Por princípio sou contra a violência e também contra os extremos, pois os acho perigosos, o equilíbrio me parece mais adequado, e nesse caso, são cerca de 200 envolvido num universo de mais de 70 mil, logo é um extremo inferior de representatividade. Se é um ato de violência ser desalojado pela polícia no meio da noite, também o é tomar de assalto as dependências de um aparelho público que presta serviço a muito mais pessoas do que a apenas o grupo em questão. Também por se “sensibilizarem” com o “movimento”, alunos da Unesp de Rio Claro impediram na semana passada o acesso de estudantes, professores, funcionários e convidados às dependências do campus. Oras, sejamos razoáveis, qual é o direito dessas pessoas em impedir que pesquisas tenham continuidade? Pesquisas teóricas podem ser atrasadas, mas e naquelas biológicas onde há horários determinados para avaliação? Os manifestantes podem impedir que outros estudantes concluam os seus trabalhos e coloquem em risco seu futuro na escola e na profissão?
Repetir bordões contra o autoritarismo, clamar por democracia e liberdade também não me parecem adequados quando o propósito é apenas se apoderar das dependências da instituição para promover festas e consumir drogas, lícitas ou não. Parece-me que falta conteúdo ideológico a essa reivindicação.
Chamar os manifestantes de infantis, ingênuos ou descompromissados até que passa, agora querer tachá-los de mauricinhos e patricinhas e que deveriam sim estudar em escola particular deixando vaga para outros mais necessitados, não posso concordar, mesmo vendo que essa é a opinião da maioria com quem conversei. O assalariado paga três vezes por tudo o que o estado deveria fornecer. A primeira através dos impostos embutidos nos produtos e serviços, a segunda no recolhimento do imposto de renda, e a terceira na contratação de serviços que o estado não provém, como segurança privada, saúde complementar e nas escolas particulares que seus filhos frequentam até chegar à universidade. Assim vejo a universidade como um direito. Posso até não concordar com o critério do vestibular, mas se não há escola para todos há de haver um critério para a admissão e o mérito me parece mais justo. Dessa maneira, se a vaga foi conquistada por quem teve oportunidade de estudar em melhores escolas, ele merece a vaga.
Por outro lado, pode ser até a minoria dentro da minoria, mas há alunos que não são exatamente estudantes, como o caso citado daquele que foi jubilado em Letras após 8 anos sem concluir o curso e prestou novamente o vestibular para ingressar no mesmo curso. Isso não é um direito, é uma afronta, é um acinte.
Esse cenário foi criado porque temos uma legislação sofrível, educação precária e rebeldes sem causa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário