Na última segunda-feira, 15/04, cheguei ao aeroporto JFK em nova Iorque às 4 da tarde e tomei um taxi rumo a Manhatam. O rádio estava ligado e comecei a ouvir os comentários sobre 2 explosões consecutivas, número de vítimas e movimentação policial, mas não consegui identificar o local nem as circunstâncias. Chegando ao hotel liguei a TV e fiquei sabendo sobre o atentado na Maratona de Boston e que havia 3 mortos e centenas de feridos. Ao sair caminhando notei intenso patrulhamento e policiais em todos os cantos.
Minha atenção se voltou a dois fatos: a morte de um menino de 9 anos e o que leva uma pessoa a ter essa atitude. Sentia a dor dos pais daquele menino e imaginava que o saldo poderia ter sido muito pior se as explosões tivessem ocorrido na largada e não na chegada, pois no início a aglomeração é muito maior. Vendo o noticiário me vi envolvido na busca, desejando que o culpado fosse detido, afinal, aquilo não foi acidente, foi deliberado. Algumas pessoas foram detidas e liberadas e dois suspeitos foram identificados e a caçada começou, mas havia a dúvida se deveriam ou não divulgar os nomes. Na quinta feira embarquei para o Brasil ainda sem saber do assalto à loja de conveniência, do roubo de um carro e sequestro de seu motorista, da morte de um policial e de um dos suspeitos. Ao chegar na sexta-feira ainda se fazia o cerco ao segundo suspeito que acabou sendo preso depois de ter sido ferido.
No Jornal Nacional vi depoimentos de colegas dos dois rapazes, de seus pais e de alguns de seus parentes e fiquei muito mais triste, imaginando que um já está morto e o segundo provavelmente o será depois de julgado. São muitas vidas jovens desperdiçadas. Não sei se eles são mesmo os culpados pelo atentado, mas parece que não há dúvidas sobre os assaltos e troca de tiros, além do que foram encontradas armas e explosivos em suas residências. O mais velho era casado e tinha uma filha pequena e assim como seu irmão mais novo era inteligente e culto. Ambos são de origem russa e foram criados e estudaram nos Estados Unidos. Portanto, qual seria a razão para atacar o país que os acolheu?
No Central Park, na quinta feira, passei por uma manifestação de indianos, não sei identificar a que grupos pertencem, mas eram todos homens, alguns meninos, e os adultos vestiam ternos, uma espécie de turbante e tinham barbas longas. Gritavam por justiça e por liberdade na Índia. Eram acompanhados por policiais americanos e crianças distribuiam panfletos. Peguei um deles e perguntei do que se tratava e o menino me disse que estavam apoiando um professor. Ainda andando me deparei com grupos de diversos lugares, muitos turistas e vários residentes. Os dois taxis que tomei eram conduzidos por pessoas de origem árabe. No sul da ilha vi muitos orientais e seus comércios, e no centro, muitos hispânicos. Os Estados Unidos podem ter errado muito em sua política externa, mas certamente é um dos países mais tolerantes quando se trata de imigração e agora tem que conviver com um drama, quanto mais se protege, mais está exposto.
Como esportista me sinto infeliz com um atentado em uma prova tão democrática, pois a corrida é o único esporte onde a pessoa comum participa junto com o ídolo, e como pai fico pensando no sentimento dos pais dos garotos. Daquele inocente que apenas se divertia e daqueles que podem ter praticado esse ato. Os primeiros serão sempre vítimas e os segundos serão culpados para sempre sem ter tido nenhuma participação no episódio. Terão aquele sentimento "de onde foi que errei?". Se forem mesmo culpados, e ainda que não o sejam, como será a vida da filha daquele mais velho? É muita dor por nada, era perfeitamente possível ficar sem isso.
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