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sábado, 31 de dezembro de 2011

O Meu 2011.


      Mais um ano do qual não tenho muito a reclamar mas tenho muito que agradecer. Não estou acostumado a ficar tanto tempo sem comemorar um título significativo do SPFC, mas não foi dessa vez. Um querido tio de 72 anos teve diagnosticado um problema de saúde que está sendo tratado, e uma cunhada teve infarto mas já se recuperou. Em agosto tomei um susto quando a minha filha sofreu um acidente de trânsito na rodovia, mas não passou disso, um susto, e de mais grave, só isso. Aborrecimentos, sim, tive alguns, mas fazem parte da convivência, da profissão, e do dia-a-dia, servem até mesmo de referência para medir o quanto a vida me deu de bom.

      Em termos de família temos avançado, cada vez mais unidos, maduros e fazendo planos. Em 2012 minha filha terá uma clínica só dela, minha esposa continuará com os trabalhos voluntários e meu filho está cada vez mais próximo da gente. Através de uma rede social fui encontrado por um amigo que há muito não tínhamos contato mas que foi determinante em minha formação. O considero como sendo um dos meus primeiros bons professores. Foi com aquela turma, e principalmente com ele, que tomei gosto pela leitura e conheci alguns autores clássicos de filosofia, religião e história. E o melhor de tudo é que pude dizer isso a ele. Como trabalho com tecnologia tenho uma ideia de como essas coisas funcionam, mas fiquei encantado por ter conversado e visto a imagem ao vivo de uma amiga que estava em um navio russo de pesquisas próximo do polo norte e eu no sofá de casa. Incrível.

      Profissionalmente foi um ano produtivo. Em gestão melhorei alguns resultados que não havia alcançado em 2010 e fizemos muita coisa, inclusive criando alguns postos de trabalho. Nem tudo andou na velocidade que eu gostaria, mas dentro das possibilidades, até que fomos bem e cumprimos as metas estabelecidas. Há mais cidades recebendo o sinal digital e outras com a instalação pronta aguardando apenas pelas autorizações. Por atraso no fornecimento de equipamentos não conseguimos iniciar as produções em alta definição, mas as instalações estão preparadas e em poucos dias isso ocorrerá. Devo tudo isso à excepcional equipe com a qual trabalho. É assim mesmo, eles trabalham e eu levo a fama.

      Como esperado, passadas as eleições a economia piorou e o governo vagueia entre pagar as contas e se manter no poder. O povinho corrupto esse brasileiro! Quanta roubalheira, pouca vergonha, desfaçatez. Não é justo que gente honesta e trabalhadora se faça de joguete na mão desses cínicos travestidos de autoridades, e o pior, não há solução fácil, indolor ou rápida. Nesse quesito temos que nos lembrar do título do filme: À Espera de Um Milagre.

      Estive nos Estados Unidos duas vezes. Na primeira para trabalhar mas tirei alguns dias para me distrair. Voltei à Nova York onde fiz compras e visitei museus, como o imperdível Metropolitan, e em Washington fui ao Aeroespacial, História Natural, da Espionagem e ao aquário, além de ter ido a alguns memoriais, ao Capitólio e à Casa Branca. No Arizona fui ao Grand Canyon e à usina Rover Dam e em Nevada, a Las Vegas, onde assisti a 3 shows, incluindo o Cirque De Soleil: Viva Elvis, e o Rei Leão. A esse último eu não teria ido a não ser, como diz a música: O que a gente não faz por amor! Pois fui com a minha esposa e ela queria muito. Nessa viagem passamos 10 dias juntos e sem brigar. Divertimo-nos bastante, foi excelente.

      Do ponto de vista físico me saí muito bem.  Preparei-me como planejei e em setembro com dois amigos percorri os 540km do Caminho da Fé em apenas 4,5 dias. Senti orgulho em conseguir sprints de mais de 20km a mais de 20 km/h com mountain bike em estrada de terra depois de ter percorrido mais de 100km com muita subida. A resposta do meu corpo foi fantástica. Como preparação andei muito, e só em agosto pedalei mais de 1200km. Saia para pedalar às 6 da manhã mesmo com chuva e frio, ou mesmo com muito frio, mas deu resultado. Fiquei mais forte, mais resistente e com menos gordura no corpo. Como valeu muito a pena, terá mais no próximo ano. Estou editando para contar um fato que ocorreu no dia 13 de agosto. O Rodrigo, o Alex e eu estávamos treinando para o Caminho da Fé e fomos de São Carlos aVargem Grande para nos testarmos. Entre Tambaú e Casa Branca, em um trecho de asfalto com forte descida formou-se um redemoinho com uns 10m de diâmetro. Imagino que o vento estava a uns 60km por hora e não tivemos opção. Passamos pelo seu interior. Ao entrar a bicicleta foi deslocada lateralmente, freio bruscamente e no lado oposto foi deslocado para o lado oposto. Havia muita poeira, folhas e galhos rodando em torno da gente. Foi uma sensação indescritível.

      Ainda não consegui uma boa desculpa ou uma boa maneira para voltar a cursar algo sério, que faça diferença em minha vida, e isso está me fazendo falta, mas com os planos que tenho estou impossibilitado de levar isso adiante. Esse tema será recorrente até que eu o encare de frente, e falando nisso, também não estou satisfeito com a minha escrita. Preciso urgentemente de alguém que me ensine a escrever. Já vi que posso relatar, mas não sei escrever, e como não tenho talento preciso de técnica, e como não gosto de estudar, mas apenas de aprender, vou ter que cair na mão de alguém. Também não estou estudando inglês ou espanhol, mas estou querendo aprender um pouco de russo.

      Essa é a minha maneira. Confusa? Misturada? Sim, mas está dando certo. Que venha 2012.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Caminho Da Fé

      Sobre crença e fé falarei em outra oportunidade, aqui quero relatar a minha terceira viagem pelo Caminho Da Fé, de São Carlos a Aparecida, percurso de aproximadamente 540 km que percorremos de bicicleta em quatro e meio dias. Digo meio dia porque no último foram apenas três horas e doze minutos pedalando. Voltamos a São Carlos utilizando uma Van que trouxe também as bicicletas sem que fosse necessário desmontá-las.

      Em outubro do ano passado quando fizemos o planejamento das férias para 2011 previmos a coincidência de alguns dias para que o Rodrigo (35), o Alex (29) e eu (53) pudéssemos fazer o percurso em 5 dias e estabelecemos a data do início: 17 de setembro. Durante os primeiros 6 meses comecei a treinar mais assiduamente e com maior intensidade, e a partir de março comecei a frequentar uma academia duas vezes por semana e com um técnico para me orientar. Fiz exercícios para fortalecer as costas que são muito exigidas nas subidas, e para os ombros que doem quando os freios são muito utilizados em descidas fortes. Além disso, melhorei a técnica para pedalar e fiz exercícios de força para conseguir o equilíbrio muscular. Também, como faço todos os anos, continuei com as consultas com o cardiologista e fiz o exame ergométrico antes de viajar, e a conselho do médico busquei a ajuda de uma nutricionista ligada ao esporte que me orientou sobre a alimentação rotineira para período de treinamento e também com a suplementação alimentar para o percurso.

      Estudamos o trajeto que já conhecíamos verificando detalhadamente as distâncias e as altimetrias de cada trecho e assim planejamos a logística que incluía percorrer cerca de 150km no primeiro dia, e para testar, no dia 13 de agosto fomos até Vargem Grande do Sul, que seria o nosso primeiro ponto de repouso. Verificando que seria possível percorrer esse trajeto fizemos a divisão do que faltava e planejamos a redução de peso a ser transportado, já que não teríamos carro de apoio. Com a aproximação da data da partida a expectativa foi aumentando e o medo de não conseguir também.

      Deixei a minha casa às 4:10h da manhã do dia 17 e encontrei o Rodrigo, que estava meio resfriado e tinha quebrado um dente na noite anterior, ele estava meio abatido e com tendência a desistir. Pedalamos bem nesse primeiro dia, que apesar de longo não tem muita subida e chegamos por volta das 15:30h a Vargem Grande e ficamos no hotel Príncipe. O Rodrigo que tinha sentido dores na virilha não estava certo de continuar no dia seguinte, mas continuamos. No segundo dia, que era o meu aniversário, subimos forte logo cedo, por volta das 5:30h, a Serra da Fartura, depois descemos para Águas da Prata e subimos o Pico do Gavião, rumo a Andradas. Chegando a essa cidade seguimos um trecho pelo acostamento da pista asfaltada e na subida, por duas vezes fomos “fechados” e quase atropelado por um bêbado dirigindo um Fiat Uno com várias pessoas dentro que chamou o Rodrigo de “paceiro”. E ele apenas queria saber qual era a próxima cidade. Almoçamos em Andradas e subimos a Serra dos Limas, trecho difícil assim como também é difícil a descida para Barra, a próxima cidadezinha. Saindo de Barra tem uma elevação forte onde um Palio e um Gol 1000 não conseguiam subir, mas nós subimos a maior parte pedalando. Tocamos até Ouro Fino onde chegamos já anoitecendo.

      Saímos de Ouro Fino às 7h da manhã e o começo é tranquilo, a dificuldade começa perto de Borda da Mata e fica pior no caminho para Tocos do Mogi. Uma sucessão de subidas e descidas fortes que se estendem até Estiva, onde cruzamos a rodovia Fernão Dias e subimos a Serra do Caçador que também é muito difícil e chegamos a Consolação por volta das 6 da tarde. Tocamos pelo asfalto até Paraisópolis, pois a condição de hospedagem e alimentação é melhor e aonde chegamos às 19:41h. Durante o café da manhã nos encontramos com 2 peregrinos, um jornalista de Brasília que faz tai chi chuan pela manhã e caminha devagar conversando com os proprietários rurais “para saber dos seus problemas” e com um publicitário que é de Sorocaba mas que trabalha no Boticário em Curitiba. Eles iriam apenas até Luminosa nesse dia. Já tínhamos percorrido as 3 maiores distâncias, mas no quarto dia, com cerca de 60km até Campos do Jordão teríamos a maior diferença de altitude a ser vencida de uma só vez, cerca de 1000m na Serra da Luminosa, mas antes disso, a própria chegada a Luminosa já impunha um bom desafio para quem estava com as pernas doloridas, tanto na subida forte como na descida inclinadíssima. Na praça de Luminosa um rapaz perguntou ao Alex de onde éramos e ao saber, disse que conhecia São Carlos – tem uma droga boa lá! Perguntou se o Alex curtia e diante da negativa ele afirmou que aqui “tem um pó do bom”. O único pó que tínhamos era a poeira das estradas e fomos subindo a Luminosa até o Quebra Pernas. Nesse trecho a minha bike começou a apresentar problemas na transmissão. Chegamos à Pousada Barão Montês em Campista, onde o proprietário, Márcio, preparou para nós um ótimo almoço. Seguimos até Campos do Jordão já sabendo que encontraríamos um casal que estava caminhando. Encontramos-nos durante o jantar na pousada, ele um senhor de 65 anos, de corpo franzino, mas ativo. Disse que caminha muito todos os dias e que pedala mais de 20km recolhendo lixo. Ela uma senhora forte de uns 40 e poucos anos, bancária, 3 filhos quase adultos e que na semana seguinte iria a Portugal e Espanha, inclusive a Santiago de Compostela, mas que não iria fazer essa peregrinação. O marido dela iria buscá-los de carro em Aparecida. Na manhã seguinte durante o café às 6 da manhã encontramos com outro casal, ele com mais de 60 anos e ela por volta dos 30, ele seguia caminhando e ela ia de cidade em cidade de ônibus ou carona e o esperava. Ele não estava em boas condições, estava sentindo fortes dores nas pernas, mas estava propenso a concluir.

      Faltavam 14 minutos para as 7 da manhã quando deixamos a pousada e por volta das 10:30 já estávamos em Aparecida. Chegando ao Santuário a Van que havíamos contratado já estava nos esperando. Sinto sempre uma emoção muito grande ao receber o diploma que atesta o cumprimento do Caminho Da Fé e também pelo clima que tem na basílica. Depois de tomarmos banho, trocarmos de roupas e comprarmos algumas lembranças deixamos Aparecida por volta do meio-dia e chegamos a São Carlos às 5 da tarde.

      O Caminho Da Fé, percorrido dessa maneira, é o lugar onde você não vê a hora de terminar e quando termina não vê a hora de fazê-lo novamente. Já sabemos o que devemos fazer para percorrê-lo em apenas 4 dias.

domingo, 4 de setembro de 2011

53 Anos.

      Estou para completar 53 anos e há uma coincidência cíclica em minha vida. Normalmente entre as idades terminadas com 2 e 4 costumo estar bem fisicamente. Não são muito claras as recordações dos primeiros anos entre 2 e 4, porém mais perto dos quatro me lembro da casa, da goiabeira, de ir até a esquina na bicicleta do meu pai quando ele ia para o trabalho e eu voltava correndo, de me deitar com meus pais na cama deles logo após o almoço e ficar escutando as conversas, e também do nascimento da minha irmã.

Casa em que morei entre 1958 e 1963. Essa foto foi tirada em 1997.
A casa não mais existe, foi destruída em um incêndio e onde está o mamoeiro ficava a goiabeira.

      Entre os 12 e 14 anos eu estava no antigo curso ginasial e estudava à tarde. Foi nessa época que aprendi a jogar basquete e passava as manhãs e noites na faculdade de educação física, que era perto de casa, sempre rodeando as quadras de esportes esperando que me chamassem para completar um time. Eu jogava todos os dias. Fiz uma tabela de madeira que prendi no galho da mangueira do quintal de casa e cujo aro era um volante de Kombi. A rede fui eu mesmo que fiz com linha de nylon, pois é, eu também sabia fazer redes de pesca. Nessa quadra improvisada aprimorei as jogadas e arremessos, e me lembro de um jogo contra o meu irmão, sendo eu “abusado”, o driblei passando a bola por debaixo das minhas próprias pernas e tomei um chute por isso.

      Já morando em Ribeirão Preto, aos 22 anos, além de jogar basquete também jogava futebol de salão. Eu pesava apenas 57 kg e corria muito, não era muito rápido, mas sim resistente. Nós jogávamos basquete na quadra do SESC que era aberta para a rua, o problema é que só podíamos fazer isso depois que terminavam as aulas, ou seja, o jogo iniciava às 11 da noite e terminava por volta da uma da madrugada. Disputei vários campeonatos locais, tanto de futebol de salão quanto de basquete e até ganhamos alguma coisa.


Jogando Futsal em Ribeirão Preto em 1981.

      Aos 32 anos me mudei para São Carlos e no início trabalhei muito, cheguei a perder 4 quilos dos 77 que eu pesava, mas ainda não tinha voltado a praticar esportes. Depois de estabilizado encontrei o caminho ideal, a academia do Meneghelli, que ficava ao lado da Praça Santa Cruz, onde além de preparação física 3 vezes por semana sempre havia um joguinho de uma meia hora. Conheci algumas pessoas que corriam e passei a correr também, algo como 10km, não muito rapidamente, mas facilmente. Na empresa montei um time de basquete e disputamos os jogos operários umas 2 ou 3 vezes e estivemos sempre entre os primeiros lugares e em um ano chegamos a ser campeões.

      Estudei engenharia em Ribeirão Preto em um curso noturno viajando todos os dias, ou melhor, todas as noites. Eu não contava o tempo para concluir, contava os kilômetros. Dormia mal, comia mal, trabalhava muito, descansava pouco e aos 42 anos cheguei a pesar 82 kg. Por causa de um problema secundário acabei parando no cardiologista e através de exames foi verificado que o nível de triglicérides era muito elevado. Continuei com a minha rotina, mas acrescentei a academia 3 vezes por semana e com a ajuda de uma nutricionista mudei a alimentação. Meu peso despencou para 73kg. Nesse período também comecei a jogar tênis, não de maneira exímia, mas socialmente eu me virava bem.

Jogando Tênis na Academia Reppening em 2002.

      O tênis exige muita explosão e rotação, e com sucessivas lesões nos quadris, joelhos e panturrilhas, voltei a correr, minha melhor marca foi de 12 km em uma hora, mas o joelho também reclamou, então aos 51 anos redescobri a bicicleta, brinquedo de infância que naquela época não tive mas que sempre usei. Reformei uma Caloi 10 e para pedalar por 3 km quase morria. Comprei uma moutain bike e após seis meses percorri o Caminho da Fé. Foram 540km em 8 dias. Comprei uma speedy e passei a andar nos acostamentos das pistas e a fazer coisas como ir até Ribeirão Preto, 96 km, a Casa Branca, 102 km, a Rio Claro e voltar, 140 km, fui até o município de Taquaritinga e voltei até Araraquara onde furou o pneu, e como já estava escurecendo pedi ajuda, mas percorri 165km. A Araraquara fui diversas vezes, inclusive a trabalho, e Ibaté é como se fosse o quintal de casa, vou até lá várias vezes por semana. Em setembro do ano passado pedalei por 1.000km, foi uma preparação para subir o Tamalpais Mount (800m) em São Francisco, na Califórnia, eu estava bem e a subida foi fácil. Nesse mês de agosto percorri 1.223 km, inclusive chegando a Vargem Grande do Sul a 170 km daqui, e o próximo desafio será ainda nesse mês: novamente o Caminho da Fé, mas em 5 dias. Como preparação, além da bicicleta, faz 6 meses que estou freqüentando uma academia duas vezes por semana, e tenho ido e voltado do trabalho à pé pelo menos 3 vezes por semana, mas confesso que estou morrendo de medo de não conseguir.

Treinando no Swiss Park com a speed - setembro 2011.

      Desde a descoberta do nível elevado de triglicérides faço anualmente o exame ergométrico e aprendi alguma coisa sobre ele. São 2 protocolos utilizados, o de Bruce, aplicado a pessoas pouco ativas fisicamente ou a corredores de longas distâncias, já que é uma rotina longa e com tempos maiores entre as mudanças de velocidade e inclinação, e há também o protocolo Ellestad que é utilizado para os fisicamente ativos e é esse que costumo fazer. Apesar de sempre estar bem, nunca cheguei ao final do protocolo, o que passou a ser uma meta. Como no ano passado fiz mais de 13 minutos, decidi que nesse exame não faria menos de 14, e aos 14:30 solicitei o fim do exame, mas foi um erro, pois havia sido programado o total de 20 minutos, valor que eu sabia que eu não atingiria. O médico, após ter parado a esteira, me disse que ela reduziria a velocidade automaticamente após os 15 minutos, pois nos últimos 5 minutos são feitas as medidas em regime de recuperação. Fiquei morrendo de ódio, pois até uns 16 minutos com aquela velocidade e inclinação eu conseguiria chegar. Agora vou ter que esperar um ano para bater a máquina.

Volta da USP em São Carlos - 2010 com a Carolina, minha filha.
      Estabelecendo metas como essa espanto a preguiça e continuo bem condicionado fisicamente, e como diz um amigo meu, vou morrer cheio de saúde.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Se Cuide.

Sente-se que a estória é longa.

      Na sexta-feira conversei com os amigos que iriam pedalar comigo na manhã de sábado e disse que, apesar de todos nós termos compromissos no sábado à tarde e o percurso ser longo, eu só sairia depois das 6:20h pois o dia está clareando tarde. Combinamos de encontrar o Alex às 6:30h próximo ao trevo da Getúlio Vargas com a Washington Luiz, e eu encontraria o Rodrigo às 6:15h na Praça Itália. Para o trajeto preparei um lanche típico de um retirante: 4 fatias de pão de forma untadas com mel, 2 Alfarrobas de banana, 2 pacotinhos de biscoito Club Social integral, 1,5 litros de água com aminoácidos, uns 3 saches de gel de aminoácido e meio litro de água pura.

      Às 6:05h eu já estava na praça Itália observando que para alguns que se dirigiam ao trabalho à pé, de bicicleta, moto e certamente de carro, o dia estava apenas começando, mas para outros a noite ainda não havia terminado, como para os jovens que passaram em uma Caravan toda arrebentada, ouvindo em alto volume algo como um rap de baixa qualidade em alto-falante de qualidade pior ainda. O passageiro do banco de trás gritava algo ininteligível e o da frente jogou latas de cerveja pela janela. Teve também o casal que caminhava sempre se tocando, ela uma jovem bonita, com roupa simples mas arrumada, e ele com a camisa aberta, cerveja em uma das mãos e cigarro na outra e com um caminhar balançado como quem quer parecer mais malandro do que é. Sentenciei: não terão um bom futuro. E o mais grave, um rapaz de uns 28 anos, com a minha estatura, mais pardo do que eu, sim, pois minha esposa informou ao IBGE no último Censo que eu sou pardo, um pouco mais magro do que eu e que andava cambaleando. Com aquele porte físico e no estado em que se encontrava não poderia me intimidar. Ao se aproximar perguntou:

O senhor é atleta?

Não, só pedalo um pouco.

O senhor curte.

Eu preciso.

Não, o senhor curte! Com essa roupa só pode curtir. Posso levar um papo reto com o senhor?

Claro.

Então senhor, eu já caí várias vezes, já levantei, puxei cana várias vezes e saí, já trabalhei, é o vício, senhor. O senhor sabe.

Sei.

Faz "treis meis" senhor, é abstinência, senhor.

É, tem que persistir.

É senhor, eu quero trabalhar.

Eu sei, tem que mudar de vida.

Não tem vida senhor.

É, muita gente morre.

Morre como?

Alguém mata.

No meu caso "é os home". Hoje tomei uma cachaça e "tô" precisando. O senhor me arranja 1 real? 50centavos?

Eu não carrego dinheiro, só água na mochila, nem bolso eu tenho.

Tá certo senhor, mas eu vou arranjar.

Se cuide.

Cesar, Cesar! Era o Rodrigo me chamando do outro lado da praça. Fomos embora.

      O Alex, que sempre chega adiantado, se atrasou uns 3 minutos. Partimos para Descalvado, num fácil trajeto de cerca de 40km, mas que tem um trecho de descida com muitas pedras em que a velocidade alta aliada à trepidação faz com eu sinta coceira nas pernas e nos braços. Foi uma boa média, em torno de 22km/h e em menos de 2 horas havíamos chegado. Saímos imediatamente para Analândia, mais uns 35km em um percurso bem mais difícil. Chegando lá perguntamos onde havia uma padaria e nos indicaram o calçadão, que até o ano passado não existia e que se trata de uma calçadinha de uma quadra, onde operários montavam um palco metálico para show e que quase tocava a rede elétrica de baixa tensão. Tomei uma espécie de Gatorade e comi 2 fatias de pão com mel, um pacote de biscoito e uma Alfarroba. Descansamos um pouco e viemos embora.

      No início a subida é leve, mas o solo é arenoso e fui ficando para trás, ao chegar ao início da subida mais forte encontrei o José, que disse ser de São Carlos e às vezes vai do posto Castelo até aquele ponto umas duas ou três vezes “para compensar o rolê”. Passando pelo morro do Camelo ele acelerou e continuei em meu ritmo lento. Mais acima o Rodrigo e o Alex haviam parado e estavam tirando fotos quando cheguei. Na saída, brincando, o Alex disse que iria alcançar o José, e ambos comentaram que ele é mal educado, pois ao passar nem os cumprimentou. Novamente eles se adiantaram e fui seguindo-os. Quase ao final da subida, com os dois já fora do meu campo de visão, encontro o José meio desequilibrado. Ele precisava de uma chave para apertar o banco da bicicleta que havia se soltado e, por sorte, eu tinha. Ajudei-o e começamos a subir juntos, mas fui deixando-o para trás e após uma curva não mais o via. Voltei. Ele estava fazendo alongamentos.

O que houve?

Não sei, acho que o banco desajustado me fez sentir câimbras.

Você tem água?

Sim.

Quer um gel de aminoácidos?

Se você tiver.

Melhorou?

Sim, vamos empurrar um pouco.

      Subimos empurrando até o topo onde o Alex e o Rodrigo nos esperavam e começamos a pedalar novamente. Íamos voltar pela Invernada e o José veio conosco. Numa descida forte cheia de pedras fui com muito cuidado e eles que haviam se distanciado me esperaram em uma curva. Ao me verem foram embora, mas ao chegar lá eu caí, sem gravidade. Definitivamente essa brincadeira de cair não me agrada. Passamos por um trecho com muita areia e chegamos à subida da invernada, que é íngreme, tem cerca de 2km mas é asfaltada. O Rodrigo foi adiante, o Alex parou para comer, eu passei, e o José vinha atrás. No meio da subida não agüentei, pois já tínhamos percorrido uns 95km e resolvi empurrar um pouco, foi quando o Alex me passou. Voltei a pedalar e encontrei os dois que estavam nos esperando. Conversamos e decidimos que eles iriam embora e eu voltaria para ajudar o José.

      Retornei por uns 400m e o encontrei parado. Dei a ele uma barra de cereais que o Rodrigo havia deixado e ele comeu. Dei um pacote de biscoito e ele comeu. Dei uma alfarroba e ele também comeu, depois disso tomou quase toda a água da minha garrafa reserva. Começamos empurrar até o topo e ele me contou sobre a sua vida: tem 21 anos, é casado e eles têm um casal de gêmeos de 3 meses, mas ele mora com os pais dele e a esposa com os pais dela. Ele trabalha em uma loja de sucos e ganha R$ 700,00 por mês. Prestou concurso para ser policial e está esperando pelo resultado. O sonho é estudar no Barro Branco.

      Voltamos a pedalar para completar os cerca de 15km restantes, e ele se recuperou de tal maneira que até tentou me passar em alguns momentos, mas o meu instinto competitivo não deixou. Chegando à marginal ele poderia subir a Aquidaban e descer a USP que era o caminho mais curto, ou seguir pela marginal virar no Cristo e voltar até a USP, cujo trajeto é mais longo mas a elevação é suave. Foi o que ele preferiu.

Muito obrigado pelo que o senhor fez por mim hoje.

Que isso, se cuide.

domingo, 12 de junho de 2011

Plano desfeito.

      Ontem saí de casa para pedalar por 200 km. Com a speed tomei o sentido oeste na Washington Luiz e quando completei 100 km cruzei o canteiro central e voltei. Ao completar 165 km, já em Araraquara, pela segunda vez furou o pneu, e como está escurecendo muito cedo eu não chegaria a São Carlos antes do anoitecer, pois ainda tinha a subida do Chibarro pela frente. Tive que pedir ajuda para chegar.

      No post anterior comentei sobre os pedaços de cabo de aço que interrompem o passeio, e que eu nunca havia tido a preocupação de mostrar. Dessa vez ele veio comigo. Um pedacinho de arame de aço com menos de meio milímetro de espessura desfez o meu plano.



      Tudo bem. Não faltará oportunidade para eu atingir esse objetivo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Acidente 2.

      Ontem ao chegar de viagem duas pessoas me falaram sobre o acidente que vitimou um médico dermatologista e ciclista de Araraquara na descida do Chibarro, local por onde já passei por diversas vezes e pretendo passar por outras tantas mais. Ao ler a notícia em um site local vi também alguns comentários, sendo uns completos absurdos.

      Não que a pessoa se torne santa quando morre, mas, pelas informações dadas até aquele momento, os ignorantes que escreviam não o conheciam, logo não podiam julgá-lo, além do que, no mínimo devem respeito aos familiares. Outros equívocos se deram sobre as circunstâncias do acidente, por exemplo. Pelo horário do ocorrido, alguns o caracterizavam como alguém que utilizava a bicicleta como meio de transporte, o que é errado, a bicicleta envolvida era uma Pinarello, e quem conhece sabe, essa marca é considerada a Ferrari das biciletas, portanto ele era um esportista já com alguma experiência. Some-se também o fato de que, quem pedala naquela região está buscando resultado, pois os aclives são fortes.

      Outros disseram que naquele ponto o acostamento da Washington Luiz é bom, então qual seria o motivo dele ter entrado na pista? O pneu da bicicleta do modelo speed tem uma pequena área de contato, justamente para reduzir o atrito e ganhar mais velocidade, e naquele local, onde a velocidade final pode passar de 70km/h, um pedaço de cana jogado no acostamento pode derrubar o ciclista, e a reação imediata é desviar. E pedaço de cana é o que não falta naquela região. Quem utiliza esse tipo de bicicleta também sabe que a camada de borracha desse tipo de pneu é muito fina para que ele se torne leve, aliada a alta pressão, entre 100 e 120 libras, um simples fiapo de cabo de aço de poucos décimos de milímetro de espessura, desses que são encontrados em abundância nos acostamentos das rodovias, pois soltam-se dos pneus de caminhões, é suficiente para furar o pneu da bicicleta. Isso já me aconteceu diversas vezes, logo, quando vejo esse tipo de cabo de aço trato logo de desviar. Assim, não basta que o acostamento seja regularmente pavimentado, deve também estar limpo, inclusive de graxas, óleos e barro que infestam as laterais das pistas.

      Viajando pelas rodovias paulistas é comum ver ciclistas individuais ou em grupos pedalando pelos acostamentos, ontem mesmo, na Anhanguera, vi um pelotão com cerca de 10 ciclistas e também várias duplas. O que ocorre é que as nossas cidades não oferecem alternativas seguras para quem pratica esse esporte e as nossas autoridades não conhecem o problema e imagino que nem querem conhecer, pois, conhecendo, têm que tomar alguma atitude, que passa a ser um problema a mais a ser resolvido. É mais fácil considerar essa morte como uma fatal vítima de atropelamento no trânsito, que entra na estatística, mas não há nada a ser feito. Em outros países a mobilidade urbana e o transporte não poluente são considerados estratégicos, mas não aqui. Na Holanda há estacionamentos gigantescos para bicicletas, muitas faixas exclusivas e espaços para essas dentro dos trens.





      Em São Francisco, na Califórnia, há espaço nos barcos e ciclofaixas em muitas vias consideradas artérias, onde não há, os ciclistas andam pelas estradas, mas há sinalização alertando.





      Em Houston, no Texas, além de ciclovias em várias avenidas, há também sinalização avisando que bicicleta é veículo.

                                    
                                    
      Aqui, como o descaso é geral, nada vai mudar, a não ser que se veja aí uma boa oportunidade para sobrefaturar as obras e aumentar o próprio patrimônio em dezenas de vezes em curto espaço de tempo.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Acidente.

      Sabe aquela zombeteira resposta à pergunta: o que fiz de errado? Nada, só nasceu! Pois é hoje não fiz nada de errado mas claramente colaborei, apenas por estar na rua, para um acidente que por muito pouco não foi sério e ao qual assisti de camarote, ou melhor, do selim da bicicleta.
      Às 6:35 da manhã saí de casa com a mountain bike para o percurso básico, ir até Ibaté por dentro dos canaviais e voltar a tempo de tomar café e chegar cedo ao trabalho. São cerca de 30 km que percorro em aproximadamente 1:30h, pois se trata de um trajeto relativamente fácil. Normalmente rodo uma quadra e meia na contra-mão da rua de casa e ao chegar na rua Riachuelo acelero um pouco, mas logo tenho que reduzir, pois no cruzamento com a Marginal tenho que virar à direita num ângulo superior a 90 graus. Apesar de a descida ser em uma rua preferencial, fico atento aos 2 cruzamentos, pois não custa muito para um desavisado cortar a frente. A Riachuelo, em 3 quadras, tem um desnível de uns 40m onde se atinge facilmente 60km/h.

      Hoje ao chegar à Riachuelo vi à minha direita um pedreiro, que poderia ser um ferreiro, ou carpinteiro, enfim um trabalhador de obra, descendo com uma bicicleta em alta velocidade, sem segurar, e com as mãos cruzadas sobre o peito. Lógico que a proteção da cabeça era um boné de propaganda. Sem nenhum risco, pois ele estava a uns 70m acima, cortei-lhe a frente posicionando-me à direita e acelerei. Imagino que ele tenha pensado: esse playboy, ou coisa que o valha, pois eu estava trajado como ciclista esportivo e pedalando em uma bicicleta de boa qualidade, não vai ficar na minha frente. Tenho que passá-lo! Duas quadras abaixo ele me alcançou já com as duas mãos apoiadas no guidão e a uns 65km/h e acelerando. Nesse momento eu já estava reduzindo para fazer a curva e pensei: o cara é louco, ele não vai parar. E ele não parou.

      Simplesmente desrespeitou a sinalização de parada obrigatória pois não vinha ninguém à esquerda e avançou. Cruzou a primeira rua e após cruzar o canteiro foi atingido por uma moto, cujo condutor também não havia obedecido à sinalização de obrigatória parada. Apareceu uma labareda de fogo no momento do impacto e várias outras menores produzidas pelas batidas da moto sobre o asfalto. Cada um para o seu lado foi arremessado ao chão e assisti à queda dos dois. Eles levantaram-se cambaleando e atordoados. Na moto quebraram-se as coisas de praxe: espelho, tanque, mata-cachoro e a bicicleta, que era uma Treck, ficou um treco: câmbio destruído e a roda traseira ficou um “oito” entre outros danos.

      Fui atendê-los e os dois mostravam-se “ralados” mas sem fraturas. Nenhum queria o auxílio da polícia e nem do resgate e iniciaram um diálogo. O condutor da moto, um rapaz de uns 25 anos que pelo traje deve trabalhar como vigilante, tentava ser educado, cordial e responsável, admitindo arcar com os prejuízos, mas em primeiro lugar preocupado com a saúde do atingido, e esse, enquanto procurava por seus óculos, analisava a bicicleta e só resmungava uma coisa: filho da p...

      Muitas pessoas que passaram de carro, moto ou bicicleta se propuseram a ajudar, mas os envolvidos recusavam, e eu por ter sido o primeiro tinha também tomado essa iniciativa, e apenas fui útil quando cedi um pedaço de papel para que eles trocassem os endereços para contato e logo fui embora, pois a polícia já tinha sido acionada.

      Por uma questão de milésimos de segundo o acidente não foi fatal. A moto que estava também, sem nenhuma dúvida, acima de 70km/h bateu imediatamente atrás do eixo traseiro da bicicleta. Fosse cerca de 60cm mais à frente teria havido o choque contra o corpo do ciclista e a estória teria sido muito diferente. Não me dando importância mais do que costumo me dar, se eu não tivesse aparecido, provavelmente o tal pedreiro não teria tentado me passar e teria chegado ao cruzamento uns 10 segundos depois da moto e nada teria ocorrido. Pois é, mas eu existo, e apareci ali naquele horário.

domingo, 7 de novembro de 2010

Quatro motivos para não gostar do SAAE.

      Quando pensei em escrever esse artigo eu tinha apenas dois motivos para não gostar do SAAE, mas depois de visitar-lhe, ainda que superficialmente, a web page, as razões elevaram-se a quatro. Tenho até medo de inteirar-me de todos os detalhes, pois se o cheiro já não é bom, imaginem a substância. SAAE e o acrônimo da autarquia municipal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos, cuja especialidade é fazer o mesmo serviço várias vezes além de esburacar as já mal cuidadas ruas da cidade.

      As mountain bikes são confortáveis, possuem suspensão, pneus macios com apenas 40 libras de pressão, e são construídas para percorrer trilhas, passar por buracos e dar alguns saltos, já as speeds são projetadas para atingir alta velocidade, são duras, pneus com 100 libras, freios ruins e pouca aderência, logo, para provocar queda, uma pequena irregularidade no terreno é suficiente, e isso é o que não falta em São Carlos, pois o SAAE, travestido de agente de trânsito, se encarrega de reduzir a nossa velocidade. Aconteceu na minha rua o que se vê em toda a cidade. A prefeitura concluiu o serviço de recapeamento em uma sexta feira e na terça o SAAE já tinha aberto um buraco em toda a largura da rua, a poucos metros da minha casa. E o serviço é padrão: interdita-se a rua, utiliza-se ferramentas de cortes, de perfuração, de escavação, empesteia-se de lama o local e mais umas duas quadras à frente, coloca-se terra, deixa-se que os carros façam a compactação e depois aplica-se uma camada asfáltica vagabunda com uma compactação pior ainda que deixa um caroço no asfalto, e que após as primeiras chuvas já começa a perder as bordas. Dessa maneira, caroço após caroço, transitar de speed, além de arriscado, gera dor de cabeça de tanto chacoalhar o cérebro. Está bem, esse público é minoria, mas o que falar dos carros? Um carro que tenha apenas um ano de uso nesse piso dá a impressão que ira desmontar, pois a partir de 40 km por hora apresenta toda a sorte de ruídos e não ha encaixes ou fixações que resistam. O SAAE além de não nos deixar divertir ainda acaba com o nosso patrimônio.

      Quando temos que refazer algum trabalho costumo perguntar aos meus colegas se nós aprendemos a trabalhar no SAAE, pois esse, de cada quatro buracos que fazem nas ruas, três são em locais onde já haviam sido esburacados. Das duas uma, ou a rede subterrânea está podre e a administração não toma a decisão correta de refazê-la ou o serviço de manutenção corretiva é de péssima qualidade. Além do que, o tempo de resposta a um problema é longo. A rua à frente da minha casa é plana, mas as laterais são bastante inclinadas, e em uma delas, a umas 3 quadras acima da minha surgiu um vazamento. Dez dias depois ainda havia uma forte correnteza passando pela esquina. Adivinhem como ficou o local do vazamento após esse ter sido consertado. Adivinhem também se não quebraram no mesmo lugar onde isso já havia ocorrido. A aposta agora é quanto tempo se passará até que um novo vazamento venha ocorrer naquele local.

      Esses foram os meus desapontamentos iniciais, mas vendo o balanço financeiro da empresa, concluí que 81milhões de reais é compatível com o serviço em uma cidade com cerca de 230 mil habitantes. Quatrocentos e vinte e dois funcionários efetivos me parece ser pouco para fazer todo o trabalho, o que justifica o longo prazo para a solução dos problemas, 14 funcionários afastados por licença médica e licença gestante, OK, normal, mas 39 aposentados por invalidez, não sei avaliar, talvez haja alguma explicação plausível, no entanto, 88 funcionários comissionados! Imperdoável, um descalabro! A cada 5 contratados para trabalhar tem um contratado para receber. Não bastaria que os diretores e uns dois assessores para cada diretoria fossem nomeados? Um grupo executivo com cerca de 10 pessoas já seria suficiente, e não há nada no mundo que justifique moralmente essa quantidade de apaniguados. Para mim isso é revoltante.

      Verificando o fluxo de caixa vi um pagamento de R$ 326 mil reais para uma agência de publicidade sob a rubrica "propaganda", mas para que? Essa empresa é a única concessionária do serviço público na cidade, não tem concorrência, logo, qualquer cidadão que deseje a conexão à rede de água ou esgoto deve a ela se dirigir, além disso não há nenhuma campanha educativa em andamento, qual seria o real motivo da tal propaganda? Eu nem considero a tarifa tão cara assim, costumo gastar muito mais com supérfluos do que com esse serviço essencial, mas quando assim o faço, eu tomo a decisão e uso o meu dinheiro, mas não os autorizei a utilizar o também meu dinheiro dessa forma. O que realmente houve eu não sei, mas que isso tem cheiro de campanha política, isso tem.

      Ainda que a qualidade da água seja boa, o que é obrigação, e que está em início de operação a usina que irá tratar 100% do esgoto doméstico, aliás, o que já não era sem tempo, o que se discute é a qualidade dos demais serviços e a qualidade administrativa, está faltando respeito para com aqueles que pagam a conta e que são, em última análise, os donos da empresa, ou seja, nós, a população.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Exagerado.

      Exagerado, talvez esse seja um termo que me define bem, pois possuo a chatice dos virginianos e, como diriam os mais polidos, a intensidade dos escorpianos, característica que descrevo mesmo como exagerado. Mesmo em minhas relações sociais, pessoais e profissionais não há meio termo, se gosto, gostar é pouco, eu amo, se não gosto, desgostar é muito pouco, eu odeio. Quando resolvi estudar matemática eu poderia ter me contentado com a licenciatura, mas para mim não bastava, fui fazer o bacharelado, onde já se viu, eu? Na licenciatura? Isso é pouco para mim! Pois sim, quase entrei pelo cano. Estive a um passo da desistência, decisão que cheguei a tomar, mas voltei atrás graças à Adriana, que foi um anjo salvador, além de me fazer mudar de ideia, me ensinou, e assim consegui concluir. Exemplos como esse transbordam em minha vida, e hoje não foi diferente.

      Faz um ano que comecei a pedalar, saí do zero, comprando uma boa mountain bike e me preparando para o caminho da fé, aliás, o que fiz bem, mas só trilhas, é pouco, é social demais, grupos, passeios, fotografias, não me bastava, comprei uma speed que é para treinar sozinho, correndo, se possível voando. Comecei a andar relativamente bem, mas não basta, troquei várias peças para obter melhor rendimento e estou conseguindo, mas tempo com a bunda no selim e pés nos pedais também conta muito, por isso eu estava angustiado, queria ir até Rio Claro, são cerca de 120km contando a ida e a volta e isso ainda é inatingível para mim, decidi ir até o trevo de Corumbataí que é no mesmo caminho, isso implica em descer a Serra dos Padres e subir de volta. Medi a distância no Google Earth, 80km, um bom percurso. Mentalizei o caminho, que já percorri de carro muitas vezes e senti, na barriga, a ansiedade. Pronto, era o que faltava. Seria hoje, pois aqui é feriado, aniversário da cidade.

      Levantei às 5:15h, comi um lanche de pão integral com queijo branco e peito de peru e tomei um copo de suco de uva. Preparei mais dois lanches iguais a esse para levar, 2 caixinhas de 250ml de suco de laranja ligth, um pacotinho de biscoito Club Social e uma alfarroba de banana, coloquei tudo na mochila chamada Kamel Back, uma garrafinha de água, e depois de barbear-me e tomar banho, às 6:10h lá estava eu na rua começando a pedalar.

      Me surpreendi, após 1:26h e 41,350k eu já estava fazendo o contorno no trevo de Corumbataí. Em uma hora eu havia percorrido 28km, uma boa média, haja vista que eu não estava forçando, pois teria que voltar, e assim, a maior velocidade atingida foi cerca de 60km/h. Resolvi parar para comer apenas após subir a serra, que em 4km tem uma elevação de pouco mais de 200m, e lá estou eu a 11kkm/h quando olho para trás, e a cerca de 4m vejo um rapaz de menos de 20 anos, todo paramentado, com luvas, capacete, óculos, Jersey, como dizem os americanos, sapatilhas, pedalando forte e que passou por mim muito rapidamente. Invejoso e competitivo resolvi acelerar prá não vender barato a ultrapassagem, mudei rapidamente a velocidade para 16 km/h mas o infeliz ficou em pé e se distanciou mais e mais. Desisti, afinal, aquele magricelo, pois devia pesar menos de 50kg, só podia ser da equipe de competição de ciclismo de Rio Claro e esse não é o meu nível, confesso, a contra-gosto. Prossegui em meu ritmo lento e ele sumiu das minhas vistas no trecho sinuoso. Alguns minutos depois, já depois do topo, há uma mureta de concreto e o vi sentado lá. Resolvi parar para conversar e comer o lanche.

      Fui chegando e prestando atenção no rapaz, ele era mais novo do que eu pensava e também mais magro, ele não era muito claro, e como se dizia ainda nos tempos em que não precisava ser politicamente correto, passou das 6 é boa noite, e ele beirava as 6 e meia, mas estava meio desbotado. Tudo bem? Perguntei. Ele apenas assentiu com a cabeça. Você está vindo de onde? De Rio Claro, foi a resposta, curta e seca. Você faz parte da equipe de ciclismo de lá? Novo aceno positivo com a cabeça. Você está se sentindo bem? Não, foi a resposta, estou com ânsia. Estava justificada a sua palidez. Ele trazia somente água e tinha tomado um pouco. Continuamos a conversar e ele tem 15 anos, treina com os profissionais, tinha percorrido apenas 22km e eu 45, ele faz aquele trajeto diversas vezes por mês, inclusive subir aquela serra por 8 vezes seguida faz parte do treinamento, e a velocidade dele naquela subida é de 18km/h. Fiquei tomando conta do equipamento enquanto ele foi vomitar no mato, depois continuamos a conversar e reparti o meu lanche, o suco e a bolacha, só guardei a alfarroba para comer mais tarde. Como ele já havia se recuperado, pedalamos 1,5 km juntos até um retorno e ele voltou para Rio Claro e eu vim embora.

      Acho que o vento nasce em São Carlos e se espalha em todas as direções, pois sempre pego vento contra quando estou voltando, não importa para que lado eu tenha ido, e dessa vez não foi diferente, e isso prejudica muito, pois ao voltar estou mais cansado. A velocidade média caiu, o que é natural, pois no trajeto de volta predomina a subida, e quando eu estava perto dos 75 km o pneu furou. Fazer o que? Parar e consertar. Fiz um serviço de porco, pois ficou um caroço, mas como já estava perto e eu não tinha força para correr, decidi continuar devagar. Cheguei em casa após 3:22h e 82,750km.

      Na próxima vez não precisarei levar tanto peso, mas nessa o exagero foi bom, pois ajudei a um colega de pedal.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

On Vacations.

      Finally I took some days on vacations. I did not remember when I took more than two follow weeks to pleasure. I always work and take some days to rest. Since my wife has decided not to travel together this year I started to plan this trip to do the things that we can't do together, and I did.

      Two days before, a friend made a comment: it sounds like so alone, yes it is but I manage it well. I recognized that it was so difficult to me kept me so far from to my job. At the first days I continued to answering emails and reading the reports, thanks God I gave up and started to live some days just for me.

      The first stop was at the Clear Lake, near to Houston. It is a huge and flat city. Extremely organized, clean, with tall buildings on down town. I imagine they have serious troubles with the rain, because they have built a lot of small, and also big spaces to drains the water. There are a lot of freeways and the local TV stations share the attention with the traffic and the forecast. Most of homes are wood made and in front of there is a nice garden. The hotel where I stayed has a brief taking landscape, the sun rises over the lake and draws a nice picture, but it is not the reason of my choice, the NASA was. I spent three days to know the Johnson's Space Center. It is really fantastic. Of course I have thousands things to talk about it, but to resume in one phrase, I'm going to repeat one that I did not shoot but it is near to the first Skylab: To live at moon = building materials + energy + support to life + knowledge. Maybe I will write late about the NASA.

      I took the planes and arrived in San Francisco. My first impression wasn’t so good. I can say the architecture is singular; it mixed some different styles and just in the financial area there are big buildings. Although it is at the sea level, there are huge tops that they do something to make it useful and nice, as the Lombard Street. There are 8 severes curves to fall near to a hundred meters with 45 degrees of inclination, and then they plant some gardens to make it, as a phrase that I have been hearing frequently: colorful. But it did not convince me. The most crowded place is the Fisherman's Warf and the pier 39. There are a lot of stores, restaurants and art galleries. It is not beautified but the people likes. The stores remember me the nearest the city count market. About 8 pm the places are crowded but 11 pm it is empty. I should say: sometimes the smell is not so good, but as for all the American standard big cities the things are organized, and there are a lot of attractions.

      The sign of degradations appears at the entire small market dominated by the asian people and there are a lot homeless and jobless sleeping on the streets. Although the bad things, the ocean fixes everything. I was a really impressed with to contradictories things, there are a lot of bars and pubs and many people like running and cycling. The second one justified my trip. I biked the Mount Tamalpais. It is about 40 km far from San Francisco and is about 780m higher where it is possible to have a nice view of the entire bay. I was really prepared and did it well, although the bike I rented was not the best option to do that. I followed the recommendation of the rent store and they do it for beginners so I had a slow and heavy bike. Thousands bikers have passed to me as a fly and my competitive instinct fought against myself. Although the quality of the bike I got it because failure is not an option.

      So, I can say: I left a piece of my heart in San Francisco.

      As the teacher's day is coming, I want to say to all of them thank you so much for everything you did to me, because if I do everything I want I to do not it because I have a good health or good shape, but I have knowledge that I got with you.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Churrasco.

   Já vi essa cena inúmeras vezes. Todo atleta de ponta ao ser flagrado na contraprova do exame antidoping culpa o mordomo e jura que irá provar a sua inocência. Depois de alguns meses o comitê a que ele responde o pune de alguma maneira e alguns voltam à ativa e até tornam-se vencedores novamente, outros caem no ostracismo e alguns são banidos do esporte. Ontem foi a vez do Alberto Contador.

      Alberto Contador Velasco é um ciclista espanhol que corre pela equipe Saxo Bank e que nesse ano conquistou pela terceira vez a Volta da França (2007, 2009 e 2010). O tour de France, como também é conhecido é a mais famosa prova do ciclismo mundial. Trata-se de uma competição por equipes disputada geralmente no mês de julho, em diversas etapas que nesse ano foram 20 e totalizou 3.641km. A duração aproximada é de três semanas tendo algumas provas de velocidade e várias outras que ocorrem nos Alpes e nos Pirineus, onde atingem mais de 2.600m de altitude. Ela é famosa pela disputa acirrada e pelo elevado grau de dificuldade. Aos abismais aclives e declives somam-se também as condições irregulares do terreno e ainda os extremos climáticos, o que faz dela uma competição a ser disputada apenas por superatletas. No ciclismo nacional, apenas o Mauro Ribeiro ganhou uma etapa em 1.991.

      É comum ouvir estórias de doping no ciclismo, e não escapa nem mesmo o supercampeão Lance Armstrong, que após passar por cirurgias para combater o câncer nos testículos e no cérebro voltou às competições e venceu a Volta da França por 7 vezes consecutivas, de 1.999 a 2005. Há apenas duas semanas alguns de seus ex-companheiros de equipes o acusavam de utilizar substâncias proibidas que aumentam o tônus muscular.

      Ontem, Contador, que não havia participado do Tour em 2006 por causa de alegação de doping num episódio conhecido como Operación Puerto, disse que se havia alguma substância irregular em seu exame, ela havia sido ingerida na carne que ele comeu antes da última etapa da competição desse ano. Como estou pedalando bastante, quero fazer um churrasco com essa carne.