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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O Meu 2018

      Você sabe o que têm em comum, além de talento, sucesso, dinheiro e fama, Prince, Michael Jackson, Madonna e Sharon Stone? Nasceram em 1958. Em 2018 completariam ou completaram 60 anos assim como eu, que não tenho nenhuma dessas características, e terminei o ano ainda pobre e desempregado. Aliás, no final de 2017 eu já sabia que a minha carreira como engenheiro de televisão, após 41 anos de trabalho, estava sendo encerrada, e eu sonhava em produzir por mais 5 anos. Portanto, 2018 não seria nada fácil, e não foi!

      Foi muito difícil acordar e não ter para onde ir. Fiquei e continuo ainda preocupado com as despesas mensais sem ter receita compatível. Foi o ano em que mais tive tempo e que menos o aproveitei. Não li o suficiente, reli algumas coisas, boas e ruins, li alguns autores novos para mim, mas nem de longe com a mesma vontade e aplicação. Também não me exercitei o suficiente, ainda estou fraco e gordo. Deixei de aproveitar por simples falta de vontade. Deixei-me abater e a procrastinar tarefas que antes eu resolvia de imediato.


Mapa do meu peso em 2018

      Passei também a ter vários problemas de saúde, a começar por insônia, dores na coluna, nos joelhos, resfriado várias vezes, infecção no olho 4 vezes, problemas na pele, estômago, e até tontura. No final de setembro, passei dois dias meio atordoado. Para não fugir à regra, nas poucas consultas com médicos a que me submeti, e respondendo sempre às mesmas e típicas perguntas, quando não era diagnosticada virose, nos casos dos resfriados, a causa poderia ser tcham tcham tcham tcham: estresse! Enfim, tanto nos problemas quanto na causa estou passando pela deteriorização da minha qualidade de vida.

      Quando durmo e sonho, em muitas das vezes me vejo trabalhando. Fico imerso em situações semelhantes às que já vivi e com pessoas com quem trabalhei em todas as emissoras pelas quais passei. Às vezes misturo as situações e as pessoas. É claro que as mais recentes predominam. 

      Não me serve de consolo imaginar que ainda tenho capacidade física e intelectual para trabalhar em alto nível e que fui “abatido” por fatores econômicos. Por outro lado também não culpo os executivos e a empresa que luta para sobreviver em meio à crise. Sou apenas mais um entre tantos outros amigos, colegas e desconhecidos do mesmo setor e também de outros. O desastre econômico produzido por sucessivos governos ruins até que foi abrandado nos últimos dois anos, mas não o suficiente para o mercado reagir, os investimentos aparecerem e a economia voltar a crescer.

      Voltei a morar em São Carlos - SP, onde minhas despesas são menores e aqui estou mais próximo da minha mãe e perto da filha, genro e neto, o que me trouxe vários momentos de felicidade. Deixei para trás, em Salvador, amigos e o mar. Lá eu corria na beira da praia, aqui também tenho amigos, mas quando me animo, corro na margem do córrego do Gregório. O que por si só, já faz uma enorme diferença.

      É grande a dor de estar desempregado. É maior a dor de ter tido a carreira encerrada pela circunstância, não por opção. E ainda doeu muito mais o fato de não ter deixado um legado no último emprego. Tenho consciência de que não produzi um desastre, mas ser apenas normal nunca me foi suficiente. Até reconheço que para algumas pessoas com as quais trabalhei diretamente fiz a diferença, mas para mim foi pouco. Ainda vai demorar muito para que eu assimile essa queda.

      Em nossas vidas há elementos que marcam determinadas passagens. Pode ser uma pessoa, uma imagem, uma fragrância, um gosto, uma música, enfim, são coisas particulares, e eu associaria esse ano à frase: “…e sem o seu trabalho, o homem não tem honra…" 

https://www.youtube.com/watch?v=2t7XXneQgtk


      A vida tem que continuar. Não é do meu feitio aceitar passivamente, sem reagir. Uma característica da engenharia é resolver problema e estou diante de um enorme! Não consegui meu diploma de engenheiro no lixo, e, além do mais, tenho responsabilidade para com várias pessoas. Não vai ser rápido, não vai ser fácil, não será indolor, mas estou me estruturando para voltar a ser produtivo e a gerar receita.

      Principalmente no segundo semestre houve uma politização imensa na sociedade brasileira, houve uma renovação marcante no poder executivo e legislativo federal e há um clima de muito otimismo para 2019. Todos sabemos que os problemas estruturais não serão resolvidos de imediato, que a crise ainda se arrastará por algum tempo, mas o que importa é a direção. Se o novo governo traçar um caminho coerente pode ser que o otimismo se concretize e dessa forma todos possamos colher bons frutos. Que venha 2019.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Meu 2017

      No último mês de dezembro escrevi dois textos, mas, de muito ruins, não serão publicados, e esse será um mero inventário.

      Profissionalmente o ano de 2016 terminou muito mal para mim, fiquei afastado das operações de TV quando completava 40 anos de trabalho em televisão, e agora, em dezembro, posso dizer que terminou pior ainda, pois estarei desempregado a partir de março. Como vários amigos, fui abatido pela crise econômica. De muito positivo foram as inúmeras manifestações de incentivo e carinho que recebi dos amigos, isso é de inestimável valor.

      Com as equipes com as quais trabalhei em 2017 conseguimos alguns resultados expressivos, entre eles o maior índice de recepção digital de TV do país até agora, 93,3%. Em um projeto que assumi em andamento mas no qual pude contribuir e visei somente o resultado para a empresa, recebi, do Instituto Euvaldo Lodi - IEL, ligado à Federação das Indústrias da Bahia - FIEB, o prêmio de primeiro lugar como Tutor.


PRIMEIRO LUGAR COMO TUTOR - PROGRAMA INOVA TALENTOS - IEL


      Fisicamente saí da apatia, mas as seguidas lesões: joelho, cintura, esporão e panturrilhas, as duas, duas vezes cada, não me deixaram em um estado físico desejado.
Não cumpri os 300 treinos - foram apenas 216
A meta de 150h bati com facilidade, foram 208h.
Havia previsto emagrecer 2,5kg, foram cerca de 4kg.


EXERCÍCIOS E CONTROLE DE PESO EM 2017


      As leituras continuam me dando prazer e entre novidades e releituras havia algumas coisas interessantes, outras, nem tanto. Na foto falta um livro que reli nesse ano mas o emprestei. O do Pasternak comecei, parei, comecei novamente mas ainda não concluí.


LIVROS, AINDA UMA PAIXÃO...

      Assisti a um bom show de música baiana na concha acústica do TCA que se encontrava com a capacidade esgotada, 5.000 pessoas que não arredaram o pé, nem mesmo com a insistente chuva. Também assisti ao Cirque Du Soleil - One, baseado nas músicas do Michael jackson, no Mandalay Bay, o mesmo hotel casino onde no final do ano um atirador se alojou e fez dezenas de vítimas, também, da mesma companhia, assisti pela terceira vez o espetáculo O, no Bellagio. Em Salvador, na arena Fonte Nova assisti ao Dire Straits.

      Por uns dias, durante a viagem a Las Vegas em abril, tive a companhia de um casal de sobrinhos que está residindo nos Estados Unidos. Agradável e engrandecedor.

      Por não estar mais na operação de televisão, consegui me desligar das obrigações e viajei, em férias, para a Península de Maraú, bonito e interessante, mas o mar está invadindo as praias, tomando o que a ele pertence. Também não gostei do lixão a céu aberto na entrada da península. Mostra um descaso com a natureza, com o local e para com as pessoas.


FÉRIAS EM MARAÚ - OUTUBRO 2017

      Até poderia ser uma ano a ser celebrado, mas … sem o seu trabalho um homem não tem honra…não dá prá ser feliz, não dá prá ser feliz …





domingo, 18 de outubro de 2015

Ribeirão Preto - O trabalho

      Como se diz aqui na Bahia, pense! Pense em algo que deu certo! Essa foi a minha passagem por Ribeirão Preto. Em Ribeirão nasceu o meu filho, a minha filha foi alfabetizada, minha esposa voltou a estudar, construí amizades excepcionais, montamos uma emissora de televisão, a atualizamos tecnicamente algumas vezes e lá comprei a minha primeira casa. Em Ribeirão cheguei técnico e saí gerente. Nada mal para uma carreira de apenas 12 anos de técnico em eletrônica com curso de nível médio. Foram oito anos intensos e incríveis.

Com os filhos em Ribeirão Preto

      Ainda em Campinas, concomitantemente com os dois primeiros anos como técnico de retransmissão e o primeiro como técnico de manutenção de TV, trabalhei em uma empresa que produzia transmissores e antenas para transmissão de sinais de TV, de onde herdei do meu primeiro pai profissional a obrigação de se fazer tudo com qualidade. Do meu segundo pai profissional ganhei a liberdade de criar o conceito de serviço bem feito, e que foi aperfeiçoado, e muito, graças a dois amigos que trabalhavam em uma equipe de instalação. A esses quatro amigos, já mortos, tenho muito a agradecer.

      Comecei como técnico e logo passei a conduzir a equipe, que para a época foi muito bem montada e se tornou eficiente e altamente qualificada. Era um tempo em que todos equipamentos eram importados, e a importação, além de ser um processo difícil, era muito cara, e isso nos obrigava a ser criativos. Os videotapes amassavam as fitas e essas eram reaproveitadas eliminando-se a parte ruim. Era um trabalho manual e lento. Criamos, com madeira e peças usadas, uma máquina simples para rebobinar as fitas e o trabalho ficou eficiente. As baterias de câmeras e VTs tinham vida útil muito baixa, criamos um equipamento que analisava cada célula das baterias, assim reuníamos as melhores células, montávamos novas baterias e dávamos uma sobrevida a cerca de 60% delas. Havia 8 VTs e apenas 2 equipamentos para a estabilização de imagens que eram muito caros, os Time Base Correctors (TBCs) em cuja entrada os sinais dos VTs eram comutados, no entanto eram sub utilizados, pois a comutação não contemplava a radiofrequência para a correção dos sinais  quando o defeito era causado por amassados ou perda de óxido das fitas. Criamos dois equipamentos que associados às matrizes que comutavam o sinal de entrada comutavam também a radiofrequência e disponibilizamos esse recurso.

      A inventividade sempre foi nosso forte. O primeiro prêmio de jornalismo de relevância  nacional que a a empresa ganhou era sobre a piracema no rio Mogi Guaçu e que mostrava imagens subaquáticas. Não dispúnhamos de equipamento para isso e nós desenvolvemos uma caixa blindada na qual enfiávamos uma câmera grande e extraíamos o seu sinal. A dificuldade foi fazê-la afundar e torná-la manobrável. Fizemos dezenas de testes com esse aparato na caixa d’água da empresa antes de disponibilizá-lo para a operação.

      A transmissão dos evento era um capítulo à parte. Desmontávamos metade da emissora, enfiávamos tudo dentro de uma Kombi, viajávamos para o local da transmissão e fazíamos a instalação. Dava muito trabalho, cansaço e estresse pois a possibilidade de algo dar errado era muito grande. Surgiu então a necessidade de se construir uma unidade móvel e a empresa apostou na nossa capacidade. Comprou um furgão e, a nosso pedido, ferramentas de serralheria e fizemos a integração do carro para transmissão dos eventos. Era uma estrutura fixa, com o cabeamento já posicionado, os locais dos equipamentos já determinados, criamos multicabos e disponibilizamos energia para os equipamentos e comunicação para os operadores. Mesmo assim tínhamos que desmontar metade da emissora, mas os instalávamos no carro ainda na emissora, os testávamos e chegávamos ao local do evento com a instalação praticamente pronta. A estreia foi em uma corrida de rua em Campinas e foi um sucesso. Entre um evento e outro o carro era utilizado para o transporte de equipamentos pesados de iluminação para as gravações externas de comerciais.

      Essas foram apenas algumas das muitas as vitórias técnicas, porém a principal foi o amadurecimento. Eu não tinha visão clara de carreira profissional, mas percebia que não haveria muita competição e tudo foi dando certo e eu me tornando arrogante. Eu “protegia os meus” e atirava em todas as direções com empáfia e com força desnecessária, mas tive tempo de me recuperar. Eu dispendia muita energia para sempre estar alerta, pois da mesma maneira que disparava eu levava chumbo. Aos poucos fui percebendo a minha ignorância, curando feridas e remendando situações. Finalmente compreendi que o importante não é “causar” quando se chega, mas o que de bom foi construído antes de sair. Assim me sinto feliz sabendo que lá deixei um bom legado e amigos melhores ainda. É um daqueles lugares em que posso sempre retornar e ser bem recebido. Faço, portanto, a minha homenagem a todos que trabalharam comigo, me suportaram nos dois sentidos: me ajudaram e aguentaram a minha bizarrice, pois em todas as coisas boas que foram criadas eles fizeram a maior parte. Muito obrigado amigos.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Na minha vez, muda!

      No trânsito, se estou em uma faixa ela segue mais devagar do que a vizinha, se troco, a nova pára e a antiga anda. Como diz um colega, na minha vez, muda. O mesmo ocorre na fila do banco e no caixa do supermercado, aliás, aqui em Salvador fila do caixa de supermercado é um martírio, mas na minha vez, muda.

      Quem, como eu, cresceu no tempo da ditadura militar passou do período do tudo é proibido aos dias de hoje onde tudo é permitido, na minha vez, muda!

      Naquele tempo aprendíamos na escola a ter respeito para com os mais velhos. Me lembro claramente da professora da segunda série dizendo que deveríamos respeitar os pais, que não devíamos perturba-los quando eles chegavam em casa, pois estavam exaustos trabalhando para nos dar o melhor. Hoje é diferente, ai do pai que ao chegar em casa não dê atenção ao filho. Será rotulado como ausente. Na minha vez, muda. Havia o almoço de domingo, e a comida era especial: macarrão com frango. A coxa, evidentemente, era para o pai. Hoje essas não são os pratos especiais, mas a coxa também não é do pai, na minha vez, muda.

 Meu avô, meu pai, meu filho e eu em 1988

      Na semana passada meu pai teria completado 82 anos e eu conversava com o meu filho e dizia da saudade que tenho dele. Meu pai nunca me levou à escola, nunca fez a minha matrícula e nunca sabia em que série eu estava, mas me dava um conselho: se você não quiser ficar como eu, estude. Meu pai nunca leu uma estória para mim, nunca me levou a festas e nem a viagens, no máximo fomos nadar no rio Tietê onde também pescamos juntos umas poucas vezes. Me lembro, ainda na fase dos 3 anos, que ele almoçava em casa e se deitava após o almoço e eu me deitava com ele, depois, quando ele saia para trabalhar me levava de bicicleta até a esquina de onde eu voltava correndo. Me lembro também das 3 vezes em que apanhei dele e da correia de couro que ficava atrás da porta da cozinha que era usada para castigar mim e aos meus irmãos. Essas são situações hoje inadmissíveis e ainda que na minha vez tenha mudado, não posso esquecer da bondade que meu pai tinha, não se tratava de fazer caridade ou oferecer o que sobrava, mas dividir o pouco que se tinha. Também não posso me esquecer do comprometimento com o trabalho. Para quem como ele ficou muito tempo desempregado depois de ter participado de uma greve no período da ditadura, fazia questão de me mostrar a importância do trabalho e da retidão de caráter, talvez meu maior patrimônio, e espero que isso não tenha mudado.

domingo, 10 de novembro de 2013

Inspiração

      Minha opinião não vale nada, mas a publico pela necessidade de escrever. Escrever é uma arte, é para quem sabe, e é para poucos. Quem não sabe, mas precisa escrever, tem que se esforçar muito e isso é o que tento fazer.

      Desde o meu último post comecei a escrever várias vezes e não concluí nenhum texto. Foram todos abandonados por falta de conteúdo, conhecimento e ordem na escrita, mas motivos não faltaram. Foram tantos na política, economia, religião, esporte e futilidades, mas nada disso rendeu um texto minimamente aceitável.

      Exatamente por não ter talento preciso de um tempo maior para produzir algo, e tempo nessa época do ano me é um bem muito escasso, e o que me sobra uso para treinar, pois a taxa de triglicérides não me oferece melhor opção.

      Já me disseram muitas vezes que escrever bem é uma questão de prática. Eu concordo, pois tudo na vida é assim. Sempre que nos dedicamos a uma atividade melhoramos nosso rendimento, mas isso apenas não nos torna talentosos, apenas nos deixa melhor que a média.

      A excelência é resultante da combinação de talento, que é inato, e dedicação. Em qualquer atividade para a  qual não se tenha talento e não se pratica, o resultado é medíocre. E as duas combinações: talento sem prática e prática sem talento resultam em um resultado apenas razoável, talvez com um pouco de vantagem para a primeira. Porém quando se tem talento e esse é exercitado o resultado sempre é, no mínimo, bom.

      Uma das práticas da escrita é a leitura, e até isso tenho feito pouco. Muito menos do que gostaria. Não estou fazendo mas também não esqueço. Sei que estou devendo. Espero que em breve eu possa retomar minha rotina e voltar a fazer o que gosto e o que preciso.

domingo, 9 de junho de 2013

É a Empresa!

      O mundo é selvagem. A vida na terra é naturalmente uma luta pela sobrevivência tanto na flora quanto na fauna, incluindo a raça humana. Há alguns lampejos de racionalidade mas isso não garante vida fácil para ninguém. É necessário lutar, e muito, para conquistar espaços e se desenvolver no conjunto formado pela democracia e capitalismo, mas parece que muitos não entendem isso.

      Na semana passada conversei com um colega cuja carreira pude influenciar por duas vezes mas acabamos nos afastando, e fiquei triste. Ele está no mesmo estágio de desenvolvimento profissional há anos e buscando um culpado pela situação. E o mais apropriado é a "empresa". É a empresa daqui, é a empresa dali, a empresa fez isso, a empresa faz aquilo, e ele? Fez o quê para mudar a situação?

      Depois de ter flertado com o fanatismo evangélico se mostrou meio cético, descrente e revoltado. Não sei exatamente qual é a sua situação financeira, mas não é um pobre miserável, seus rendimentos passam ao largo da turma do salário mínimo e média salarial brasileira. Mas não faltam queixas e certezas, e, principalmente, está se armando para "procurar pelos meus direitos". 

      Pelo que sei ele trabalha 8h por dia começando às 6 da manhã e só. Durante esse período em que nos conhecemos já passei por dois cursos superiores (estou pensando no terceiro), duas pós graduações, continuo praticando inglês às vezes espanhol, e ele? Sim, ele frequenta academia (coisa que também faço) e está "marombado". Deixou de ser raquítico para ser "bombado". Ele entende que tempo de trabalho é razão suficiente para ficar rico e que se ele não chegou lá é porque a empresa é ruim.

      Ele lidera um grupo de descontes. Destila o mau humor desde cedo e durante o dia todo e fica bravo quando não consegue aprovação para as suas teses. A ideia é fixa e conversa sobre assunto diferente não flui. Não sei se foi por falta de intimidade, mas não consegui dizer à ele o que estou dizendo aqui. Acho que enviarei o link como leitura recomendada.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Deixar Rastros


      Na semana passada trabalhei muito. Não foi a primeira vez e espero que nem seja a última. Fui envolvido em um projeto que já estava em andamento e junto com a equipe fizemos uma operação quase que de guerra para cumprir as metas e finalizar o projeto no tempo necessário. Ao final tudo deu certo e todos nós gostamos do resultado.

      Há muitas áreas de trabalho na engenharia como projeto, manutenção, vendas, instalação entre outras. E é de instalação que eu mais gosto. Para vendas eu não tenho talento nenhum. Não sei me relacionar de maneira agradável o tempo todo e com todo mundo e muito menos jogar com incertezas de quem pode prometer e não conseguir cumprir. Fazer projetos é bom, mas se ele não for realizado não passa de papel. Nessa área se realiza quem pode abstrair e dizer que ele teria ficado muito bom se tivesse sido concluído, o que não me satisfaz. Eu sei fazer manutenção. Tenho uma característica que não sei de onde vem, mas que me faz distinguir instintivamente o que é causa e o que é efeito e isso faz toda a diferença, mas o que me desagrada é que é um serviço muito ingrato, pois você só é lembrado por algo ruim, já que funcionar é obrigação.

      Instalar é outra estória. Você pega um papel cheio de desenhos ou mesmo sem papel nenhum, tem um monte de caixas com muitos equipamentos novos, um local, no mínimo, ajustado, e vai encaixando as peças, encontrando soluções, fazendo testes e pronto. Daquele monte de coisas algo se materializou. Se realizou. Caso ocorra problemas depois do produto ter sido entregue o problema passa a ser da manutenção. E quando isso ocorrer você já estará em outro local fazendo outro sonho se materializar.

      Tenho um amigo que diz que engenheiro tem que deixar rastros, deixar pegadas, e eu concordo. E durante a minha vida profissional pude concluir várias implantações. É claro que em nenhuma dessas trabalhei sozinho, sempre trabalhei com equipes ótimas, cada elemento com a sua característica, cada um com a sua habilidade, e quando se consegue distribuir as tarefas de acordo com as capacidades o serviço simplesmente flui, o resultado aparece e a pegada está impressa.

      A última semana foi de muito cansaço físico, de muito trabalho e poucas horas de sono, aliás, sono havia, não havia como dormir por mais tempo. Também teve algum estresse, pois adaptamos o que já estava em andamento, assim tivemos algum retrabalho, mas isso faz parte dessa atividade e o que importa nesse caso é o resultado. Atingimos o objetivo e deixamos mais uma pegada, mas agora é hora de voltar à rotina e colocar em dia o que deixamos para trás.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Meu 2011.


      Mais um ano do qual não tenho muito a reclamar mas tenho muito que agradecer. Não estou acostumado a ficar tanto tempo sem comemorar um título significativo do SPFC, mas não foi dessa vez. Um querido tio de 72 anos teve diagnosticado um problema de saúde que está sendo tratado, e uma cunhada teve infarto mas já se recuperou. Em agosto tomei um susto quando a minha filha sofreu um acidente de trânsito na rodovia, mas não passou disso, um susto, e de mais grave, só isso. Aborrecimentos, sim, tive alguns, mas fazem parte da convivência, da profissão, e do dia-a-dia, servem até mesmo de referência para medir o quanto a vida me deu de bom.

      Em termos de família temos avançado, cada vez mais unidos, maduros e fazendo planos. Em 2012 minha filha terá uma clínica só dela, minha esposa continuará com os trabalhos voluntários e meu filho está cada vez mais próximo da gente. Através de uma rede social fui encontrado por um amigo que há muito não tínhamos contato mas que foi determinante em minha formação. O considero como sendo um dos meus primeiros bons professores. Foi com aquela turma, e principalmente com ele, que tomei gosto pela leitura e conheci alguns autores clássicos de filosofia, religião e história. E o melhor de tudo é que pude dizer isso a ele. Como trabalho com tecnologia tenho uma ideia de como essas coisas funcionam, mas fiquei encantado por ter conversado e visto a imagem ao vivo de uma amiga que estava em um navio russo de pesquisas próximo do polo norte e eu no sofá de casa. Incrível.

      Profissionalmente foi um ano produtivo. Em gestão melhorei alguns resultados que não havia alcançado em 2010 e fizemos muita coisa, inclusive criando alguns postos de trabalho. Nem tudo andou na velocidade que eu gostaria, mas dentro das possibilidades, até que fomos bem e cumprimos as metas estabelecidas. Há mais cidades recebendo o sinal digital e outras com a instalação pronta aguardando apenas pelas autorizações. Por atraso no fornecimento de equipamentos não conseguimos iniciar as produções em alta definição, mas as instalações estão preparadas e em poucos dias isso ocorrerá. Devo tudo isso à excepcional equipe com a qual trabalho. É assim mesmo, eles trabalham e eu levo a fama.

      Como esperado, passadas as eleições a economia piorou e o governo vagueia entre pagar as contas e se manter no poder. O povinho corrupto esse brasileiro! Quanta roubalheira, pouca vergonha, desfaçatez. Não é justo que gente honesta e trabalhadora se faça de joguete na mão desses cínicos travestidos de autoridades, e o pior, não há solução fácil, indolor ou rápida. Nesse quesito temos que nos lembrar do título do filme: À Espera de Um Milagre.

      Estive nos Estados Unidos duas vezes. Na primeira para trabalhar mas tirei alguns dias para me distrair. Voltei à Nova York onde fiz compras e visitei museus, como o imperdível Metropolitan, e em Washington fui ao Aeroespacial, História Natural, da Espionagem e ao aquário, além de ter ido a alguns memoriais, ao Capitólio e à Casa Branca. No Arizona fui ao Grand Canyon e à usina Rover Dam e em Nevada, a Las Vegas, onde assisti a 3 shows, incluindo o Cirque De Soleil: Viva Elvis, e o Rei Leão. A esse último eu não teria ido a não ser, como diz a música: O que a gente não faz por amor! Pois fui com a minha esposa e ela queria muito. Nessa viagem passamos 10 dias juntos e sem brigar. Divertimo-nos bastante, foi excelente.

      Do ponto de vista físico me saí muito bem.  Preparei-me como planejei e em setembro com dois amigos percorri os 540km do Caminho da Fé em apenas 4,5 dias. Senti orgulho em conseguir sprints de mais de 20km a mais de 20 km/h com mountain bike em estrada de terra depois de ter percorrido mais de 100km com muita subida. A resposta do meu corpo foi fantástica. Como preparação andei muito, e só em agosto pedalei mais de 1200km. Saia para pedalar às 6 da manhã mesmo com chuva e frio, ou mesmo com muito frio, mas deu resultado. Fiquei mais forte, mais resistente e com menos gordura no corpo. Como valeu muito a pena, terá mais no próximo ano. Estou editando para contar um fato que ocorreu no dia 13 de agosto. O Rodrigo, o Alex e eu estávamos treinando para o Caminho da Fé e fomos de São Carlos aVargem Grande para nos testarmos. Entre Tambaú e Casa Branca, em um trecho de asfalto com forte descida formou-se um redemoinho com uns 10m de diâmetro. Imagino que o vento estava a uns 60km por hora e não tivemos opção. Passamos pelo seu interior. Ao entrar a bicicleta foi deslocada lateralmente, freio bruscamente e no lado oposto foi deslocado para o lado oposto. Havia muita poeira, folhas e galhos rodando em torno da gente. Foi uma sensação indescritível.

      Ainda não consegui uma boa desculpa ou uma boa maneira para voltar a cursar algo sério, que faça diferença em minha vida, e isso está me fazendo falta, mas com os planos que tenho estou impossibilitado de levar isso adiante. Esse tema será recorrente até que eu o encare de frente, e falando nisso, também não estou satisfeito com a minha escrita. Preciso urgentemente de alguém que me ensine a escrever. Já vi que posso relatar, mas não sei escrever, e como não tenho talento preciso de técnica, e como não gosto de estudar, mas apenas de aprender, vou ter que cair na mão de alguém. Também não estou estudando inglês ou espanhol, mas estou querendo aprender um pouco de russo.

      Essa é a minha maneira. Confusa? Misturada? Sim, mas está dando certo. Que venha 2012.

sábado, 17 de julho de 2010

A Última Aula

      Foi a última aula porque ocorreu ontem, não porque não haverá outras. Ontem o ex-diretor veio despedir-se de nós que trabalhamos com ele e, evidentemente, almoçamos juntos. Foram cerca de 3 horas em que mais ouvi do que falei, o que é muito difícil de ocorrer, pois às vezes me considero um bom falante e péssimo ouvinte. Ouvi atentamente o relato de várias situações e de todas as suas razões para desligar-se da empresa que ele considera excelente, e que é também aquela em que ele trabalhou por mais tempo, mas com tal clareza não posso deixar de lhe dar razão.

      Trabalhar é bom, e para muitos como eu, é também necessário, mas há várias maneiras de se trabalhar, pode-se fazer o que se pede, fazer o que precisa ser feito ou fazê-lo porque se gosta. Isso pode ser um fardo ou um prazer que depende de vários fatores. Já fiz a seguinte pergunta a várias pessoas: o que mantém uma pessoa na mesma empresa por muito tempo? Invariavelmente as respostas passam por competência e honestidade. Meio certo! E como dizia um professor que tive, um teorema meio certo é totalmente errado. Honestidade não é uma qualidade que se deseja, ser honesto é obrigação, e competência que é sim desejável, nem sempre é o fator decisivo, pois sempre que se trabalha em grupo, um supre a dificuldade do outro, e se o menos habilidoso é uma pessoa boa, daquelas que todo mundo gosta, ele vai ficando, fazendo as suas tarefas que com o tempo se aprende de tanto repetir e vai levando a vida... Para mim só permanece por muito tempo aquele que assimila a cultura da empresa, sim, pois embora haja alguns padrões de funcionamento, cada empresa tem a sua própria identidade, e decifrá-la é imperioso para quem quer se manter, digamos, estável. É claro que ao longo do tempo ocorrem desgastes, mas o adaptado se sente bem, já aqueles que não se identificaram com a empresa ou sairão logo ou serão os eternos descontentes.

      É doentio ficar brigando com tudo, com todos e com o mundo, já, fazer o que se gosta é saudável, principalmente na vida profissional que é o longo período em que a pessoa é mais produtiva, e o local de trabalho costuma ser aquele onde mais tempo se passa e também onde os maiores relacionamento se desenvolvem. Porém quando se é empregado nem sempre é possível fazer somente o que se gosta, há sempre alguns processos, ritos e formalismos a serem cumpridos. O conhecimento aumentou, a tecnologia se desenvolveu e a riqueza cresceu, mas os tais processos são perpétuos e modificaram-se apenas para dar mais trabalho. Há 20 anos os assuntos profissionais eram tratados com ofícios e memorandos datilografados, os internos eram distribuídos manualmente e os externos enviados pelo correio, eu costumava emitir cerca de uns 250 a 300 por ano, ou seja, menos de um por dia. As ferramentas imediatas eram o telefone e o fax, que já havia sido a inovação, pois antes era o telex. Após a expansão das comunicações e da internet com os seus e-mails, com o telefone celular e com as planilhas de cálculo, o imediatismo aumentou e a quantidade de informação ganhou a estratosfera. Fico constantemente conectado, recebo e manipulo pelo menos umas 40 mensagens pertinentes ao dia, fora o monte de lixo, muitos dos quais apago sem ler, e sempre tenho uma tabela para analisar. As ferramentas são boas? Sim, mas a exigência é grande e administrá-la toma mais tempo do que, no meu caso, fazer engenharia.

      Além disso somos governados por uma legislação trabalhista arcaica. Muitas vezes vemos reportagens de trabalho escravo no campo ou sem condições de segurança na cidade, onde e a lei é necessária, mas não necessariamente cumprida. Já nas corporações mais sofisticadas onde o nível mínimo de educação exigido é o chamado segundo grau e onde predominam os funcionários que possuem cursos de graduação, essa tutela é totalmente desnecessária e inaceitável. Apesar da tecnologia possibilitar, os processos não se modificam porque a lei não permite e os sindicatos não participam para o avanço, mas influenciam apenas para continuar arrecadando e gerando um punhado de políticos retrógradas, corruptos e interessados em aparelhar o estado e perpetuar-se na mamata. Dessa maneira temos que continuar engessados em bancos de horas, horas extras, documentos inúteis e produtividade baixa. Por que isso não pode ser diferente? Não seria possível ser remunerado pela função e poder escolher como, onde, quando trabalhar e produzindo o que se espera? Essa não é uma relação mais justa e digna de duas partes mais esclarecidas e comprometidas?

      Pois é, quantas pessoas têm capacidade para perceber isso e mesmo precisando trabalhar têm a coragem de dizer: para mim isso basta. Quero qualidade de vida, vou fazer ciência e viver do meu conhecimento. Essa foi a minha última aula.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Missão cumprida.

      A partir de hoje as cidades de São Carlos e Araraquara passaram a contar com a transmissão digital de televisão. No fórum oficial do sistema brasileiro de televisão constam apenas 29 cidades onde já existe esse serviço, e estamos falando de um universo de mais de 5.500 municípios do país.


      Vimos trabalhando na infra-estrutura a um bom tempo, mas efetivamente esse projeto foi iniciado no apagar das luzes do ano passado, assim, em cerca de seis meses o concebemos, negociamos, recebemos os equipamentos, os instalamos e fizemos com que funcionasse. Hoje foi um dia de celebração e de vermos o resultado no ar: tecnicamente perfeito.

      Foi mais uma realização em minha carreira de engenheiro, mas é também um momento de reflexão. Hoje fiquei contente, mas a alguns dias fiquei feliz. Fiquei feliz porque ao chegar de viagem, ainda no pátio, várias  pessoas da equipe vieram falar comigo sobre o trabalho, e senti na voz e nos olhos deles a motivação e a vontade de vencer os desafios. Naquele momento reconheci tudo aquilo que já havia lido em livros sobre administração: esse é o meu papel. Além de ser um facilitador de recursos e de montar uma boa equipe, mantê-los motivados é o segredo.

      Apesar de possuir uma longa estória em televisão analógica, hoje estou aprendendo com eles o que é TV digital; eles conhecem isso muito mais do que eu, eles aprenderam, trabalharam muito e mereceram todos os muitos elogios e os parabéns que recebemos. Eles fizeram por merecer o reconhecimento, não apenas pelo resultado excelente, mas também pela qualidade da execução. Para os leigos só o produto final importa, mas para aqueles que são da área, entendem o que foi feito e conhecem as minúcias, aqui tiveram uma aula de qualidade. Essa equipe vale ouro!

      Todos da equipe trabalharam e também recebemos algumas ajudas pontuais de pessoas de fora. Cada um com a sua capacidade, cada um com a sua habilidade, cada um com a sua contribuição, e a soma se fez altamente positiva. Todos foram importantes e escreveram com méritos seus nomes nessa estória bonita. Fica meio estranho citar nomes pois o mérito é de todos, mas tenho outra preocupação, também faz parte do meu trabalho formar alguns para que estejam prontos para assumir a minha posição, já que atualmente tenho mais passado que futuro. Com esse espírito, e apesar da indiscrição, há cinco pessoas que se mostraram diferenciadas nessa tarefa: nosso diretor Wilson Martins que não mediu esforços para aprovar o projeto e esteve conosco muitas vezes, mesmo aos sábados e domingos, e inclusive, também sem almoço! Ao Donizetti, Supervisor da Retransmissão, que já trabalhou nesse ano mais de 400 horas além da jornada regular. Ao Rodrigo, Engenheiro de Manutenção, o nosso Google, o que tudo sabe, e que realmente assumiu o trabalho com uma garra indescritível. O Fábio, Técnico de Retransmissão, que em Araraquara sempre tinha, a meu ver, as melhores respostas. E a Andresa, que realizou os nossos processos de importação e que, apesar do vulcão na Islândia, colocou todos os equipamentos em nossas mãos a tempo de serem instalados. É evidente que sou grato a todos e me orgulho de todas as tarefas realizadas, mas entre todos os que vão para a guerra há sempre aqueles que colocam a faca entre os dentes e mostram para o que vieram.

      Eu sei que exagerei em alguns momentos nas críticas e nas cobranças, mas faço isso porque eu posso. Posso porque estou com eles, se peço para refazer um trabalho é para que eles fiquem com raiva de mim que estou junto, mas quando alguém de fora vir o trabalho realizado, não façam críticas, mas lhes dêm o que tivemos hoje: um dia pleno.

      Parabéns meus amigos, vocês se superaram e me surpreenderam, e isso me trouxe uma dúvida: será que a empresa conseguirá nos pedir algo difícil?