Política é coisa séria e por isso não se deve escolher um
lado como se fosse torcer para um time de futebol, e a legislação eleitoral caótica
que temos não me permite escolher um partido, por isso voto nas pessoas de acordo
com as minhas convicções e observações. No último artigo destilei o meu
desapontamento com a nossa classe política, mas me esqueci de dois fatos e por
isso volto agora ao tema.
Fui eleitor do José Serra em muitas eleições, para deputado
federal, governador, senador e duas vezes para presidente e não fiquei
desapontado. Dadas as circunstâncias creio que ele até teve um bom papel,
inclusive como ministro do planejamento e da saúde no governo FHC, mas há
poucos dias uma de suas declarações me irritou profundamente. Durante a
campanha na qual se elegeu prefeito de São Paulo, instado pelos jornalistas em
um programa de entrevistas o então candidato assinou um documento afirmando que
cumpriria o mandato até o fim e não deixaria a prefeitura para concorrer na
eleição que ocorreria daí a dois anos. Naquela época até as carcaças dos carro
dentro do lodo, no fundo do rio Tietê, sabiam que ele entregaria a prefeitura
ao seu vice como ocorreu, e que a tal
assinatura não passava de um jogo de cena para não perder votos naquele momento.
Agora, cobrado por essa atitude disse que não passava de um papelzinho que não
tinha valor pois não foi um documento firmado em cartório. Papelzinho foi essa
atitude. Faltou grandeza para assumir o fato e deixá-lo transparente, pois como
disse a Madre Teresa, “Honestidade e transparência te deixam exposto, mas de
qualquer maneira seja honesto e transparente”.
Já está decidido, nas próximas eleições presidenciais o
candidato do PSDB será o senador Aécio Neves. Sim aquele que declarou na Voz do
Brasil, e eu ouvi, que o voto não pode ser facultativo porque a democracia
brasileira ainda é incipiente. É a mesmíssima desculpa do período da ditadura
militar, que não poderia haver democracia porque o povo não estava preparado
para votar. Quem é o senador para dizer se estou ou não apto a decidir se quero
ou não votar? O estado não pode tutelar a consciência da população.
Pelo andar da carruagem, se nenhum fato novo surgir em nosso
horizonte político, nenhum dos que citei terá o meu voto.
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