Vi, ainda há
pouco, um post no Facebook onde apareciam duas capas da Veja, uma com a foto do
Geisel com a frase: Geisel um comando firme, e outra com a silhueta do Fidel
Castro, e nessa, também a frase: Já vai tarde. Logo abaixo havia um comentário: a Veja...desde
1968 manipulando a opinião pública. Lembrei-me então que há algum tempo
comentei sobre uma reportagem da Veja e me disseram: é da Veja? Veja bem... Na edição
que saiu na semana passada, em suas páginas amarelas, há a entrevista com próximo
Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Carlos Ayres Britto, e é claro
que há a intenção de manipular a opinião pública e o próprio Ministro para que
seja realizado ainda nesse ano o julgamento do caso conhecido como Mensalão,
pois, caso contrário, muitos dos 40 implicados podem ser inocentados pela
prescrição das possíveis irregularidades cometidas, e aqui vai a minha
pergunta: não é bom que a sociedade se mobilize e que a imprensa cobre o
esclarecimento dos fatos? Que se inocente a quem de direito e se puna os
responsáveis?
Não existe
opinião isenta, e o princípio democrático embute a possibilidade de expressão de valores e intenções, seja por parte das pessoas, das organizações e dos
organismos de imprensa. Quem critica a Veja está exercendo esse seu direito,
assim como a revista, a dela. Isso é facilmente compreensível e defensável,
porém a argumentação contrária pode se basear no poder econômico, fazendo parte
de um grupo poderoso é grande o poder de persuasão fechando os espaços para a oposição. Balela! Hoje o que seria considerado oposição ideológica está
no poder manipulando licitações e enchendo os bolsos dos companheiros e dos
partidos, além do que, há a roubalheira institucionalizada feita pelos
sindicatos e centrais sindicais. Todo empregado, no mês de março de cada ano, tem
o valor de um dia de trabalho retido e repassado como imposto sindical. Assim o
sindicato não precisa arregimentar filiados, pois esses o são compulsoriamente,
e esse dinheiro, quando não é utilizado para enriquecer os dirigentes, é
suficiente para criar mecanismos de divulgação de princípios e intenções.
Antes de
assinar a revista eu a comprava nas bancas e achava que eles não gostavam de
ninguém, pois batiam em todo mundo. Tive outras revistas como a Época e a Isto É,
e também a Carta Capital, da qual nunca gostei, e pelo meu discernimento a mais
completa e mais afinada com o meu pensamento é mesmo a Veja, mas não a
considero perfeita, e por algumas vezes fui seu crítico contumaz. Também não
leio muitas de suas reportagens, pois vários assuntos não me interessam, porém gosto
da abordagem de alguns colunistas e de algumas das suas reportagens, e, com
certeza, os próprios críticos gostaram quando a Veja, junto com a Folha, através
de suas denúncias, ajudaram a derrubar o governo Collor.
O que deve
ser entendido é que nenhuma informação é completa, nenhuma opinião é livre de
preconceitos, e que as pessoas devem buscar a informação de forma plural, de várias
fontes, e fazer o seu próprio juízo de valor. O que não dá para admitir é que
as informações sejam obtidas de maneira ilegal, com documentos forjados ou
acusações infundadas. Para combater esses desvios existe o poder judiciário.
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