sexta-feira, 4 de maio de 2012

Ah, as cotas!


      Contra decisões do Supremo Tribunal Federal não cabem recursos, acata-se o resultado, e essas podem ser utilizadas como referência em processos futuros ou em tramitação em que matérias de mesmo teor estejam sendo apreciadas. Na semana passada, por unanimidade, ou seja, por dez votos a zero, o STF considerou legal a adoção pela Universidade de Brasília das cotas raciais para ingresso em seus cursos. Assim 20% das vagas são reservadas para quem se declare negro, pardo ou índio. Com as divagações filosóficas e palavreados rebuscados de sempre, um a um, os ministros proferiam os seus votos, o que resultou na consideração de que o estado tem o dever de reparar a injustiça histórica da distribuição de renda no país.

      Embora correta no teor me parece que a sentença está errada na forma, pois a compensação se dará às custas da promoção da própria desigualdade racial, isso é, existe um racismo ao contrário. Ao se reservar cotas aos mais carentes estabelecendo-se como critério a raça, tira-se dos demais a possibilidade de concorrer também nessa parcela, o que, a meu ver, afronta a própria constituição, pois segundo essa todos somos iguais, e consequentemente temos os mesmos direitos. Um rico que seja considerado negro pode concorrer ao ingresso utilizando-se das cotas enquanto um branco pobre é obrigado a disputar a vaga com a maioria. Estabeleceu-se assim o racismo patrocinado pelo estado.

      De certa maneira essa distorção já é considerada quando se cobra mais impostos daqueles que tem mais posses, e se isso ainda não é suficiente, que sejam distribuídas bolsas para custear o ensino superior ou mesmo o ensino básico para os mais carentes. Creio que o critério econômico é mais justo do que o racial, pois querendo limitar o acesso dos mais ricos está se excluindo também os brancos pobres. Embora o número de pobres seja maior na população de raça negra, ele não é pequeno na de raça branca, e esses também necessitam e devem ter o apoio do estado.

      Não podendo, o governo, resolver todos os problemas da população, esse deveria estabelecer como prioridade a criança, que independente de raça, credo ou condição social deveria contar com segurança, saúde e educação integrais e de boa qualidade desde o ensino infantil. Em pouco mais de 15 anos teríamos uma sociedade muito mais educada e preparada para escolher as suas profissões e exercer o seu potencial, e mesmo que vários ministros tenham deixado claro que a medida deve ser transitória, não foi determinado nenhum limite, assim a medida tende a se tornar perene e a sociedade continuará dependendo de bolsas sem que a redução da desigualdade seja efetiva.

      Se a adoção de cotas para ingresso em universidade fosse a solução, porque então não estabelecemos cotas para ministros do próprio tribunal? Que tal então cotas para a presidência da república? Desde a proclamação em 1889 tivemos, salvo em períodos de exceção e o caso do presidente Tancredo que não assumiu, 36 presidentes, por que então não fazer com que próximos 36 presidentes sejam negros? 

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