Cresci assistindo à geração brasileira que lutou pela liberdade e foi vitoriosa. Mas essa também queria a mudança de sistema econômico e não conseguiu, até porque a alternativa, o socialismo, não foi vencedor em nenhum lugar do mundo. Por sermos livres podemos optar em viver com os índios lá pelos cafundós de Roraima, como produtores de subsistência seja num assentamento ou numa invasão, naquilo que se convencionou chamar de civilização, embora nada tenha de civilidade em nossas cidades, ou ainda em outro país que nos aceite. Nos dois primeiros casos dá para ser invisível ao governo, mas na cidade a estória é outra. O tal mercado é quem domina e o sistema é cruel, pois ao mesmo tempo em que gera riqueza para poucos, condena muitos à miséria. Por falta de alternativa não é possível a mudança de sistema econômico, e não creio que haja regime político melhor que a democracia, mas alguma mudança há que ser feita, e não creio que isso ocorra em curto prazo, serão gerações de aperfeiçoamento.
As armas para as mudanças são as políticas, mas como transformar um sistema incompetente, viciado, que legisla em causa própria e se perpetua no poder? A resposta está na mobilização, que depende, para seu sucesso, da divulgação, e agora essa se dá através da internet e da própria imprensa tradicional. Classifico como imprensa todos os veículos de comunicação e informação, ou seja, empresas, e essas são e serão sempre tendenciosas, pois são formadas por pessoas, e não existe pessoa isenta, todo mundo julga de acordo com a sua estória de vida, com a sua formação, com seus valores e convicções. Sendo assim o importante é que ela seja plural, que seja livre para apresentar as suas ideias de maneira que a população tenha acesso e possa formar juízo, fazer escolhas e exigir melhorias.
Como o choro é livre pode-se atacar esse ou aquele veículo de comunicação, principalmente os que fazem sucesso, pois o sucesso sempre incomoda os que estão fora dele, e ao invés desse desperdício de energia seria mais sensato criar uma alternativa viável que conseguisse a mesma penetração, recurso que hoje é mais acessível por conta da divulgação eletrônica. Porém essa não é uma tarefa das mais fáceis, pois todos querem o melhor para si e alguns até o querem para os outros, no entanto, são poucos os que estão dispostos a sacrifícios para obter algum benefício, assim é mais cômodo se contentar com o pão e circo, e essa é a razão pela qual as empresas despejam futilidades. As pessoas gostam, assistem e acessam, mas não se dispõem a ler um texto mais complexo, com mais conteúdo, que lhe traga uma visão mais ampla da organização social e que possa fazer do conhecimento um agente de mudança. É como se não conhecessem as próprias necessidades, o que foi bem dito pelo primeiro fabricante de automóveis, Henry Ford. Antes da invenção do carro, se perguntassem às pessoas o que elas queriam a resposta seria um cavalo mais veloz.
A liberdade e a democracia são bens inestimáveis mas não garantem o sucesso de ninguém. São importantes na medida em que permitem a organização, a divulgação e a mobilização das pessoas, diferentemente daqueles países em que as fronteiras são fechadas para a saída de seus cidadãos e que encarceram todos os principais manifestantes. Mas daí a se conseguir um sistema econômico justo há uma distância considerável.
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