segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Os Números


      Aconteceu novamente. Ao acordar durante a madrugada e ao olhar o relógio não vi as horas, mas sim a sequência 2 34’. Já não sei se é coincidência quando durante o dia olho no relógio e são 12:34’ ou se nessa hora costumo olhar para o relógio para vê-la, pois essa é uma constante. Tenho um quê com as sequências crescentes, decrescentes, monótonas ou não, mas não ao ponto de achar que o mundo acabaria em 12 / 12 / 12, 12 de dezembro de 2012 na configuração mês / dia / ano.

      Quando subo uma escadaria costumo contar os degraus, e ao descer também, seja ela conhecida ou não, e se for, como os 65 degraus do andar de onde moro até a garagem, ou os 185 da garagem até o topo da escada, confiro para saber se não está faltando algum. No trânsito, faço associações para descobrir qual é o próximo número da sequência da placa do carro à frente. Às vezes elas são óbvias e em outras faço uma ginástica mental para inventá-la. Mas ainda não me encontrei com a sequência de 6 números da mega-sena.

       A maioria da população não é tão maluca, mas muitos o são, basta ver o sucesso do passatempo de origem japonesa Sudoku, que consiste em ordenar em linhas, colunas e grupos os números de 1 a 9, e que pode ser encontrado em jornais, revistas próprias, versões para download e online, e que possui milhões de adeptos em todo o mundo. Ele é um passatempo inócuo, semelhante às palavras cruzadas, mas essas tem a vantagem de aumentar o vocabulário e a cultura inútil, como: rio genuinamente paulista que corta o estado de leste a oeste com 5 letras. Aqui alguém pode descobrir o significado do “genuinamente paulista” e entender que o rio nasce na borda da serra do mar e ao invés de simplesmente despencar pelo caminho mais curto até o destino de todos eles que é o oceano, corta o estado no sentido oposto em um percurso de mais de 600km. Já no Sudoku basta ordenar os números e fazê-lo de novo, de novo, de novo...

      Quando fui de bicicleta a Brotas e já chegando a São Carlos, de tão cansado, pedi para que fossem me buscar eu havia pedalado por exatamente 07:07:07”. Quando à pé fiz o Caminho da Fé percorri exatos 323km, e quando fui pedalando a São Paulo foram 232, e somando os dois são 555.

      Hoje, às 2:34’ recordei-me que ainda menino li pela primeira vez “O Homem Que Calculava” de Malba Tahan e passei a me interessar pelos números, e esse é um dos motivos pelo qual me graduei em Matemática. Essa foi uma rica experiência que demonstrou que é muito melhor que eu continue me interessando pelos números, mas sem estudá-los, pois minha capacidade está aquém daqueles amigos maravilhosos que tem na Matemática a sua vida.

      Para completar, eu estava em San Francisco em 10/10/10 e inauguramos a EPTV Sul de Minas em 8/8/88, e o rio genuinamente paulista que corta o estado de leste a oeste com 5 letras é o Tietê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário