domingo, 4 de setembro de 2011

53 Anos.

      Estou para completar 53 anos e há uma coincidência cíclica em minha vida. Normalmente entre as idades terminadas com 2 e 4 costumo estar bem fisicamente. Não são muito claras as recordações dos primeiros anos entre 2 e 4, porém mais perto dos quatro me lembro da casa, da goiabeira, de ir até a esquina na bicicleta do meu pai quando ele ia para o trabalho e eu voltava correndo, de me deitar com meus pais na cama deles logo após o almoço e ficar escutando as conversas, e também do nascimento da minha irmã.

Casa em que morei entre 1958 e 1963. Essa foto foi tirada em 1997.
A casa não mais existe, foi destruída em um incêndio e onde está o mamoeiro ficava a goiabeira.

      Entre os 12 e 14 anos eu estava no antigo curso ginasial e estudava à tarde. Foi nessa época que aprendi a jogar basquete e passava as manhãs e noites na faculdade de educação física, que era perto de casa, sempre rodeando as quadras de esportes esperando que me chamassem para completar um time. Eu jogava todos os dias. Fiz uma tabela de madeira que prendi no galho da mangueira do quintal de casa e cujo aro era um volante de Kombi. A rede fui eu mesmo que fiz com linha de nylon, pois é, eu também sabia fazer redes de pesca. Nessa quadra improvisada aprimorei as jogadas e arremessos, e me lembro de um jogo contra o meu irmão, sendo eu “abusado”, o driblei passando a bola por debaixo das minhas próprias pernas e tomei um chute por isso.

      Já morando em Ribeirão Preto, aos 22 anos, além de jogar basquete também jogava futebol de salão. Eu pesava apenas 57 kg e corria muito, não era muito rápido, mas sim resistente. Nós jogávamos basquete na quadra do SESC que era aberta para a rua, o problema é que só podíamos fazer isso depois que terminavam as aulas, ou seja, o jogo iniciava às 11 da noite e terminava por volta da uma da madrugada. Disputei vários campeonatos locais, tanto de futebol de salão quanto de basquete e até ganhamos alguma coisa.


Jogando Futsal em Ribeirão Preto em 1981.

      Aos 32 anos me mudei para São Carlos e no início trabalhei muito, cheguei a perder 4 quilos dos 77 que eu pesava, mas ainda não tinha voltado a praticar esportes. Depois de estabilizado encontrei o caminho ideal, a academia do Meneghelli, que ficava ao lado da Praça Santa Cruz, onde além de preparação física 3 vezes por semana sempre havia um joguinho de uma meia hora. Conheci algumas pessoas que corriam e passei a correr também, algo como 10km, não muito rapidamente, mas facilmente. Na empresa montei um time de basquete e disputamos os jogos operários umas 2 ou 3 vezes e estivemos sempre entre os primeiros lugares e em um ano chegamos a ser campeões.

      Estudei engenharia em Ribeirão Preto em um curso noturno viajando todos os dias, ou melhor, todas as noites. Eu não contava o tempo para concluir, contava os kilômetros. Dormia mal, comia mal, trabalhava muito, descansava pouco e aos 42 anos cheguei a pesar 82 kg. Por causa de um problema secundário acabei parando no cardiologista e através de exames foi verificado que o nível de triglicérides era muito elevado. Continuei com a minha rotina, mas acrescentei a academia 3 vezes por semana e com a ajuda de uma nutricionista mudei a alimentação. Meu peso despencou para 73kg. Nesse período também comecei a jogar tênis, não de maneira exímia, mas socialmente eu me virava bem.

Jogando Tênis na Academia Reppening em 2002.

      O tênis exige muita explosão e rotação, e com sucessivas lesões nos quadris, joelhos e panturrilhas, voltei a correr, minha melhor marca foi de 12 km em uma hora, mas o joelho também reclamou, então aos 51 anos redescobri a bicicleta, brinquedo de infância que naquela época não tive mas que sempre usei. Reformei uma Caloi 10 e para pedalar por 3 km quase morria. Comprei uma moutain bike e após seis meses percorri o Caminho da Fé. Foram 540km em 8 dias. Comprei uma speedy e passei a andar nos acostamentos das pistas e a fazer coisas como ir até Ribeirão Preto, 96 km, a Casa Branca, 102 km, a Rio Claro e voltar, 140 km, fui até o município de Taquaritinga e voltei até Araraquara onde furou o pneu, e como já estava escurecendo pedi ajuda, mas percorri 165km. A Araraquara fui diversas vezes, inclusive a trabalho, e Ibaté é como se fosse o quintal de casa, vou até lá várias vezes por semana. Em setembro do ano passado pedalei por 1.000km, foi uma preparação para subir o Tamalpais Mount (800m) em São Francisco, na Califórnia, eu estava bem e a subida foi fácil. Nesse mês de agosto percorri 1.223 km, inclusive chegando a Vargem Grande do Sul a 170 km daqui, e o próximo desafio será ainda nesse mês: novamente o Caminho da Fé, mas em 5 dias. Como preparação, além da bicicleta, faz 6 meses que estou freqüentando uma academia duas vezes por semana, e tenho ido e voltado do trabalho à pé pelo menos 3 vezes por semana, mas confesso que estou morrendo de medo de não conseguir.

Treinando no Swiss Park com a speed - setembro 2011.

      Desde a descoberta do nível elevado de triglicérides faço anualmente o exame ergométrico e aprendi alguma coisa sobre ele. São 2 protocolos utilizados, o de Bruce, aplicado a pessoas pouco ativas fisicamente ou a corredores de longas distâncias, já que é uma rotina longa e com tempos maiores entre as mudanças de velocidade e inclinação, e há também o protocolo Ellestad que é utilizado para os fisicamente ativos e é esse que costumo fazer. Apesar de sempre estar bem, nunca cheguei ao final do protocolo, o que passou a ser uma meta. Como no ano passado fiz mais de 13 minutos, decidi que nesse exame não faria menos de 14, e aos 14:30 solicitei o fim do exame, mas foi um erro, pois havia sido programado o total de 20 minutos, valor que eu sabia que eu não atingiria. O médico, após ter parado a esteira, me disse que ela reduziria a velocidade automaticamente após os 15 minutos, pois nos últimos 5 minutos são feitas as medidas em regime de recuperação. Fiquei morrendo de ódio, pois até uns 16 minutos com aquela velocidade e inclinação eu conseguiria chegar. Agora vou ter que esperar um ano para bater a máquina.

Volta da USP em São Carlos - 2010 com a Carolina, minha filha.
      Estabelecendo metas como essa espanto a preguiça e continuo bem condicionado fisicamente, e como diz um amigo meu, vou morrer cheio de saúde.

2 comentários:

  1. Oi tio, primeiro desejo a voce Felicidades sempre, depois te parabenizo pelo blog muito interessante também.Não te conheço tanto mas acabo sabendo um pouco de vc.Senti falta devoce falar um pouco sobre a casa da vó que eu conheci, aquela de madeira. Lembro certa vez da tia Neusa comentar com a vó que eu não gostava daquela casa, que era feia etc. Hoje quando vou a Lins, sempre passo na frente, me traz lembranças, cheiros e sensações que a outra casa (atual) não me traz. Acho que amava aquela casa kkkk. O pai leu e discordou um pouquinho, principalmente no que diz respeito a casa e ao chute kkkkk beijos e parabéns pelo seu aniversário

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  2. Oi Aletéia, ainda escreverei sobre aquela casa. Diga para o seu pai que quem bate não se lembra, mas quem apanha não se esquece. kakakak. Fiquei feliz em poder falar com você novamente. E a sua filha linda, como ela está?

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