Sou
torcedor do São Paulo e às vezes me pego em discussões intermináveis e inúteis
sobre futebol, mas na política sou militante do PC – Partido do César, e voto
de acordo com as minhas convicções. Sou a favor da democracia e da justiça
social, mas entendo ser justo que cada um possua de acordo com a sua condição e
capacidade. Não acredito no estado mantenedor e muito menos tutor das pessoas,
cabe ao governo a tarefa de criar condições para que todos possam se desenvolver,
apenas isso. Por isso não voto em partidos, mas em pessoas que naquele momento
eu acredito que possam fazer a diferença. Já acertei e errei, isso faz parte do
processo.
Não gostei
da administração Lula. Ele acertou no que não interveio, como na economia, mas
errou naquilo que igualou o PT aos demais partidos, como no mensalão e outros
desmandos. Com a sua carismática liderança deixou a desejar na transformação do
país. Não basta jactar-se com estatísticas econômicas, o que faltou foi
institucional. Foi moralizar o serviço público e as atividades políticas. No
momento, apenas ele tem cacife político para tal empreitada.
Por conseqüência
também não ando apreciando a administração da Dilma. Obrigada a aceitar a carga
de um ministério inadiministrável e incompetente foi nos dois primeiros anos de
seu governo obrigada a debelar as crises denunciadas pela imprensa, além do
que, como as ondas demoram para atravessar o Atlântico, a crise econômica ainda
não chegou aqui, mas é questão de tempo. A inflação está represada, pois não se contém
preços, como o dos combustíveis, ou os juros por decreto ou no berro, mas com
atitudes, como reduzir o tamanho do estado e tornar a administração eficiente,
mas essa semana devo elogiá-la e defendê-la.
Ainda que não
tenham sido do executivo, duas proposições tornaram-se leis, foram sancionadas
pela presidente e passaram a ser efetivas a partir dessa semana. A lei do
acesso às informações, que permitirá que sociedade tenha acesso aos documentos
não sigilosos do governo, e se o Supremo Tribunal Federal deixar, até mesmo conhecer
os salários dos servidores. E a instalação da Comissão da Verdade. Apesar do
longo prazo despendido para a sua instalação, essa me pareceu equilibrada e
capacitada para esclarecer os crimes praticados tanto pelo governo quanto por
militantes durante o período da ditadura militar. É claro que a perda de
qualquer vida é um custo impagável para a família e não se justifica, mas se comparado
aos demais países sul americanos o Brasil deve muito menos explicações. Para a
efetiva entrada em vigor das duas leis valeu o esforço pessoal da presidente e
isso é elogiável e ela será lembrada por isso.
Incompreensível
foi a atitude de parte dos prefeitos que reunidos em Brasília vaiaram a
presidente após a sua manifestação sobre o controverso tema da distribuição dos
royalties do petróleo. Ao afirmar que seriam perdidas nos as ações que fossem
impetradas contra a distribuição já contratada, parte da platéia vaiou a
presidente, e isso não se faz. É nosso direito discordar da opinião dela, mas
vaiá-la em cerimônia oficial é uma tremenda falta de educação, de elegância, e
de civismo. Não se espera de autoridades atitudes típicas de torcida ou de militância.
Por mais que discordemos, não podemos desmerecer a importância e a autoridade
da instituição da Presidência da República. Ela foi democraticamente eleita
para tomar, em nosso nome, as decisões. Sim, porque governar é fazer escolhas e
tomar decisões, e é isso que ela está fazendo, gostemos ou não, aprovemos ou não,
e daqui a 2 anos teremos oportunidade de reconduzi-la ao poder ou substituí-la,
assim é a democracia.
A atitude
dos prefeitos é uma amostra perfeita e acabada do nosso nível de educação, ou
seja, estamos muito mal.
Nenhum comentário:
Postar um comentário