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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O Meu 2018

      Você sabe o que têm em comum, além de talento, sucesso, dinheiro e fama, Prince, Michael Jackson, Madonna e Sharon Stone? Nasceram em 1958. Em 2018 completariam ou completaram 60 anos assim como eu, que não tenho nenhuma dessas características, e terminei o ano ainda pobre e desempregado. Aliás, no final de 2017 eu já sabia que a minha carreira como engenheiro de televisão, após 41 anos de trabalho, estava sendo encerrada, e eu sonhava em produzir por mais 5 anos. Portanto, 2018 não seria nada fácil, e não foi!

      Foi muito difícil acordar e não ter para onde ir. Fiquei e continuo ainda preocupado com as despesas mensais sem ter receita compatível. Foi o ano em que mais tive tempo e que menos o aproveitei. Não li o suficiente, reli algumas coisas, boas e ruins, li alguns autores novos para mim, mas nem de longe com a mesma vontade e aplicação. Também não me exercitei o suficiente, ainda estou fraco e gordo. Deixei de aproveitar por simples falta de vontade. Deixei-me abater e a procrastinar tarefas que antes eu resolvia de imediato.


Mapa do meu peso em 2018

      Passei também a ter vários problemas de saúde, a começar por insônia, dores na coluna, nos joelhos, resfriado várias vezes, infecção no olho 4 vezes, problemas na pele, estômago, e até tontura. No final de setembro, passei dois dias meio atordoado. Para não fugir à regra, nas poucas consultas com médicos a que me submeti, e respondendo sempre às mesmas e típicas perguntas, quando não era diagnosticada virose, nos casos dos resfriados, a causa poderia ser tcham tcham tcham tcham: estresse! Enfim, tanto nos problemas quanto na causa estou passando pela deteriorização da minha qualidade de vida.

      Quando durmo e sonho, em muitas das vezes me vejo trabalhando. Fico imerso em situações semelhantes às que já vivi e com pessoas com quem trabalhei em todas as emissoras pelas quais passei. Às vezes misturo as situações e as pessoas. É claro que as mais recentes predominam. 

      Não me serve de consolo imaginar que ainda tenho capacidade física e intelectual para trabalhar em alto nível e que fui “abatido” por fatores econômicos. Por outro lado também não culpo os executivos e a empresa que luta para sobreviver em meio à crise. Sou apenas mais um entre tantos outros amigos, colegas e desconhecidos do mesmo setor e também de outros. O desastre econômico produzido por sucessivos governos ruins até que foi abrandado nos últimos dois anos, mas não o suficiente para o mercado reagir, os investimentos aparecerem e a economia voltar a crescer.

      Voltei a morar em São Carlos - SP, onde minhas despesas são menores e aqui estou mais próximo da minha mãe e perto da filha, genro e neto, o que me trouxe vários momentos de felicidade. Deixei para trás, em Salvador, amigos e o mar. Lá eu corria na beira da praia, aqui também tenho amigos, mas quando me animo, corro na margem do córrego do Gregório. O que por si só, já faz uma enorme diferença.

      É grande a dor de estar desempregado. É maior a dor de ter tido a carreira encerrada pela circunstância, não por opção. E ainda doeu muito mais o fato de não ter deixado um legado no último emprego. Tenho consciência de que não produzi um desastre, mas ser apenas normal nunca me foi suficiente. Até reconheço que para algumas pessoas com as quais trabalhei diretamente fiz a diferença, mas para mim foi pouco. Ainda vai demorar muito para que eu assimile essa queda.

      Em nossas vidas há elementos que marcam determinadas passagens. Pode ser uma pessoa, uma imagem, uma fragrância, um gosto, uma música, enfim, são coisas particulares, e eu associaria esse ano à frase: “…e sem o seu trabalho, o homem não tem honra…" 

https://www.youtube.com/watch?v=2t7XXneQgtk


      A vida tem que continuar. Não é do meu feitio aceitar passivamente, sem reagir. Uma característica da engenharia é resolver problema e estou diante de um enorme! Não consegui meu diploma de engenheiro no lixo, e, além do mais, tenho responsabilidade para com várias pessoas. Não vai ser rápido, não vai ser fácil, não será indolor, mas estou me estruturando para voltar a ser produtivo e a gerar receita.

      Principalmente no segundo semestre houve uma politização imensa na sociedade brasileira, houve uma renovação marcante no poder executivo e legislativo federal e há um clima de muito otimismo para 2019. Todos sabemos que os problemas estruturais não serão resolvidos de imediato, que a crise ainda se arrastará por algum tempo, mas o que importa é a direção. Se o novo governo traçar um caminho coerente pode ser que o otimismo se concretize e dessa forma todos possamos colher bons frutos. Que venha 2019.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não Apoiei A Greve Dos Caminhoneiros - 3 Motivos


      Não apoiei a greve iniciada pelos caminhoneiros por três simples motivos, a saber:

      1 – Os caminhoneiros não têm tanta força quanto supõem ter e se divulga. Não vi na imprensa nenhum comentário nesse sentido, pois ficou clara a força de paralisação. Com uma campanha iniciada não sei por quem, mas inflamadas por mensagens e lideranças difusas, o país ficou estático e atônito. Faltou combustível, alimentos, remédios, insumos hospitalares, matéria prima, alimento para aves e animais, bloquearam os portos, aeroportos e paralisaram transporte público entre outras consequências? Sim, estrondosamente, sim! Mas isso é como vela acesa e protegida, se autoextingue. O governo não poderia se omitir, mas se não fizesse nada, absolutamente nada, como costuma fazer nas greves de professores, o fluxo de transportes seria retomado automaticamente.  Ocorre que todo desabastecimento que nos atinge também atinge as famílias dos caminhoneiros. Eles também têm pais que precisam de hospital, têm filhas que precisarão da maternidade, têm parentes, filhos até, que perderão emprego e seus próprios boletos não ficarão parado nas estradas, virão via internet e eles terão que honrá-los. A própria população que, em sua maioria, faz uma leitura diferente da situação, e em primeiro momento apóia a paralisação pois está contra tudo o que aí está: preços altos, desmandos, corrupção, etc, a partir de um certo momento será brutalmente penalizada e cada um vai defender o atendimento à sua própria necessidade, além disso, grande parte dos caminhoneiros, seja por entender que o foco não está correto ou por pura necessidade, partirá para o confronto a fim de se deslocar para sua casa. Por si só, esse movimento não duraria trinta dias.

      2 – O foco está errado. A redução do preço do diesel não ocorre por decreto. O preço é consequência, não causa. Comprar a briga dessa maneira é como tratar de gripe com antitérmico e analgésico, quando sabemos que esses são os sintomas, e o necessário é atacar a causa com alimentação adequada, hidratação, repouso e, dependendo do caso, se já atingiu ouvido e garganta, anti-inflamatório e antibiótico. O preço só estará adequado se baixarem os juros e houver concorrência. Para baixar os juros precisamos de um estado menor, que custe menos, que se renegocie a dívida pública, enfim, o que não se faz do dia para a noite. Para haver concorrência são necessárias medidas adequadas, o próprio CADE mostrou uma lista que faz sentido, seria útil, mas por motivos eleitorais, não se falou na privatização da Petrobras. Ninguém é doido de dizer isso publicamente em um período de campanha eleitoral,  mas deveriam. Privatizar a Petrobras significa transferir propriedades, dívidas, equipamentos e até conhecimento, mas não os campos de petróleo. Esses devem ser cedidos através de contratos adequados, não vendidos. E pensando a longo prazo, o petróleo perderá a importância. Já há outras diversas maneiras de se produzir energia renovável e a cada dia essas estão se tornando mais viáveis, o que limitará a importância do petróleo a outros produtos refinados, mas de menor produção.

      O valor baixo do frete também tem explicação. Em 2009 o governo Lula criou o PSI (Programa de Sustentação de Investimentos) oferecendo crédito subsidiado através do BNDS para a compra de caminhões e que poderiam ser pagos em até 8 anos. Entre 2008 e 2014 a venda de caminhões cresceu 4,9% ao ano e o PIB expandia a uma taxa de 2,4% ao ano, ou seja houve um excedente de 288.000 novos caminhões, o que fez com que o frete caísse, 2,9% ao ano. O frete é baixo porque tem muito caminhão. Para se tornar um caminhoneiro não é necessário ter o refinamento de um médico, a precisão de um físico, o rigor de um filósofo, precisa sim de alguma habilidade motora, o que a maioria da população tem, de um nível de instrução básico e muita coragem e determinação. O que muitos têm, enfim, apesar de ser uma vida difícil. Se tornar um caminhoneiro é fácil, é uma opção, e tem muito! Ainda que muitos sejam honrados, distintos e necessários, outros nem tanto, a verdade é que a concorrência é predatória.

      Para não me estender muito nem comentarei o erro estratégico sobre o modal de transportes.

      3 – A paralisação deve ocorrer por livre e manifesta vontade, não por imposição. Não concordo com o tempo que os médicos me tomam na fila do consultório, como posso concordar com que alguém me impeça de realizar qualquer atividade, por mais prosaica que seja, ainda mais quando o direito de ir e vir é cláusula constitucional? Se houver um caminhoneiro queira passar e ir para casa, ou que queira trabalhar, que seja livre para ir. Ele tem esse direito e tem que ser respeitado. Ele não pode ser obrigado a permanecer onde não deseja. Não se pode bloquear estradas e, por benevolência, deixar uma pista para veículos de passageiros; somente às autoridades competem, em alguma circunstância, tomar esse tipo de decisão, não aos donos da greve. Onde já se viu tamanha desfaçatez de civis parando caminhão para verificar a nota fiscal, examinar a carga e decidir se permite ou não a passagem? Isso é crime! Isso não é manifestação. Com criminoso não se deve ter complacência. É cadeia.

      Essa paralisação expôs muita fragilidade. A da nossa infraestrutura, a do nosso governo, a pouca compreensão, pela população, da macro-situação. Além disso, causou grandes transtornos, provocou perdas imensas, irá retirar verbas dos serviços essenciais como saúde e educação, provocará um aumento no custo da gasolina, criou uma crise na Petrobrás, que estava se recuperando, e não se garante que atingirá o resultado. Os tais R$ 0,46 de desconto na bomba não é possível garantir. Será efêmera. Como o governo fiscalizará mais de 38.000 postos existente? Com a promessa de multas, suspensão, cassação e fiscalização? Isso não funciona nem aqui e nem na China.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Pro Nordeste O País Vira as Costas... Será?

      Um amigo me ensinou que só há dois tipos de música: a boa e a ruim. A boa é a que eu gosto. A Nega gosta daquelas que tem um som agradável à ela e cuja letra traga algum sentido positivo. Eu não. Não sou sofisticado. Gosto do conjunto, mesmo que o sentido não seja construtivo ou nem mesmo faça sentido algum. Se eu gostar de cantar eu gosto dela e pronto. Às vezes nem entendo direito a letra, mas mesmo assim eu gosto. Em muitas das vezes concordo com maioria das pessoas e gosto de um sucesso, e em muitas outras, detesto aquele sucesso. Assim tenho várias centenas de músicas no telefone que ouço enquanto dirijo, corro, caminho, pedalo, estou sozinho, enfim…ouço sempre.

      Hoje pela manhã estava sozinho e fui caminhar, percorri quase 13 km (se alguém quiser conferir veja o link do Strava: https://www.strava.com/athletes/20418723) e, portanto, ouvi várias delas, e entre as quais estava uma gravação da Banda Mel de 1998, Protesto do Olodum, também conhecida por E Lá Vou Eu. Pode ser ouvida no link:    https://www.youtube.com/watch?time_continue=8&v=U4vcfptLLWU, e a letra segue abaixo. Bem, os artistas têm, assim dizendo, uma liberdade poética, e eu poderia contestar diversas afirmações, mas me fixei em uma apenas: Pro o Nordeste o País Vira as Costas... Será?

      Fugi das aulas de Metodologia de Pesquisa Científica e as estatísticas brasileiras não são tão apuradas, organizadas e as séries nem sempre são tão históricas, mas fiz uma rápida busca na internet para entender o por quê. Ainda que a gravação seja de 1998, esse bordão ainda é muito ouvido por aqui como um mantra. Vejamos:

      Esse é um ano de eleição importante, vamos eleger presidente, deputados, senadores e governadores e se dá muita importância à presidência, que pode muito, mas não pode tudo. Ninguém faz nada sem o congresso, e por isso eu acho que esse deveria ter muito mais atenção. O Nordeste tem 27,5% da população do país (dado do IBGE) e possui 29,43% dos deputados e 33,33% dos senadores. O Sudeste, por exemplo, que tem 41,86% da população tem 34,89% dos deputados e 14,81% dos senadores, ou seja, o Nordeste com população 35% menor manda mais que o Sudeste, pois tem praticamente o mesmo número de deputados: 151 x 179 e mais que o dobro de senadores, são 27x12.

      O governo federal repassa aos estados cerca de 29% do imposto que arrecada (dados de 2015) e o Nordeste contribui com 7,96%, recebe 37,53% e tem um superávit efetivo de 35,6%, ou seja, recebe 35,6% a mais do que recolhe. O Sudeste, por sua vez, recolhe 68,1% de todo o imposto e recebe 29,68% isso é, recebe efetivamente, 12,54% do que paga. Ou seja, o Nordeste é superavitário.

      Das quase 50 milhões de pessoas contempladas com o programa Bolsa Família, 49,30% estão no Nordeste, enquanto 24,54% estão no Sudeste (dados no site do programa). Apesar do valor médio do programa ser de cerca de R$180,00, ou seja, baixo, há maior transferência para o Nordeste. 

      Há 36 universidades federais no Brasil, 27,78% estão no Nordeste e no Sudeste, 36,11%, pois somente em Minas Gerais há 7 delas, mas em São Paulo, apenas duas. Porém há que se considerar que no Sudeste há 30 milhões de pessoas a mais do que no Nordeste, nesse há 57 milhões contra 87 milhões no Sudeste.

      Se estendermos as comparações com as demais regiões, o Nordeste continua levando vantagem, portanto, não entendi quem exatamente vira as costas para quem. Posso estar errado, como estou em muitas das vezes, mas me parece muito mais um caso de ser “Bom em Marketing e Ruim em Administração”.


E Lá Vou Eu.
Banda Mel - Ao vivo. 1998

Força e pudor,
Liberdade ao povo do Pelô.
Mãe que é mãe no parto sente dor,
E lá vou eu…

Declara a nação
Pelourinho contra a prostituição
Faz protesto, manifestação,
E lá vou eu…

AIDS se expandiu
E o terror já domina o Brasil
Faz denúncia Olodum, Pelourinho
E lá vou eu…

Brasil liderança
Força e elite na poluição
Em destaque o terror Cubatão
E lá vou eu…

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

Lá e cá Nordescópia
Na Bahia existe Etiópia
Pro nordeste o País vira as costas
E lá vou eu…

Moçambique, hei
Por minuto um homem vai morrer
Sem ter pão nem água prá beber
E lá vou eu…

Mas somos capazes
O nosso Deus a verdade nos traz
Monumento da força e da paz
E lá vou eu…

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

Desmond Tutu
Contra o apartheid na África do Sul
Vem saudando ao Nelson Mandela
O Olodum

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Canário Enjaulado Também Canta...

      Essa natureza… quem disse que canário na gaiola não canta? Ontem um canário vermelho, do núcleo duro do PT, enjaulado há um ano trinou, e trinou bonito…O canário preso, da língua presa, soltou o verbo. Com cara de assustado e necessitando fechar um acordo para reduzir o período de exílio quiz mostrar serviço e abriu o bico. Foi o primeiro desse círculo tão hermético até então, e se for bem sucedido, outros virão.

      Pelo que entendi até o governo do PT vários políticos nos roubavam, a partir deles são poucos aqueles em que ainda podemos confiar e a diferença do atual governo para os do PT é que esse entende mais de economia e está colocando a economia no caminho certo. A inflação está caindo, os juros também, consequentemente há a redução da dívida pública, a economia deixou de cair e até ensaia um pequeno crescimento, já é o terceiro mês consecutivo em que o número de vagas abertas supera o número de demissões, enfim, só o fato de ter deixado de piorar já pode ser considerado uma boa notícia.

      Já ouvimos a chiadeira contra a privatização da Eletrobrás. É pouco. Se fosse por mim eu fecharia o BNDES e venderia o Banco do Brasil, os Correios e a Petrobras, no mínimo, pois ainda estou pensando sobre as universidades federais . Reduzir o tamanho do estado é primordial para o desenvolvimento do país, além do que, em todos os organismos que o governo controla abre-se a possibilidade de corrupção.

      Os mais de 50 milhões de reais (mais de 2 milhões de dólares incluídos) encontrados no apartamento na Graça, aqui em Salvador, é um tapa na nossa cara. Isso é mesmo que dizer pra gente, vocês são uns idiotas, uns merdas… e tenho que admitir, somos mesmo. E até podemos pensar: é só isso? Haverá mais escondido? Não é difícil imaginar a resposta…

      Como dizia um amigo, para o Brasil só tem duas saídas: Cumbica e Galeão. Por força das minhas atividades atuais percorri alguns bairros de Salvador e até algumas ruas centrais nas quais eu havia passado de carro apenas. A minha conclusão foi: nós levamos uma vida higienizada, quase que vivemos dentro de uma bolha. Não temos a dimensão da realidade. Nas ruas as pequenas corrupções são muitas, mas isso será tema para outro post, por agora basta dizer que a ladroagem está impregnada na nossa sociedade, de cima abaixo. Das pequenas nas ruas às malas de dinheiro em apartamentos, restaurantes de luxo, gabinetes e em contas no exterior. 

      Não será a nossa geração que irá ver o fim desse descalabro, portanto, devemos criar condições para que nossos filhos e netos possam viver em um país melhor.

domingo, 4 de junho de 2017

O Presidente Temer Não É Inocente.

      Inocentes não sobrevivem tanto tempo na política, ainda mais na de Brasília, logo, o presidente Temer não é inocente, ele é, isso sim, experiente. Experiente mas vacilou. Caiu na armadilha do empresário, se é que só disso que esse senhor pode ser chamado, que, se fosse condenado em todos os possíveis inquéritos teria que cumprir mais de 100 anos de cadeia.

      Para nós que estamos nos acostumando a viver de escândalo em escândalo parece lógico entender que o tal empresário não agiu sozinho. Ele deve ter sido muito bem assessorado para ter recebido a garantia da Procuradoria Geral da República (PGR) de que não será condenado e que poderá viver, como um nababo, incluindo jatinho e iate, fora do país.

      Foi uma trama bem urdida, pois o que se ouviu do presidente dá a entender que há maracutaias, mas friamente, os áudios, pelo menos os que ouvi, não provam absolutamente nada. Parodiando o presidente americano, até um estudante ruim do segundo grau é capaz de desconstruir os argumentos, pois como sabemos, em caso de dúvidas, a decisão é pró-réu. Mas o estrago político foi feito, e pior do que isso, o econômico também. 

      Como disse o outro empresário que está puxando cana e deve estar furioso, pois o acordo que ele fez poderia ter sido melhor para ele, “...ninguém foi eleito nesse país sem o caixa dois, o cara pode até dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido e o partido recebeu pelo caixa dois...”. O presidente pode se enquadrar nesse caso, pois ele foi eleito como vice da chapa PT/PMDB que deverá ser julgada por ter recebido, digamos, "doações não contabilizadas”. No julgamento do Mensalão houve a declaração de uma Ministra do STF dizendo que “…não é só caixa dois. Caixa dois é crime!…”

      Oras, todos os suspeitos devem ser investigados e julgados na forma da lei e, se condenados, devem pagar o que a lei determinar, não importa quem seja o indivíduo, mesmo que seja o presidente, os ex-presidentes ou qualquer outro, político ou não. Porém o momento em que mais esse escândalo estourou foi ruim para o país.

      Graças às equivocadas ideologias e às errôneas políticas econômicas aplicadas nos últimos 15 anos o país retroagiu em cerca de oito ou 10 anos. E agora, quando alguns indicadores começaram a mostrar um certo equilíbrio e alguma possibilidade de dar partida em um ciclo de crescimento, a instabilidade política jogou a confiança no brejo. Vamos ficar enfurnados nesse lamaçal por um bom tempo.

      As empresas, para sobrevier, irão se defender. Com a receita baixa os investimentos continuarão a ser postergados e as despesas reduzidas, e isso significa desemprego. Há um forte movimento de “juniorização”, isso é, a substituição dos empregados mais antigos e com salários mais altos por jovens que recebem menos. Logo, haverá menos dinheiro em circulação no mercado e um número maior pessoas mais velhas dependentes do governo. Talvez eu volte a escrever especificamente sobre esse tema.

      É possível que o único beneficiado tenha sido o sujeito que fez a gravação e, indiretamente, também quem ele colocou no mesmo barco (ou avião). Existe a possibilidade, menos pelo conteúdo da gravação, mas sim pelo impacto político que ela causou, que o presidente venha a ser afastado do cargo, porém se ele é mesmo experiente, pode até terminar o mandato, e nada disso importa agora, o que importa é que o sofrimento e a desesperança de quem trabalha só aumentam. Infelizmente.

domingo, 28 de maio de 2017

Ainda Resta Esperança?

     Tempos difíceis esses. Tenho insistido que hoje impera a falta de tolerância, o partidarismo do nós contra eles, da predominância da política rasteira e despreparada e da falta de segurança, e isso está nos levando a uma situação difícil.

      Eu gostaria muito de poder dizer que existe um bom sistema de governo que levará todos ao progresso e à igualdade, mas não é possível viver na utopia. É poético, é bonito, é defensável, mas é impraticável. Como engenheiro sou pragmático: o passado nos mostra como chegamos aqui, mas o que importa é como sairemos dessa e como poderemos fazer melhor.

      Não dá mais para prosseguir com ações paliativas tentando agradar a todos. Todo mundo vai ter que ceder. Todo mundo vai ter que abrir mão de alguma coisa ou não haverá saída. Vivemos um momento de exceção que exige medidas de exceção. Nosso sistema legislativo é imperfeito e, com boas intenções, criado para uma sociedade civilizada, mas conhecemos nossa cultura e sabemos como somos primários e que temos percepção até infantil, o que importa sou eu, ou o tal “levar vantagem em tudo, certo?”, ou ainda, “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Esse é um modelo que não se sustenta.

      Também não vejo saída sem políticos e sem instituições, isso significa que precisamos de uma base e essa é a lei. Não dá para seguir em frente ouvindo somente a voz dos estridentes, as redes sociais e a mídia. Há que se ter equilíbrio. É sabido que todas as esferas de governo estão contaminadas com vícios e por corrupção, mas vamos ter que aprender a moldá-la e utilizá-la em nosso favor, e não faremos isso quebrando tudo, tocando fogo ou sendo intolerante, mas negociando. Não devemos “passar a mão” na cabeça de malfeitores, esses devem ser punidos, todos eles, sem exceção, mas há que se entender que denúncia não é condenação e enquanto essa não ocorre há de existir a possibilidade de defesa, e nem mesmo os agentes do estado estão acima das leis.

      Precisamos ser tolerantes para negociar, ceder para conciliar, pensar no coletivo ao invés do individual, mas ser intransigentes com os criminosos, sejam simples delinquentes e baderneiros, passando pelos traficantes e assassinos e, principalmente, com os de colarinho branco.

      Não é mais o caso de eleição direta ou indireta, de fora esse ou fora aquele, o que importa nesse momento é negociar para que alguém, fiscalizado sempre, nos conduza por um caminho reto, honesto e seguro. Quem é, e como fazer eu não sei, mas sei que existe.


      Prefiro acreditar que ainda resta um pouco de esperança.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Um Bom Começo

      É muito difícil resolver grandes problemas, mas como toda longa jornada começa com o primeiro passo, divide-se o problemão em pequenos problemas para atacar um por vez.

      O Brasil está com um problemão. Vai mal na educação, na saúde, no transporte, na economia, na segurança e muito pior, na política. Não há resposta fácil e todos estamos perdendo, com excessão dos muito ricos. Não sei quantificar quantos escapam da crise, mas se chutar alto vale, vamos dizer que são 15%, isso dá cerca de 30 milhões. Na outra ponta deve existir um número igual de miseráveis, isso significa que pelo menos 70% pagam a conta.

      Talvez o mais difícil de resolver seja a política, pois suas excelências legislam em causa própria e detêm a força do estado. Mesmo se caíssem de paraquedas um exército de marcianos e os apartassem do poder e nos convocassem para organizar a bagunça nós não conseguiríamos, pois estamos tão acostumados à irracionalidade e a puxar a brasa para a nossa própria sardinha que não haveria acordo.

      Somente um povo educado pode pode discutir ideias e adotar o melhor para o conjunto, alguém deveria ceder para acelerar o desenvolvimento, mas isso está fora de questão atualmente, pois para se ter uma população educada são necessárias algumas gerações. E sabemos que patinamos nesse quesito há muitos anos.

      É lugar comum dizer que a saúde vai de mal a pior. É outro problema que para sanar vão gerações. Um programa de saneamento básico aliado ao planejamento familiar e atenção integral à saúde das gestantes e das crianças pode ser uma solução pragmática e de longo prazo, pois trabalhar-se-ia com prevenção, o que costuma ser mais barato. Para isso funcionar, diante do estado atual da economia, há que se abrir mão da saúde dos adultos, ou seja, deve-se escolher entre quem vai viver e quem vai padecer no falido sistema.

      Foi uma burrice histórica o programa econômico do PT. Mesmo os tão falados primeiros quatro anos. O governo do PT pegou um país minimamente organizado e teve a sorte de coincidir com um boom da economia mundial. O que fizeram? Venderam a janta para comprar o almoço. Foi como entrar logo cedo em uma corrente em que os primeiros ganham, mas a partir do rompimento do elo o prejuízo aparece. Hoje estamos sem a janta e o almoço é um pão dormido. Parodiando o folclórico recém empossado presidente americano, até um aluno ruim de economia (e de escola ruim - aliás é o que não falta) sabe que o modelo que que se tentou implantar era fracassado. Deu no que deu. Retroagimos, pelo menos, 8 anos e vai levar tempo até entrar nos trilhos novamente. Somente as polianas acreditavam que aquele armengue funcionaria. O transporte e a infraestrutura entram no bolo da economia desarrumada.

      Não dá para não falar da segurança. Hoje não há respeito pela vida. Hoje não há respeito pela pessoa. O sistema de segurança, incluindo os legisladores, os executores e os aplicadores de sentença (ou da falta dela) é caótico, falido e pouco operante. A gravidade da situação exige medidas efetivas e imediatas. A população de bem vê se maltratada, ultrajada e assinada por bandidos rasteiros e sofisticados, e sabe-se o mal exemplo vem de cima. Se 70% da população tem que pagar a conta, que pelo menos tenha sua integridade física garantida para que possa produzir. Isso não vai resolver tudo em curto prazo, mas é um bom começo.

domingo, 26 de junho de 2016

Governabilidade Em Cheque

 No livro Diários da Presidência, 1995 / 1996 - O ex presidente FHC relata, na página 507, o dia 22/03/1996, no qual ele recebe alguns deputados do Rio de Janeiro. Segue o texto: …"Na verdade o que eles querem é nomear o Eduardo Cunha diretor comercial da Petrobras! Imagina! O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo de Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor… e que há, sim, problemas com esse nome. Enfim, não cedemos à nomeação".

      Não creio que o deputado e presidente afastado da câmara, Eduardo Cunha, vá manter o mandato. Ele será cassado. Para o processo pode ser relevante saber se ele mentiu ou não ao dizer que as contas em bancos Suíços não são deles mas de um trust. O que posso afirmar é que o mar dele não está para peixe. Já são cinco as investigações contra ele autorizadas pelo Supremo Tribuna Federal, que embora corram sob segredo de justiça, o que se comenta é que se tratam de crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Em março passado ele se tornou réu na operação Lava Jato por supostamente ter recebido cinco milhões de dólares por operações que envolveram a Petrobras, e há também algum imbróglio com o Porto Maravilha. A situação fica pior ainda quando se sabe que na atual conjuntura, o vice-presidente da república é justamente o presidente da Câmara.

      Apesar da relevância da situação, da necessidade de esclarecimentos e do respectivo julgamento, a importância do caso Cunha é ínfima se comparada ao desgoverno e falcatruas geradas durante as administrações do PT. Quando o ex-presidente Lula ainda fazia parte da “esquerda raivosa” e perdeu a eleição para o ex-presidente Collor, o que se dizia era que se o PT tivesse ganhado as eleições economizaríamos 4 anos. Hoje isso faz sentido, pois eles teriam feito em 4 anos o estrago que agora levaram 13 anos para fazer. Quando a liderança do partido deixou de ser de militantes sindicalistas e passou a ser de pragmáticos funcionários públicos o partido se popularizou, ganhou eleições e montou um plano de permanência no poder e deu no que deu. Cada escândalo que é descoberto supera o anterior em valores desviados, em número de envolvidos e sofisticação. Esquema que funcionou até que alguns presos começaram a abrir o bico e as entranhas da corrupção vão ficando expostas.

      Dói, como brasileiro, chegar à conclusão que fomos ludibriados, e o pior é ver que para muitos o crime compensa. Para que a delação ocorra estão sendo concedidos muitos benefícios e ladrões confessos devolvem parte do que roubaram, pegam penas simbólicas e vão continuar levando uma vida luxuosa, tendo apenas poucas restrições e por pouco tempo. Espero que pelo menos diante desse quadro, outros presos que até aqui estão calados como o Marcos Valério, o José Dirceu e o João Vaccari, se não pela própria consciência, mas pelo benefício que pode ser atingido, escancarem de vez as portas e denunciem todos os envolvidos, não importando a qual partido pertençam e muito menos a qual cargo ocupem.

      A governabilidade está em cheque, em todos os poderes há gente envolvida em falcatruas, mas que a justiça seja feita e um redesenho político seja encontrado, pois a democracia precisa ser mantida.

domingo, 27 de março de 2016

Tolerância e Humildade

      O mundo sempre foi violento e isso nos mostra os livros de história e a própria bíblia. Invadiam-se territórios, escravizavam-se pessoas, destruíam-se sociedades e se lutava por religião. Hoje pouca coisa mudou, mas os instrumentos estão mais sofisticados. Há bombas atômicas, drones, o mundo virtual e os meios de transferência de dinheiro impensáveis em épocas passadas mas que perpetuam a discórdia.

      Às vezes a violência nos parece longe, como o infeliz que se explodiu em um estádio de futebol no Iraque matando dezenas de pessoas. Às vezes parece perto, como no aeroporto e metrô da Bélgica com outras dezenas de pessoas mortas e muito mais, feridas, todos ocorridos na semana passada. Há também os que são muito próximos como o ex-presidente dizendo que ele é o único que pode incendiar esse país. Há ainda o clima de disputa nas redes sociais, beligerância mesmo.

      Atrás de um teclado as pessoas se sentem poderosas e com o direito de dizer o que quiser, da maneira que quiser, e sem pensar nas consequências excedem o racional. Sim, estamos em uma democracia, imperfeita, mas em uma democracia, e temos liberdade de expressão, podemos e devemos participar da vida política, mas para tudo deveria haver limites, mas não há para a imbecilidade.

      Não dá para negar que há uma crise econômica, uma crise política e uma crise moral. As condenações do mensalão e da lava-jato desnudaram a corrupção no governo em conluio com grandes empresários que se apoderam do dinheiro público em benefício próprio e de um projeto de poder. Isso colocou o governo no corner que, para não sair de maca (ou de camburão), tenta sair batendo e se esquece de governar, o que afunda ainda mais a economia.

      Ainda que doa, temos que separar o que incompetência do que é delinquência. A incapacidade de administrar não é tolerável, mas é compreensível, porém a ladroagem é imperdoável sob qualquer aspecto. Aos incompetentes basta o impedimento de se aventurarem novamente na política, mas os ladrões devem ressarcir à sociedade tudo o que dela foi subtraído além de receberem uma punição exemplar. No entanto tudo deve ser feito dentro da lei, da ordem e com os instrumentos corretos. Não há porque se pregar a violência, o ódio e a intolerância. Esses, não importa de que lado sejam, devem também ser alcançados pelos braços da lei.

      É necessário reconhecer que todos pagamos um preço para que a sociedade se desenvolva, que evolua e que o sistema democrático seja aprimorado, mas os que detém o poder devem também se despir da ganância para legislar e administrar com um pensamento republicano, com a lógica de estadistas e não de mercadores, e assim recuperar a tolerância e a humildade que estão em falta. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Apoio a CPMF

      Provisória sobre Movimentações Financeiras) e eu sou a favor e explico: é um imposto de fácil arrecadação, baixo custo de arrecadação, baixo impacto no índice de inflação, amplia a base de arrecadação e, principalmente, é provisória. Sim, sou a favor, mas deve haver alguma contrapartida, em seguida sugiro uma e no final a do texto segunda. Deve-se diminuir em medida igual outro imposto, por exemplo, o imposto de renda, assim o aumento de arrecadação se dará apenas pela ampliação da base.

       Esse governo incompetente despresou os alertas de que a situação estava saindo do controle e deu no que deu: recessão. O pior é que a solução apresentada é mais-do-mesmo só que em menor volume. Até ignorantes como eu sabem que nosso problema não é falta de crédito, mas de quem quer crédito ou de quem pode pagar por ele. Mas com ideologia retrógrada, arrogância master e base de sustentação corrupta não haverá solução sem dor e muito menos a curto prazo.

      Nos últimos anos a corrupção nos meios públicos se tornou sistêmica e disseminada para ser um projeto de poder, transformando assim juízes em paladinos. Mas isso é pouco. É pouco porque, as condenações do chamado Mensalão foram brandas e as da Lava Jato, apesar da maior amplitude, também serão tímidas. As punições não estão alcançando os mentores, os chefes e nem está sendo caracterizada como quadrilhas e tudo isso é por falta de prova apesar das delações.

      Gosto de filmes de ação, de tribunal e principalmente baseado em fatos reais. Em um deles, o clássico Todos os Homens do Presidente, atribui-se à personagem Deep Throat (Garganta Profunda) a frase “follow the Money” (Siga o Dinheiro) e é o que tem se tentado fazer e isso é necessário mas não suficiente. Como todo filme de gangsters ensina o ideal é pegar a família, não o próprio elemento, pois com essa pressão ele se entrega. Mesmo seguindo o dinheiro os investigadores devem ir atrás das esposas, maridos, filhos, pais e outros agregados próximos, é aí que a verdade irá aparecer.

      Me sinto humilhado em ter que viver essa realidade. Vejo pessoas de bem literalmente se matando em trabalhos voluntários tentando salvar uma infância perdida para o tráfico de drogas e agora até mesmo para um mosquito enquanto poderosos inescrupulosos vilipendiam os cofres públicos em proveito próprio. Somente terei esperanças se o dinheiro roubado for devolvido e essa quadrilha for exemplarmente punida. Se for para isso, até aceito pagar mais imposto.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Negócio da China

       Sempre gostei de esportes e desde que me conheço torço para o SPFC. Meu pai se dizia corintiano, mas nunca o vi assistindo a uma partida de futebol profissional ou amador adulto em um estádio. Tenho registro somente de duas partidas da copa de 74 que assistimos juntos na casa de amigos dele pois em casa não tinha TV. Também me lembro que ele ajudou a organizar um time “dente de leite” no bairro do qual eu não participei pois eu ainda era muito pequeno e também não jogava lá essas coisas. Ele tinha quatro irmãos, dois são palmeirenses e dois eram sãopaulinos, esse já faleceram. Vem deles a minha influência.

      Tenho conhecidos que não gostam de esportes, gostam do Bahia (Baea!), eu já não penso assim. Esporte é uma atividade em que se premia o melhor, os demais são perdedores, mas como o ciclo é pequeno, o perdedor de hoje pode ser o vencedor de amanhã. Na semana passada ouvi na rádio CBN que 80% dos jogadores profissionais brasileiros recebem menos de dois salários mínimos e apenas 2% recebem acima de vinte salários mínimos, mas não sei dizer quantos são os milionários do futebol. A maior parte das pessoas acha que os salários milionários são um absurdo, eu não concordo. Eles premiam o talento de quem movimenta uma industria bilionária e que gera milhares de empregos e milhões em impostos. Costumo repetir uma frase que é atribuída a Nelson Rodrigues mas não sei se é mesmo: entre as coisas desimportantes o futebol é a mais importante.

      A politização, o desmando e a roubalheira nas federações e confederações brasileiras acabaram com os bons campeonatos, sufocaram os times e dispersaram nossos melhores atletas. Há tempos temos acesso aos campeonatos europeus, os melhores e mais ricos do mundo: italiano, inglês, alemão e hoje o espanhol, o melhor de todos, além das ligas continentais e mundial, para onde vão os principais talentos e aqueles que estavam em final de carreira exploravam locais menos tradicionais mas que pagavam bem como Holanda, Arábia, Grécia, países do leste europeu, Japão e recentemente a China. Sempre a China. China que se dispôs em 8 anos ser a maior potência do esporte olímpico do mundo para ser o melhor em sua própria casa e pela primeira vez na história os Estados Unidos foram derrotados. Agora eles se voltaram para o futebol e estão contratando bons e jovens jogadores e diversos experientes técnicos. 

      Essa é a oportunidade dos jogadores “fazerem a vida”. Além da nossa desorganização, conta também a desvalorização cambial. No exterior, um bom jogador recebe facilmente USD 250,000 ou seja, cerca de R$ 1.000.000,00 por mês, muito mais do que a média do que se paga no Brasil. Pouco mais de um ano atrás e eles teriam que desembolsar muito mais, mas graças ao nosso glorioso incompetente e corrupto governo a economia desandou, a moeda se desvalorizou e o campeão brasileiro de 2014 e do ano passado se desmancharam. Só estou esperando que eles vendam também o goleiro, que para mim, é o maior responsável pelas últimas conquistas. Já que não dá para termos um campeonato de alto nível e com partidas atraentes, torço para que os adversários fiquem só com o osso. :)

      O nosso baixo nível se generalizou, houve a perda da organização familiar, dos valores pessoais, da educação, do respeito, da segurança, da economia e também dos esportes. Estamos descendo a ladeira e sem um alento, sem uma só sinalização de que colocaremos nossa vida nos trilhos novamente. Uma pena.


domingo, 6 de dezembro de 2015

E o Mico Pagou o Pato

      Bem que eu gostaria de escrever só boas notícias, mas o post reflete o meu momento e também o momento que o país atravessa. Só tem más notícias. Ladrões, políticos e políticos ladrões, todos roubando e acusando-se mutuamente, tratando de se safar, mantendo seus mandatos, seus privilégios e nós pagamos a conta. Pagam os que trabalham e muito mais os desempregados. Todos os dias vemos as notícias sobre a redução da atividade econômica e a nação se empobrecendo. Já conseguimos atingir o mesmo resultado de 5 anos atrás, e como ainda vai piorar, tudo indica que essa será mais uma década perdida. Eta administração pública vagabunda!

      Trabalho em Salvador e moro na região metropolitana, aliás, saindo de casa e andando pela praia, em 15 minutos chego a Salvador. Aqui não tem rede de esgoto, tratamento de esgoto então nem se cogita, não há coleta seletiva de lixo e a cidade é suja. Uma boa referência é o meu carro. Não sou daqueles que “amam”carro. Para mim é apenas uma ferramenta, e como não o dirijo pelo lado de fora, não preocupo muito com a limpeza exterior. Em São Carlos eu costumava mandar lavá-lo, em média, a cada 2 meses. Aqui preciso lavá-lo toda semana. Tudo bem que a maresia tem a sua parcela de culpa, mas a poeira, a água nas ruas e o lixo fazem a maior parte do estrago. Como para cada choro tem que vende lenço, eu poderia estar distribuindo renda deixando-o em algum posto ou lava-jato (nome não tão apreciado atualmente), mas ainda não encontrei melhor modelo do que eu mesmo cuidar da limpeza, pois tudo fica longe e perco muito tempo. Estou me aprimorando e já consigo lavar o exterior de um sedam médio com 15 litros de água!

      A falta de tempo e a distância são circunstâncias, mas a falta de saneamento e o lixo na rua mostram o estágio de desenvolvimento das pessoas. Parece que se cuida apenas do que é seu, ou seja, do portão para dentro, o lado de fora não é de ninguém. Assim se acumulam pedra, areia, restos de construção, lixo doméstico e tudo aquilo que é para ser descartado. Há aqui aquilo que se chama de pontos viciados, ou seja, elegem um local para jogar o lixo e que se dane quem mora perto. A prefeitura de Salvador diz que paga cerca de 1 milhão de Reais por dia para qua haja a coleta, mas não resolve, ou seja, poderia ser ainda pior.


Ponto viciado - esse é um dos mais limpinhos

      O trânsito é travado, pois pode-se fazer qualquer barbaridade, óbvio que desrespeitando as regras elementares. Carro sobre as calçadas é o mínimo, e não importa se é na periferia ou em bairros ricos e centrais. Estacionar sobre praças públicas também pode.


Estacionar na praça?  Pode!

      Há uma cena que há muito eu não via, pessoas na rua carregando gaiolas com armadilhas para capturar pássaros. Aqui é normal, vejo isso constantemente, e não são crianças, são adultos mesmo! E nessa semana uma cena foi emblemática. Há nas matas e em muitas praças, pequenos micos, aqui mesmo em frente de casa aparecem vários, e no campus da Universidade Federal há muitos, e eles se utilizam da fiação elétrica para se deslocar. Há poucos dias houve a interrupção da energia elétrica, pois um desse micos causou um curto-circuito na rede de média tensão da rua que cortou um fio e o infeliz bichinho morreu. Caiu completamente desidratado e com membros amputados.

       Seria só mais um acidente, mas o pior foram os comentários, todos culpando o animal. Não é assim! Eles estão aqui porque aqui é o seu habitat. Eles não estudaram eletricidade, tampouco fizeram o curso da NR10 e sobre Sistemas Elétricos de Potência. É nossa obrigação protege-los. As instalações elétricas comercias devem considerar essa hipótese. Já li algo sobre o Pantanal, onde os cabos passaram a ser isolados, pois, devido a envergadura, os Tuiuiús também morriam ao tocar os fios com suas asas. 

      Entristece ver a pouca sensibilidade das pessoas com o meio ambiente, e assim, como dar boas notícias?

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula teve o meu voto contra o Collor e não sei se fiz bem ou mal, porque ele perdeu as eleições, mas nunca mais votei nele apesar de ter votado em alguns candidatos do PT, porém ele terá o meu voto nas próximas eleições.

      O Lula já venceu e, para mim, o seu maior legado foi ter dividido o país entre nós e eles. O ser nós ou eles depende da conveniência. No palanque nós somos os pobres, e eles, as elites que são contra os pobres, mas na hora de tomar o governo em um projeto perpétuo de poder e de enriquecimento de pessoas e do partido, somos parte da elite mas não contem nada a ninguém. Afinal, que as relações foram muito estreitas com donos e diretores das maiores empreiteiras do país lá isso foram.

      O Lula não pode ser preso, pois irá virar mártir, o que seria ruim para a própria presidente que acabaria sendo perseguida por um cadaver insepulto. Pelo mesmo motivo ele não pode morrer, pois não será enterrado tão cedo. Assim a ele só resta a próxima eleição, pois vencendo continuará acobertando os desmando das administrações petistas. Não existe possibilidade dele não ser candidato em 2018.

      O Lula ainda controla os chamados movimentos sociais. Pois esses grupos, um dos quais ele chamou de exército do Stédile, não estariam tão calados em face às medidas adotadas pelo Ministro da Economia Joaquim Levy, que são frontalmente contra as do antecessor. Tais movimentos já teriam ocupado as ruas, estradas, fazendas, repartições e autarquias.

      O Lula não pode perder as próximas eleições, pois o país ficará ingovernável. Se a atual presidente conseguir terminar o mandato a economia estará muito ruim, porque ruim já está faz tempo. Qualquer um terá que tomar medidas drásticas e haverá recessão forte por alguns anos. Depois de sofrer por tanto tempo ninguém aguentará e com a paciência esgotada, com a pressão militante que só PT sabe fazer, com os tais movimentos sociais ativos e com a divisão nós, os pobres perseguidos, não há quem governe, assim a alternativa seria a ditadura, e adeus democracia, o que seria uma lástima.

      O Lula, presidente, terá que fazer os ajustes que os outros não serão capazes de fazer, logo entendo que é a única esperança para o Brasil sair do buraco.

      O Lula já me humilhou quando, logo após a posse do primeiro mandato mandou construir uma estrela vermelha nos jardins do palácio do Planalto. Para mim já era caso de impedimento, pois o palácio é a residência do presidente do Brasil e não propriedade de um partido. Também me humilhou com atitudes fascistas como na tentativa de expulsão do jornalista americano e na dos pilotos também americanos. Ainda que eu não goste da figura do Lula, das suas atitudes e dos seus governos, não vejo alternativa. O Lula venceu e terá o meu voto nas próximas eleições.

sábado, 23 de maio de 2015

Servir ao Povo

    Dizem que há duas coisas certas na vida, a morte e os impostos. Pode ser que algum dia escapemos da morte, mas dos impostos, com certeza não. Cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto - que é a soma de tudo o que é produzido no país durante um ano) do Brasil é arrecadado em impostos. Deus e todo mundo indicava que a política econômica do governo estava sendo mal conduzida, menos o próprio e os que dele se aproveitavam. Agora estamos ladeira abaixo com aumento do desemprego, da taxa de juros, do câmbio e da inflação que já está beirando os 8,5% anual e que penaliza justamente os mais pobres. Passadas as eleições o governo anuncia a mudança de rumo da economia e apela mais uma vez para quem paga aumentando os impostos ao invés de cortar suas despesas. Tem governo demais e governança de menos. Só para iniciar é impossível ser eficiente com 38 ministérios. Se começasse reduzindo para 15 já seria uma boa sinalização e excelente economia, além do mais, já que não conseguem estancar a corrupção haveria menos pessoas tentadas a nos roubar.

      O chamado contingenciamento de 70 bilhões irá reduzir a verba essencial para a saúde, segurança e educação, ou seja, o que está ruim ficará pior, e nesse momento de crise temos absurdos criados como o projeto do novo prédio para abrigar parlamentares (e um shopping center). Eu proponho deixar o prédio atual como está e reduzir o número de parlamentares, e mais, reduzir a quantidade de assessores dos parlamentares, com certeza iria sobrar espaço. Para que temos 513 deputados? Não precisamos de mais que 200, um apara cada um milhão de habitantes. Para que 81 senadores? Bastariam 26, um por estado e não conte o distrito federal. Para que suplente? Saiu, perdeu! Deixou o congresso para ser ministro? Fica vago até a próxima eleição, assim acaba com essa promiscuidade. Há senador que é nomeado ministro e o suplente assume, e se o governo não confia no suplente para uma votação específica exonera o ministro e esse volta ao senado apenas para votar e em seguida é novamente reconduzido ao ministério. Isso é o cúmulo da desfaçatez. É rir na nossa cara.

    Para que existem as emendas parlamentares? Para os políticos venderem favores aos eleitores de "suas bases eleitorais"? Parlamentar precisa é fazer lei, não arrumar verba para quadra de esporte. Acabar com essas emendas  faria reduzir, e muito, a vontade de muito picareta se candidatar. Que se acabe com essa excrescência já!

      Para que pagamos por mais de 30 partidos políticos se apenas meia dúzia é que dá as cartas? Não precisamos de mais do que 5, os dois de extrema direita e esquerda, os dois moderados de esquerda e de direita e um de centro e chega! Para que pagamos imposto sindical? Para sustentar pelegos? É bom também rever a questão dos subsídios a muitas das entidades ditas não governamentais mas que vivem apenas de verba pública, ou seja, um contra-senso. Uma coisa é ajudar a APAE, outra é sustentar o MST. Não dá para ficar pagando diária para manifestante ( e arruaceiro ) profissional que vai para manifestação de apoio ao governo com diária, alimentação e ônibus com ar condicionado pagos com o nosso dinheiro. Isso não é informação da pseudo "imprensa de direita" eu vi, e mais de uma vez. Congestionamento de ônibus e fila para receber refeição, todos com a camiseta vermelha e bandeirinha do PT e do MST.

      Eu gostaria que alguém me desse uma justificativa plausível para que o governo gaste com propaganda. Esse dinheiro seria muito bem gasto se fosse utilizado em campanhas educativas de diversos temas, e o principal deles é a do controle da natalidade. As pessoas têm o direito de ter quantos filhos quiser, mas devem ser instruídas para não ter os que não desejam, pois como se dizia antigamente, a família é a célula da sociedade.  Eu também gostaria de saber por que pagamos por uma TV pública que ninguém assiste e que não produz nada de interessante, a ressalva foi a TV Cultura que hoje não é nem sombra do passado, que embora tivesse baixa audiência fazia produções primorosas. Para que mantemos uma TV Câmara? Uma TV Senado? A Voz do Brasil? Entre embaixadas e representações, o Brasil mantém 138 Missões Diplomáticas, para quê? Sabemos que muitas são um luxo só, mas com salários e aluguéis muitas vezes atrasados. Será que umas 50 não seriam suficientes? Não é hora de priorizar aquelas onde há a necessidade de assistência a mais brasileiros e que possuem grande apelo comercial?

      Vem de longe a cultura da ineficiência do governo na gestão de obras públicas. É um tal cartel para cá, superfaturamento para lá, aditivos de contratos que não têm fim, obras mal feitas, inacabadas, mal geridas e desnecessárias. Isso em todas as esferas. É tempo de acabar com a ideologia e deixar para o governo apenas a regulação. A execução tem que ser do setor privado que é quem emprega, produz e paga imposto. Uma faxina nos contratos existentes também viria a calhar.

      Se começar a desenrolar esse novelo com certeza poderiam cortar os impostos da cesta básica e dos medicamentos o que iria, em muito, melhorar a vida dos mais necessitados, e ainda sobraria dinheiro. Acho que está na hora do governo deixar de pensar em si e pensar no povo. Ter coragem para fazer o certo que é servir ao povo e não servir-se desse.

domingo, 5 de abril de 2015

Não Está Fácil Para Ninguém

      Tenho ouvido muito a frase “não está fácil para ninguém” e como para mim não está, não deve estar mesmo. Um sintoma é que tem muito jovem clamando pela ditadura militar sem saber ao certo o que isso significa. Com certeza eles não sabem que a liberdade tem um valor inestimável, e não sabem porque são livres. Eles não experimentaram a repressão e a que eles conhecem é só a que aparece nos noticiários, longe da gente. Outro sintoma vem dos próprios jornais, só desgraça. Não há notícia acalentadora, apenas tragédias, crimes e bobagens.

      A inquietação provém da falta de esperança. É chover no molhado, mas a educação é uma piada, poucos chegam a um nível de excelência; a maioria apenas consegue um grau sofrível. Faz tempo que observo isso no ambiente profissional e nos atendimentos de serviços, muita gente se expressa mal mesmo em linguagem coloquial, nota-se que o conhecimento é parco e o raciocínio é primário, pouco elaborado. Some-se à isso a violência. Hoje pode-se dizer que o crime compensa. O grande exemplo vem das autoridades. Cada grande escândalo é esquecido quando se descobre o próximo. É muita gente roubando, é muita gente se aproveitando do poder para servir-se. Se o crime compensa para nossas autoridades qual é o exemplo que eles dão aos jovens? Estudar para trabalhar? Isso é coisa de otário, “se dar bem” é o que importa. O caminho mais fácil é o que é valorizado.

      Também vivemos um tempo de muito mi mi mi. Nesse tempo do politicamente correto sempre há quem se sinta ofendido por coisas óbvias. Os valores são confusos e o patrulhamento ideológico é perverso. Basta a defesa de um tema polêmico para ser perseguido, principalmente nas redes sociais que tem rápida e profunda penetração. Para expressar aquilo que lhe é correto deve-se pensar muito para que não seja processado ou moralmente linchado.

      Sim, análise superficial e crítica, assim como eu, todos são capazes de fazer, mas como resolver? Há saída? Claro que sim, na democracia sempre é mais difícil atingir os resultados, mas com certeza há pessoas capacitadas a nos liderar e nos conduzir por um bom caminho.

domingo, 16 de outubro de 2011

Animal Político.

      A política, como a conhecemos, nasceu na Grécia antiga e estava relacionada a todos os assuntos da Pólis (cidade estado). Os cidadãos defendiam os seus interesses perante os seus pares, ou seja negociavam, assim como negociamos desde o nascimento chorando para mamar. Como definiu Aristóteles, o homem é um animal político, e não é possível, dessa forma, imaginar que as recentes manifestações em diversas partes do mundo possam estar desprovidas de política.

      Em outubro de 1.929 uma sequente venda de ações derrubou os preços das ações da Bolsa de Nova Iorque resultando no que ficou conhecido como Crash, queimando a economia de milhões de investidores e trazendo conseqüências à economia mundial. Mas naquele tempo as crises locais demoravam para se espalhar, pois a economia viajava de navio, hoje se transporta quase que à velocidade da luz, e as distâncias são vencidas no tempo de um simples clique. Não é novidade que as economias sejam interligadas, os grandes impérios antigos já comercializavam intercontinentalmente. A diferença é que a escala hoje alcançada é sem precedentes, e além de bens de consumo, de produção, ou duráveis, há também os financeiros, esses voláteis e ariscos. Com o desenvolvimento da tecnologia, a informação e a comunicação passaram a ser imediatas e quase impossíveis de serem bloqueadas, ainda que os ditadores assim desejem.

      Devido a grande dimensão da economia americana o déficit financeiro de seu governo há muito põe em risco a economia mundial. Seu par em dimensão, a Europa, onde os governos de alguns países são lenientes com a austeridade fiscal, se envereda pelo mesmo caminho, assim, a bonança expansionista da economia terá uma retração e não haverá imunes, em maior ou menor escala todos sentirão, como já está sendo visto desde 2008 nos Estados Unidos, desde o ano passado está claramente identificado na Grécia e mais recentemente no bloco conhecido como PIG (porco em inglês) Portugal, Itália e a própria Grécia, além da Espanha, cujos bancos já tiveram as suas avaliações de riscos aumentadas.

      Por outro lado, desde o final do ano passado vemos no oriente médio e norte da África uma sucessão de revoltas populares contra governos ditatoriais que em alguns casos já os derrubaram como na Tunísia, Egito e Líbia, e há um número muito maior em andamento, movimentos que geraram o nome de Primavera Árabe, ainda que nem todos os países sejam Árabes.

      Já vimos no início do ano a revolta dos estudantes na Inglaterra, o quebra-quebra na França, novamente os estudantes no Chile, o movimento Ocupem Wall Street em Nova Iorque, o Ocupem a City em Londres, o movimento na Plaza Mayor em Madrid, ontem ocorreram as manifestações na Itália que terminaram em vandalismo e quebradeira e também há cerca de um mês temos visto os tímidos protestos contra a corrupção no Brasil.

      Há muita coisa comum em todos esses movimentos, a começar pela política que está na necessidade de ser ouvido, de ter, por cada um, os seus interesses defendidos. Tem também a economia. Ninguém reclama quando está abastado e sem ameaças, a economia em si embute o conceito de administrar a escassez, não a fartura. Há também a forma de comunicação que utiliza primordialmente a Internet como plataforma e as redes sociais como veículos para a mobilização e demonstração da sua força a fim de ganhar mais adeptos e engrossar as vozes.

      Cada um vê esses movimentos por sua própria ótica, para uns, a revolta contra a ditadura representa a superioridade da democracia, para outros a ocupação por populares do maior centro financeiro do globo significa a derrocada do capitalismo e há os que acreditam que a simultaneidade de todos os eventos é um cataclismo. Para mim o mundo não acabará em 2.012. Não sei dizer se os governos que sucederão os depostos serão melhores que os anteriores, até porque em 1.979 achei que nada seria pior para o Irã do que o Shah Reza Pahlev, mas veio o Khomeini e os seguidos governos teocráticos, e hoje temos lunáticos quase nuclearmente armados. Também não acredito em governos provedores de bem estar social, pois não é possível haver justiça se tudo é provido, haverá sempre os que merecem e nada recebem e os que nada produzem mas sempre se ajeitam. Assim acredito no governo regulador e na sociedade produtiva e recebedora de benefícios por mérito. Acredito ainda que o capitalismo não será extinto, será reformulado para a sua própria sobrevivência e a tecnologia que é um de seus produtos estará mais forte e presente a cada dia.

      Particularmente sou simpático às manifestações brasileiras, mas cético de seu alcance, pois somos capazes de brigar por um time de futebol, mas não de nos engajarmos em uma causa que demande exposição, disponibilidade e privação. No Brasil apenas o PT tem força de militância para fazer uma causa sair da inércia, mas como na essência a manifestação é contra o desgoverno do PT e seus aliados, não iremos a lugar algum. Eu, que sou muito orgulhoso, ficaria muito feliz por estar errado nesse último parágrafo.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Hoje Na Grécia

      Há dias li um artigo do Frei Leonardo Boff no qual ele concorda e cita Marx como profeta do fim capitalismo por si próprio, e as razões seriam duas, a exaustão dos recursos do planeta e o fim do emprego. Também li o filósofo italiano Domenico de Masi, autor do O Ócio Criativo, que sustenta que na sociedade pós industrial, estética e lazer serão áreas a se investir, pois para alocar toda a mão de obra cada um terá que trabalhar menos, gerando tempo para o lazer, e com o enriquecimento da sociedade as pessoas investirão em si próprias. E da minha casa também trago um exemplo emblemático, o meu filho assiste pouco à televisão, em média uma hora por semana, mas quando cancelei um plano de TV por assinatura ele demonstrou uma profunda sensação de perda. E qual é a correlação entre esses tópicos e a Grécia dos dias atuais?

      Comparado ao Brasil a Grécia é um país pequeno que conta com uma fronteira seca de cerca de 1.100 km mas com quase 15.000 km de litoral, pois se somam as áreas continentais e as inúmeras ilhas, o que faz com que o turismo seja a principal atividade econômica do país. Essa é uma nação considerada rica, pois sua renda per capita é de cerca de 30.000 dólares (a do Brasil é de aproximadamente 10.000 dólares) e sua população não chega aos 11 milhões, mas quem assiste aos telejornais está se acostumando a ver nos últimos anos os enfrentamentos entre a população e a polícia grega em batalhas que têm se acirrado e intensificado nos últimos dias.

      Ter o turismo como maior propulsor da economia mostra que o filósofo Masi está certo, locais com belezas naturais e com estrutura adequada podem se sustentar, mas pelas cenas e pelo crescente desemprego, o apocalipse do Marx e do Boff chegou àquela região para ficar. Ocorre que o elevado padrão de vida grego foi construído ao custo do endividamento, e hoje os credores vêm a real possibilidade de não verem de volta nem a cor do seu dinheiro, o que assusta os investidores e reduz a oferta de crédito para movimentar a economia. Nesse quadro o governo precisa tomar medidas restritivas cortando as próprias despesas, o que significa reduzir investimentos e demitir funcionários, o que agrava o desemprego; aumentar impostos e cortar benefícios sociais, o que a população não aceita, e também privatizar. Some-se tudo isso e haverá mesma sensação de perda que o meu filho teve, afinal, ninguém quer se tornar pobre.

      Para nós isso é uma lição. Não é possível manter por longo tempo o crescimento com uma taxa de juros de dois dígitos e com inflação acima de 5% ao ano e crescendo. Isso mostra que há um desequilíbrio nas contas públicas que está produzindo um passivo que mais tarde deverá ser resgatado, quando então não mais se poderão fazer apenas simples ajustes, mas sim tomar medidas severas de austeridade. Mais vale hoje desempregar políticos e apaniguados, rever a política fiscal, reestudar o sistema de previdência aumentando o limite mínimo de idade e de contribuição para quem está entrando no mercado de trabalho, do que no futuro termos que enfrentar a polícia nas ruas para protestar contra aquilo que não mais terá remédio.
      lembrando bem, mesmo sendo a Grécia um paraíso, berço da democracia, da filosofia, da ciência e da arte, se você pensa em passar alguns dias por lá, esse não é um bom momento.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Uma Nova Ordem Mundial.

      Nasci e cresci nos tempos da guerra fria, período em que havia duas superpotências econômicas e militares que polarizavam as demais nações do globo tentando cooptar as indecisas para que adotassem o seu regime político e econômico. A União Soviética liderando o bloco da chamada Cortina de Ferro representando o socialismo e a ditadura militar, e os Estados Unidos estendendo aos ocidentais a democracia e o capitalismo. Entre idas e vindas, tensões e distensões, o bloco Soviético foi desmantelado em 1979 a partir de marteladas no muro de Berlin, aquela monstruosidade criada na segunda grande guerra que dividiu, em duas, a Alemanha. Andando com as próprias pernas ou com as próprias bicicletas, a China, se encontrava mais alinhada, mas não totalmente aderida, ao bloco Soviético, era comunista, com governo militar ditatorial e miserável.

      Muita coisa mudou nos últimos 30 anos, a tensão de uma guerra nuclear foi reduzida, a Rússia, que liderava o império Soviético tornou-se uma quase economia de mercado, já há um arremedo de democracia e não perdeu o status de potência militar e científica, já a China, com uma política centralizada e competente, começou como os japoneses a copiar os produtos estrangeiros e dirigiu a sua indústria à exportação, expondo-se à competitividade e que, suportado pela mão de obra barata e semi-escrava, passou a ser um player mundial como base de inovação tecnológica. Por ter um mercado interno enorme e lançar mão de artifícios comerciais como a manutenção da desvalorização do Yuan, a moeda local, ultrapassou o Japão e passou a ser a segunda maior economia do planeta, e em 15 ou 20 anos deverá atingir o topo, enquanto os Americanos se arrastam para debelar uma crise especulativa que já dura dois anos. Além disso, há dois países emergentes que com população e economia grandes, passam também a influenciar a economia mundial, que são a Índia e o Brasil. O espectro comunista não mais assusta e está mal e porcamente representado pelas falidas Cuba e Coréia do Norte, essa que apesar de se arvorar uma potência militar e quiçá nuclear, ladra e esbraveja se escondendo sob o manto chinês, mas em ambos há na verdade escassez de alimentos.

      Por um momento pareceu que os blocos políticos seriam substituídos por blocos econômicos como a União Européia, o Nafta e, em menor escala, pelo Mercosul, mas esses blocos já demonstram desgaste e uma nova ordem mundial deverá ser imposta. O conjunto dos 8 países mais influentes deverá ser ampliado para um grupo que reúna os 19 países mais ricos mais a União Européia, cujo conjunto é responsável por mais de 90% da economia e por mais de 80% do comércio mundial, mas há pontos de fragilidade: a pobreza, o despotismo, o fanatismo e o próprio capitalismo.

      A partir dos dados acima é simples de se imaginar que dos 192 países reconhecidos pela ONU a esmagadora maioria é pobre ou paupérrima e que não revreterão esse quadro se não for com ajuda direta dos países ricos, ainda mais sabendo que é justamente nessas nações que a questão demográfica é pior. Há duas semanas vimos os Tunisianos pondo fim a uma ditadura de 23 anos, colocando o mandatário para correr, e agora, em situação semelhante se encontra o Egito está se rebelando contra o governo de Mubarak iniciado em 1981. Nesse propósito estão alinhados os jovens que clamam pela democracia e os fundamentalistas muçulmanos criando assim uma mistura explosiva. A igreja católica e as suas variações cristãs, com os seus muitos erros e alguns acertos dominaram o cenário por mais de 2000 anos, mas o recente crescimento do mundo muçulmano com os seus radicais fundamentalistas e aliados a governantes irresponsáveis podem criar um ponto de ruptura entre as sociedades, talvez aqui se encontre a possibilidade de uma guerra de grandes proporções. Recentemente os franceses se rebelaram contra o aumento da idade mínima para a aposentadoria, depois foi a vez dos estudantes ingleses se manifestando violentamente contra o aumento das mensalidades escolares, aparecem os gregos, que semana sim semana não produzem um quebra-quebra contra os ajustes econômicos, e mesmo países que estão social e economicamente em pleno desenvolvimento como a Creia do Sul, constantemente é sacudido por manifestações violentas enfim, é difícil encontrar um ponto de equilíbrio.

      Não há solução fácil, e o tripé economia, educação e religião devem subordinar os sistemas de governo e forças militares a fim de que o futuro possa ser construído com serenidade, segurança e distribuição de riquezas e, principalmente, reencontrando o equilíbrio da sustentabilidade da vida no planeta.