Se você está lendo esse artigo é porque tem acesso à
internet. Acesso esse que se popularizou nos últimos vinte anos e hoje ninguém
que já o tenha experimentado quer, ou pode, dispender dele. Junto com essa rede
vários negócios foram criados e outros modificados, e mais do que isso, foi
criada uma cultura de conectados.
Já me disseram que a internet aproxima os distantes e
distancia os próximos e disso sou testemunha. Tenho feito amigos de diversas
partes do mundo e me comunicado com amigos de tempos atrás, ao mesmo tempo em
que nos sofás da sala de casa cada um de nós está com seu dispositivo conectado
a uma rede sem fio fazendo a mesma coisa e, absurdamente, já nos falamos via
computador estando a alguns metros uns dos outros ... e vendo-nos.
Nunca gostei de ler jornal e costumava me informar através
de revistas e telejornais. Hoje continuo com as revistas, com os telejornais e,
principalmente, verificando os sites de notícias. Não costumo utilizar as
notícias instantâneas porque isso escraviza. Não posso ficar à mercê de um
bombardeio de informações, a maioria inútil. Por isso escolho o que quero ler e
no horário que considero ser o melhor.
Ao mesmo tempo em que simplifica alguns serviços, por
exemplo, compras e transações bancárias via rede, ela trás o risco para dentro
das nossas casas. Desde fraudes em cartões de créditos, compras em sites
fantasmas que recebem o dinheiro mas não entregam a mercadoria, e na
disseminação de informações que facilitam roubos, furtos e até sequestros, sem
falar na tão discutida e propagada pedofilia.
Nas diversas redes sociais as pessoas passaram a se expor
mais. Nos sites de relacionamento alguns conhecidos impopulares têm centenas de
amigos que gostam e comentam ações simples, cotidianas. Com a multifuncionalidade
dos telefones celulares é comum ver fotos ou filmes segundos após terem sido
feitos e terem sido disponibilizados, mesmo que o autor estivesse o tempo todo
ao volante.
Não há dúvida que esse é um mundo novo no qual as crianças, cujas
famílias têm acesso, já nascem conectadas, e até o ultrasom feito com poucas
semanas de gestação é exposto e comemorado.
Ainda que eu entenda um pouco de tecnologia, seja um usuário
assíduo e mesmo que possa receber rótulos diversos, devo confessar: há coisas das
quais não abro mão. Por exemplo, um texto elegante, que possua a gramática
correta e que seja preciso. Não suporto ver notícias pela metade, com descrição
pobre e coalhada de erros de português. Pior ainda são aquelas que se travestem
de notícias para tratar de futilidades, e como tudo pode piorar, há ainda a
sessão de comentários. Aqui os absurdos acontecem. Escondidos pelo pseudo
anonimato e por pseudônimos ridículos alguns consideram a internet como sendo
terra de ninguém. Perdem a razão nas primeiras palavras e por não serem
consistentes atacam. Atacam para não serem atacados, mas o são assim mesmo.
Essas pessoas não entendem que a internet é apenas um meio e não um fim em si,
e na qual a civilidade, a educação e o respeito devem ser mantidos. Essa deve
ser uma ferramenta para elevar o nosso nível cultural e não para rebaixá-lo.
Há tempos li uma crônica – desabafo feita pelo escritor e
repórter da Globo News Geneton Moraes Neto. Ele se sentiu caluniado pelo autor
de um blog e ao invés de entrar na briga através da rede, provocou uma
representação judicial e levou o caso até o julgamento. Na ação, que foi por
ele ganha, não solicitou ressarcimento financeiro, mas apenas a condenação e a
retratação, que foram feitas.
Posso ser retrógrada, mas sou otimista: nem tudo
está perdido.
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