sábado, 14 de abril de 2012

Veja Bem


      Vi, ainda há pouco, um post no Facebook onde apareciam duas capas da Veja, uma com a foto do Geisel com a frase: Geisel um comando firme, e outra com a silhueta do Fidel Castro, e nessa, também a frase: Já vai tarde. Logo abaixo havia um comentário: a Veja...desde 1968 manipulando a opinião pública. Lembrei-me então que há algum tempo comentei sobre uma reportagem da Veja e me disseram: é da Veja? Veja bem... Na edição que saiu na semana passada, em suas páginas amarelas, há a entrevista com próximo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Carlos Ayres Britto, e é claro que há a intenção de manipular a opinião pública e o próprio Ministro para que seja realizado ainda nesse ano o julgamento do caso conhecido como Mensalão, pois, caso contrário, muitos dos 40 implicados podem ser inocentados pela prescrição das possíveis irregularidades cometidas, e aqui vai a minha pergunta: não é bom que a sociedade se mobilize e que a imprensa cobre o esclarecimento dos fatos? Que se inocente a quem de direito e se puna os responsáveis?

      Não existe opinião isenta, e o princípio democrático embute a possibilidade de expressão de valores e intenções, seja por parte das pessoas, das organizações e dos organismos de imprensa. Quem critica a Veja está exercendo esse seu direito, assim como a revista, a dela. Isso é facilmente compreensível e defensável, porém a argumentação contrária pode se basear no poder econômico, fazendo parte de um grupo poderoso é grande o poder de persuasão  fechando os espaços para a oposição. Balela! Hoje o que seria considerado oposição ideológica está no poder manipulando licitações e enchendo os bolsos dos companheiros e dos partidos, além do que, há a roubalheira institucionalizada feita pelos sindicatos e centrais sindicais. Todo empregado, no mês de março de cada ano, tem o valor de um dia de trabalho retido e repassado como imposto sindical. Assim o sindicato não precisa arregimentar filiados, pois esses o são compulsoriamente, e esse dinheiro, quando não é utilizado para enriquecer os dirigentes, é suficiente para criar mecanismos de divulgação de princípios e intenções.

      Antes de assinar a revista eu a comprava nas bancas e achava que eles não gostavam de ninguém, pois batiam em todo mundo. Tive outras revistas como a Época e a Isto É, e também a Carta Capital, da qual nunca gostei, e pelo meu discernimento a mais completa e mais afinada com o meu pensamento é mesmo a Veja, mas não a considero perfeita, e por algumas vezes fui seu crítico contumaz. Também não leio muitas de suas reportagens, pois vários assuntos não me interessam, porém gosto da abordagem de alguns colunistas e de algumas das suas reportagens, e, com certeza, os próprios críticos gostaram quando a Veja, junto com a Folha, através de suas denúncias, ajudaram a derrubar o governo Collor.

      O que deve ser entendido é que nenhuma informação é completa, nenhuma opinião é livre de preconceitos, e que as pessoas devem buscar a informação de forma plural, de várias fontes, e fazer o seu próprio juízo de valor. O que não dá para admitir é que as informações sejam obtidas de maneira ilegal, com documentos forjados ou acusações infundadas. Para combater esses desvios existe o poder judiciário.

Nenhum comentário:

Postar um comentário