No domingo circulou pela última vez a publicação inglesa News Of The World. A empresa foi fechada, mais de 200 funcionários foram demitidos e há a possibilidade de vários deles serem presos, inclusive seus diretores. Apesar de ser impresso o News Of The World se enquadrava na categoria dos chamados Tablóides, que diferente dos jornais de circulação diária e editorial sério e sisudo, são publicações de leitura mais leve e especializados em publicar escândalos. Em muitas das vezes eles prestam algum serviço de bom resultado, o problema consiste na maneira criminosa em que os dados são levantados. Suborno e grampo de comunicação eram práticas recorrentes das quais não escapavam políticos e muito menos celebridades, e a acirrada disputa entre eles os fazia afundar cada vez mais na ilegalidade.
Li hoje um artigo escrito pelo advogado e ex-ministro José Dirceu que comentava sobre os escândalos dos tablóides ingleses. Ele acerta em enumerar os crimes e defende o chamado “Controle Social da Mídia” eufemismo bonito para sustentar a adoção da censura à imprensa. Logo ele que combateu a ditadura, foi exilado e viveu na clandestinidade agora aprova os métodos utilizados pelo antigo regime militar. Não existe democracia desenvolvida sem liberdade de imprensa e justiça eficiente, portanto, aos criminosos devem-se aplicar as leis, apenas isso.
Fluente como todo político é, ele também afirma que em todos os meios há o espírito de corpo, ou seja, os pares sempre se ajudam, mostram os defeitos dos outros e escondem os próprios. Também concordo. Isso realmente ocorre, e a imprensa inglesa lamentou o fechamento do News Of The World, afinal eles perderam um empregador em potencial. E tanto é verdade que esse espírito existe que a nossa classe política produz dossiês contra adversários e quando são descobertos simplesmente os classificam como atos de um bando de inocentes aloprados que não necessitam de punição. Quando são flagrados em crimes como o do mensalão, onde por meios tortuosos o dinheiro público era utilizado para a compra de votos a favor dos projetos do governo, minimizam, pois essa é uma prática antiga e que todo mundo faz.
É comum que os escândalos possuam uma ou duas componentes: sexo e dinheiro. A ordem não importa, se é sexo para conseguir dinheiro ou dinheiro para conseguir sexo, tanto faz, de uma ou outra maneira gera interesse, vende jornal e aumenta a visibilidade de sites, e as empresas repercutem essas notícias pois querem sobreviver, ter lucro, e se o fazem é porque têm público, têm audiência e não será a censura que porá fim a essa atividade, pois o problema não está em se revelar o escândalo, e sim, em produzi-lo.
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