Mostrando postagens com marcador transparência. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador transparência. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de agosto de 2013

Por quê a máscara?


      A democracia brasileira não será completa enquanto o voto não for facultativo. Voto obrigatório é resquício do autoritarismo, da manutenção da vontade do estado de interferir na vida privada. Vota quem quer, vota quem quer participar e escolher, quem não quer delega os poderes aos que desejam, não precisamos da tutela do estado para tomarmos as nossas decisões. Além de ser mais simples, o voto facultativo diminui a burocracia, simplifica a vida do cidadão e reduz algumas despesas. Mas esse voto ainda precisa ser secreto, pois em pequenas localidades a população, se vista como oposição, pode ser prejudicada pelas más autoridades que ainda se imaginam donos de feudos.

      No entanto, não se pode admitir que nos poderes legislativos de todas as esferas o voto seja ainda secreto. A população tem o direito de saber como votam os seus representantes, e esses têm o dever de prestar conta daquilo que fazem. Persistir nas votações secretas é omitir responsabilidades, é iludir o eleitor.

      Nesse mesmo sentido de transparência condeno os que se manifestam mascarados. Vivemos em uma, embora incipiente, democracia e somos livres para externar nossas opiniões, se apresentar encapuzado nas manifestações mostra má intenção e desqualifica o participante. Pessoas de bem não precisam se esconder e devem manifestar o seu descontentamento.

      Entendo que a nova dinâmica de arregimentação feita através da internet é eficiente e prescinde de liderança única mas em panela de muitos cozinheiros ou a comida fica sem sal ou sai salgada, assim não se consegue ter controle sobre a ação de irresponsáveis. Particularmente fiquei chocado com a tentativa de invasão do Palácio do Itamaraty, não se tratava de manifestação, mas de vandalismo. Aquilo é patrimônio nosso, faz parte do nosso acervo artístico, é uma das mais bonitas obras do reconhecido Oscar Niemeyer e não deve ser alvo de quebra-quebra. Como está na moda dizer, aquele ato não me representa.

      A gente ainda tem muito a aprender, o nosso país ainda tem muito a se estruturar, mas o caminho do equilíbrio, o apoio àquilo que é correto é tão importante quanto a manifestação de contrariedade sobre o que está errado, e a honestidade e a transparência são fundamentais.

domingo, 28 de outubro de 2012

Transparência


      Está ficando cada vez mais claro que os “mensaleiros” não tinham um projeto para o Brasil, mas sim um projeto para se apoderar do governo brasileiro. Investigados pela polícia federal, acusados pela procuradoria geral da república e julgados pelo supremo tribunal federal vários deles estão sendo condenados e alguns correm sério risco acabar na cadeia, o que discordo, pois prefiro outro tipo de pena. O tribunal entendeu que houve a associação para a prática de crime, o que em alguns casos ficou tipificado como quadrilha. Em algumas acusações os réus foram inocentados pela falta de prova ou por empate na votação, juridicamente está coreto, mas não significa que não houve culpa, porém isso pode reduzir certas penas ou absolver alguns dos acusados.

      Atos de alguns deles e de seus caríssimos advogados, aliás, aqui vai uma pergunta, quem está pagando esses honorários? Tentam desqualificar o processo como se isso fosse uma perseguição política de um governo autoritário de oposição. Besteira! O governo é do PT. A polícia federal é chefiada pelo governo do PT. O procurador da república foi nomeado durante o governo do PT, e a maioria esmagadora dos ministros do tribunal 8 entre os 11 que iniciaram o julgamento foram nomeados pelo governo do PT. Também repassam a culpa para a imprensa que estaria a serviço dos poderosos e contra um projeto de salvação do país. Besteira novamente. Primeiro: eles não tinham um projeto para país e a imprensa não cometeu nenhuma ilegalidade, apenas denunciou os desvios. Se eles não queriam estar nas primeiras páginas ou nas manchetes que não tivessem cometido essas barbaridades. Segundo, já devia ter acabado essa idéia de que para os “poderosos” interessa que o povo seja pobre. Ninguém vai distribuir dinheiro de graça, mas quanto mais rica for a população mais oportunidade de negócios haverá e mais ricos ficarão os “poderosos”. Ainda que eu não concorde com os argumentos, eles devem mesmo espernear, pois é a liberdade e o bolso deles que está em jogo. Há ainda terceiro argumento: com o julgamento sendo transmitido “ao vivo” pela TV e Internet eles foram submetidos a um linchamento prévio, pois a visibilidade mudaria o comportamento dos juízes. Mais uma besteira. Se assim fosse o julgamento já teria terminado com todos os réus condenados a penas máximas.

      Ainda que por linhas tortas o país tem melhorado. Não com a velocidade possível ou desejável, mas naquela que lhe é permitida. Sim, ainda há muito a consertar, refazer, planejar e executar bem, mas a própria transparência no julgamento e a lei de acesso às informações, que ainda “não pegou” mas que abre a possibilidade da população fiscalizar mais de perto para onde está indo o seu próprio dinheiro são sinais de que existe esperança. O organismo mais reticente é justamente o mais corrompido que é o congresso. É o senado que dificulta a aplicação da lei de acesso às informações, é o senado que quer nos empurrar a conta do imposto de renda que os senadores não pagaram, e são eles, senadores e deputados que continuam fazendo votações secretas. Oras, por que existem votações secretas? O que eles tem a esconder? Se as votações fossem abertas os eleitores conheceriam melhor os seus representantes e eles não teriam a desfaçatez de inocentar seus pares sabidamente corruptos e acobertar os desvios que nos acostumamos a ver.

      A desburocratização, a reforma fiscal e a reforma política serão necessárias para melhorar as nossas instituições e acelerar o desenvolvimento, e a transparência deverá ser o instrumento que levará a população a deixar de ser manipulada pelo governo e passará a ser a real detentora do poder.