Moramos no
centro da cidade para facilitar o deslocamento e temos outras vantagens: não
falta saneamento básico, a coleta de lixo se dá todos os dias, não falta água,
são poucos os cortes de energia e esses, quando ocorrem, são curtos, as ruas são
razoavelmente pavimentadas, há acesso a TV a cabo e telefone, e o transporte público
é fácil. Mas isso tem custo: os preços são sempre mais altos e há barulho, muito
barulho.
O mais
constante é o do trânsito, e são carros, motos e veículos grandes como caminhões
e ônibus. Sempre tem a insuportável música do caminhão de gás, a da pamonha de
Piracicaba e carros de som com todos os tipos de promoção, mas nenhuma que te dê
alguma coisa, mas sempre querendo te tomar algo, seja, no mínimo, tempo ou
dinheiro, ou os dois.
Também tem
as construções. São várias simultaneamente, e quando uma termina sempre há
outra começando. São bate-estacas, marteletes, serras circulares, furadeiras, maquitas,
marretas e os pedreiros. Nunca vi! Ô povo que gosta de gritar! Tem ainda os
pedreiros cantores, que trabalham duro mas disfarçam o sofrimento.
Do outro
lado da rua tem uma loja de instalação de som em carros que tem um razoável
movimento, enquanto eles trabalham o barulho não é alto, mas quando eles acabam
o serviço e vão testar os equipamentos...é um Deus Nos Acuda! Além de alto, o
que mais irrita são as batidas graves de som eletrônico e música vagabunda.
Parece teorema: quem ouve som muito alto gosta de música ruim.
Na rua ao
lado tem um senhor que comprou uma bomba de água sob pressão, e aos finais de
semana ele lava a calçada. É aquela batida contínua e irritante, e não sei como
demora tanto tempo para lavar uma calçada tão pequena. Também não sei se ele se
diverte mais por lavar a calçada ou por irritar os vizinhos.
Na outra
esquina tem o teatro de arena que é pouco utilizado, mas na maioria das vezes,
aos domingos, há bandas tocando entre 5 da tarde e 8 ou 9 da noite. Parece que
eles tocam na janela da minha sala. E na esquina de cima tem o Flor de Maio.
Nesse há duas atividades, o baile da terceira idade e um grupo de batuque. Esse
grupo se reúne em alguns finais de semana aos sábados ou domingos (ontem foi
sexta-feira mas eles tocaram, acho que é porque é carnaval) sempre no início da
noite. Tocam um pouco e às vezes percorrem os quarteirões da região. Mas como
tocam mal! Faz tempo que eles ensaiam e eu acho que não está adiantando, pois
eles não evoluíram nada! E o bailão ocorre aos sábados das 10 às 4 da madrugada, e aos
domingos da 6 às 10:30 da noite. O salão não é refrigerado, não possui tratamento acústico
e fica a uns 70m em linha reta da janela do meu quarto. Daqui posso ver algumas
partes do interior do salão e o som chega alto. Quando fecho a janela do quarto
o som chega refletido no prédio de trás. Quando a banda começa tocar músicas da
Xuxa ou a marchinha Globeleza é porque está apelando, não tem repertório para a
noite toda e começa a improvisar. Há umas bandas muito ruins, com cantores péssimos
e repertório limitado, mas quando vejo estacionado ao lado do salão o ônibus
velho da Banda Chapadão fico mais contente, pois a tortura será mais suave.
Na casa ao
lado tem um senhor que briga com Deus e Todo Mundo e em alto volume. É um tal
de vai tomar no c... pra lá, filho da p... pra cá e o estoque de palavrões é
enorme. Às vezes alguns copos e jarras voam, mas ficam restritos ao quintal
dele. Entre cinco para as seis e seis e cinco da manhã são abertas as portas da padaria
que fica na rua de cima. Uma depois a outra, diariamente. Como a padaria já
trocou de dono algumas vezes, eu posso garantir, já teve alguns mais pontuais.
Se não
bastassem todos esses há também os alarmes. Há os de carros que sempre disparam
e demora para serem desligados e às vezes são vários ao mesmo tempo, mas os
piores, ainda que em menor número de ocorrência, são os de residência que tem a
campainha mais alta. Algumas vezes um desses alarmes é disparado e o usuário do
imóvel não é encontrado para desligá-lo e haja paciência para suportar aquela
buzina insuportável.
Quando me
mudei para esse prédio havia um galinheiro em um dos quintais, mas eles se
foram. Também cortaram as duas mangueiras e algumas bananeiras dos quintais
vizinhos, mas ainda há algumas árvores frutíferas que trazem pássaros, e antes
do dia amanhecer só ouço os piados, mas quando clareia é uma farra,
principalmente das Maritacas e Bem-Te-Vis. Esse ainda é um som maravilhoso e que,
independente dos ruídos noturnos, sempre me alegra.
Nenhum comentário:
Postar um comentário