Há vários assuntos sobre os quais pretendo escrever e alguns deles até iniciei, mas por falta de inspiração estão na geladeira aguardando o meu não-sei-o-quê para continuar. Quando escrevi Conversa no Elevador me referi às frases muito honesto e semi-analfabeto, e comecei a escrever também sobre uma expressão comum à linguagem de professores e que também é moda nas administrações: a troca de experiências. Lendo a publicação Daydream believer no blog que sigo: Mundo da Val ( http://mundoval.blogspot.com/ ), fiquei com vontade de continuar a falar sobre isso, pois a descrição que a Valéria faz vem maravilhosamente bem ao encontro do que penso.
É possível que com a expressão troca de experiências se queira remeter à troca de informações, porque experiências não são passíveis de troca. Troca-se aquilo que é objeto ou objetivo, mas não o subjetivo. Se duas pessoas vêem juntas o por do sol elas não estão vendo a mesma coisa, pois os ângulos são diferentes, a acuidade visual é diferente e, principalmente, a sensação é diferente, uma pode gostar do que viu e a outra não.
Já me vi na enfadonha situação de visitar um amigo e ele querer mostrar-me todas as fotos de sua última viagem. Tudo bem que eu gosto dele, mas ele não precisava exagerar; meia dúzia já seria suficiente, mas como eu poderia interrompê-lo se ele fazia isso com enorme satisfação? Sim, o lugar é bonito, entendo que ele se divertiu e aproveitou muito, mas para mim foi o suficiente, bastava saber que ele estava bem, mas tive que contribuir para o prolongamento da felicidade dele mesmo sendo para mim, um verdadeiro tormento. Gostei de saber de algumas particularidades do lugar e de algumas situações cômicas, mas graças à tecnologia, são mais de 500 fotos. Se a viagem tivesse ocorrido a uns 20 anos seriam apenas umas 50 e eu não passaria por isso. O que aprendi dos lugares por onde ele andou foi simplesmente informação recebida, mas as sensações que ele teve eu jamais as terei, ou seja, não houve troca de experiências.
Por mais íntimas que as pessoas sejam e por mais afinidades que tenham, nem mesmo assim essa troca é verdadeira. É possível imaginar um momento mais comum que a relação sexual? Nem mesmo nesse momento se compartilha e mesma experiência porque os sentidos e sentimentos são diferentes, e até mesmo por não ser possível quantificá-los como poderiam ser trocados? Pode ser bom ou ruim para um ou para todos, mas não dá para um ir embora com o sentimento alheio.
Quando transportada para o meio profissional, a tal troca fica totalmente sem sentido, pois além de não significar nada, alguns sempre se acham superiores e tentam impor o seu modelo aos demais e defendem a sua experiência como produto de conhecimento e eficiência ímpares, produzindo um resultado sempre inútil. Nesses casos é melhor ser objetivo e prestar informações desprovidas de emoção, e quem tem capacidade que as avalie e aproveite, quem não tem, bem...que continue trocando experiências.
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