segunda-feira, 2 de abril de 2012

Complemento


      Política é coisa séria e por isso não se deve escolher um lado como se fosse torcer para um time de futebol, e a legislação eleitoral caótica que temos não me permite escolher um partido, por isso voto nas pessoas de acordo com as minhas convicções e observações. No último artigo destilei o meu desapontamento com a nossa classe política, mas me esqueci de dois fatos e por isso volto agora ao tema.

      Fui eleitor do José Serra em muitas eleições, para deputado federal, governador, senador e duas vezes para presidente e não fiquei desapontado. Dadas as circunstâncias creio que ele até teve um bom papel, inclusive como ministro do planejamento e da saúde no governo FHC, mas há poucos dias uma de suas declarações me irritou profundamente. Durante a campanha na qual se elegeu prefeito de São Paulo, instado pelos jornalistas em um programa de entrevistas o então candidato assinou um documento afirmando que cumpriria o mandato até o fim e não deixaria a prefeitura para concorrer na eleição que ocorreria daí a dois anos. Naquela época até as carcaças dos carro dentro do lodo, no fundo do rio Tietê, sabiam que ele entregaria a prefeitura ao seu vice como ocorreu,  e que a tal assinatura não passava de um jogo de cena para não perder votos naquele momento. Agora, cobrado por essa atitude disse que não passava de um papelzinho que não tinha valor pois não foi um documento firmado em cartório. Papelzinho foi essa atitude. Faltou grandeza para assumir o fato e deixá-lo transparente, pois como disse a Madre Teresa, “Honestidade e transparência te deixam exposto, mas de qualquer maneira seja honesto e transparente”.

      Já está decidido, nas próximas eleições presidenciais o candidato do PSDB será o senador Aécio Neves. Sim aquele que declarou na Voz do Brasil, e eu ouvi, que o voto não pode ser facultativo porque a democracia brasileira ainda é incipiente. É a mesmíssima desculpa do período da ditadura militar, que não poderia haver democracia porque o povo não estava preparado para votar. Quem é o senador para dizer se estou ou não apto a decidir se quero ou não votar? O estado não pode tutelar a consciência da população.

      Pelo andar da carruagem, se nenhum fato novo surgir em nosso horizonte político, nenhum dos que citei terá o meu voto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário