O meu forte é criticar e falar mal das coisas e dos outros,
não correr, mas às vezes eu arrisco. Mesmo sem ter treinado ontem participei da
Corrida Integração em Campinas. Foram apenas 5 km que percorri em 27’53” pela cronometragem oficial, o que me
colocou em 326 na classificação geral e em quinto lugar na minha categoria, mas
eu sei que posso fazer melhor, e isso é bom, pois se eu diminuir o meu tempo em
3 minutos, o que não é lá tão difícil, estarei entre os 150 considerando que mais
de 800 que completaram a prova.
Eu nunca havia participado de uma prova tão grande, com
tanta gente e com tamanha organização. Pelo grande número de participantes e
não sendo corredor de elite, tive que sair no “bolo” e isso significou quase
dois minutos entre a largada e a minha passagem pelo tapete de cronometragem.
As pessoas ficam ansiosas e tentam sair em disparada assim que toca o sinal de
largada, mas a massa à frente impede e sempre tem os mais afoitos que saem
trombando, empurrando e abrindo caminho mas se acabam rapidamente. Passei
vários desses mais à frente, pois eles não sabem dosar a energia para chegar
bem. Por outro lado, depois de ter corrido uns 3 km eu ainda via algumas
pessoas que eu jamais imaginaria que pudessem ser mais rápidas do que eu. Esse
é o efeito de como eu me vejo e como realmente sou. Embora o meu corpo tenha
perdido vitalidade em função da idade, em minha mente sou muito mais novo do
que realmente sou.
Havia uma moça de uns vinte e poucos anos, meio gordinha,
que me passava nas descidas e eu a passava nas subidas. Por causa de dor no
joelho eu sempre desço devagar, mas cada vez que ela me passava eu pensava: eu
não posso chegar depois dela, e imagino que ela pensava o mesmo: esse velho não
vai chegar à minha frente. Porém ela não teve sorte dessa vez, pois a chegada é
logo após uma reta plana e curta antecedida por uma subida em curva, e como
sempre reservo energia para o final, bastou apenas acelerar um pouco e deixá-la
uns 50m atrás.
Completando a prova.
Há pessoas de todos os tipos e com os mais diferentes
propósitos. Dos que querem somente aparecer aos que querem competir e bater
recordes. Há os grupos de amigos, as equipes profissionais e amadoras, as
turmas de academias com professores correndo junto com alunos, os solitários,
os jovens, adultos e velhos. Homens e mulheres. Nos dois primeiros quilômetros
ficou logo à minha frente um senhor que deveria ter mais de 70 anos e estava no
mesmo ritmo que eu, a 12 km/h. O engraçado é que ele não movia os ombros,
pescoço e cabeça. A parte de cima ficava dura e pulando, enquanto movimentavam
as pernas, tronco e braços, mas ele corria bem, estava preparado e tinha uma
silhueta esguia. Muitas pessoas o fotografavam e ele gostava.
A experiência foi boa, mas não fará de mim um corredor. Pode
até ser que eu volte no próximo ano, mas não vou me aventurar por essa seara.
Ao final me restou no pé uma unha roxa, e eu já sabia que seria assim, pois isso
sempre ocorre com ela quando corro, e vou ter que pagar uma multa por ter
estacionado sobre um gramado onde já estavam uns 30 carros. Os F@#$%^ da P*&^% dos “Amarelinhos” não estavam lá antes da
prova para organizar o estacionamento e os “flanelinhas “ fizeram a festa.
Depois da corrida todos foram embora satisfeitos. Os Flanelinhas por terem “feito
-o-dia” e os Amarelinhos por terem batido, com louvor, a meta do mês, já que
todos os carros tinham a multa no vidro.
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