domingo, 6 de dezembro de 2015

E o Mico Pagou o Pato

      Bem que eu gostaria de escrever só boas notícias, mas o post reflete o meu momento e também o momento que o país atravessa. Só tem más notícias. Ladrões, políticos e políticos ladrões, todos roubando e acusando-se mutuamente, tratando de se safar, mantendo seus mandatos, seus privilégios e nós pagamos a conta. Pagam os que trabalham e muito mais os desempregados. Todos os dias vemos as notícias sobre a redução da atividade econômica e a nação se empobrecendo. Já conseguimos atingir o mesmo resultado de 5 anos atrás, e como ainda vai piorar, tudo indica que essa será mais uma década perdida. Eta administração pública vagabunda!

      Trabalho em Salvador e moro na região metropolitana, aliás, saindo de casa e andando pela praia, em 15 minutos chego a Salvador. Aqui não tem rede de esgoto, tratamento de esgoto então nem se cogita, não há coleta seletiva de lixo e a cidade é suja. Uma boa referência é o meu carro. Não sou daqueles que “amam”carro. Para mim é apenas uma ferramenta, e como não o dirijo pelo lado de fora, não preocupo muito com a limpeza exterior. Em São Carlos eu costumava mandar lavá-lo, em média, a cada 2 meses. Aqui preciso lavá-lo toda semana. Tudo bem que a maresia tem a sua parcela de culpa, mas a poeira, a água nas ruas e o lixo fazem a maior parte do estrago. Como para cada choro tem que vende lenço, eu poderia estar distribuindo renda deixando-o em algum posto ou lava-jato (nome não tão apreciado atualmente), mas ainda não encontrei melhor modelo do que eu mesmo cuidar da limpeza, pois tudo fica longe e perco muito tempo. Estou me aprimorando e já consigo lavar o exterior de um sedam médio com 15 litros de água!

      A falta de tempo e a distância são circunstâncias, mas a falta de saneamento e o lixo na rua mostram o estágio de desenvolvimento das pessoas. Parece que se cuida apenas do que é seu, ou seja, do portão para dentro, o lado de fora não é de ninguém. Assim se acumulam pedra, areia, restos de construção, lixo doméstico e tudo aquilo que é para ser descartado. Há aqui aquilo que se chama de pontos viciados, ou seja, elegem um local para jogar o lixo e que se dane quem mora perto. A prefeitura de Salvador diz que paga cerca de 1 milhão de Reais por dia para qua haja a coleta, mas não resolve, ou seja, poderia ser ainda pior.


Ponto viciado - esse é um dos mais limpinhos

      O trânsito é travado, pois pode-se fazer qualquer barbaridade, óbvio que desrespeitando as regras elementares. Carro sobre as calçadas é o mínimo, e não importa se é na periferia ou em bairros ricos e centrais. Estacionar sobre praças públicas também pode.


Estacionar na praça?  Pode!

      Há uma cena que há muito eu não via, pessoas na rua carregando gaiolas com armadilhas para capturar pássaros. Aqui é normal, vejo isso constantemente, e não são crianças, são adultos mesmo! E nessa semana uma cena foi emblemática. Há nas matas e em muitas praças, pequenos micos, aqui mesmo em frente de casa aparecem vários, e no campus da Universidade Federal há muitos, e eles se utilizam da fiação elétrica para se deslocar. Há poucos dias houve a interrupção da energia elétrica, pois um desse micos causou um curto-circuito na rede de média tensão da rua que cortou um fio e o infeliz bichinho morreu. Caiu completamente desidratado e com membros amputados.

       Seria só mais um acidente, mas o pior foram os comentários, todos culpando o animal. Não é assim! Eles estão aqui porque aqui é o seu habitat. Eles não estudaram eletricidade, tampouco fizeram o curso da NR10 e sobre Sistemas Elétricos de Potência. É nossa obrigação protege-los. As instalações elétricas comercias devem considerar essa hipótese. Já li algo sobre o Pantanal, onde os cabos passaram a ser isolados, pois, devido a envergadura, os Tuiuiús também morriam ao tocar os fios com suas asas. 

      Entristece ver a pouca sensibilidade das pessoas com o meio ambiente, e assim, como dar boas notícias?

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