Os esportes se assemelham quando são vistos sob a ótica dos números. A maior vitória é a que está por vir, o melhor é aquele que mais venceu, e o recorde é insuperável até que seja batido. Mas o que faz a beleza do futebol é uma particularidade, ao contrário da maioria deles, no futebol uma equipe fraca pode ganhar de uma forte. Basta ficar na defensiva, fazer um gol em um golpe de sorte e deixar o tempo passar sendo sufocado e rifando a bola (a expressão rifar a bola significa chutá-la de qualquer jeito desde que para bem longe da própria área). Sobre os demais podemos dizer que são como o carnaval e o natal, todo ano tem, já o futebol é como o dia 29 de fevereiro, pois a copa do mundo só acontece a cada quatro anos.
A despeito dos erros técnicos que foram cometidos por essa seleção, o maior problema é estrutural. Apesar do nosso país ser um celeiro de craques, os nossos campeonatos são deficitários, um fracasso de público, de organização, e formado por clubes endividados. Temos um sistema onde as federações e a confederação não representam os clubes, mas se impõem politicamente. Sendo a indústria do esporte uma das que possuem maior dinamismo financeiro, é natural que, em uma nação de aproveitadores, muitos dos dirigentes queiram tomar o seu quinhão. Por isso vemos resultados comprados, jogos cancelados, escalação de jogadores para que sejam valorizados e posteriorment negociados, e o público, bem, o público é apenas um detalhe movido pela paixão e convenientemente acéfalo também chamado de torcedor.
Apesar da eliminação o show continua e 2014 já está ali. Pra dizer a verdade, já estamos atrasados, pois ainda não foram iniciadas as obras necessárias para a realização dos jogos. São obras gigantescas que extrapolam os estádios, esses são meros detalhes perto da necessidade de transporte, hospedagem, segurança, hospitais, comunicações e outros tantos serviços. Estamos falando da ordem de alguns bilhões de dólares e quanto mais demorarmos, mais caros serão os custos, e mais oportunidades para desvios de recursos, porque a maioria dos projetos será custeada e gerida pelo governo, ou seja, com o nosso dinheiro, e agora que o Morumbi foi desqualificado em retaliação ao apoio do São Paulo à oposição na eleição para a presidência da CBF, a nossa conta aumentou, pois o governo terá que construir também uma arena.
Porém se alguém está pensando que por ser aqui iremos ver os jogos nos estádios, esqueçam, isso é para estrangeiros, pois os ingressos custam uma pequena fortuna e são vendidos em um sistema de reserva e sorteio, você pode querer assistir a um jogo da Alemanha x Holanda e ter o ingresso para Gana x Grécia. Mas não importa, o compromisso está assumido, daqui a quatro anos estaremos, por um mês, em todas as manchetes. Se seremos bem vistos eu não sei, mas sei muito bem quem irá pagar a conta.
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