Senhor Fernando Henrique Cardoso, ou como acostumamos chamá-lo, Fernando Henrique ou simplesmente FHC, fui seu eleitor ao senado, primeiramente de maneira indireta, pois votei no Franco Montoro, do qual o senhor foi suplente, e com a renúncia desse para assumir o governo paulista o senhor foi alçado ao senado, depois diretamente em 1986, e também nos dois mandatos consecutivos de presidente. Confesso que acompanhando a sua vida pública de longa data, me envergonhei em alguns momentos, nem sei dizer se foi por fatos ou boatos, mas houve o episódio de sentar-se na cadeira de prefeito e perder a eleição no dia seguinte, ou o da maconha com o tal fumei mas não traguei, teve ainda aquela estória de ser ou não ateu muito bem explorada pelo Jânio Quadros, ou aquele sobre a mudança na idade mínima para a aposentadoria onde se referiu a alguns como vagabundos, e ainda ter que, em campanha, comer buchada de bode. Esses são momentos que a imprensa destaca para glorificar-se, e a oposição os utiliza como armas, mas são apenas questões menores, o pior foi ter que se aliar, a fim de que suas propostas fossem aprovadas, a um congresso adesista típico do PMDB que se serve do governo. Apesar de saber que não existe outra maneira a não ser ceder os dedos para salvar os braços, não me é fácil aceitar.
Senhor Fernando Henrique, ainda que seus detratores digam que o senhor não foi exilado, mas que apenas fugiu para o exterior durante a ditadura, o que importa é o legado, e desde a sua notada participação na defesa das Diretas Já e na Assembleia Nacional Constituinte, passando depois pelo Ministério das Relações Exteriores e, para minha surpresa e incredulidade, como Ministro da Fazenda, pois juro que não acreditava que aquilo desse certo, principalmente em um governo de início pífio do titubeante Presidente Itamar Franco, no entanto aquela gestão foi a chave para a modernização do país. Ainda que tenha havido erros, como a demora na liberação do câmbio, ou a supervalorização do Real por um longo período, ou ainda a elevada taxa de juros que apesar de ser nociva se fazia necessária, além de alguns escândalos isolados como o vazamento de informações da desvalorização cambial e daquela estória mal contada do Sivam, o senhor mostrou autoridade quando não interveio no processo de liquidação do banco da família de sua nora, além disso, na crise conhecida como apagão, gerada por sucessivos descasos, falta de planejamento e prolongada estiagem, a atuação do seu governo como gabinete de crise foi determinante, ainda que impopular.
Senhor Fernando Henrique, qualquer partidário do PSDB poderia cantar loas às suas realizações, mas a mim foram destaque as diretrizes, como o absurdo de ter que editar a lei de responsabilidade fiscal e a reforma do estado com a implementação das agências reguladoras, livrando os setores produtivos dos destemperos políticos, ganho que o atual governo enterrou submetendo-as à incompetência do corporativismo e do sindicalismo. Além disso, a visão de estado e de futuro, que alçou o Brasil de coadjuvante a protagonista das economias emergentes e membro do acrônimo BRIC cunhado pelo mercado financeiro e, principalmente pela estatura moral, fazendo-nos um postulante direto e legítimo a ser membro permanente do conselho de segurança da ONU. Sem falar é claro, da liderança política na América Latina e trânsito em todo o hemisfério norte.
Senhor Fernando Henrique, hoje que saímos de uma eleição, na qual o populismo venceu, e a oposição débil além de ser incompetente, não fez jus aos avanços conseguidos em suas gestões, sou obrigado a reconhecer, eu que o critiquei durante todo o seu governo agora vejo que para o pior não tem limite, e afirmo que em nosso cenário político há falta de pessoas com a sua qualidade, formação e caráter, por isso, junto a outras poucas pessoas vejo o senhor como sendo uma daquelas a quem eu gostaria de conhecer pessoalmente e poder apenas dizer-lhe: obrigado por existir.
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