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terça-feira, 8 de junho de 2010

Não sei fazer festa

      Não acredito em previsões astrológicas, mas conheço pessoas que nasceram em datas próximas do meu aniversário que possuem características semelhantes às minhas. Somos virginianos e sofremos muito com isso, pois, por mais que nos importemos com os detalhes, os outros simplesmente não se importam.

      Apesar de ter aprendido com o passar do tempo a ser mais tolerante, ainda acredito que só há uma maneira de se fazer as coisas: fazer certo. E essa maneira certa é, às vezes, arbitrária, cada um tem a sua ideia do que é ou não é certo. Para mim não basta estar correto, funcionando, seguro, deve também ter algo a mais que nem sempre consigo explicar antes de ver e de sentir, após isso fica fácil dizer, vamos fazer assim, pois essa é a maneira correta. E essa característica é motivo de conflitos.

      Também sou muito crítico e sempre vejo o outro lado. Se você me diz A, eu digo B, mas se você tivesse dito B, com certeza eu teria dito A. Nem sei por qual processo isso ocorre, mas é assim que se passa. Lá vamos nós, aqui também tem conflito.

      Tenho também a péssima mania de, em público, elogiar os que me são próximos, mas de maneira privada, costumo criticar aqueles a quem elogiei e sempre exigindo mais. Nem preciso dizer que isso é nitroglicerina pura.

      Também não sou bom comerciante, não sei lidar com dinheiro e não sei ficar impassível quando alguém precisa de ajuda, desde que não seja para ser fiador ou para prestar os primeiros socorros. Aliás, nem em hospital eu entro porque sei que vou desmaiar, isso já ocorreu várias vezes...

      Mas tem algo que sei fazer muito bem: trabalhar. Sou um perfeito burro de carga! Não importa o tamanho da empreitada, se estiver sob minha responsabilidade vai se realizar. Já fui testado em muitas ocasiões e jamais deixei de cumprir. É claro que já errei, alguma coisa já deixou de ficar da minha maneira certa, mas, por pior que tenha sido, ficou melhor do que o aceitável, e agora que finalizamos uma grande tarefa descobri outra falha minha, não sei fazer festa.

      Fiquei contente com o resultado do trabalho e com o desempenho da equipe por isso sugeri tirarmos um dia para celebrar e descontrair, ou seja, fazer uma festa. Agora estou completamente perdido, não sei como se faz uma festa, estou totalmente dependente, e devo reconhecer isso por mais dolorido que isso me seja, pois, como posso admitir a minha incompetência? Ou seja, tenho agora muitos problemas, não sei fazer algo, estou dependente, coisa que odeio ser, e ainda tenho que admitir isso tudo.

      Não, não posso compreender isso, só pode ser complô dos deuses contra mim! Dêm-me um novo trabalho urgentemente, por favor!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Missão cumprida.

      A partir de hoje as cidades de São Carlos e Araraquara passaram a contar com a transmissão digital de televisão. No fórum oficial do sistema brasileiro de televisão constam apenas 29 cidades onde já existe esse serviço, e estamos falando de um universo de mais de 5.500 municípios do país.


      Vimos trabalhando na infra-estrutura a um bom tempo, mas efetivamente esse projeto foi iniciado no apagar das luzes do ano passado, assim, em cerca de seis meses o concebemos, negociamos, recebemos os equipamentos, os instalamos e fizemos com que funcionasse. Hoje foi um dia de celebração e de vermos o resultado no ar: tecnicamente perfeito.

      Foi mais uma realização em minha carreira de engenheiro, mas é também um momento de reflexão. Hoje fiquei contente, mas a alguns dias fiquei feliz. Fiquei feliz porque ao chegar de viagem, ainda no pátio, várias  pessoas da equipe vieram falar comigo sobre o trabalho, e senti na voz e nos olhos deles a motivação e a vontade de vencer os desafios. Naquele momento reconheci tudo aquilo que já havia lido em livros sobre administração: esse é o meu papel. Além de ser um facilitador de recursos e de montar uma boa equipe, mantê-los motivados é o segredo.

      Apesar de possuir uma longa estória em televisão analógica, hoje estou aprendendo com eles o que é TV digital; eles conhecem isso muito mais do que eu, eles aprenderam, trabalharam muito e mereceram todos os muitos elogios e os parabéns que recebemos. Eles fizeram por merecer o reconhecimento, não apenas pelo resultado excelente, mas também pela qualidade da execução. Para os leigos só o produto final importa, mas para aqueles que são da área, entendem o que foi feito e conhecem as minúcias, aqui tiveram uma aula de qualidade. Essa equipe vale ouro!

      Todos da equipe trabalharam e também recebemos algumas ajudas pontuais de pessoas de fora. Cada um com a sua capacidade, cada um com a sua habilidade, cada um com a sua contribuição, e a soma se fez altamente positiva. Todos foram importantes e escreveram com méritos seus nomes nessa estória bonita. Fica meio estranho citar nomes pois o mérito é de todos, mas tenho outra preocupação, também faz parte do meu trabalho formar alguns para que estejam prontos para assumir a minha posição, já que atualmente tenho mais passado que futuro. Com esse espírito, e apesar da indiscrição, há cinco pessoas que se mostraram diferenciadas nessa tarefa: nosso diretor Wilson Martins que não mediu esforços para aprovar o projeto e esteve conosco muitas vezes, mesmo aos sábados e domingos, e inclusive, também sem almoço! Ao Donizetti, Supervisor da Retransmissão, que já trabalhou nesse ano mais de 400 horas além da jornada regular. Ao Rodrigo, Engenheiro de Manutenção, o nosso Google, o que tudo sabe, e que realmente assumiu o trabalho com uma garra indescritível. O Fábio, Técnico de Retransmissão, que em Araraquara sempre tinha, a meu ver, as melhores respostas. E a Andresa, que realizou os nossos processos de importação e que, apesar do vulcão na Islândia, colocou todos os equipamentos em nossas mãos a tempo de serem instalados. É evidente que sou grato a todos e me orgulho de todas as tarefas realizadas, mas entre todos os que vão para a guerra há sempre aqueles que colocam a faca entre os dentes e mostram para o que vieram.

      Eu sei que exagerei em alguns momentos nas críticas e nas cobranças, mas faço isso porque eu posso. Posso porque estou com eles, se peço para refazer um trabalho é para que eles fiquem com raiva de mim que estou junto, mas quando alguém de fora vir o trabalho realizado, não façam críticas, mas lhes dêm o que tivemos hoje: um dia pleno.

      Parabéns meus amigos, vocês se superaram e me surpreenderam, e isso me trouxe uma dúvida: será que a empresa conseguirá nos pedir algo difícil?