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sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não Apoiei A Greve Dos Caminhoneiros - 3 Motivos


      Não apoiei a greve iniciada pelos caminhoneiros por três simples motivos, a saber:

      1 – Os caminhoneiros não têm tanta força quanto supõem ter e se divulga. Não vi na imprensa nenhum comentário nesse sentido, pois ficou clara a força de paralisação. Com uma campanha iniciada não sei por quem, mas inflamadas por mensagens e lideranças difusas, o país ficou estático e atônito. Faltou combustível, alimentos, remédios, insumos hospitalares, matéria prima, alimento para aves e animais, bloquearam os portos, aeroportos e paralisaram transporte público entre outras consequências? Sim, estrondosamente, sim! Mas isso é como vela acesa e protegida, se autoextingue. O governo não poderia se omitir, mas se não fizesse nada, absolutamente nada, como costuma fazer nas greves de professores, o fluxo de transportes seria retomado automaticamente.  Ocorre que todo desabastecimento que nos atinge também atinge as famílias dos caminhoneiros. Eles também têm pais que precisam de hospital, têm filhas que precisarão da maternidade, têm parentes, filhos até, que perderão emprego e seus próprios boletos não ficarão parado nas estradas, virão via internet e eles terão que honrá-los. A própria população que, em sua maioria, faz uma leitura diferente da situação, e em primeiro momento apóia a paralisação pois está contra tudo o que aí está: preços altos, desmandos, corrupção, etc, a partir de um certo momento será brutalmente penalizada e cada um vai defender o atendimento à sua própria necessidade, além disso, grande parte dos caminhoneiros, seja por entender que o foco não está correto ou por pura necessidade, partirá para o confronto a fim de se deslocar para sua casa. Por si só, esse movimento não duraria trinta dias.

      2 – O foco está errado. A redução do preço do diesel não ocorre por decreto. O preço é consequência, não causa. Comprar a briga dessa maneira é como tratar de gripe com antitérmico e analgésico, quando sabemos que esses são os sintomas, e o necessário é atacar a causa com alimentação adequada, hidratação, repouso e, dependendo do caso, se já atingiu ouvido e garganta, anti-inflamatório e antibiótico. O preço só estará adequado se baixarem os juros e houver concorrência. Para baixar os juros precisamos de um estado menor, que custe menos, que se renegocie a dívida pública, enfim, o que não se faz do dia para a noite. Para haver concorrência são necessárias medidas adequadas, o próprio CADE mostrou uma lista que faz sentido, seria útil, mas por motivos eleitorais, não se falou na privatização da Petrobras. Ninguém é doido de dizer isso publicamente em um período de campanha eleitoral,  mas deveriam. Privatizar a Petrobras significa transferir propriedades, dívidas, equipamentos e até conhecimento, mas não os campos de petróleo. Esses devem ser cedidos através de contratos adequados, não vendidos. E pensando a longo prazo, o petróleo perderá a importância. Já há outras diversas maneiras de se produzir energia renovável e a cada dia essas estão se tornando mais viáveis, o que limitará a importância do petróleo a outros produtos refinados, mas de menor produção.

      O valor baixo do frete também tem explicação. Em 2009 o governo Lula criou o PSI (Programa de Sustentação de Investimentos) oferecendo crédito subsidiado através do BNDS para a compra de caminhões e que poderiam ser pagos em até 8 anos. Entre 2008 e 2014 a venda de caminhões cresceu 4,9% ao ano e o PIB expandia a uma taxa de 2,4% ao ano, ou seja houve um excedente de 288.000 novos caminhões, o que fez com que o frete caísse, 2,9% ao ano. O frete é baixo porque tem muito caminhão. Para se tornar um caminhoneiro não é necessário ter o refinamento de um médico, a precisão de um físico, o rigor de um filósofo, precisa sim de alguma habilidade motora, o que a maioria da população tem, de um nível de instrução básico e muita coragem e determinação. O que muitos têm, enfim, apesar de ser uma vida difícil. Se tornar um caminhoneiro é fácil, é uma opção, e tem muito! Ainda que muitos sejam honrados, distintos e necessários, outros nem tanto, a verdade é que a concorrência é predatória.

      Para não me estender muito nem comentarei o erro estratégico sobre o modal de transportes.

      3 – A paralisação deve ocorrer por livre e manifesta vontade, não por imposição. Não concordo com o tempo que os médicos me tomam na fila do consultório, como posso concordar com que alguém me impeça de realizar qualquer atividade, por mais prosaica que seja, ainda mais quando o direito de ir e vir é cláusula constitucional? Se houver um caminhoneiro queira passar e ir para casa, ou que queira trabalhar, que seja livre para ir. Ele tem esse direito e tem que ser respeitado. Ele não pode ser obrigado a permanecer onde não deseja. Não se pode bloquear estradas e, por benevolência, deixar uma pista para veículos de passageiros; somente às autoridades competem, em alguma circunstância, tomar esse tipo de decisão, não aos donos da greve. Onde já se viu tamanha desfaçatez de civis parando caminhão para verificar a nota fiscal, examinar a carga e decidir se permite ou não a passagem? Isso é crime! Isso não é manifestação. Com criminoso não se deve ter complacência. É cadeia.

      Essa paralisação expôs muita fragilidade. A da nossa infraestrutura, a do nosso governo, a pouca compreensão, pela população, da macro-situação. Além disso, causou grandes transtornos, provocou perdas imensas, irá retirar verbas dos serviços essenciais como saúde e educação, provocará um aumento no custo da gasolina, criou uma crise na Petrobrás, que estava se recuperando, e não se garante que atingirá o resultado. Os tais R$ 0,46 de desconto na bomba não é possível garantir. Será efêmera. Como o governo fiscalizará mais de 38.000 postos existente? Com a promessa de multas, suspensão, cassação e fiscalização? Isso não funciona nem aqui e nem na China.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Canário Enjaulado Também Canta...

      Essa natureza… quem disse que canário na gaiola não canta? Ontem um canário vermelho, do núcleo duro do PT, enjaulado há um ano trinou, e trinou bonito…O canário preso, da língua presa, soltou o verbo. Com cara de assustado e necessitando fechar um acordo para reduzir o período de exílio quiz mostrar serviço e abriu o bico. Foi o primeiro desse círculo tão hermético até então, e se for bem sucedido, outros virão.

      Pelo que entendi até o governo do PT vários políticos nos roubavam, a partir deles são poucos aqueles em que ainda podemos confiar e a diferença do atual governo para os do PT é que esse entende mais de economia e está colocando a economia no caminho certo. A inflação está caindo, os juros também, consequentemente há a redução da dívida pública, a economia deixou de cair e até ensaia um pequeno crescimento, já é o terceiro mês consecutivo em que o número de vagas abertas supera o número de demissões, enfim, só o fato de ter deixado de piorar já pode ser considerado uma boa notícia.

      Já ouvimos a chiadeira contra a privatização da Eletrobrás. É pouco. Se fosse por mim eu fecharia o BNDES e venderia o Banco do Brasil, os Correios e a Petrobras, no mínimo, pois ainda estou pensando sobre as universidades federais . Reduzir o tamanho do estado é primordial para o desenvolvimento do país, além do que, em todos os organismos que o governo controla abre-se a possibilidade de corrupção.

      Os mais de 50 milhões de reais (mais de 2 milhões de dólares incluídos) encontrados no apartamento na Graça, aqui em Salvador, é um tapa na nossa cara. Isso é mesmo que dizer pra gente, vocês são uns idiotas, uns merdas… e tenho que admitir, somos mesmo. E até podemos pensar: é só isso? Haverá mais escondido? Não é difícil imaginar a resposta…

      Como dizia um amigo, para o Brasil só tem duas saídas: Cumbica e Galeão. Por força das minhas atividades atuais percorri alguns bairros de Salvador e até algumas ruas centrais nas quais eu havia passado de carro apenas. A minha conclusão foi: nós levamos uma vida higienizada, quase que vivemos dentro de uma bolha. Não temos a dimensão da realidade. Nas ruas as pequenas corrupções são muitas, mas isso será tema para outro post, por agora basta dizer que a ladroagem está impregnada na nossa sociedade, de cima abaixo. Das pequenas nas ruas às malas de dinheiro em apartamentos, restaurantes de luxo, gabinetes e em contas no exterior. 

      Não será a nossa geração que irá ver o fim desse descalabro, portanto, devemos criar condições para que nossos filhos e netos possam viver em um país melhor.

domingo, 4 de junho de 2017

O Presidente Temer Não É Inocente.

      Inocentes não sobrevivem tanto tempo na política, ainda mais na de Brasília, logo, o presidente Temer não é inocente, ele é, isso sim, experiente. Experiente mas vacilou. Caiu na armadilha do empresário, se é que só disso que esse senhor pode ser chamado, que, se fosse condenado em todos os possíveis inquéritos teria que cumprir mais de 100 anos de cadeia.

      Para nós que estamos nos acostumando a viver de escândalo em escândalo parece lógico entender que o tal empresário não agiu sozinho. Ele deve ter sido muito bem assessorado para ter recebido a garantia da Procuradoria Geral da República (PGR) de que não será condenado e que poderá viver, como um nababo, incluindo jatinho e iate, fora do país.

      Foi uma trama bem urdida, pois o que se ouviu do presidente dá a entender que há maracutaias, mas friamente, os áudios, pelo menos os que ouvi, não provam absolutamente nada. Parodiando o presidente americano, até um estudante ruim do segundo grau é capaz de desconstruir os argumentos, pois como sabemos, em caso de dúvidas, a decisão é pró-réu. Mas o estrago político foi feito, e pior do que isso, o econômico também. 

      Como disse o outro empresário que está puxando cana e deve estar furioso, pois o acordo que ele fez poderia ter sido melhor para ele, “...ninguém foi eleito nesse país sem o caixa dois, o cara pode até dizer que não sabia, mas recebeu dinheiro do partido e o partido recebeu pelo caixa dois...”. O presidente pode se enquadrar nesse caso, pois ele foi eleito como vice da chapa PT/PMDB que deverá ser julgada por ter recebido, digamos, "doações não contabilizadas”. No julgamento do Mensalão houve a declaração de uma Ministra do STF dizendo que “…não é só caixa dois. Caixa dois é crime!…”

      Oras, todos os suspeitos devem ser investigados e julgados na forma da lei e, se condenados, devem pagar o que a lei determinar, não importa quem seja o indivíduo, mesmo que seja o presidente, os ex-presidentes ou qualquer outro, político ou não. Porém o momento em que mais esse escândalo estourou foi ruim para o país.

      Graças às equivocadas ideologias e às errôneas políticas econômicas aplicadas nos últimos 15 anos o país retroagiu em cerca de oito ou 10 anos. E agora, quando alguns indicadores começaram a mostrar um certo equilíbrio e alguma possibilidade de dar partida em um ciclo de crescimento, a instabilidade política jogou a confiança no brejo. Vamos ficar enfurnados nesse lamaçal por um bom tempo.

      As empresas, para sobrevier, irão se defender. Com a receita baixa os investimentos continuarão a ser postergados e as despesas reduzidas, e isso significa desemprego. Há um forte movimento de “juniorização”, isso é, a substituição dos empregados mais antigos e com salários mais altos por jovens que recebem menos. Logo, haverá menos dinheiro em circulação no mercado e um número maior pessoas mais velhas dependentes do governo. Talvez eu volte a escrever especificamente sobre esse tema.

      É possível que o único beneficiado tenha sido o sujeito que fez a gravação e, indiretamente, também quem ele colocou no mesmo barco (ou avião). Existe a possibilidade, menos pelo conteúdo da gravação, mas sim pelo impacto político que ela causou, que o presidente venha a ser afastado do cargo, porém se ele é mesmo experiente, pode até terminar o mandato, e nada disso importa agora, o que importa é que o sofrimento e a desesperança de quem trabalha só aumentam. Infelizmente.

domingo, 28 de maio de 2017

Ainda Resta Esperança?

     Tempos difíceis esses. Tenho insistido que hoje impera a falta de tolerância, o partidarismo do nós contra eles, da predominância da política rasteira e despreparada e da falta de segurança, e isso está nos levando a uma situação difícil.

      Eu gostaria muito de poder dizer que existe um bom sistema de governo que levará todos ao progresso e à igualdade, mas não é possível viver na utopia. É poético, é bonito, é defensável, mas é impraticável. Como engenheiro sou pragmático: o passado nos mostra como chegamos aqui, mas o que importa é como sairemos dessa e como poderemos fazer melhor.

      Não dá mais para prosseguir com ações paliativas tentando agradar a todos. Todo mundo vai ter que ceder. Todo mundo vai ter que abrir mão de alguma coisa ou não haverá saída. Vivemos um momento de exceção que exige medidas de exceção. Nosso sistema legislativo é imperfeito e, com boas intenções, criado para uma sociedade civilizada, mas conhecemos nossa cultura e sabemos como somos primários e que temos percepção até infantil, o que importa sou eu, ou o tal “levar vantagem em tudo, certo?”, ou ainda, “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Esse é um modelo que não se sustenta.

      Também não vejo saída sem políticos e sem instituições, isso significa que precisamos de uma base e essa é a lei. Não dá para seguir em frente ouvindo somente a voz dos estridentes, as redes sociais e a mídia. Há que se ter equilíbrio. É sabido que todas as esferas de governo estão contaminadas com vícios e por corrupção, mas vamos ter que aprender a moldá-la e utilizá-la em nosso favor, e não faremos isso quebrando tudo, tocando fogo ou sendo intolerante, mas negociando. Não devemos “passar a mão” na cabeça de malfeitores, esses devem ser punidos, todos eles, sem exceção, mas há que se entender que denúncia não é condenação e enquanto essa não ocorre há de existir a possibilidade de defesa, e nem mesmo os agentes do estado estão acima das leis.

      Precisamos ser tolerantes para negociar, ceder para conciliar, pensar no coletivo ao invés do individual, mas ser intransigentes com os criminosos, sejam simples delinquentes e baderneiros, passando pelos traficantes e assassinos e, principalmente, com os de colarinho branco.

      Não é mais o caso de eleição direta ou indireta, de fora esse ou fora aquele, o que importa nesse momento é negociar para que alguém, fiscalizado sempre, nos conduza por um caminho reto, honesto e seguro. Quem é, e como fazer eu não sei, mas sei que existe.


      Prefiro acreditar que ainda resta um pouco de esperança.

sábado, 15 de abril de 2017

Chamem o Batman

      O brasileiro é um povo interessante. Primeiro todo mundo foi  técnico de futebol, com a hiperinflação todo mundo virou economista, e desde o mensalão todo mundo é procurador de justiça, advogado e juiz. Mas como quem faz tudo não faz nada certo, se interpretam as informações açodadamente.

      Ainda que eu ache que algumas penas sejam pequenas pelo estrago que fizeram, a tal “delação premiada” está trazendo à luz anos e anos de contínuo descalabro e daquilo que já se sabia que existia mas que ninguém conseguia provar. Nesse caso teremos que nos contentar com o mal menor: pena pequena mas crimes expostos. Mas não se pode perder de vista que o delator é um criminoso que procura, entregando a mãe, Deus e o diabo, reduzir a sua condenação e, quem sabe, ter até mesmo a sua absolvição.

      Nos depoimentos que passaram a ser conhecidos integralmente nessa semana, (o que foi bom, porque estava me irritando a tal desculpa do “vazamento seletivo”) e olhem que essa é só a ponta do iceberg, pois trata-se de uma única organização que colocou em um só pacote todos os seus executivos envolvidos, e haverá outras pessoas e organizações buscando pelo mesmo recurso, apareceram cerca de duas centenas de pessoas citadas. O nosso senso de urgência, e por que não, de vingança, já considera todos os citados como sendo culpados, e mais, generaliza o comportamento criminoso: todo mundo é igual! Não é bem assim.

      Ainda que a gente não concorde plenamente, fazer justiça é fazer cumprir a lei, e na lei há várias possibilidades que às vezes são frustrantes, como a falta de provas e o decurso de prazo. Um conhecido criminoso contumaz pode não vir a ser condenado porque não se encontrou evidências do crime, houve erros técnicos na condução do processo ou a culpabilidade se extinguiu pelo tempo decorrido e, nesses casos, sim, o “ladrão" é inocente.

      É bom a gente ir se acostumando, pois várias dessas acusações não serão provadas e alguns implicados vão bater no peito e dizer que a justiça foi feita. Não devemos tomar tudo como verdade, mesmo quando os crimes foram narrados com tanta naturalidade, com tanta informalidade, com tanta desfaçatez  como se estivessem comentando sobre o clássico do domingo passado. O fato de aparecer na lista não significa condenação imediata.

      O moment é ruim? É, é péssimo, mas é melhor agora do que mais tarde, e poderia ter acontecido antes, o que seria melhor ainda, mas precisamos tomar cuidado, pois não devemos tomar o todo pela parte podre.  Pelo raciocínio rasteiro de relativizar as ações e colocar todos sobre a mesma pecha de ladrão, de bandido, a pergunta que fica é: sim e vai fazer o quê?

      Ainda confio que haja pessoas boas e bem intencionadas, e a gente sabe, e tem mesmo que saber que a nossa vida segue e que uma organização precisa haver, e que as instituições devem continuar funcionando. Quem está preparado para liderar? Eu não sei, mas só tenho uma certeza, não será o Batman.

terça-feira, 21 de março de 2017

Algo de Podre no Ar

      Na última sexta-feira quando foi divulgada a operação Carne Fraca da Polícia Federal, imaginei que alguma coisa não cheirava bem.
      
      Como já disse vária vezes eu cresci no tempo da ditadura militar, período em que muitas coisas eram proibidas, pessoas foram exiladas, havia censura à imprensa e não havia eleição direta. O pior dos casos foi a tortura e o assassinato de pessoas. Houve algum mérito dos governos militares? Provavelmente sim. Houve deméritos dos governos militares? Com certeza. Mas até nisso nos mostramos ruins, pois a nossa ditadura quando comparada a de outros países foi coisa de amador. Não que eu a apoie, não que eu ache insignificante uma vida, mas são os fatos. Quantas mortes ocorreram por motivos políticos no Brasil? Entre 1946 e 1988 foram contabilizadas pela Comissão da Verdade 434 mortos ou desaparecidos (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/12/1560655-veja-a-lista-de-mortos-e-desaparecidos-do-regime-militar.shtml). A gente não precisa ir longe nos comparando com países do oriente médio ou com mortes as promovidas pelo comunismo russo. Basta olhar os nossos vizinhos e os quase vizinhos latino-americanos no mesmo período, por exemplo Argentina e Chile, que com população imensamente menor matou muito mais pessoas. Até mesmo a transição para a democracia no Brasil se deu de maneira suave, sem guerra, sem tomada do poder. Sim, mas o que isso tem a ver com a carne podre? Explico.

      Atribui-se ao Ulysses Guimarães o ensinamento de que o congresso que entra é sempre pior do que o antigo. E não é que ele tinha razão? Não dá para negar o avanço que o país teve nos últimos 150 anos, e a aceleração continua. Continua não por causa dos governos, mas apesar deles, e quando falo em governo falo dos 3 poderes. O que está em jogo não é o quanto avançamos, mas o quanto deixamos de avançar por causa de decisões erradas dos nossos dirigentes.

      Há 3 anos a operação Lava-Jato vem desvendando a bandalheira e a roubalheira que dirigentes políticos, empresários, executivos e meliantes de toda sorte promoveram contra o erário e autarquias, isso em nome de poder político e riqueza pessoal. Ainda que eu discorde de algumas penas muito pequenas imputadas a criminosos convictos, palmas a esse lado da justiça que funciona, mas é preciso lembrar que a justiça deve ser pautada pelas leis, pelo que está escrito. Não podemos eleger salvadores da pátria e desprezar todos os demais colocando na vala comum os maus e os bons, sim porque, embora não pareça, há sim pessoas boas e bem-intencionadas. Apesar de que os bandidos e inocentes úteis disseminam a ideia de que todo mundo é igualmente ruim.

      Ocorreu de maneira atabalhoada a comunicação da operação Carne-Fraca. Colocou na mesma lata de lixo bandidos, transgressores e empresas e pessoas sérias. Não sou a favor da censura ou da omissão, mas como me ensinou um antigo chefe, só há uma maneira de se fazer as coisas: o jeito certo. Não houve uma avaliação do tamanho do mercado, da quantidade de indústrias, de funcionários das empresas e do governo, da dimensão do comércio envolvido, enfim, por causa de umas duas dezenas de empresas sujeitas a investigação, contaminou-se todo o mercado que abrange mais de 4.000 unidades de processamento. Os danos a curto prazo são irreparáveis. Foi o excesso de vaidade, talvez necessidade de holofotes que está levando ao descrédito uma operação necessária de combate à fraude, à corrupção e à saúde pública.

      O lado lúdico foi até bem-sucedido, pois houve piadas realmente criativas, porém, a melhor (ou pior) chacota será a mancha da imagem da Polícia Federal que promoveu o espetáculo, e que pelo bom trabalho que tem apresentado na Lava-Jato não merece isso. Pelo sim, ou pelo não, não deixei e nem deixarei de comer carne, aliás, no sábado comprei filet mignon a R$ 25,00 o quilo.
      Para que a democracia dê certo é necessário que a separação entre os poderes seja mantida. Quando um deles começa a semear em outra seara passamos a ter o mesmo risco que nos ofereceu a ditadura, e recentemente temos visto várias manifestações nesse sentido. Essa necessidade de protagonismo está levando as instituições, e nem só a Polícia Federal, a ultrapassar os seus limites. Como popularmente se diz, cada um deve ficar em seu quadrado.


      Ah! Só para lembrar, o descalabro produzido pela política é tão grande que a violência urbana assusta muito mais do que a ditadura. Entre 2011 e 2015 foram mortos de forma violenta 278.839 brasileiros, mais do que os 256.124 mortos na guerra (isso mesmo, na guerra!) da Síria no mesmo período. Isso significa que hoje, no Brasil, se mata em uma semana, 1.072 pessoas, mais do que o dobro do que a ditadura militar executou em seus nos 21 anos. (http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-10/brasil-tem-mais-mortes-violentas-do-que-siria-em-guerra-mostra).

domingo, 1 de janeiro de 2017

O Meu 2016

      Novamente não cumpri alguns propósitos, mas em um ano como 2016 não é de se estranhar e muito menos para que alguém se sinta envergonhado. Como eu já previa, 2016 foi um péssimo ano; novamente, para mim, nem tão ruim, foi muito pior para vários colegas e amigos que perderam o emprego, e, dessa vez, por causa da crise mesmo! Alguns brilhantes, os quais não apenas admiro, sou fã. Desejo à eles que 2017 lhes traga perspectivas e realizações. Como há muito corrupto solto a crise política ainda não foi debelada, mas alguns indicadores econômicos apontam para uma tímida estabilização, o que nessas horas passa a ser uma grande notícia, pois deixar de piorar já serve de alento. Se não der para ser melhor, que assim seja.

      Mal começou o ano, em janeiro, meu joelho foi operado e quando eu estava iniciando as atividades físicas apareceu um “esporão” no pé esquerdo que ainda não tratei e isso tem me impedido de correr e, eventualmente, até mesmo de andar com naturalidade, e em algumas das vezes, só o anti-inflamatório resolve. Comecei a treinar com regularidade e tive até algumas marcas expressivas, porém durou apenas até o final de setembro. De lá para cá parei completamente. Mas agora vai acabar a moleza, em 2017 farei pelo menos 300 treinos de, no mínimo, meia hora cada, e quero estender para um programa com um ritmo razoável até setembro de 2018, quando completarei 60 anos. No final do ano ainda tive um problema no estômago, algo como gastrite e pela primeira vez fiz endoscopia. Acho que a fama de “estômago de avestruz” está acabando...

      Não ocorreu nenhuma mudança significativa em nossa vida familiar. Para os mais velhos, apenas ficamos mais velhos e com as consequências da idade, mas para o nosso neto foi visível o incremento das habilidades. Ele ainda não está se comunicando de forma plenamente compreensível, mas demonstra muita coordenação, energia e uma alegria contagiante. Sou daqueles que acredita que a família é o maior patrimônio. É também a única instituição capaz de trazer felicidade.

Leitura, algo que me deixa feliz. Faltam alguns livros que emprestei ou doei.


      Com muito trabalho não tive uma vida cultural tão ativa, além das leituras regulares, algumas agradáveis, assisti apenas a um show, que valeu mais pela experiência do que pela qualidade, porém visitei o sensacional Rijksmuseum em Amsterdam. Não entendo nada de arte, mas as obras de Rembrandt me encantam, e não precisam de tradução, basta olhar! (Night Watch - https://www.khanacademy.org/humanities/monarchy-enlightenment/baroque-art1/holland/v/rembrandt-nightwatch). Sim, visitei Amsterdam com propósito profissional, mas tirei um dia para novamente visitar o museu que está completamente remodelado. Para mim é muito melhor do que o Van Gogh Museum, que já é muito bom!


Rijksmuseum
      Em dois anos e meio troquei de função 4 vezes na empresa, em cada uma comecei vários projetos mas não acompanhei a finalização de vários deles, é uma fase diferente da minha carreira, justo para mim que sempre fui um realizador. No próximo dia 03 de janeiro completarei 40 anos trabalhando na área de televisão, dos quais 39 foram voltados à operação, mas no último ano fiquei na área de infraestrutura, porém, ainda assim, muito voltado à manutenção do sinal no ar. A cada falha na exibição eu sempre me sentia como sendo o responsável, sempre achava que a culpa poderia ser minha e em várias vezes, até era, porém agora isso vai mudar. Estou iniciando o trabalho em uma área de apoio somente, sem estar envolvido com o dia-a-dia. Se por um lado deixo de ter algumas obrigações, o que aparentemente é bom, por outro, é como se eu estivesse perdendo algo, principalmente a utilidade. Sempre me pareceu que a gente morre quando deixa de ser útil. Mas há uma compensação que possui apenas valor, mas não preço. Na Bahia, até aqui, trabalhei com 3 equipes diferentes, e o carinho e respeito com que fui tratado são de dar orgulho a qualquer profissional.

      Em 2016 o que mais pratiquei foi o exercício da paciência, que foi no sentido oposto do que tenho percebido na sociedade que é a extrema intolerância, tanto da esquerda (ou o que isso quer dizer) ou seja da direita. Nosso compromisso tem que ser com o acerto, com o correto, com o justo, mas não pode ser a qualquer custo. Os direitos devem ser respeitados e as pessoas devem ser respeitadas. Não construiremos uma sociedade sólida com fundamentos fracos, corroídos, carcomidos. A sabedoria está e evitar o radicalismo.


      Não pude celebrar o ano de 2016, que além de ter um dia a mais teve também um segundo a mais, parecia que era para estender a dureza e testar a paciência, mas enfim acabou e para mim, ainda tenho muito a agradecer, nada a reclamar.

domingo, 26 de junho de 2016

Governabilidade Em Cheque

 No livro Diários da Presidência, 1995 / 1996 - O ex presidente FHC relata, na página 507, o dia 22/03/1996, no qual ele recebe alguns deputados do Rio de Janeiro. Segue o texto: …"Na verdade o que eles querem é nomear o Eduardo Cunha diretor comercial da Petrobras! Imagina! O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo de Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor… e que há, sim, problemas com esse nome. Enfim, não cedemos à nomeação".

      Não creio que o deputado e presidente afastado da câmara, Eduardo Cunha, vá manter o mandato. Ele será cassado. Para o processo pode ser relevante saber se ele mentiu ou não ao dizer que as contas em bancos Suíços não são deles mas de um trust. O que posso afirmar é que o mar dele não está para peixe. Já são cinco as investigações contra ele autorizadas pelo Supremo Tribuna Federal, que embora corram sob segredo de justiça, o que se comenta é que se tratam de crimes como corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Em março passado ele se tornou réu na operação Lava Jato por supostamente ter recebido cinco milhões de dólares por operações que envolveram a Petrobras, e há também algum imbróglio com o Porto Maravilha. A situação fica pior ainda quando se sabe que na atual conjuntura, o vice-presidente da república é justamente o presidente da Câmara.

      Apesar da relevância da situação, da necessidade de esclarecimentos e do respectivo julgamento, a importância do caso Cunha é ínfima se comparada ao desgoverno e falcatruas geradas durante as administrações do PT. Quando o ex-presidente Lula ainda fazia parte da “esquerda raivosa” e perdeu a eleição para o ex-presidente Collor, o que se dizia era que se o PT tivesse ganhado as eleições economizaríamos 4 anos. Hoje isso faz sentido, pois eles teriam feito em 4 anos o estrago que agora levaram 13 anos para fazer. Quando a liderança do partido deixou de ser de militantes sindicalistas e passou a ser de pragmáticos funcionários públicos o partido se popularizou, ganhou eleições e montou um plano de permanência no poder e deu no que deu. Cada escândalo que é descoberto supera o anterior em valores desviados, em número de envolvidos e sofisticação. Esquema que funcionou até que alguns presos começaram a abrir o bico e as entranhas da corrupção vão ficando expostas.

      Dói, como brasileiro, chegar à conclusão que fomos ludibriados, e o pior é ver que para muitos o crime compensa. Para que a delação ocorra estão sendo concedidos muitos benefícios e ladrões confessos devolvem parte do que roubaram, pegam penas simbólicas e vão continuar levando uma vida luxuosa, tendo apenas poucas restrições e por pouco tempo. Espero que pelo menos diante desse quadro, outros presos que até aqui estão calados como o Marcos Valério, o José Dirceu e o João Vaccari, se não pela própria consciência, mas pelo benefício que pode ser atingido, escancarem de vez as portas e denunciem todos os envolvidos, não importando a qual partido pertençam e muito menos a qual cargo ocupem.

      A governabilidade está em cheque, em todos os poderes há gente envolvida em falcatruas, mas que a justiça seja feita e um redesenho político seja encontrado, pois a democracia precisa ser mantida.

domingo, 29 de maio de 2016

Em Causa Própria

      Não acredito em estado provedor, pois alguém tem que pagar a conta, mas acredito no mérito, na recompensa para quem produz. Aceito que se reparta o que se produz para acelerar aqueles que não tiveram a condição inicial, mas não acredito que se conserte as desigualdades históricas em uma geração. Acredito em planejamento e pragmatismo, e quem governa tem que tomar decisões que serão impopulares, pois sempre se estará contrariando interesses, e quem perde, esperneia.

      Discordo do deputado Tiririca, pois pior do que está, fica, ficou, e pode piorar. Afastar o PT do governo foi a parte mais fácil, o difícil será implantar as reformas de que o país tanto necessita.

      O novo governo tem poucas virtudes, pois, além do fantasma da interinidade conta com muito dos mesmos que eram associados ao PT, ou seja, uma corja que assolou o país. Apesar disso, é um, se não o único caminho. Não acredito em soluções mágicas e nem em salvadores da pátria. Por isso a vigilância deve ser constante e ativa. Não dá para aceitar o novo governo, ou qualquer governo, que seja esteja permeado por marginais, mesmo que democraticamente eleitos, pois eleição não é atestado de boa conduta ou competência.

      Não dá para aceitar que num país onde falta tudo, tenhamos mais de 21.000 cargos de confiança e mais 6.000 não concursados. Não dá para aceitar tantos subsídios que mascaram os preços reais. Não dá para aceitar o imposto sindical e nem as doações para organizações não governamentais que dependem exclusivamente do dinheiro público, e que são, na realidade, organizações criminosas. Não dá para aceitar que num país onde falta emprego, educação, saúde e segurança se discuta a importância do ministério da cultura. Seria muito mais útil um ministério do saneamento que fazendo esgotos e distribuindo água iria gerar economia no tratamento da saúde pública. Em um país que tem tanto por fazer como é o Brasil não dá para centralizar tudo, pois isso só gera corrupção, tem que tirar das mãos do executivo tudo aquilo que a iniciativa privada faz melhor.

      Mais do que reformar o executivo é preciso reformar o legislativo. Tem que limitar o número de partidos, reduzir o número de congressistas e fazer uma distribuição proporcional à população. Deputados e senadores tem que fazer leis, não correr atrás de dinheiro. Tem que acabar com os suplentes, se o titular sair por algum motivo, perde a vaga e pronto. Os partidos tem que ser responsabilizados pela ficha criminal de seus partidários, se escolher bandidos tem que pagar por isso.

      Existem muitas ideias, mas como implementá-las se quem legisla o faz em causa própria?

sábado, 30 de abril de 2016

Resumindo: já Vai Tarde

      Não sou historiador, apenas leitor, e pelo que entendi, se houve um estadista brasileiro esse foi José Bonifácio de Andrada e Silva. São poucos os brasileiros que sabem quem ele foi e o que ele fez, e vejam que os feitos foram muitos. Na sexta avenida em Nova Iorque, no jardim, atrás do biblioteca pública, há uma estátua em homenagem à ele, eu nuca vi uma aqui no Brasil.

      Mesmo o caudilho Getulio Vargas, de erros tremendos, nos deixou um legado jurídico, sim, imperfeito, mas consciente, como o código de processo civil e a CLT, criou também a Petrobras, o que na época foi estratégico. 

      O Juscelino Kubitschek mudou a capital do país e nos deixou endividados. Tirou do Rio de Janeiro o centro do poder, mas não levou tudo para o centro-oeste, há muita coisa que ainda com sede no sudeste e ninguém, até agora, conseguiu mudar.

      Os militares impediram a chegada do socialismo, promoveram algum progresso em infraestrutura mas aumentaram o endividamento. Governaram com uma mão dura, mas não de ferro quando compara com as demais ditaduras sul americanas, como a chilena e a argentina. Da soviética, chinesa e africanas…nem se fala.

      O governo Sarney foi um desastre econômico. Perdido no tempo e no espaço. Não consigo me lembrar de nada de bom que tenha sido feito naquele tempo, a não ser ter deixado o tempo passar. Nem mesmo os militares quiseram pegar novamente o abacaxi.

      E o Color, o breve, bem, todos sabem o que ocorreu, mas o que não se fala, ou pouco se fala, é referente a duas coisas boas que ele deixou, abriu o mercado e fechou o poço de testes nucleares que estava sendo feito na Serra do Cachimbo. Ele não permitiu que o Brasil ingressasse em uma corrida armamentista para a qual faltaria dinheiro e passaríamos vergonha.

      Graças à inépcia do Itamar, o seu governo foi o melhor da história, foi pequeno e acertivo, estabilizou a moeda e acabou com a inflação. Ele não fez nada nem para acontecer e nem para atrapalhar, por isso deu certo.

      O Governo Fernando Henrique teve erros e acertos, e acertos principalmente se considerarmos que ele foi o pai do Real, ainda no governo Itamar. Além de arranjar a economia, organizou o estado, deu visibilidade e credibilidade internacional, inserindo o país novamente no comércio mundial e, principalmente, criou a Lei de Responsabilidade Fiscal, essa mesmo que vai derrubar o desgoverno do PT.

      O Lula acertou naquilo que não mexeu e errou quando quiz inventar. Ponto para ele quando manteve a política econômica. Ponto para ele quando unificou os programas sociais, mas é balela dizer que tirou 50 milhões da linha da pobreza. Na verdade ele só mudou a escala dizendo, você que era pobre, a partir de hoje é da classe média. Criou universidades que não se sustentam e deixou o ensino básico na miséria. Foi um desastre nas relações externas. Se aliou a corruptos e ditadores e estraçalhou as relações com quem realmente importa na ordem mundial. Sim, ele teve sorte, navegou a onda boa da prosperidade mundial e quando a bolha estourou ele estava saindo. Mas em sua administração o governo foi aparelhado e a corrupção sistematizada. O bolo começou a desandar porque ele vendeu a janta para comprar o almoço, por isso o balanço não é positivo para ele.

      Como tudo o que é ruim pode piorar, o Lula elegeu e reelegeu sua sucessora, a Dilma. Ela se superou. Conseguiu ser pior do que o Sarney. Que governo, ou melhor, desgoverno, mais vagabundo. Inepto, arrogante, corrupto que mesmo nas boas ideias consegue ser ruim. Veja o caso do programa mais médicos. Trazer de fora médicos que atuem em regiões pobres onde os brasileiros não querem ir, foi de fato uma boa ideia, mas escravizar os vindos de Cuba pagando uma miséria aos profissionais e levando uma fortuna para um regime totalitário, arcaico e sanguinário? Cometeu um estelionato eleitoral, prometeu muito e só podia distribuir miséria. Dilma, apesar de que eu gosto de pedalar e por isso eu poderia ser solidário à sua causa, o melhor que posso dizer é: Dilma, já vais tarde, ou no popular: demorô! Foi apenas coincidência, não tem nenhuma relação com o juiz Moro… ou tem.

      Na linha sucessória estão o Temer, Cunha e Renan, os 3 sob suspeita, sim é verdade, eu acho que o Cunha sai logo, mas o principal é que o PMDB é o único partido no Brasil que pode fazer frente ao PT. O PT é apoiado por bandidos que se dizem líderes de movimentos sociais (leia-se: bandos) que infernizam a nossa vida sendo pagos com o nosso próprio dinheiro. Por ter o maior número de deputado e de senadores, por ter o maior número de governadores, de deputados estaduais, de prefeitos, de vereadores, por estar organizado na maioria dos municípios brasileiros, só o PMDB consegue produzir alguma mudança. Sei que O PMDB não é, de fato um partido, mas uma agremiação com muitas faces, sendo a mais visível, a fisiológica, mas é o único garrancho preso ao barranco que a nossa mão de afogando consegue alcançar. Quando atingirmos a margem a gente decide o que fazer.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Por que é mais forte quem sabe mentir?

      O projeto de governo do PT está ruindo. O governo do PT já ruiu. Sucumbiram ao enriquecimento fácil às custas de quem paga impostos. Deixaram de governar para explicar o inexplicável. Como dizem, nem carcereiro tem tantos amigos presos como o ex-presidente Lula. Aliás, o Lula está preso e não sabe.

      O instituto Lula afirmou (mas é mais fácil acreditar em papai noel) que o ex-presidente não tem celular. Se ele não sabe vou avisando, os presos arrumam isso com uma facilidade tremenda. O Lula não assistiu a nenhum jogo da copa do mundo realizada no Brasil pois seria vaiado. Ele não pode ir a restaurantes, viajar em voos comerciais, sair às ruas sem um séquito de seguranças. Como todos os petistas conhecidos, provavelmente, será hostilizado. Ele não pode mais frequentar o sítio no qual ele foi mais de cem vezes. Não pode mais por os pés no triplex do Guarujá, no qual, em algum momento, cogitou morar. Isso é vida? Isso é liberdade? Hoje ele é um homem rico, teria ganhado milhões de reais por palestras bancadas por empreiteiras que têm negócios com o governo que ele havia acabado de deixar. Se isso não é ilegal, pelo menos é de moral duvidosa, mas vá lá, ficou rico, mas não pode sair de casa.

      Só resta a ele eventos fechados e com público selecionado onde ele chega e sai como um fantasma. A maior evidência de que o fim está próximo foi o confronto provocado por “militantes” no depoimento que não houve. Quem parte para a violência é porque perdeu a razão.

      Isso tudo poderia se resolver de uma forma tão simples, como diz um amigo meu, a verdade é que salva. Basta falar a verdade. Não dá mais para ficar nos clichês: estamos colaborando com a justiça. Todas as contas foram aprovadas pela justiça. Existe escritura do tal sítio. O meu filho é o Ronaldinho dos negócios. É tudo invenção da elite que não se conforma com um governo popular… Me poupem.

      No Brasil, política é profissão, e tais profissionais fizeram as leis para se proteger da população quando deveriam proteger a população do governo, e como diz a música do Renato Russo, por que é mais forte quem sabe mentir? 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Apoio a CPMF

      Provisória sobre Movimentações Financeiras) e eu sou a favor e explico: é um imposto de fácil arrecadação, baixo custo de arrecadação, baixo impacto no índice de inflação, amplia a base de arrecadação e, principalmente, é provisória. Sim, sou a favor, mas deve haver alguma contrapartida, em seguida sugiro uma e no final a do texto segunda. Deve-se diminuir em medida igual outro imposto, por exemplo, o imposto de renda, assim o aumento de arrecadação se dará apenas pela ampliação da base.

       Esse governo incompetente despresou os alertas de que a situação estava saindo do controle e deu no que deu: recessão. O pior é que a solução apresentada é mais-do-mesmo só que em menor volume. Até ignorantes como eu sabem que nosso problema não é falta de crédito, mas de quem quer crédito ou de quem pode pagar por ele. Mas com ideologia retrógrada, arrogância master e base de sustentação corrupta não haverá solução sem dor e muito menos a curto prazo.

      Nos últimos anos a corrupção nos meios públicos se tornou sistêmica e disseminada para ser um projeto de poder, transformando assim juízes em paladinos. Mas isso é pouco. É pouco porque, as condenações do chamado Mensalão foram brandas e as da Lava Jato, apesar da maior amplitude, também serão tímidas. As punições não estão alcançando os mentores, os chefes e nem está sendo caracterizada como quadrilhas e tudo isso é por falta de prova apesar das delações.

      Gosto de filmes de ação, de tribunal e principalmente baseado em fatos reais. Em um deles, o clássico Todos os Homens do Presidente, atribui-se à personagem Deep Throat (Garganta Profunda) a frase “follow the Money” (Siga o Dinheiro) e é o que tem se tentado fazer e isso é necessário mas não suficiente. Como todo filme de gangsters ensina o ideal é pegar a família, não o próprio elemento, pois com essa pressão ele se entrega. Mesmo seguindo o dinheiro os investigadores devem ir atrás das esposas, maridos, filhos, pais e outros agregados próximos, é aí que a verdade irá aparecer.

      Me sinto humilhado em ter que viver essa realidade. Vejo pessoas de bem literalmente se matando em trabalhos voluntários tentando salvar uma infância perdida para o tráfico de drogas e agora até mesmo para um mosquito enquanto poderosos inescrupulosos vilipendiam os cofres públicos em proveito próprio. Somente terei esperanças se o dinheiro roubado for devolvido e essa quadrilha for exemplarmente punida. Se for para isso, até aceito pagar mais imposto.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Negócio da China

       Sempre gostei de esportes e desde que me conheço torço para o SPFC. Meu pai se dizia corintiano, mas nunca o vi assistindo a uma partida de futebol profissional ou amador adulto em um estádio. Tenho registro somente de duas partidas da copa de 74 que assistimos juntos na casa de amigos dele pois em casa não tinha TV. Também me lembro que ele ajudou a organizar um time “dente de leite” no bairro do qual eu não participei pois eu ainda era muito pequeno e também não jogava lá essas coisas. Ele tinha quatro irmãos, dois são palmeirenses e dois eram sãopaulinos, esse já faleceram. Vem deles a minha influência.

      Tenho conhecidos que não gostam de esportes, gostam do Bahia (Baea!), eu já não penso assim. Esporte é uma atividade em que se premia o melhor, os demais são perdedores, mas como o ciclo é pequeno, o perdedor de hoje pode ser o vencedor de amanhã. Na semana passada ouvi na rádio CBN que 80% dos jogadores profissionais brasileiros recebem menos de dois salários mínimos e apenas 2% recebem acima de vinte salários mínimos, mas não sei dizer quantos são os milionários do futebol. A maior parte das pessoas acha que os salários milionários são um absurdo, eu não concordo. Eles premiam o talento de quem movimenta uma industria bilionária e que gera milhares de empregos e milhões em impostos. Costumo repetir uma frase que é atribuída a Nelson Rodrigues mas não sei se é mesmo: entre as coisas desimportantes o futebol é a mais importante.

      A politização, o desmando e a roubalheira nas federações e confederações brasileiras acabaram com os bons campeonatos, sufocaram os times e dispersaram nossos melhores atletas. Há tempos temos acesso aos campeonatos europeus, os melhores e mais ricos do mundo: italiano, inglês, alemão e hoje o espanhol, o melhor de todos, além das ligas continentais e mundial, para onde vão os principais talentos e aqueles que estavam em final de carreira exploravam locais menos tradicionais mas que pagavam bem como Holanda, Arábia, Grécia, países do leste europeu, Japão e recentemente a China. Sempre a China. China que se dispôs em 8 anos ser a maior potência do esporte olímpico do mundo para ser o melhor em sua própria casa e pela primeira vez na história os Estados Unidos foram derrotados. Agora eles se voltaram para o futebol e estão contratando bons e jovens jogadores e diversos experientes técnicos. 

      Essa é a oportunidade dos jogadores “fazerem a vida”. Além da nossa desorganização, conta também a desvalorização cambial. No exterior, um bom jogador recebe facilmente USD 250,000 ou seja, cerca de R$ 1.000.000,00 por mês, muito mais do que a média do que se paga no Brasil. Pouco mais de um ano atrás e eles teriam que desembolsar muito mais, mas graças ao nosso glorioso incompetente e corrupto governo a economia desandou, a moeda se desvalorizou e o campeão brasileiro de 2014 e do ano passado se desmancharam. Só estou esperando que eles vendam também o goleiro, que para mim, é o maior responsável pelas últimas conquistas. Já que não dá para termos um campeonato de alto nível e com partidas atraentes, torço para que os adversários fiquem só com o osso. :)

      O nosso baixo nível se generalizou, houve a perda da organização familiar, dos valores pessoais, da educação, do respeito, da segurança, da economia e também dos esportes. Estamos descendo a ladeira e sem um alento, sem uma só sinalização de que colocaremos nossa vida nos trilhos novamente. Uma pena.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula Venceu e votarei nele nas próximas eleições.

      O Lula teve o meu voto contra o Collor e não sei se fiz bem ou mal, porque ele perdeu as eleições, mas nunca mais votei nele apesar de ter votado em alguns candidatos do PT, porém ele terá o meu voto nas próximas eleições.

      O Lula já venceu e, para mim, o seu maior legado foi ter dividido o país entre nós e eles. O ser nós ou eles depende da conveniência. No palanque nós somos os pobres, e eles, as elites que são contra os pobres, mas na hora de tomar o governo em um projeto perpétuo de poder e de enriquecimento de pessoas e do partido, somos parte da elite mas não contem nada a ninguém. Afinal, que as relações foram muito estreitas com donos e diretores das maiores empreiteiras do país lá isso foram.

      O Lula não pode ser preso, pois irá virar mártir, o que seria ruim para a própria presidente que acabaria sendo perseguida por um cadaver insepulto. Pelo mesmo motivo ele não pode morrer, pois não será enterrado tão cedo. Assim a ele só resta a próxima eleição, pois vencendo continuará acobertando os desmando das administrações petistas. Não existe possibilidade dele não ser candidato em 2018.

      O Lula ainda controla os chamados movimentos sociais. Pois esses grupos, um dos quais ele chamou de exército do Stédile, não estariam tão calados em face às medidas adotadas pelo Ministro da Economia Joaquim Levy, que são frontalmente contra as do antecessor. Tais movimentos já teriam ocupado as ruas, estradas, fazendas, repartições e autarquias.

      O Lula não pode perder as próximas eleições, pois o país ficará ingovernável. Se a atual presidente conseguir terminar o mandato a economia estará muito ruim, porque ruim já está faz tempo. Qualquer um terá que tomar medidas drásticas e haverá recessão forte por alguns anos. Depois de sofrer por tanto tempo ninguém aguentará e com a paciência esgotada, com a pressão militante que só PT sabe fazer, com os tais movimentos sociais ativos e com a divisão nós, os pobres perseguidos, não há quem governe, assim a alternativa seria a ditadura, e adeus democracia, o que seria uma lástima.

      O Lula, presidente, terá que fazer os ajustes que os outros não serão capazes de fazer, logo entendo que é a única esperança para o Brasil sair do buraco.

      O Lula já me humilhou quando, logo após a posse do primeiro mandato mandou construir uma estrela vermelha nos jardins do palácio do Planalto. Para mim já era caso de impedimento, pois o palácio é a residência do presidente do Brasil e não propriedade de um partido. Também me humilhou com atitudes fascistas como na tentativa de expulsão do jornalista americano e na dos pilotos também americanos. Ainda que eu não goste da figura do Lula, das suas atitudes e dos seus governos, não vejo alternativa. O Lula venceu e terá o meu voto nas próximas eleições.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Com muita sede ao pote

      É estarrecedor ver a notícia que, nessa semana, um bando de malucos criminosos no Paquistão fuzilou mais de 130 crianças e adolescentes. Além da barbárie, a notícia impressiona pela quantidade, mais de uma centena de mortes de uma só vez, e também pela idade das vítimas. No entanto não gera comoção saber que cerca de 50.000 mortes são causadas anualmente no trânsito brasileiro e que essa também é a ordem de grandeza dos crimes violentos em nosso país, que ceifam, principalmente, a vida de jovens com menos de 30 anos.

      Sob qualquer ângulo são cifras absurdas, e embora eu não saiba dimensionar, imagino que sejam ainda em quantidade inferior a quanto se mata, se destrói, ou se deteriora a nossa sociedade com o produto da corrupção a que estamos assistindo, e que parece cada vez mais com a ponta de um iceberg, ou seja, o que virá amanhã será muito maior do que vimos hoje.

      Cansa ver todos os dias o cartel dos trens, o mensalão que nunca acaba, os roubos na Petrobras e até na direção do voleibol nacional. Um rápido olhar nas notícias e já se especula com investigações na Eletrobras e já falaram também do BNDES, enfim, onde tem dinheiro público há suspeita de roubalheira, mas como se diz, não existe dinheiro do governo, existe dinheiro de quem paga imposto, ou seja, nosso. O dinheiro é nosso mas o benefício é de quem?

      O saber que muitos daqueles que recebem a nossa autorização para nos conduzir para uma sociedade melhor, mais justa, mais igualitária, estão envolvidos nessas falcatruas não produz apenas o sentimento de perplexidade, mas também de desamparo e desesperança. Não dá para criticar aqueles que durante toda a vida trabalharam arduamente e que, nesse momento, perdem até o sentimento de indignação, pois parece mesmo que não tem jeito, e que somente o crime compensa.

      Os nossos valores estão deteriorados e a nossa sociedade corrompida. Somos uma nação de percepção infantil, egocêntrica, na qual não importa o outro, não importa o futuro, importante sou eu e agora. É triste dizer, mas não sei se dá para desejar um bom Natal e um feliz ano novo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Tchau Aécio, vá descansar e volte daqui a quatro anos com um plano melhor.

          Desde que ouvi, na Voz do Brasil, o Aécio dizendo que o voto não poderia ser facultativo porque a nossa democracia ainda não está madura, eu já sabia que ele não teria o meu voto. No entanto, se eu tivesse que decidir entre ele e a Dilma eu votaria nele. Não o farei pois estou no limbo. Quando me mudei para a Bahia já havia terminado o período para a transferência do domicílio eleitoral, e é muito alto o custo para ir a São Carlos para votar. Assim, o Aécio perdeu o meu voto e, provavelmente, o de minha família.

          Eu votaria no Aécio contra a Dilma porque acho que a presidente faz um péssimo governo e eu poderia passar horas discorrendo sobre isso, e mais, o PT, partido da presidente, montou uma quadrilha, instrumentalizou as funções públicas e seus objetivos não são republicanos, seu valor maior é assaltar o erário, o que faz com maestria.

          Usando minhas faculdades de vidente ouso arriscar um palpite: a Dilma ganhará as eleições no próximo domingo. Fundamento a minha previsão em dois motivos, primeiro, o atual modelo de campanha não prioriza programas ou ideias, mas apenas a sensação e emoção. Segundo, a oposição de hoje não tem capilaridade comparável à do PT.

          Apesar de ser uma colcha de retalhos e fisiológico, hoje, o PMDB, é o único partido no Brasil capaz de tirar o PT do governo, mas como ele faz parte da coalizão, aqueles continuarão no comando da nação.

          Para ganhar as eleições o candidato precisa estar próximo do voto e o PMDB está. É um partido grande em todos os sentidos, tem grandes bancadas em todas as esferas de poder e em todos os cargos e isso ocorre porque é organizado em todos os municípios. Essa malha é capaz de alavancar qualquer candidatura e minar a adversária.

          No Brasil ninguém consegue governar sem o PMDB, e ele descobriu uma fórmula infalível, sendo o coadjuvante, participa do bonus dos acertos e se desconecta do onus dos erros. Nunca é vidraça e sempre é estilingue. Ataca os adversários e faz muxoxo para aumentar a sua participação. Se passa por cordeiro mas, na verdade, é predador, tanto contra os adversário quanto contra os aliados. Gera o “fogo amigo" e não pode ser punido, pois sempre ameaça pular do barco deixando-o à deriva.

          Como ninguém é tonto para cortar a própria carne, não se deve esperar dos políticos uma reforma eleitoral drástica que corrija todos os vícios hoje existentes, assim, não haverá mudança significativa a curto prazo. Logo, tchau Aécio, vá descansar e volte daqui a quatro anos com um plano melhor.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Apoio a Copa do Mundo no Brasil

      Há quem não goste de nada, mas há quem goste de espetáculos de dança, de música, de teatro, de cinema, de esportes e de tantas outras atividades. Todas elas têm os seus expoentes, os seus praticantes e os seus simpatizantes. Todas elas fazem parte de uma indústria que emprega muita gente e gera riqueza para os melhores. O que para muitos é lazer, para outros é profissão. Eu que não tenho nenhum talento gosto de várias delas, porém me identifico mais com os esportes.

      Já tentei várias modalidades porém não tive sucesso em nenhuma, nunca passei de um eventual praticante e invejoso, pois invejo quem faz algo muito bem. Especificamente sobre futebol sou apenas torcedor e gostaria muito de assistir a alguns jogos da Copa do Mundo no Brasil e ver de perto alguns dos melhores times e craques.

      Eu apoio a realização da Copa do Mundo no Brasil assim como apoio as Olimpíadas e tantas outras atividades. Se eu pudesse estaria mais do que apenas presente, seria a realização de um sonho poder participar. O que eu não vou gostar de ver é o nosso país passar vergonha.

      Sim, irão nos envergonhar a falta de estrutura, a exploração a que os turistas serão submetidos, a violência e as manifestações. A partir de junho a nossa imagem será revelada ao mundo como realmente somos, um país rico, desigual e despreparado. Além das chacotas por causa da nossa incompetência em preparar um evento tão grande seremos massacrados com notícias ruins. Serão assaltos, agressões e tomara que não haja mortes. Porém as imagens que correrão o mundo e tomarão conta das mídias mais importantes do mundo serão as das manifestações.

      As manifestações seriam apenas mostradas como democráticas se não fossem insufladas por bandidos anônimos, arrogantes e violentos. Esses eu condeno. Porém considero as manifestações legítimas pois um país carente de estrutura básica não se pode dar ao luxo de gastar bilhões dos cofres públicos com um evento privado que irá encher o bolso de muita gente rica e não oferecerá nada à população. Pareço incoerente, já que acima eu disse que um evento desse emprega muita gente. Sim, é verdade, mas empregaria da mesma maneira se a conta fosse paga pelos organizadores e não pelo erário.

      Nosso governo nos enganou. Nos prometeu um evento de primeiro mundo sem o uso de verbas públicas, o que, de fato, não ocorreu. O governo foi incompetente em todos os sentidos. Teve sete anos para se preparar e a não ser os estádios nada mais foi solucionado. Isso porque ao invés conceder as licenças e ceder à iniciativa privada a execução e deixando que essa arcasse com os custos, obtivesse os lucros e pagasse os impostos, o governo, inepto como sempre, gastou o dinheiro que não tinha principalmente na construção e reforma dos estádios se limitando em tudo mais a simples maquiagem.

      Além disso mostrou sua submissão à FIFA, entidade privada, com histórico de corrupção, a ponto de modificar a legislação para favorecer os patrocinadores daquela associação, como no caso da venda de bebidas alcoólicas nos estádios. O Brasil poderia ter autorizado a FIFA a realizar a Copa do Mundo aqui, mas ela que a organizasse e pagasse por isso, mas nunca que nos deixasse com os encargos e saísse com os lucros. Isso sem falar na arrogância dos seus membros que conseguiram até a destituição de ministro.

      Agora que o caso está consumado, iremos pagar mais uma conta pesada que será a de mobilizar todas as forças de segurança para, literalmente, descer o cacete em nossa própria gente e exibir o show sangrento mundo afora. Eu sei que não vai adiantar, mas em outubro tem eleição, o que é uma boa razão para nos lembrarmos de tudo isso.

domingo, 18 de agosto de 2013

É Um Absurdo.


      Não costumo fazer pesquisas para escrever. Escrevo para treinar, para fazer redações coerentes, claras, concisas, para expandir meu vocabulário e aprender a utilizar as palavras corretas nos lugares certos, assim emito opiniões que não têm importância e não são relevantes cientificamente, porém, preguiçosamente busquei o sentido da palavra absurdo. Encontrei que a origem é grega - Alogos que significa irracional e que foi l evada ao Latim como Surdus - que não ouve, surdo, pouco inteligente. Precedida por Ab que é intensificador, tornou-se Absurdus - desafinado, dissonante, fora do tom. Em português encontrei vários significados: contradição, sem razão, paradoxal, disparate, contra-senso, que não faz sentido, que se opões ao convencionado, irrealizável, utopia, irracional, tolice, asneira.

      Sempre entendi o terno absurdo como sendo muito pesado e extremo mas hoje o vejo como banal, usado em todas as ocasiões. Basta que não se concorde com alguém ou com algo e a situação é absurda. Para mim ele perdeu tanto o glamour como o próprio significado.

      Imaginem a hipotética situação em que moradores de um determinado bairro sem saneamento básico reclamem em entrevista para a televisão. Sem dúvida será utilizado o termo absurdo por viverem há tanto tempo sem água encanada, esgoto, transporte público, iluminação e asfalto. A prefeitura pode se defender dizendo que o absurdo foi terem ocupado aquela área que é de proteção ambiental, portanto não licenciada, e que, por lei, não pode receber as benfeitorias. O proprietário da área pode clamar que o absurdo é ter ocorrida a ocupação da terra por grileiros, e alguém pode dizer que absurdo é existir dono de latifúndio improdutivo e que ainda venha reclamar a posse da terra. Todos tem sua razão, todos tem seus erros e todos veem problemas apenas nos outros. É um absurdo só.

      Quando eu era criança e não se definia o booling, não havia tantos estatutos e nem se criminalizava as discriminações chama-se pretos de pretos e pessoas com disfunções mentais de retardados, hoje isso é um absurdo, além de criminoso, mas naquele tempo não era, era normal. Estamos vendo manifestações e assistindo na internet a defesa pela manutenção das Apaes e do outro lado defensores da inclusão total desses alunos na rede pública regular de ensino. Sob o ponto de vista de cada um a atitude contrária é um absurdo e os dois lados têm certa razão, mas ao invés de dividir o fato entre nós e eles e entre certo e errado, deve existir algo que os una e possibilite a coexistência. O absurdo é brigar e não resolver.

      Na última semana a super atleta russa Yelena Isinbayeva fez uma citação polêmica sobre o relacionamento gay e se retratou posteriormente. Pela lei daquele país as manifestações gays estão banidas pelos próximos 100 anos. Para nós é uma situação absurda, para eles, normal. Isso não a torna uma inimiga, é uma opinião que podemos ou não considerar adequada. Absurdo é querer diminuí-la como desportista.

      Tenho um amigo que adora animais, cria alguns gatos e é adepto do veganismo. Para ele é absurdo que consumamos alimentos de origem animal, especialmente as carnes. Para mim é um absurdo viver sem uma carninha mal passada, já que encaro a vida como uma enorme cadeia alimentar, aliás, ainda há pouco, voltando da academia onde fui correr, vi um gato retornando para sua casa com uma pomba em sua boca. Absurdo é tomar-lhe a comida que já está morta.

      Faz um mês que retornei de uma sensacional viagem à Suíça, que é um país caro, seguro, enfeitado e organizado. Na última noite em Genbra, no caminho para o restaurante, passamos por uns 3 ou 4 quarteirões com explicitas demonstrações de prostituição. Eu já havia passado por lá durante o dia e era um espaço normal como o das outras ruas, mas à noite havia grande concentração de pessoas negras. Inclusive ouvi um comentário que aquele era o "dark side" de Genebra. Questionei o sentido de "dark" se era por ser à noite, por ser um setor de pior qualidade, ou por ter mais pessoas negras. Ouvi que era tudo isso junto. Posso considerar um absurdo relacionar a prostituição e a degradação do local às pessoas negras, também posso inferir que essa concentração se dá mais porque está ligada à imigração e à falta de oportunidade. Eu via os suíços como sendo altos, de pele e olhos claros. Realmente a maioria é clara e de olhos claros, porém não são tão altos assim, mas nas ruas vi muito mais pessoas negras do que pessoas gordas. Tantas pessoas magras juntas em um país rico não é um absurdo?

      Estamos diante de uma denúncia de formação de cartel no fornecimento de equipamentos e serviços ferroviários a diversos estados, em maior volume em São Paulo, mas dizer que os governantes, especialmente os paulistas, são corruptos ainda é temerário, não apareceram as provas, não ocorreram os julgamentos. Podem haver indícios? Podem.  Eles podem ser verdadeiros?  Podem, a corrupção existe e é absurda? Sim, mas acusar sem investigar, sem provar e sem permitir a defesa é tão absurdo quanto. Da mesma maneira é crível supor que o ex-presidente Lula tivesse conhecimento do mensalão, que ele pode ter sido o mandante e que não fez nada para dar um fim naquela atividade delituosa, mas não há provas. Ele alega não ter tido conhecimento, portanto deve ser lhe dado o direito da dúvida portanto ele não pode ser acusado por nada. Absurdo é condená-lo sem provas.

      Por qualquer motivo ou por preguiça intelectual o termo absurdo está absurdamente sendo utilizado. Não é um absurdo?