sexta-feira, 13 de maio de 2011

Estou ao lado deles.

      Li vários artigos, colunas e partes de reportagem sobre a morte, ou, como queiram, assassinato do Osama Bin Laden. Vi opiniões a favor e contra, críticas e elogios, tanto sobre o fato em si quanto sobre a repercussão do mesmo, e cheguei a uma conclusão: estou ao lado dos americanos.

      De formação e cultura católica, obviamente sou contra o aborto, a pena de morte e quaisquer formas de atentado à vida, incluindo os crimes e as guerras, mas nós vivemos no mundo real e muito pouco ideal. Para conviver precisa-se de regras que são tão mais sofisticadas quanto maior é o grupo, mas cada um tem as suas próprias aspirações e personalidade e pode não acatar algumas dessas, esteja esse correto ou não, mas o caso é que para o bem da maioria, contrariar as regras exige algum tipo de restrição ao infrator, seja moral, física ou pecuniária, e não sendo a sociedade capaz de imputá-la, desaparece o princípio, algo como a impunidade que ocorre hoje em nosso país.

      Os países são como as pessoas, cada um com sua estória, cada um com sua cultura, cada um com a sua importância e influência; e quem determina a convivência entre países? Há vários mecanismos com graus diferentes de poder e influência, mas aqui também vale a máxima: quem pode mais chora menos, e hoje, ainda quem mais pode são os Estados Unidos que é militarmente a única superpotência, e como fazem todas as pessoas, esses defendem os seus interesses utilizando todos os recursos que possuem, sejam culturais, financeiros, tecnológicos, ou, em última instância, o braço.

      Os americanos, de maneira imperialista, difundem a sua cultura, se arvoram ser a polícia do globo e pagam por isso. Após a segunda grande guerra meteram os Judeus no meio do barril de pólvora que é o oriente médio e os apóiam até hoje. Apoiaram o Afeganistão contra a extinta União Soviética e hoje são amigos dos Russos e inimigos dos afegãos. Armaram o Saddam Hussein até os dentes depois o caçaram dentro de um buraco. Em janeiro de 2010 quando ocorreu o terremoto no Haiti, onde o exército brasileiro lidera a força internacional que procura dar alguma estabilidade àquele paupérrimo país da América Central, todos ficaram paralisados, mas os filhos do Tio Sam rapidamente se mobilizaram e montaram hospitais, enviaram equipes especializadas em resgate, médicos, remédios, comida, enfim, simplesmente assumiram a responsabilidade para minorar os efeitos da tragédia. Nos atuais desastres ocorridos no Japão, que é um país rico, eles lá estavam dando suporte. Ou seja, em todos os cantos do globo eles colocam a sua mão grande, e só podem fazer isso porque são ricos, líderes e poderosos. Para uma nação que em 500 anos saiu do nada para a liderança, isso é sucesso, e sucesso, como sabemos, incomoda muita gente.

      Se de um lado os americanos criaram a maior economia do planeta, muitos outros povos são praticamente miseráveis, sendo que alguns não o são por falta de fonte de lucro, mas por não poderem se apropriar dele e, evidentemente, esses povos não estão satisfeitos. Há pobreza em países ricos em todos os continentes e se há alguém que sempre leva a culpa por isso são os Estados Unidos. E o grande exemplo está no médio oriente onde a pobreza aliada ao fanatismo religioso cria um ambiente extremamente hostil. A história nos mostra que a religião provocou muitas tragédias quando tomava para si o papel de estado, assim foram as cruzadas e a inquisição e hoje o que mudou foram apenas os métodos. Ao invés das lutas com “capa e espada” utiliza-se a auto-imolação com explosivos, carros bomba, ou com aviões batendo em prédios como os utilizados em 2001. Hoje com menos frequência, mas que ainda ocorre, em Israel explode-se ônibus lotados. No Iraque, Paquistão e Afeganistão carros bombas são acionados em locais públicos, quando não, alguém se explode dentro de uma mesquita ou mercado. Em todos esses casos ficamos indignados mas não acusamos nem quem produziu a barbárie nem quem a organizou, e também não cobramos dos próprios a responsabilidade e nem coerência, mas porque fazemos isso com os americanos? Talvez seja porque consideramos que eles dispõem de outros métodos, principalmente a civilidade.

      Concordo, no mundo ideal não há espaço para mortes, guerras e vinganças, mas também concordo que no mundo real, não dá para defender os próprios interesses sem, em muitas das vezes, ferir alguém. Nesse episódio especificamente, matar o Bin Laden havia sido promessa de campanha do atual presidente americano, logo ele que ganhou por antecipação o premio Nobel da Paz. O erro foi de quem deu o premio, e não dele que cumpriu o que prometeu. Pode ser que ele dispusesse de outros meios, como capturar, julgar e punir, mas como sugeriu Maquiavel, o mal deve ser feito de uma só vez, e isso vale também para o sumiço do corpo e a não divulgação das fotos e vídeos. Quanto mais se expusesse, mais revolta criaria, e transformaria um maluco em mártir.

      E pensando bem, algum dia você já pensou em vingança ou se vingou de alguém por alguma coisa? Nem mesmo por menor que seja? E para isso não vale o mesmo princípio? Não concordo com as atrocidades, mas já fiz muita coisa das quais me arrependi depois, e não tenho certeza se fosse eu líder daquela nação, no calor dos acontecimentos daquele 11 de setembro, se eu não teria detonado algumas bombas, poderosas, de preferência, nos países que dão guarida a esse grupo que já demonstrou capacidade de levar o terror e o pânico a vários locais. Dessa maneira não posso criticá-los, estou ao lado deles.

Um comentário:

  1. Cesar, com certeza se houvesse a exposição do corpo ou das fotos de Bin Laden, a situação ficaria invertida e, além do mais, o fanatismo iria provocar mais tragédias. Concordo plenamente com você.

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