda colocar os pés em uma terceira. Eu já consideraria um absurdo se as pessoas fisicamente saudáveis ocupassem uma só cadeira e não dispusessem desse lugar em favor de pessoas idosas, pessoas com crianças de colo ou ainda, e porque não, a senhoras e moças. Mas não, ocupam várias cadeiras e enterram a cara em um smartphone.

      Em horários de pico em áreas de alimentação é comum ver pessoas com bandejas na mão procurando por lugar para se sentar e ter, ao mesmo tempo, muitas pessoas sentadas com pratos vazios e celulares ocupados. As empresas deverão considerar esse comportamento futuramente, destinando áreas maiores, o que, evidentemente, se refletirá nos preços.

      Despachar bagagem em companhias aéreas é perder tempo duas vezes, tanto no despacho quanto na retirada. Porém há regra para isso, volumes acima de determinados limites (a soma da largura, altura e profundidade não pode ultrapassar 115cm) e peso (5kg) devem ser despachados, e cada pessoa pode transportar consigo apenas 2 volumes, um que atenda à regra acima e outro pessoal, como bolsas femininas e também o mais comum, alguma bolsa para o transporte de computadores. Mas há sempre os que desrespeitam para ganhar tempo. O tempo deles é o importante, o resto que se ajeite. Com a conivência das empresas que não querem desagradar a alguns, levam volumes grandes e pesados, às vezes mais do que dois, e ocupam todos os espaços do bagageiro. Outro dia assisti a uma cena. Um senhor alto, forte e, imagino, educado, pois falava sempre baixo e no mesmo tom, se dirigiu ao seu assento e o bagageiro acima estava lotado. Ele começou a mudar  as malas de bagageiro quando outro passageiro reclamou: 

  • Essas malas são minhas!
  • Pois as coloque no bagageiro sobre a sua poltrona.
  • Não cabe.
  • Não posso fazer nada, mas esse é o meu lugar.

      E acabou aí. Eu nem queria ser educado, ser grande e forte já me bastaria.

sábado, 30 de novembro de 2013

Algumas Exceções

      Se o mundo fosse amigável não teria se iniciado com uma explosão, e diariamente somos confrontados com forças naturais que sempre deixam destruição e morte. Somos geneticamente marcados para morrer desde a concepção, e as vidas existentes em nosso planeta são simplesmente parte de uma cadeia alimentar na qual nós, os humanos, estamos no topo.

      Outro dia eu estava conversando e observei a fuga de uma mariposa de um pequeno pássaro. Voava em zig zag, para cima e para baixo, driblava e pousou em uma parede. O pássaro ao tentar pega-la bicou a parede e ela retomou a sua fuga, mas não foi longe. A uns doze metros foi finalmente capturada e quando o pássaro ia fazer sua refeição foi bicado por outro maior e a soltou. Ela foi engolida, em pleno ar, pelo novo e maior agressor. É, a vida não é fácil, não dá para ter prazer somente.

      Pode ser caso de estudo e precisão sociológica, e sem generalizar, porém observo em grande parte, as gerações anteriores a 1970, 1975 foram marcadas pela cobrança, pela obrigação. Não havia bullying, as crianças apanhavam dos professores e depois em casa por tê-los desrespeitados. As gerações posteriores foram criadas no direito, na proteção e na obrigação de ser feliz.

      Em poucos jovens vejo o compromisso com causas que não as próprias, mas falta de educação e de reconhecimento há de sobra. Vejo profissionais de desempenho medíocre reclamando da "falta de reconhecimento" e sempre culpando o outro que se empenhou mais. Vejo pessoas que reclamam de tudo. Do sol, do calor, da falta de vento, do vento em excesso, do frio e da chuva. Se nada muda, reclamam da rotina, se há mudança, não vai dar certo, é impossível! Nunca criaram nada, mas reclamam de quem faz. A vida deles de ser um inferno, nada está bom. É mais fácil escapar de um buraco negro do que ouvir dessas bocas um elogio ou agradecimento.

      Não resta dúvida que as novas gerações têm mais acesso ao conhecimento e talvez até conheçam mais, porém o importante não é tê-lo, é saber o que fazer com ele, e a primeira lição é: não é possível ter prazer durante todo o tempo; alguma adversidade sempre irá atravessar o seu caminho. Supere-a, aprenda com ela, e descubra que um pouco de humildade não faz mal a ninguém. Ainda bem que existem algumas exceções.

domingo, 1 de setembro de 2013

Doença Social

Nossa sociedade está doente, o sistema de justiça está falido e a violência está cada vez mais próxima de nós. Aquilo que apenas víamos nos noticiários agora ocorre ao nosso lado ou com nossa família. Das três expressões mágicas há muito não se tem notícias do por favor e do muito obrigado, apenas o foda-se é frequentemente lembrado.

Grande parte das famílias, por desconhecimento, por despreparo ou por não ter condição abdicou da sua função de educador e entregou seus filhos às escolas que se tornaram depósito de crianças. Essas que mal cumpriam o papel de ensinar a ler e a escrever agora tem a obrigação de substituir os pais. É sintomático quando o professor ou professora passa a ser conhecido por tio ou tia, pois deixam de ser autoridade externa e de transmitir conhecimento para ser babás dos filhos daqueles pais que não têm tempo. E muitos dos pais que tem conhecimento e recursos substituem a presença pelos presentes fazendo de seus filhos além de mimados e mal educados, também obesos, sem saúde.

Não era uma prática correta de educação o castigo físico aos alunos, que além de apanhar dos professores ainda apanhavam em casa. Tampouco é correta a prática corrente onde o aluno agride os professores e são apoiados por seus pais que ainda reclamam das escolas. Nessa semana em uma cidade da região uma professora foi agredida verbalmente e tomou uma surra de vassoura, pois obrigou um aluno a desconectar-se de uma rede social durante a aula. E esse é apenas um dos exemplos.

Canso de ver jovens incapazes de dizer um bom dia sequer, de respeitar o ambiente, a cultura local e os mais velhos. A prevalência do ter sobre o ser aplainou a ética. Vale tudo para se atingir o sucesso o mais depressa possível, e não interessa o que é o sucesso, esse pode ser tão ridículo quanto tomar o seu lugar na fila ou no trânsito. Eu tive sucesso e você foi um otário. Também pode ser tão violento que causa choque. Com crueldade mata-se por miséria carbonizando as vítimas.

É imperativo que as autoridades pensem e implantem um sistema de educação que integre a família ao meio escolar, e não existe solução que não passe pela educação, porém educar a sociedade leva algumas gerações e se imediatamente não houver justiça e punição a sociedade acabará antes. No estado de direito o uso da violência compete apenas e tão somente ao governo, portando esse tem a responsabilidade de tomar as medidas necessárias. Por outro lado, os pais, sempre tão ciosos em deixar um planeta melhor para os seus filhos deveriam também se preocupar em deixar filhos melhores para o planeta.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

É Isso Que Dá Eleger Qualquer Um.


      É isso que dá eleger qualquer um!

      Ontem ouvi na Voz do Brasil que há um projeto em tramitação na câmara dos deputados e que se for aprovado por uma comissão será remetido ao senado sem que necessite ser aprovado pelo plenário da câmara. Nada contra os processos até porque não os analisei, mas tudo contra o projeto.

      Os parlamentares que assinam o projeto querem obrigar as indústrias eletrônicas a instalarem um interruptor em todos os equipamentos novos para que ao serem desligados cortem completamente o consumo de energia elétrica. A justificativa é que essa medida “ecológica” contribuiria para a redução do consumo de energia, mas sem diminuir a comodidade do usuário. Idiotice pura. Até pelo simples fato de que se o consumidor quiser fazer isso basta desconectar o cabo da tomada.

      Mas quem quer ter que programar o forno de microondas toda vez que for utilizá-lo? Quem quer primeiro ligar uma chave no televisor, DVD, Blu Ray ou home teather antes de acioná-lo pelo controle remoto? É claro que isso irá gerar um incômodo tal como o de acabar com as sacolas plásticas nos supermercados.

      Para que os equipamentos mantenham a programação prévia ou possam ser acionados por controle remoto algum circuito interno precisa ficar alimentado durante todo o tempo, e se não for pela própria energia será por bateria que em algum momento precisará ser carregada, ou seja, irá consumir energia da mesma maneira pois as baterias não geram energia, apenas acumulam. Além do que, haverá um processo para a produção de mais baterias, ou seja, tecnicamente falando, o resultado pode ser pior do que a situação atual.

      Sou completamente a favor da redução do desperdício e da preservação dos recursos naturais, mas sou contra abrir mão do conforto. Não quero voltar a viver como no tempo das cavernas. O que desejo é que reunindo o conhecimento existente possam ser criadas maneiras corretas de se utilizar os recursos. No exemplo das sacolas plásticas que sejam todas biodegradáveis. Quem quiser utilizar que pague por isso, se não quiser que carregue as sacolas retornáveis.

      Para a admissão em empregos sem a necessidade de formação específica o mínimo que se pede é o segundo grau completo. Tudo bem que o nosso ensino não é lá essas coisas, mas o que se exige para que o cidadão seja deputado federal? Nada. Na última eleição tivemos um campeão de voto praticamente analfabeto. Não haveria problemas se eles não soubessem ler ou não fossem especialistas em tudo, mas que utilizassem a verba contratando bons assessores, mas desse jeito está muito ruim. Talvez a melhor alternativa seja reduzir o número de parlamentares, pois sendo poucos diminuirá a possibilidade de cometerem asneiras, ou na pior das hipóteses, ficará mais barato mantê-los.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Quase Fui Atropelado.


      Não bastasse a baixa qualidade do ensino no Brasil, temos que conviver também com a falta de educação. A nossa permissiva constituição determina que o estado provenha educação básica e que cuide das crianças. Isso seria ótimo...se funcionasse. Vejo todo início de ano pais reclamando da falta de vaga para seus filhos nas creches municipais. São enfáticos: é nosso direito... pagamos nossos impostos... Não posso dizer que eles estão errados, pois a lei os ampara, mas a escola que já tinha baixa qualidade piorou. Virou depósito de criança.

      São muitas as famílias que transferem para a escola a responsabilidade de educar os seus filhos e não apenas de transmitir-lhes conhecimento. É evidente que sem a estrutura adequada em termos físicos e de recursos humanos a escola não faz uma coisa nem outra e a deseducação só faz aumentar.

      Quando falta educação a qualidade da cultura também é sofrível. Pertencemos ao país da malandragem, do jeitinho, da malemolência, do deixar tudo para a última hora e de levar vantagem em tudo. Não querendo entrar na seara da incompetência, da corrupção e da política, vou me ater ao trânsito. Somos também do país do desrespeito total às regras de trânsito. Ultrapassamos pela direita, não respeitamos a sinalização, velocidade máxima então só serve para dar dinheiro a quem produz as placas e que nem mesmo a indústria da multa consegue dar um jeito. De acordo com a seguradora que administra o DPVAT morrem 160 pessoas por dia no trânsito no Brasil, a maioria é de jovens com idade entre 21 e 30 anos. Das indenizações pagas em 2010 31% foram por causa de acidentes de carros e 61% de acidentes com motos.

      Há pouco mais de um mês quase fui atropelado na esquina de casa. Por eu ter somente uma vaga de garagem no prédio onde moro a deixo para a minha filha e alugo outra garagem na esquina. Tenho que atravessar duas ruas e fiz isso sobre as duas faixas para pedestres. Na primeira tudo bem, mas na segunda, quando eu já estava no meio da rua, um motociclista não respeitou a placa de parada obrigatória e com a visão encoberta por uma van não me viu e desviou muito perto. Aquela caixa horrível que esses entregadores carregam nas costas, e na qual provavelmente deveria haver pizzas, bateu em minha mochila.

      Devido à alta velocidade ele levou uns 40m até reduzir, voltou na contra mão e por sobre a calçada e queria brigar comigo. Ele foi categórico ao afirmar que eu estava ficando louco, pois a placa de parada obrigatória não é para ser respeitada e se não vem ninguém na outra rua ele não precisa nem reduzir a velocidade, e que a única função da faixa é gastar tinta! Me vi numa situação ridícula de ter que discutir no meio da rua e poderia ter sido pior, ter que enfrentá-lo fisicamente, ainda que ele estivesse com luvas, blusa de couro, capacete, e sendo 10cm mais alto que eu e provavelmente uns 15kg mais pesado, com a minha condição atlética acredito até que eu não sairia tão mal, mas não preciso disso. Não devo e não quero viver nesse nível.

      Eu não vou mudar o mundo e sou do tipo consumidor idiota fiel aos locais e marcas, mas só até que algo me desagrade e me obrigue a trocar, mas há muito tempo tomei uma decisão: eu não peço a entrega de comida pronta. Se for preciso saio de casa e vou buscar, mas não alimento esse tipo de emprego e cultura, sim, pois essa maneira de utilizar as motos vêm dos “motoboys” de São Paulo que te fecham, chutam os espelhos, se chamam de irmãos e se transformam em uma turba contra qualquer motorista que supostamente tenha desrespeitado a um deles.

      Acredito que esses desgraçados não tenham tido a oportunidade de ter uma melhor instrução, qualificação e conseguido melhores empregos, mas se depender de mim, não irão ganhar a vida fazendo entregas e disseminando essa falta de valores.

domingo, 20 de maio de 2012

É Melhor Continuar Sendo Pobre.


      Nasci para ser pobre e por isso sou empregado. Apesar de possuir algumas habilidades que poderiam me proporcionar alguns pontos diferenciais em um negócio próprio não sei me portar como comerciante. Por outro lado isso me permite escolher as companhias e as amizades, o que não seria possível se eu dependesse do comércio para viver.

      Ontem saí de casa para ir ao banco, ao supermercado e falar com um amigo. Como todos os locais eram perto de casa fui a pé. Nós tínhamos um ponto em comum que era retirar o kit para participar de uma corrida hoje e ele já havia combinado com uma terceira pessoa para irem até o local e me convidou. Sabe aquela sensação de não querer aceitar, mas pela circunstância se vê envolvido? Pois é, foi o que fiz. Eu já havia estado com esse rapaz, de cerca de 35 anos, umas duas ou três vezes, mas nunca havíamos conversado.

      Ao entrar em seu carro, um ágil fiatizinho 1400 ou 1600, o meu amigo disse, vocês dois que são engenheiros vão na frente pois podem conversar, e ele prontamente retrucou, hoje é sábado e eu não converso sobre trabalho. Apenas para participar eu disse que era dia de descanso. Não havíamos percorrido nem 400m e ele em uma manobra ousada, mas não tão arriscada, ultrapassou dois carros, e o meu amigo comentou: você dirige agressivamente e ele respondeu: agressivamente não, eu sou esperto. Veja: eles estão abaixo da velocidade permitida e em fila, um passou pelo semáforo e o outro ficou. E continuou a dar lições de trânsito justamente para mim, que me considero um bom e experiente motorista. Eu comentei que ele deveria respeitar os ciclistas, e o esperto respondeu: se eles me respeitarem tudo bem, do contrário eu também não os respeitarei. Se um deles atravessar o sinal vermelho eu o jogo do outro lado da rua. Comentei que existe uma outra lei que diz que não é permitido matar e a regra de trânsito diz que o mais forte deve proteger o mais fraco.

      Essa conversa não iria terminar. Ao sairmos pela avenida São Carlos e entrarmos na rodovia Washington Luiz na direção da capital há um pequeno aclive no qual transitava um gol 1000 que sendo conduzido por um motorista, no mínimo, desatento. O esperto logo tomou a mão da esquerda o que daria a ele a prioridade na ultrapassagem, mas o motorista do gol, em uma manobra imprevidente, ainda que sem risco, saiu para a esquerda. Era uma situação perfeitamente administrável, pois havia distância segura e a diferença de velocidade não era tão grande, mas o esperto deixou para frear na última hora, enfiou a mão na buzina e deu repetidos sinais de luz. Não contente, quando o outro retornou para a faixa da direita, o esperto passou gesticulando, buzinando, xingando e eu morrendo de vergonha.

      Veio então uma enxurrada de justificativas do tipo, se não sabe dirigir, que não saia de casa. Se não está preparado, que não pegue a pista. Se fosse um caminhão teria passado por cima. Se ninguém falou nada para ele alguém tem que ensinar e agora ele vai aprender. Logo à frente ele teve que reduzir a velocidade e justificou, aqui eu diminuo porque tem o posto de guarda e tem radar. Não me contive: você está errado, você deve diminuir a velocidade não por causa do guarda ou do radar, mas porque é a velocidade que a lei determina. Ele desconversou e percebi que era o momento de eu me calar. Apenas o respeito ao meu amigo que me convidou me fez não pedir para descer e voltar a pé para casa, uma situação que a minha condição física perfeitamente me permite.

      Chegamos ao local, pegamos os kits, voltamos e não comentei mais nada. Apenas me despedi e agradeci, mas essa é uma companhia que não quero e uma amizade esperta que não desejo. É melhor continuar sendo pobre.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Que Deselegância!


      Sou torcedor do São Paulo e às vezes me pego em discussões intermináveis e inúteis sobre futebol, mas na política sou militante do PC – Partido do César, e voto de acordo com as minhas convicções. Sou a favor da democracia e da justiça social, mas entendo ser justo que cada um possua de acordo com a sua condição e capacidade. Não acredito no estado mantenedor e muito menos tutor das pessoas, cabe ao governo a tarefa de criar condições para que todos possam se desenvolver, apenas isso. Por isso não voto em partidos, mas em pessoas que naquele momento eu acredito que possam fazer a diferença. Já acertei e errei, isso faz parte do processo.

      Não gostei da administração Lula. Ele acertou no que não interveio, como na economia, mas errou naquilo que igualou o PT aos demais partidos, como no mensalão e outros desmandos. Com a sua carismática liderança deixou a desejar na transformação do país. Não basta jactar-se com estatísticas econômicas, o que faltou foi institucional. Foi moralizar o serviço público e as atividades políticas. No momento, apenas ele tem cacife político para tal empreitada.

      Por conseqüência também não ando apreciando a administração da Dilma. Obrigada a aceitar a carga de um ministério inadiministrável e incompetente foi nos dois primeiros anos de seu governo obrigada a debelar as crises denunciadas pela imprensa, além do que, como as ondas demoram para atravessar o Atlântico, a crise econômica ainda não chegou aqui, mas é questão de tempo. A inflação está represada, pois não se contém preços, como o dos combustíveis, ou os juros por decreto ou no berro, mas com atitudes, como reduzir o tamanho do estado e tornar a administração eficiente, mas essa semana devo elogiá-la e defendê-la.

      Ainda que não tenham sido do executivo, duas proposições tornaram-se leis, foram sancionadas pela presidente e passaram a ser efetivas a partir dessa semana. A lei do acesso às informações, que permitirá que sociedade tenha acesso aos documentos não sigilosos do governo, e se o Supremo Tribunal Federal deixar, até mesmo conhecer os salários dos servidores. E a instalação da Comissão da Verdade. Apesar do longo prazo despendido para a sua instalação, essa me pareceu equilibrada e capacitada para esclarecer os crimes praticados tanto pelo governo quanto por militantes durante o período da ditadura militar. É claro que a perda de qualquer vida é um custo impagável para a família e não se justifica, mas se comparado aos demais países sul americanos o Brasil deve muito menos explicações. Para a efetiva entrada em vigor das duas leis valeu o esforço pessoal da presidente e isso é elogiável e ela será lembrada por isso.

      Incompreensível foi a atitude de parte dos prefeitos que reunidos em Brasília vaiaram a presidente após a sua manifestação sobre o controverso tema da distribuição dos royalties do petróleo. Ao afirmar que seriam perdidas nos as ações que fossem impetradas contra a distribuição já contratada, parte da platéia vaiou a presidente, e isso não se faz. É nosso direito discordar da opinião dela, mas vaiá-la em cerimônia oficial é uma tremenda falta de educação, de elegância, e de civismo. Não se espera de autoridades atitudes típicas de torcida ou de militância. Por mais que discordemos, não podemos desmerecer a importância e a autoridade da instituição da Presidência da República. Ela foi democraticamente eleita para tomar, em nosso nome, as decisões. Sim, porque governar é fazer escolhas e tomar decisões, e é isso que ela está fazendo, gostemos ou não, aprovemos ou não, e daqui a 2 anos teremos oportunidade de reconduzi-la ao poder ou substituí-la, assim é a democracia.

      A atitude dos prefeitos é uma amostra perfeita e acabada do nosso nível de educação, ou seja, estamos muito mal.

domingo, 29 de abril de 2012

( I ) Responsabilidades.


      Há cerca de 10 anos vendi o meu carro e fiquei quase dois sem comprar outro e isso me fez ver com outros olhos os espaços públicos. Passei a me preocupar com a dificuldade de locomoção, a segurança, a sujeira e a aparência. Quando passei a pedalar a minha insatisfação só fez piorar. O desrespeito e o descaso são muito grandes e quando falta muito, a beleza é o que menos importa. Entendo que criticar é fácil e que ser gestor com poucos recursos é uma tarefa hercúlea, porém os gestores públicos o são por opção própria e por delegação popular, logo eles devem responder por isso.

      Enquanto cidadão a nossa responsabilidade não termina dentro dos nossos muros, mas somos também responsáveis pelos próprios muros. A foto abaixo mostra o muro de um clube localizado no centro de São Carlos, no lado de dentro há um campo de futebol society onde centenas de pessoas, inclusive crianças jogam todos os dias. Será que nenhum diretor vê que essa fissura e inclinação podem fazer vítimas? Onde estão os fiscais do município que não prevêem o problema?


      Também no centro há uma chácara com aproximadamente 10.000 metros quadrados e em vários lugares o muro está inclinado e com atestado de perigo, pois foram feitos remendos para mantê-lo em pé. A dúvida aqui não é se parte do muro irá ou não cair, mas apenas quando isso ocorrerá.


      Como o que é ruim pode piorar, no lado de dentro desse muro há um barranco e na parte de baixo funciona uma creche. São muitas as crianças circulando por esse espaço diariamente. Só resta torcer para que não haja vítimas quando o muro vier abaixo.


      Não são apenas os riscos de acidentes. Nesse ano a prefeitura está fazendo a implantação de rampas de acesso em muitas das esquinas centrais. Nenhuma administração municipal anterior fez tantas, porém nem sempre prevalece o bom senso. Quando na esquina há um bueiro, a rampa é deslocada, ou seja, o idoso, cego ou cadeirante que desvie, quando o correto seria mudar o bueiro. Mas isso custa mais caro e não fazer a rampa implica em um número menor na estatística, o que é ruim, principalmente em ano de eleição. Aplica-se aqui o mesmo princípio das passarelas para pedestres sobre as rodovias. Sempre vejo reportagens de atropelamentos e campanhas para que o pedestre as usem, mas nem sempre elas estão onde há o maior fluxo de pessoas, além do que, as rampas de acesso são longas dos dois lados, o que obriga o transeunte a uma caminhada adicional. O melhor seria fazer a passarela no nível do solo e desviar os carros, mas isso também é mais caro.


      O motorista também tem responsabilidade. No outro lado da rua estacionaram um carro na frente da guia rebaixada. Precisa fazer isso?


       E há muito mais. Essa proteção na obra em andamento impede a passagem das pessoas. Ela existe para atender a dois requisitos: a obrigação legal e a proteção da obra contra vândalos e ladrões, mas não há nenhuma preocupação com a população. Já vi em outros países a proteção adequada. O piso é regularizado, o lado da construção é todo fechado, a passagem é coberta em toda a sua extensão e no lado da rua há também a proteção física, às vezes com blocos de concretos. Mas fazer o certo tem custo.


       A administração municipal tem que regulamentar, fiscalizar e fazer cumprir a lei. Se não tem estrutura suficiente para vistoriar todo o município, que sejam criados mecanismos para que a população faça a denúncia permitindo que a fiscalização ocorra nos locais citados, enfim, não é necessário ser muito criativo para ser mais eficiente.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Retrógrada


      Se você está lendo esse artigo é porque tem acesso à internet. Acesso esse que se popularizou nos últimos vinte anos e hoje ninguém que já o tenha experimentado quer, ou pode, dispender dele. Junto com essa rede vários negócios foram criados e outros modificados, e mais do que isso, foi criada uma cultura de conectados.

      Já me disseram que a internet aproxima os distantes e distancia os próximos e disso sou testemunha. Tenho feito amigos de diversas partes do mundo e me comunicado com amigos de tempos atrás, ao mesmo tempo em que nos sofás da sala de casa cada um de nós está com seu dispositivo conectado a uma rede sem fio fazendo a mesma coisa e, absurdamente, já nos falamos via computador estando a alguns metros uns dos outros ...  e vendo-nos.

      Nunca gostei de ler jornal e costumava me informar através de revistas e telejornais. Hoje continuo com as revistas, com os telejornais e, principalmente, verificando os sites de notícias. Não costumo utilizar as notícias instantâneas porque isso escraviza. Não posso ficar à mercê de um bombardeio de informações, a maioria inútil. Por isso escolho o que quero ler e no horário que considero ser o melhor.

      Ao mesmo tempo em que simplifica alguns serviços, por exemplo, compras e transações bancárias via rede, ela trás o risco para dentro das nossas casas. Desde fraudes em cartões de créditos, compras em sites fantasmas que recebem o dinheiro mas não entregam a mercadoria, e na disseminação de informações que facilitam roubos, furtos e até sequestros, sem falar na tão discutida e propagada pedofilia. 

      Nas diversas redes sociais as pessoas passaram a se expor mais. Nos sites de relacionamento alguns conhecidos impopulares têm centenas de amigos que gostam e comentam ações simples, cotidianas. Com a multifuncionalidade dos telefones celulares é comum ver fotos ou filmes segundos após terem sido feitos e terem sido disponibilizados, mesmo que o autor estivesse o tempo todo ao volante.
Não há dúvida que esse é um mundo novo no qual as crianças, cujas famílias têm acesso, já nascem conectadas, e até o ultrasom feito com poucas semanas de gestação é exposto e comemorado.

      Ainda que eu entenda um pouco de tecnologia, seja um usuário assíduo e mesmo que possa receber rótulos diversos, devo confessar: há coisas das quais não abro mão. Por exemplo, um texto elegante, que possua a gramática correta e que seja preciso. Não suporto ver notícias pela metade, com descrição pobre e coalhada de erros de português. Pior ainda são aquelas que se travestem de notícias para tratar de futilidades, e como tudo pode piorar, há ainda a sessão de comentários. Aqui os absurdos acontecem. Escondidos pelo pseudo anonimato e por pseudônimos ridículos alguns consideram a internet como sendo terra de ninguém. Perdem a razão nas primeiras palavras e por não serem consistentes atacam. Atacam para não serem atacados, mas o são assim mesmo. Essas pessoas não entendem que a internet é apenas um meio e não um fim em si, e na qual a civilidade, a educação e o respeito devem ser mantidos. Essa deve ser uma ferramenta para elevar o nosso nível cultural e não para rebaixá-lo.

      Há tempos li uma crônica – desabafo feita pelo escritor e repórter da Globo News Geneton Moraes Neto. Ele se sentiu caluniado pelo autor de um blog e ao invés de entrar na briga através da rede, provocou uma representação judicial e levou o caso até o julgamento. Na ação, que foi por ele ganha, não solicitou ressarcimento financeiro, mas apenas a condenação e a retratação, que foram feitas. 

      Posso ser retrógrada, mas sou otimista: nem tudo está perdido.

domingo, 3 de abril de 2011

Um Dia De Fúria.

      Não ando armado, não tenho 2m de altura e sim 1,73m, não peso 95kg, mas 71kg, e essas devem ser as razões pelas quais não gosto de discussões, barracos e coisas assim. Ainda que a minha sexta-feira tenha sido muito ocupada a cada segundo desde as 5:30h até às 19:30h, esse não foi um dia de aborrecimentos, além do que, dormi bem e bastante, logo não encontro justificativa para algumas das minhas atitudes no dia de ontem, a não ser que o governo deixou de perseguir o centro da meta de inflação, criou mais uma secretaria com status de ministério com 80 cargos nomeados e que custará 5 milhões por ano, além disso o nosso glorioso parlamentar por São Paulo e membro da comissão de Educação da Câmara que contratou 2 humoristas como assessores e que ganham 8 mil por mês sem trabalhar, e por ter exercido a nobre missão de visitar parentes no nordeste se hospedando em um resorte e apresentando a conta para que a Câmara pague. Após 52 anos eu deveria estar acostumado com a nossa pouca educação e a mesquinha cultura “do primeiro eu”, que com mediocridade faz com que as nossas cidades, com exceção de algumas ilhas urbanas, sejam feias, sujas e mal cuidadas.

      Ontem acordei cedo e com vontade de pedalar, mas aceitei o convite da minha esposa para caminharmos juntos, pois no circuito de 10km que fazemos de forma vigorosa e que cronometro e controlo os batimentos cardíacos, temos a oportunidade de colocar as conversas em dia em um ambiente e momento diferentes do nosso dia-a-dia. Comecei a ficar chateado com a sujeira e com as calçadas quebradas e intransitáveis. Passei a ficar com raiva pelo desrespeito que os motoristas têm pelos pedestres, por várias vezes, quando estávamos sobre a faixa para pedestres quase fomos atropelados pelos irresponsáveis. Voltando para casa, ao cruzar a avenida São Carlos na Praça Itália, isso ocorreu em um dos lados da rua, e no outro uma moto parou, um carro parou e um terceiro nem reduziu, o motorista, um jovem de uns 19 anos, no máximo, simplesmente jogou o carro em nossa direção. No reflexo meti o pé na porta do carro. Ele não parou e nós seguimos em frente e passei a ouvir um sermão da minha esposa.

      Esse local vocês conhecem, uma casa próxima do sindicato da Faber na qual se desenvolve a científica ocupação de astrologia, tarologia e outras charlatanices afins. Pois bem, um senhor começou a tirar um carro bom e novo daquela garagem e deixou parte do mesmo dentro da garagem, parte na rua, e fechando toda a calçada. Parei ao lado da porta do passageiro esperando que ele completasse a manobra. Ele disse: podem passar, indicando a traseira do veículo. Continuei parado e ele novamente nos “permitiu” a passagem. Eu disse, quero passar pela calçada, e ele determinou: então vai ter que esperar a minha esposa chegar, e sabe-se Deus onde ela estava. A minha vontade foi de passar por cima do carro, mas a minha esposa não deixou e começou novamente com o sermão. Fui grosso com ela.

      Chegamos à nossa casa, tomamos banho, e fomos ao shopping, pois eu precisava comprar algumas roupas, mas a loja que eu gostava fechou. Decidi não comprar nada e voltamos pra casa. Tomei outro banho e dormi por uns 40 minutos. Almoçamos e fomos, a pedido da minha esposa, à locadora de vídeo, e de lá eu iria deixá-la no supermercado. Chegando à XV de novembro para cruzá-la há duas possibilidades, ou ficar à esquerda para seguir em frente ou ficar à direita para entrar na XV, mas um motorista de táxi, vice dono da rua, pois os donos são os motoqueiros, resolveu que ele poderia passar pela direita por todos os otários que educadamente esperam a sua vez. Comprei a briga. De propósito larguei uns poucos mili-segundos após ele, pois no outro lado da rua ele teria três opções: bater no carro que estava estacionado em frente, virar para esquerda e bater no meu carro ou ficar atravessado no meio da XV, o que ele fez. Propositalmente reduzi a velocidade para deixá-lo exposto por um tempo mais longo. Permaneci na esquerda, pois na próxima esquina, onde tem um semáforo, eu iria entrar à esquerda, e ele, que continuaria em frente, passou-me pela direita me encarando com “cara de poucos amigos”. Deixei a minha esposa no supermercado e fui trabalhar das 13:30h até às 19:30h, numa tarde muito produtiva.

      Apesar de ter vivido isso não me reconheço nessas atitudes, pois não sou o dono da verdade e tampouco o redentor da humanidade, mas tenho certeza que todos aqueles que assistiram ao filme estrelado pelo Michael Douglas, Um Dia De Fúria, em algum momento deve ter pensado: às vezes dá mesmo vontade de fazer isso.

      Nega, me desculpe pelas atitudes infantis e por ter sido ríspido contigo.