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sábado, 3 de agosto de 2013

Por quê a máscara?


      A democracia brasileira não será completa enquanto o voto não for facultativo. Voto obrigatório é resquício do autoritarismo, da manutenção da vontade do estado de interferir na vida privada. Vota quem quer, vota quem quer participar e escolher, quem não quer delega os poderes aos que desejam, não precisamos da tutela do estado para tomarmos as nossas decisões. Além de ser mais simples, o voto facultativo diminui a burocracia, simplifica a vida do cidadão e reduz algumas despesas. Mas esse voto ainda precisa ser secreto, pois em pequenas localidades a população, se vista como oposição, pode ser prejudicada pelas más autoridades que ainda se imaginam donos de feudos.

      No entanto, não se pode admitir que nos poderes legislativos de todas as esferas o voto seja ainda secreto. A população tem o direito de saber como votam os seus representantes, e esses têm o dever de prestar conta daquilo que fazem. Persistir nas votações secretas é omitir responsabilidades, é iludir o eleitor.

      Nesse mesmo sentido de transparência condeno os que se manifestam mascarados. Vivemos em uma, embora incipiente, democracia e somos livres para externar nossas opiniões, se apresentar encapuzado nas manifestações mostra má intenção e desqualifica o participante. Pessoas de bem não precisam se esconder e devem manifestar o seu descontentamento.

      Entendo que a nova dinâmica de arregimentação feita através da internet é eficiente e prescinde de liderança única mas em panela de muitos cozinheiros ou a comida fica sem sal ou sai salgada, assim não se consegue ter controle sobre a ação de irresponsáveis. Particularmente fiquei chocado com a tentativa de invasão do Palácio do Itamaraty, não se tratava de manifestação, mas de vandalismo. Aquilo é patrimônio nosso, faz parte do nosso acervo artístico, é uma das mais bonitas obras do reconhecido Oscar Niemeyer e não deve ser alvo de quebra-quebra. Como está na moda dizer, aquele ato não me representa.

      A gente ainda tem muito a aprender, o nosso país ainda tem muito a se estruturar, mas o caminho do equilíbrio, o apoio àquilo que é correto é tão importante quanto a manifestação de contrariedade sobre o que está errado, e a honestidade e a transparência são fundamentais.

domingo, 20 de junho de 2010

Conversa no elevador, ou muito honesto.

      Sabe aquelas conversas que se ouve em elevador, você entra e começa a ouvir um assunto e quando todos o deixam, o assunto “vai embora” e você perde o final? Pois é hoje me vi mais uma vez nessa situação, mas como não sou curioso nem me importei por não saber o final da estória, mas uma frase chamou a minha atenção. Uma pessoa conversava com uma segunda contando sobre uma terceira que falava para uma quarta se referindo a uma quinta, afff.... A frase: ...mas fulano é muito honesto...Essa já não é a primeira vez que penso sobre isso, qual é a diferença entre o honesto e o muito honesto? Nenhuma, eu diria, pois ser honesto está naquela classe de estados como a fé e a gravidez. Ou se tem fé ou não, ou se está grávida ou não, não é possível estar meio grávida ou ser meio crédulo.

      Se existe alguém muito honesto é de se supor que possa existir alguém pouco honesto e, para mim, pouco honesto significa desonesto, simples assim. No entanto, por essa lógica, todo mundo é desonesto, vejam que não me excluo, pois alguém é capaz de apontar uma pessoa que nunca tenha tomado uma atitude que não tenha sido desonesta, mesmo que tenha sido para consigo mesmo? Não creio. Todos têm seus segredos e todos têm as suas falhas. Assim, suponho que a infeliz frase: muito honesto seja referente a aquele que na maioria das vezes tem o comportamento honesto e que alguns deslizes são perdoáveis. Será? Quem é honesto suficiente para dizer isso pode ou isso não pode? Que isso é perdoável ou não?

      No rol desse mesmo tipo de frase há outra que sempre chama a minha atenção, que é a semi-analfabeto ou semianalfabeto não sei qual das duas grafias está correta, me ajudem amigos professores nessa e nas próximas, pois vou escrever de uma só maneira para facilitar a minha vida. Mas voltando ao problema, ser semi-analfabeto deve ser equivalente a ser semi-alfabetizado, mas é compreensível que alguém que tenha iniciado os estudos esteja semi-alfabetizado, ou seja, está se preparando para ser alfabetizado, ou ainda, alguém que nunca tenha estudado, mas que tenha aprendido algo por conta própria, também está dando um passo na direção da alfabetização, e nunca no sentido inverso, e eu nunca vi alguém se preparar para deixar de saber algo, isso é, não se busca o analfabetismo, mas sempre a alfabetização, assim, já risquei o semi-analfabeto do meu dicionário.