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segunda-feira, 7 de março de 2011

É Carnaval.

      É incoerente, mas apesar de normalmente ser contido, tímido e não gostar da convivência em grandes grupos, sempre me senti bem em estádios de futebol e sempre gostei de carnaval. Desse, me vejo como participante desde as infantis matinês, aos salões na adolescência e já adulto também.

Há dias um sobrinho me perguntou:

-Você gosta de carnaval, tio?

- Sim.

-Da bagunça?

-Não.

      É verdade, gosto da diversão e da alegria, mas não das brigas, depredações e da sujeira promovidas por muitos.

      Há vinte anos, quando por causa do trabalho mudei-me para São Carlos, tomei três atitudes na seguinte ordem: escolhi a escola e matriculei os filhos, aluguei um apartamento para morar e comprei o título do clube. Sendo aprovado como associado imediatamente participei do carnaval e fiquei impressionado com a qualidade. Bom som, boa banda, clube bonito, lotado, animado, bom serviço, enfim, fui surpreendido, e mais ainda fiquei quando soube que o do clube concorrente era tão bom quanto. Com o passar do tempo e a proliferação do axé e das dancinhas coordenadas o clube foi se esvaziando e o carnaval sumindo. Hoje, uma das sedes de um dos clubes foi vendida a uma igreja evangélica e o nosso clube foi impedido de realizar bailes por ordem judicial, que atendeu à reclamação dos moradores de um prédio localizado em frente ao salão. A ironia é que toda a área em frente ao clube e que hoje é residencial pertencia ao próprio clube, e que uma administração antiga vendeu para fazer caixa. Hoje não há mais um bom carnaval em São Carlos.

      Também sempre gostei dos desfiles, e apesar do meu bairrismo, sou obrigado a admitir, o do Rio de Janeiro é imbatível. Antes financiado pelo dinheiro do jogo do bicho e atualmente com dinheiro público, é aquilo que se pode chamar de espetáculo. Os desfiles têm se profissionalizado e embora seja uma overdose diária, tem a sua importância econômica. Apesar das críticas de que não é mais uma festa popular, que a paralisação do país reduz a atividade econômica, que há exageros, alto custo para a saúde pública no atendimento às vítimas dos acidentes e dos bêbados, a indústria turística tem muito a ganhar com o evento. A minha crítica é para a qualidade musical. Embora os atuais samba-de-enredo atendam às demandas comerciais, ninguém, fora os profissionais, consegue na semana seguinte lembrar uma letra ou uma música.

      Nas capitais do nordeste os blocos comandados pelos trios elétricos reinam absolutos, principalmente para a população jovem que tem energia para percorrer os chamados circuitos. Quem pode paga e se espreme no interior do território demarcado pelas cordas, quem não pode fica do lado de fora e recebe o nome de pipoca. Pode até ser um som animado e dançante, mas as músicas são fracas e descartáveis.

      De uns três de anos para cá tem me surpreendido o renascimento dos blocos de rua que estão se proliferando nas grandes cidades e mobilizando um número maior de participantes. Estão também resgatando o bom humor que caracterizava os inocentes corsos com nomes criativos como “Que Merda é Essa?” que critica a tudo e a todos.

      Sem carnaval no clube, com a atual condição meteorológica e nas palavras da minha amiga que não gostou de ser chamada de “assessora para assuntos nada a ver” em um post anterior, o que tenho esse ano é o Carnachuva e o bloco Sofacama.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Não sei fazer festa

      Não acredito em previsões astrológicas, mas conheço pessoas que nasceram em datas próximas do meu aniversário que possuem características semelhantes às minhas. Somos virginianos e sofremos muito com isso, pois, por mais que nos importemos com os detalhes, os outros simplesmente não se importam.

      Apesar de ter aprendido com o passar do tempo a ser mais tolerante, ainda acredito que só há uma maneira de se fazer as coisas: fazer certo. E essa maneira certa é, às vezes, arbitrária, cada um tem a sua ideia do que é ou não é certo. Para mim não basta estar correto, funcionando, seguro, deve também ter algo a mais que nem sempre consigo explicar antes de ver e de sentir, após isso fica fácil dizer, vamos fazer assim, pois essa é a maneira correta. E essa característica é motivo de conflitos.

      Também sou muito crítico e sempre vejo o outro lado. Se você me diz A, eu digo B, mas se você tivesse dito B, com certeza eu teria dito A. Nem sei por qual processo isso ocorre, mas é assim que se passa. Lá vamos nós, aqui também tem conflito.

      Tenho também a péssima mania de, em público, elogiar os que me são próximos, mas de maneira privada, costumo criticar aqueles a quem elogiei e sempre exigindo mais. Nem preciso dizer que isso é nitroglicerina pura.

      Também não sou bom comerciante, não sei lidar com dinheiro e não sei ficar impassível quando alguém precisa de ajuda, desde que não seja para ser fiador ou para prestar os primeiros socorros. Aliás, nem em hospital eu entro porque sei que vou desmaiar, isso já ocorreu várias vezes...

      Mas tem algo que sei fazer muito bem: trabalhar. Sou um perfeito burro de carga! Não importa o tamanho da empreitada, se estiver sob minha responsabilidade vai se realizar. Já fui testado em muitas ocasiões e jamais deixei de cumprir. É claro que já errei, alguma coisa já deixou de ficar da minha maneira certa, mas, por pior que tenha sido, ficou melhor do que o aceitável, e agora que finalizamos uma grande tarefa descobri outra falha minha, não sei fazer festa.

      Fiquei contente com o resultado do trabalho e com o desempenho da equipe por isso sugeri tirarmos um dia para celebrar e descontrair, ou seja, fazer uma festa. Agora estou completamente perdido, não sei como se faz uma festa, estou totalmente dependente, e devo reconhecer isso por mais dolorido que isso me seja, pois, como posso admitir a minha incompetência? Ou seja, tenho agora muitos problemas, não sei fazer algo, estou dependente, coisa que odeio ser, e ainda tenho que admitir isso tudo.

      Não, não posso compreender isso, só pode ser complô dos deuses contra mim! Dêm-me um novo trabalho urgentemente, por favor!