Quando pensei em escrever esse artigo eu tinha apenas dois motivos para não gostar do SAAE, mas depois de visitar-lhe, ainda que superficialmente, a web page, as razões elevaram-se a quatro. Tenho até medo de inteirar-me de todos os detalhes, pois se o cheiro já não é bom, imaginem a substância. SAAE e o acrônimo da autarquia municipal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos, cuja especialidade é fazer o mesmo serviço várias vezes além de esburacar as já mal cuidadas ruas da cidade.
As mountain bikes são confortáveis, possuem suspensão, pneus macios com apenas 40 libras de pressão, e são construídas para percorrer trilhas, passar por buracos e dar alguns saltos, já as speeds são projetadas para atingir alta velocidade, são duras, pneus com 100 libras, freios ruins e pouca aderência, logo, para provocar queda, uma pequena irregularidade no terreno é suficiente, e isso é o que não falta em São Carlos, pois o SAAE, travestido de agente de trânsito, se encarrega de reduzir a nossa velocidade. Aconteceu na minha rua o que se vê em toda a cidade. A prefeitura concluiu o serviço de recapeamento em uma sexta feira e na terça o SAAE já tinha aberto um buraco em toda a largura da rua, a poucos metros da minha casa. E o serviço é padrão: interdita-se a rua, utiliza-se ferramentas de cortes, de perfuração, de escavação, empesteia-se de lama o local e mais umas duas quadras à frente, coloca-se terra, deixa-se que os carros façam a compactação e depois aplica-se uma camada asfáltica vagabunda com uma compactação pior ainda que deixa um caroço no asfalto, e que após as primeiras chuvas já começa a perder as bordas. Dessa maneira, caroço após caroço, transitar de speed, além de arriscado, gera dor de cabeça de tanto chacoalhar o cérebro. Está bem, esse público é minoria, mas o que falar dos carros? Um carro que tenha apenas um ano de uso nesse piso dá a impressão que ira desmontar, pois a partir de 40 km por hora apresenta toda a sorte de ruídos e não ha encaixes ou fixações que resistam. O SAAE além de não nos deixar divertir ainda acaba com o nosso patrimônio.
Quando temos que refazer algum trabalho costumo perguntar aos meus colegas se nós aprendemos a trabalhar no SAAE, pois esse, de cada quatro buracos que fazem nas ruas, três são em locais onde já haviam sido esburacados. Das duas uma, ou a rede subterrânea está podre e a administração não toma a decisão correta de refazê-la ou o serviço de manutenção corretiva é de péssima qualidade. Além do que, o tempo de resposta a um problema é longo. A rua à frente da minha casa é plana, mas as laterais são bastante inclinadas, e em uma delas, a umas 3 quadras acima da minha surgiu um vazamento. Dez dias depois ainda havia uma forte correnteza passando pela esquina. Adivinhem como ficou o local do vazamento após esse ter sido consertado. Adivinhem também se não quebraram no mesmo lugar onde isso já havia ocorrido. A aposta agora é quanto tempo se passará até que um novo vazamento venha ocorrer naquele local.
Esses foram os meus desapontamentos iniciais, mas vendo o balanço financeiro da empresa, concluí que 81milhões de reais é compatível com o serviço em uma cidade com cerca de 230 mil habitantes. Quatrocentos e vinte e dois funcionários efetivos me parece ser pouco para fazer todo o trabalho, o que justifica o longo prazo para a solução dos problemas, 14 funcionários afastados por licença médica e licença gestante, OK, normal, mas 39 aposentados por invalidez, não sei avaliar, talvez haja alguma explicação plausível, no entanto, 88 funcionários comissionados! Imperdoável, um descalabro! A cada 5 contratados para trabalhar tem um contratado para receber. Não bastaria que os diretores e uns dois assessores para cada diretoria fossem nomeados? Um grupo executivo com cerca de 10 pessoas já seria suficiente, e não há nada no mundo que justifique moralmente essa quantidade de apaniguados. Para mim isso é revoltante.
Verificando o fluxo de caixa vi um pagamento de R$ 326 mil reais para uma agência de publicidade sob a rubrica "propaganda", mas para que? Essa empresa é a única concessionária do serviço público na cidade, não tem concorrência, logo, qualquer cidadão que deseje a conexão à rede de água ou esgoto deve a ela se dirigir, além disso não há nenhuma campanha educativa em andamento, qual seria o real motivo da tal propaganda? Eu nem considero a tarifa tão cara assim, costumo gastar muito mais com supérfluos do que com esse serviço essencial, mas quando assim o faço, eu tomo a decisão e uso o meu dinheiro, mas não os autorizei a utilizar o também meu dinheiro dessa forma. O que realmente houve eu não sei, mas que isso tem cheiro de campanha política, isso tem.
Ainda que a qualidade da água seja boa, o que é obrigação, e que está em início de operação a usina que irá tratar 100% do esgoto doméstico, aliás, o que já não era sem tempo, o que se discute é a qualidade dos demais serviços e a qualidade administrativa, está faltando respeito para com aqueles que pagam a conta e que são, em última análise, os donos da empresa, ou seja, nós, a população.
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