Com uma renda per capita de cerca de 10 mil dólares o Brasil é um país pobre. Com uma escola pública que privilegia o corporativismo ao invés do livre debate de idéias e da excelência acadêmica, a nação ganha analfabetos funcionais e um sem número de ignorantes, o que é bom para a manutenção da classe política, mas não enriquecerá a nação e nem diminuirá a desigualdade social. Cabe àqueles que podem utilizar-se dos meios acessíveis, sendo a imprensa e a internet seus exemplos, além, é claro, do voto consciente para pressionar os governantes a tomarem as medidas adequadas para por fim a esse descalabro.
Incentivar a indústria turística e investir em infraestrutura são ações positivas e desse ponto de vista tanto a copa de 2014 como as olimpíadas de 2016 podem render dividendos, se não pelos milhares de empregos ainda que temporários, mas principalmente pelo legado que deixará, pois os serviços, a segurança, as comunicações e os transportes deverão ser incrementados e a população poderá desfrutar deles após o término desses eventos, mas como aqui nada é perfeito, o governo apoiar é uma coisa, já, fazer, são outros quinhentos, e bota quinhentos nisso.
Tanto a Fifa quanto o COI são entidades privadas e não estão em posição de impor leis ao país, até porque com tantas denúncias de corrupção envolvendo seus dirigentes essas entidades ainda podem ter força política, mas não moral, algo como ocorre com muitos dos nossos representantes nas três esferas de poder. A tentativa de impor as suas regras faz parte do jogo, aceitá-las faz parte das nossas fraquezas, e nosso governo capitulou.
Desde o primeiro momento mesmo com a descrença geral falava-se que não haveria a utilização de recursos públicos em tais eventos, mas ocorreu o óbvio. O início das necessárias obras foi adiado até o limite do impossível para que fosse aprovada uma lei que abrandasse as regras de transparência e boa gestão, que ruim com elas, muito pior sem elas, permitindo que aqueles que superfaturam as obras venham a nadar de braçadas. O tal regime de contratação aprovado pelo congresso mereceu o seguinte comentário feito pelo senador Álvaro Dias, do Paraná: “ A Medida Provisória abre portas e janelas para a corrupção desenfreada” e se ele que está lá dentro diz isso é porque sabe o que está falando.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que se utiliza de recursos do tesouro e os repassa subsidiados aos empresários é o braço do governo encarregado de viabilizar as obras. Por si só já é um disparate tomar dinheiro a 12,25%aa e emprestá-lo a menos de 6%aa a grandes e ricas empreiteiras, mas utilizando-os em serviços básicos, vá se lá, em portos, aeroportos, estradas, saneamento, habitação, ainda é compreensível, mas senhores e senhoras, o absurdo dos absurdos é financiar a construção de estádios de futebol.
Por que temos que pagar para que clubes tenham seus estádios? Porque pagar para construir arenas para mais de 45 mil pessoas em locais cuja média de público em campeonatos regulares é de cerca de 2.000 pessoas, ou seja, os estádios serão utilizados umas 3 ou 4 vezes e ficarão ao limbo e sem dinheiro para a sua cara manutenção. Até aqui se falou de estádios administrados pelos estados, e o que dizer então daqueles que são de clubes privados?
Tem coerência investir em campo de futebol quando metade da população do país não tem esgoto tratado? Esse governo e o anterior se fizeram bradando contra as privatizações, pela "não dilapidação do patrimônio público em benefício de empresas privadas". Esse mesmo governo agora diz que irá privatizar os aeroportos e financiará a construção de estádios. Tem cabimento? Tem coerência?
Como já disse, não tenho outra saída a não ser reclamar e lamentar, mas esse governo não me representa.
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