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terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O Meu 2018

      Você sabe o que têm em comum, além de talento, sucesso, dinheiro e fama, Prince, Michael Jackson, Madonna e Sharon Stone? Nasceram em 1958. Em 2018 completariam ou completaram 60 anos assim como eu, que não tenho nenhuma dessas características, e terminei o ano ainda pobre e desempregado. Aliás, no final de 2017 eu já sabia que a minha carreira como engenheiro de televisão, após 41 anos de trabalho, estava sendo encerrada, e eu sonhava em produzir por mais 5 anos. Portanto, 2018 não seria nada fácil, e não foi!

      Foi muito difícil acordar e não ter para onde ir. Fiquei e continuo ainda preocupado com as despesas mensais sem ter receita compatível. Foi o ano em que mais tive tempo e que menos o aproveitei. Não li o suficiente, reli algumas coisas, boas e ruins, li alguns autores novos para mim, mas nem de longe com a mesma vontade e aplicação. Também não me exercitei o suficiente, ainda estou fraco e gordo. Deixei de aproveitar por simples falta de vontade. Deixei-me abater e a procrastinar tarefas que antes eu resolvia de imediato.


Mapa do meu peso em 2018

      Passei também a ter vários problemas de saúde, a começar por insônia, dores na coluna, nos joelhos, resfriado várias vezes, infecção no olho 4 vezes, problemas na pele, estômago, e até tontura. No final de setembro, passei dois dias meio atordoado. Para não fugir à regra, nas poucas consultas com médicos a que me submeti, e respondendo sempre às mesmas e típicas perguntas, quando não era diagnosticada virose, nos casos dos resfriados, a causa poderia ser tcham tcham tcham tcham: estresse! Enfim, tanto nos problemas quanto na causa estou passando pela deteriorização da minha qualidade de vida.

      Quando durmo e sonho, em muitas das vezes me vejo trabalhando. Fico imerso em situações semelhantes às que já vivi e com pessoas com quem trabalhei em todas as emissoras pelas quais passei. Às vezes misturo as situações e as pessoas. É claro que as mais recentes predominam. 

      Não me serve de consolo imaginar que ainda tenho capacidade física e intelectual para trabalhar em alto nível e que fui “abatido” por fatores econômicos. Por outro lado também não culpo os executivos e a empresa que luta para sobreviver em meio à crise. Sou apenas mais um entre tantos outros amigos, colegas e desconhecidos do mesmo setor e também de outros. O desastre econômico produzido por sucessivos governos ruins até que foi abrandado nos últimos dois anos, mas não o suficiente para o mercado reagir, os investimentos aparecerem e a economia voltar a crescer.

      Voltei a morar em São Carlos - SP, onde minhas despesas são menores e aqui estou mais próximo da minha mãe e perto da filha, genro e neto, o que me trouxe vários momentos de felicidade. Deixei para trás, em Salvador, amigos e o mar. Lá eu corria na beira da praia, aqui também tenho amigos, mas quando me animo, corro na margem do córrego do Gregório. O que por si só, já faz uma enorme diferença.

      É grande a dor de estar desempregado. É maior a dor de ter tido a carreira encerrada pela circunstância, não por opção. E ainda doeu muito mais o fato de não ter deixado um legado no último emprego. Tenho consciência de que não produzi um desastre, mas ser apenas normal nunca me foi suficiente. Até reconheço que para algumas pessoas com as quais trabalhei diretamente fiz a diferença, mas para mim foi pouco. Ainda vai demorar muito para que eu assimile essa queda.

      Em nossas vidas há elementos que marcam determinadas passagens. Pode ser uma pessoa, uma imagem, uma fragrância, um gosto, uma música, enfim, são coisas particulares, e eu associaria esse ano à frase: “…e sem o seu trabalho, o homem não tem honra…" 

https://www.youtube.com/watch?v=2t7XXneQgtk


      A vida tem que continuar. Não é do meu feitio aceitar passivamente, sem reagir. Uma característica da engenharia é resolver problema e estou diante de um enorme! Não consegui meu diploma de engenheiro no lixo, e, além do mais, tenho responsabilidade para com várias pessoas. Não vai ser rápido, não vai ser fácil, não será indolor, mas estou me estruturando para voltar a ser produtivo e a gerar receita.

      Principalmente no segundo semestre houve uma politização imensa na sociedade brasileira, houve uma renovação marcante no poder executivo e legislativo federal e há um clima de muito otimismo para 2019. Todos sabemos que os problemas estruturais não serão resolvidos de imediato, que a crise ainda se arrastará por algum tempo, mas o que importa é a direção. Se o novo governo traçar um caminho coerente pode ser que o otimismo se concretize e dessa forma todos possamos colher bons frutos. Que venha 2019.

terça-feira, 21 de março de 2017

Algo de Podre no Ar

      Na última sexta-feira quando foi divulgada a operação Carne Fraca da Polícia Federal, imaginei que alguma coisa não cheirava bem.
      
      Como já disse vária vezes eu cresci no tempo da ditadura militar, período em que muitas coisas eram proibidas, pessoas foram exiladas, havia censura à imprensa e não havia eleição direta. O pior dos casos foi a tortura e o assassinato de pessoas. Houve algum mérito dos governos militares? Provavelmente sim. Houve deméritos dos governos militares? Com certeza. Mas até nisso nos mostramos ruins, pois a nossa ditadura quando comparada a de outros países foi coisa de amador. Não que eu a apoie, não que eu ache insignificante uma vida, mas são os fatos. Quantas mortes ocorreram por motivos políticos no Brasil? Entre 1946 e 1988 foram contabilizadas pela Comissão da Verdade 434 mortos ou desaparecidos (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/12/1560655-veja-a-lista-de-mortos-e-desaparecidos-do-regime-militar.shtml). A gente não precisa ir longe nos comparando com países do oriente médio ou com mortes as promovidas pelo comunismo russo. Basta olhar os nossos vizinhos e os quase vizinhos latino-americanos no mesmo período, por exemplo Argentina e Chile, que com população imensamente menor matou muito mais pessoas. Até mesmo a transição para a democracia no Brasil se deu de maneira suave, sem guerra, sem tomada do poder. Sim, mas o que isso tem a ver com a carne podre? Explico.

      Atribui-se ao Ulysses Guimarães o ensinamento de que o congresso que entra é sempre pior do que o antigo. E não é que ele tinha razão? Não dá para negar o avanço que o país teve nos últimos 150 anos, e a aceleração continua. Continua não por causa dos governos, mas apesar deles, e quando falo em governo falo dos 3 poderes. O que está em jogo não é o quanto avançamos, mas o quanto deixamos de avançar por causa de decisões erradas dos nossos dirigentes.

      Há 3 anos a operação Lava-Jato vem desvendando a bandalheira e a roubalheira que dirigentes políticos, empresários, executivos e meliantes de toda sorte promoveram contra o erário e autarquias, isso em nome de poder político e riqueza pessoal. Ainda que eu discorde de algumas penas muito pequenas imputadas a criminosos convictos, palmas a esse lado da justiça que funciona, mas é preciso lembrar que a justiça deve ser pautada pelas leis, pelo que está escrito. Não podemos eleger salvadores da pátria e desprezar todos os demais colocando na vala comum os maus e os bons, sim porque, embora não pareça, há sim pessoas boas e bem-intencionadas. Apesar de que os bandidos e inocentes úteis disseminam a ideia de que todo mundo é igualmente ruim.

      Ocorreu de maneira atabalhoada a comunicação da operação Carne-Fraca. Colocou na mesma lata de lixo bandidos, transgressores e empresas e pessoas sérias. Não sou a favor da censura ou da omissão, mas como me ensinou um antigo chefe, só há uma maneira de se fazer as coisas: o jeito certo. Não houve uma avaliação do tamanho do mercado, da quantidade de indústrias, de funcionários das empresas e do governo, da dimensão do comércio envolvido, enfim, por causa de umas duas dezenas de empresas sujeitas a investigação, contaminou-se todo o mercado que abrange mais de 4.000 unidades de processamento. Os danos a curto prazo são irreparáveis. Foi o excesso de vaidade, talvez necessidade de holofotes que está levando ao descrédito uma operação necessária de combate à fraude, à corrupção e à saúde pública.

      O lado lúdico foi até bem-sucedido, pois houve piadas realmente criativas, porém, a melhor (ou pior) chacota será a mancha da imagem da Polícia Federal que promoveu o espetáculo, e que pelo bom trabalho que tem apresentado na Lava-Jato não merece isso. Pelo sim, ou pelo não, não deixei e nem deixarei de comer carne, aliás, no sábado comprei filet mignon a R$ 25,00 o quilo.
      Para que a democracia dê certo é necessário que a separação entre os poderes seja mantida. Quando um deles começa a semear em outra seara passamos a ter o mesmo risco que nos ofereceu a ditadura, e recentemente temos visto várias manifestações nesse sentido. Essa necessidade de protagonismo está levando as instituições, e nem só a Polícia Federal, a ultrapassar os seus limites. Como popularmente se diz, cada um deve ficar em seu quadrado.


      Ah! Só para lembrar, o descalabro produzido pela política é tão grande que a violência urbana assusta muito mais do que a ditadura. Entre 2011 e 2015 foram mortos de forma violenta 278.839 brasileiros, mais do que os 256.124 mortos na guerra (isso mesmo, na guerra!) da Síria no mesmo período. Isso significa que hoje, no Brasil, se mata em uma semana, 1.072 pessoas, mais do que o dobro do que a ditadura militar executou em seus nos 21 anos. (http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2016-10/brasil-tem-mais-mortes-violentas-do-que-siria-em-guerra-mostra).

sábado, 30 de abril de 2016

Resumindo: já Vai Tarde

      Não sou historiador, apenas leitor, e pelo que entendi, se houve um estadista brasileiro esse foi José Bonifácio de Andrada e Silva. São poucos os brasileiros que sabem quem ele foi e o que ele fez, e vejam que os feitos foram muitos. Na sexta avenida em Nova Iorque, no jardim, atrás do biblioteca pública, há uma estátua em homenagem à ele, eu nuca vi uma aqui no Brasil.

      Mesmo o caudilho Getulio Vargas, de erros tremendos, nos deixou um legado jurídico, sim, imperfeito, mas consciente, como o código de processo civil e a CLT, criou também a Petrobras, o que na época foi estratégico. 

      O Juscelino Kubitschek mudou a capital do país e nos deixou endividados. Tirou do Rio de Janeiro o centro do poder, mas não levou tudo para o centro-oeste, há muita coisa que ainda com sede no sudeste e ninguém, até agora, conseguiu mudar.

      Os militares impediram a chegada do socialismo, promoveram algum progresso em infraestrutura mas aumentaram o endividamento. Governaram com uma mão dura, mas não de ferro quando compara com as demais ditaduras sul americanas, como a chilena e a argentina. Da soviética, chinesa e africanas…nem se fala.

      O governo Sarney foi um desastre econômico. Perdido no tempo e no espaço. Não consigo me lembrar de nada de bom que tenha sido feito naquele tempo, a não ser ter deixado o tempo passar. Nem mesmo os militares quiseram pegar novamente o abacaxi.

      E o Color, o breve, bem, todos sabem o que ocorreu, mas o que não se fala, ou pouco se fala, é referente a duas coisas boas que ele deixou, abriu o mercado e fechou o poço de testes nucleares que estava sendo feito na Serra do Cachimbo. Ele não permitiu que o Brasil ingressasse em uma corrida armamentista para a qual faltaria dinheiro e passaríamos vergonha.

      Graças à inépcia do Itamar, o seu governo foi o melhor da história, foi pequeno e acertivo, estabilizou a moeda e acabou com a inflação. Ele não fez nada nem para acontecer e nem para atrapalhar, por isso deu certo.

      O Governo Fernando Henrique teve erros e acertos, e acertos principalmente se considerarmos que ele foi o pai do Real, ainda no governo Itamar. Além de arranjar a economia, organizou o estado, deu visibilidade e credibilidade internacional, inserindo o país novamente no comércio mundial e, principalmente, criou a Lei de Responsabilidade Fiscal, essa mesmo que vai derrubar o desgoverno do PT.

      O Lula acertou naquilo que não mexeu e errou quando quiz inventar. Ponto para ele quando manteve a política econômica. Ponto para ele quando unificou os programas sociais, mas é balela dizer que tirou 50 milhões da linha da pobreza. Na verdade ele só mudou a escala dizendo, você que era pobre, a partir de hoje é da classe média. Criou universidades que não se sustentam e deixou o ensino básico na miséria. Foi um desastre nas relações externas. Se aliou a corruptos e ditadores e estraçalhou as relações com quem realmente importa na ordem mundial. Sim, ele teve sorte, navegou a onda boa da prosperidade mundial e quando a bolha estourou ele estava saindo. Mas em sua administração o governo foi aparelhado e a corrupção sistematizada. O bolo começou a desandar porque ele vendeu a janta para comprar o almoço, por isso o balanço não é positivo para ele.

      Como tudo o que é ruim pode piorar, o Lula elegeu e reelegeu sua sucessora, a Dilma. Ela se superou. Conseguiu ser pior do que o Sarney. Que governo, ou melhor, desgoverno, mais vagabundo. Inepto, arrogante, corrupto que mesmo nas boas ideias consegue ser ruim. Veja o caso do programa mais médicos. Trazer de fora médicos que atuem em regiões pobres onde os brasileiros não querem ir, foi de fato uma boa ideia, mas escravizar os vindos de Cuba pagando uma miséria aos profissionais e levando uma fortuna para um regime totalitário, arcaico e sanguinário? Cometeu um estelionato eleitoral, prometeu muito e só podia distribuir miséria. Dilma, apesar de que eu gosto de pedalar e por isso eu poderia ser solidário à sua causa, o melhor que posso dizer é: Dilma, já vais tarde, ou no popular: demorô! Foi apenas coincidência, não tem nenhuma relação com o juiz Moro… ou tem.

      Na linha sucessória estão o Temer, Cunha e Renan, os 3 sob suspeita, sim é verdade, eu acho que o Cunha sai logo, mas o principal é que o PMDB é o único partido no Brasil que pode fazer frente ao PT. O PT é apoiado por bandidos que se dizem líderes de movimentos sociais (leia-se: bandos) que infernizam a nossa vida sendo pagos com o nosso próprio dinheiro. Por ter o maior número de deputado e de senadores, por ter o maior número de governadores, de deputados estaduais, de prefeitos, de vereadores, por estar organizado na maioria dos municípios brasileiros, só o PMDB consegue produzir alguma mudança. Sei que O PMDB não é, de fato um partido, mas uma agremiação com muitas faces, sendo a mais visível, a fisiológica, mas é o único garrancho preso ao barranco que a nossa mão de afogando consegue alcançar. Quando atingirmos a margem a gente decide o que fazer.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Apoio a CPMF

      Provisória sobre Movimentações Financeiras) e eu sou a favor e explico: é um imposto de fácil arrecadação, baixo custo de arrecadação, baixo impacto no índice de inflação, amplia a base de arrecadação e, principalmente, é provisória. Sim, sou a favor, mas deve haver alguma contrapartida, em seguida sugiro uma e no final a do texto segunda. Deve-se diminuir em medida igual outro imposto, por exemplo, o imposto de renda, assim o aumento de arrecadação se dará apenas pela ampliação da base.

       Esse governo incompetente despresou os alertas de que a situação estava saindo do controle e deu no que deu: recessão. O pior é que a solução apresentada é mais-do-mesmo só que em menor volume. Até ignorantes como eu sabem que nosso problema não é falta de crédito, mas de quem quer crédito ou de quem pode pagar por ele. Mas com ideologia retrógrada, arrogância master e base de sustentação corrupta não haverá solução sem dor e muito menos a curto prazo.

      Nos últimos anos a corrupção nos meios públicos se tornou sistêmica e disseminada para ser um projeto de poder, transformando assim juízes em paladinos. Mas isso é pouco. É pouco porque, as condenações do chamado Mensalão foram brandas e as da Lava Jato, apesar da maior amplitude, também serão tímidas. As punições não estão alcançando os mentores, os chefes e nem está sendo caracterizada como quadrilhas e tudo isso é por falta de prova apesar das delações.

      Gosto de filmes de ação, de tribunal e principalmente baseado em fatos reais. Em um deles, o clássico Todos os Homens do Presidente, atribui-se à personagem Deep Throat (Garganta Profunda) a frase “follow the Money” (Siga o Dinheiro) e é o que tem se tentado fazer e isso é necessário mas não suficiente. Como todo filme de gangsters ensina o ideal é pegar a família, não o próprio elemento, pois com essa pressão ele se entrega. Mesmo seguindo o dinheiro os investigadores devem ir atrás das esposas, maridos, filhos, pais e outros agregados próximos, é aí que a verdade irá aparecer.

      Me sinto humilhado em ter que viver essa realidade. Vejo pessoas de bem literalmente se matando em trabalhos voluntários tentando salvar uma infância perdida para o tráfico de drogas e agora até mesmo para um mosquito enquanto poderosos inescrupulosos vilipendiam os cofres públicos em proveito próprio. Somente terei esperanças se o dinheiro roubado for devolvido e essa quadrilha for exemplarmente punida. Se for para isso, até aceito pagar mais imposto.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Negócio da China

       Sempre gostei de esportes e desde que me conheço torço para o SPFC. Meu pai se dizia corintiano, mas nunca o vi assistindo a uma partida de futebol profissional ou amador adulto em um estádio. Tenho registro somente de duas partidas da copa de 74 que assistimos juntos na casa de amigos dele pois em casa não tinha TV. Também me lembro que ele ajudou a organizar um time “dente de leite” no bairro do qual eu não participei pois eu ainda era muito pequeno e também não jogava lá essas coisas. Ele tinha quatro irmãos, dois são palmeirenses e dois eram sãopaulinos, esse já faleceram. Vem deles a minha influência.

      Tenho conhecidos que não gostam de esportes, gostam do Bahia (Baea!), eu já não penso assim. Esporte é uma atividade em que se premia o melhor, os demais são perdedores, mas como o ciclo é pequeno, o perdedor de hoje pode ser o vencedor de amanhã. Na semana passada ouvi na rádio CBN que 80% dos jogadores profissionais brasileiros recebem menos de dois salários mínimos e apenas 2% recebem acima de vinte salários mínimos, mas não sei dizer quantos são os milionários do futebol. A maior parte das pessoas acha que os salários milionários são um absurdo, eu não concordo. Eles premiam o talento de quem movimenta uma industria bilionária e que gera milhares de empregos e milhões em impostos. Costumo repetir uma frase que é atribuída a Nelson Rodrigues mas não sei se é mesmo: entre as coisas desimportantes o futebol é a mais importante.

      A politização, o desmando e a roubalheira nas federações e confederações brasileiras acabaram com os bons campeonatos, sufocaram os times e dispersaram nossos melhores atletas. Há tempos temos acesso aos campeonatos europeus, os melhores e mais ricos do mundo: italiano, inglês, alemão e hoje o espanhol, o melhor de todos, além das ligas continentais e mundial, para onde vão os principais talentos e aqueles que estavam em final de carreira exploravam locais menos tradicionais mas que pagavam bem como Holanda, Arábia, Grécia, países do leste europeu, Japão e recentemente a China. Sempre a China. China que se dispôs em 8 anos ser a maior potência do esporte olímpico do mundo para ser o melhor em sua própria casa e pela primeira vez na história os Estados Unidos foram derrotados. Agora eles se voltaram para o futebol e estão contratando bons e jovens jogadores e diversos experientes técnicos. 

      Essa é a oportunidade dos jogadores “fazerem a vida”. Além da nossa desorganização, conta também a desvalorização cambial. No exterior, um bom jogador recebe facilmente USD 250,000 ou seja, cerca de R$ 1.000.000,00 por mês, muito mais do que a média do que se paga no Brasil. Pouco mais de um ano atrás e eles teriam que desembolsar muito mais, mas graças ao nosso glorioso incompetente e corrupto governo a economia desandou, a moeda se desvalorizou e o campeão brasileiro de 2014 e do ano passado se desmancharam. Só estou esperando que eles vendam também o goleiro, que para mim, é o maior responsável pelas últimas conquistas. Já que não dá para termos um campeonato de alto nível e com partidas atraentes, torço para que os adversários fiquem só com o osso. :)

      O nosso baixo nível se generalizou, houve a perda da organização familiar, dos valores pessoais, da educação, do respeito, da segurança, da economia e também dos esportes. Estamos descendo a ladeira e sem um alento, sem uma só sinalização de que colocaremos nossa vida nos trilhos novamente. Uma pena.


quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




sábado, 23 de maio de 2015

Servir ao Povo

    Dizem que há duas coisas certas na vida, a morte e os impostos. Pode ser que algum dia escapemos da morte, mas dos impostos, com certeza não. Cerca de 40% do PIB (Produto Interno Bruto - que é a soma de tudo o que é produzido no país durante um ano) do Brasil é arrecadado em impostos. Deus e todo mundo indicava que a política econômica do governo estava sendo mal conduzida, menos o próprio e os que dele se aproveitavam. Agora estamos ladeira abaixo com aumento do desemprego, da taxa de juros, do câmbio e da inflação que já está beirando os 8,5% anual e que penaliza justamente os mais pobres. Passadas as eleições o governo anuncia a mudança de rumo da economia e apela mais uma vez para quem paga aumentando os impostos ao invés de cortar suas despesas. Tem governo demais e governança de menos. Só para iniciar é impossível ser eficiente com 38 ministérios. Se começasse reduzindo para 15 já seria uma boa sinalização e excelente economia, além do mais, já que não conseguem estancar a corrupção haveria menos pessoas tentadas a nos roubar.

      O chamado contingenciamento de 70 bilhões irá reduzir a verba essencial para a saúde, segurança e educação, ou seja, o que está ruim ficará pior, e nesse momento de crise temos absurdos criados como o projeto do novo prédio para abrigar parlamentares (e um shopping center). Eu proponho deixar o prédio atual como está e reduzir o número de parlamentares, e mais, reduzir a quantidade de assessores dos parlamentares, com certeza iria sobrar espaço. Para que temos 513 deputados? Não precisamos de mais que 200, um apara cada um milhão de habitantes. Para que 81 senadores? Bastariam 26, um por estado e não conte o distrito federal. Para que suplente? Saiu, perdeu! Deixou o congresso para ser ministro? Fica vago até a próxima eleição, assim acaba com essa promiscuidade. Há senador que é nomeado ministro e o suplente assume, e se o governo não confia no suplente para uma votação específica exonera o ministro e esse volta ao senado apenas para votar e em seguida é novamente reconduzido ao ministério. Isso é o cúmulo da desfaçatez. É rir na nossa cara.

    Para que existem as emendas parlamentares? Para os políticos venderem favores aos eleitores de "suas bases eleitorais"? Parlamentar precisa é fazer lei, não arrumar verba para quadra de esporte. Acabar com essas emendas  faria reduzir, e muito, a vontade de muito picareta se candidatar. Que se acabe com essa excrescência já!

      Para que pagamos por mais de 30 partidos políticos se apenas meia dúzia é que dá as cartas? Não precisamos de mais do que 5, os dois de extrema direita e esquerda, os dois moderados de esquerda e de direita e um de centro e chega! Para que pagamos imposto sindical? Para sustentar pelegos? É bom também rever a questão dos subsídios a muitas das entidades ditas não governamentais mas que vivem apenas de verba pública, ou seja, um contra-senso. Uma coisa é ajudar a APAE, outra é sustentar o MST. Não dá para ficar pagando diária para manifestante ( e arruaceiro ) profissional que vai para manifestação de apoio ao governo com diária, alimentação e ônibus com ar condicionado pagos com o nosso dinheiro. Isso não é informação da pseudo "imprensa de direita" eu vi, e mais de uma vez. Congestionamento de ônibus e fila para receber refeição, todos com a camiseta vermelha e bandeirinha do PT e do MST.

      Eu gostaria que alguém me desse uma justificativa plausível para que o governo gaste com propaganda. Esse dinheiro seria muito bem gasto se fosse utilizado em campanhas educativas de diversos temas, e o principal deles é a do controle da natalidade. As pessoas têm o direito de ter quantos filhos quiser, mas devem ser instruídas para não ter os que não desejam, pois como se dizia antigamente, a família é a célula da sociedade.  Eu também gostaria de saber por que pagamos por uma TV pública que ninguém assiste e que não produz nada de interessante, a ressalva foi a TV Cultura que hoje não é nem sombra do passado, que embora tivesse baixa audiência fazia produções primorosas. Para que mantemos uma TV Câmara? Uma TV Senado? A Voz do Brasil? Entre embaixadas e representações, o Brasil mantém 138 Missões Diplomáticas, para quê? Sabemos que muitas são um luxo só, mas com salários e aluguéis muitas vezes atrasados. Será que umas 50 não seriam suficientes? Não é hora de priorizar aquelas onde há a necessidade de assistência a mais brasileiros e que possuem grande apelo comercial?

      Vem de longe a cultura da ineficiência do governo na gestão de obras públicas. É um tal cartel para cá, superfaturamento para lá, aditivos de contratos que não têm fim, obras mal feitas, inacabadas, mal geridas e desnecessárias. Isso em todas as esferas. É tempo de acabar com a ideologia e deixar para o governo apenas a regulação. A execução tem que ser do setor privado que é quem emprega, produz e paga imposto. Uma faxina nos contratos existentes também viria a calhar.

      Se começar a desenrolar esse novelo com certeza poderiam cortar os impostos da cesta básica e dos medicamentos o que iria, em muito, melhorar a vida dos mais necessitados, e ainda sobraria dinheiro. Acho que está na hora do governo deixar de pensar em si e pensar no povo. Ter coragem para fazer o certo que é servir ao povo e não servir-se desse.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Carteira Cheia

      A partir de fevereiro para ser atendido no sistema público de saúde o cidadão precisará possuir a Carteira Nacional de Saúde. Em se registrando, todo o histórico do paciente ficará disponível para acesso em qualquer unidade de saúde da federação. Veja a maravilha que essa tecnologia no dá, se eu for baleado no Piauí eles saberão imediatamente que tenho uma consulta agendada com o cardiologista no estado de São Paulo para daqui a 46 dias, não é fantástico?

      Ironia à parte reconheço os benefícios de um sistema automatizado e interligado, mas o que me chateia é o novo cadastro e mais uma carteirinha. Oficialmente temos a certidão de nascimento, a carteira de vacinação, o RG, a carteira de motorista, o certificado militar que é obrigatório para os homens, a certidão de casamento, o CPF, a carteira profissional, o título de leitor e para alguns, o passaporte, se é que eu não tenha me esquecido de mais algum. Depois vem a identidade funcional, os cartões dos bancos e os de crédito, e nas farmácias você deve ter um cartão da própria rede para obter descontos. Nos supermercados, nas locadoras, nos postos de combustíveis, ou seja, em qualquer lugar alguém inventa a moda de fazer um cadastro e emitir uma carteirinha e assim vou ficando com a carteira cheia...de carteirinhas, dinheiro que é necessário nem passa por ali, e se passasse não haveria lugar para ele.

      Será que esses gênios dos cadastros já pensaram em te registrar apenas pelo número da identidade? Bastaria se identificar com um único número para obter os benefícios ou as vantagens de qualquer serviço.

      Consigo imaginar duas críticas que podem ser feitas a esse sistema, a primeira com relação à segurança, pois o sistema ficaria mais vulnerável a fraudes. Não necessariamente, com a tecnologia disponível a segurança pode ser reforçada, inclusive com identificação biométrica, como está sendo implantada para o título de eleitor, além do que, as pessoas de bem não devem pagar pelos mal intencionados, basta que se puna os fraudadores, esse é o real problema, pois o mau exemplo vem de cima. A segunda é o caso oposto. O governo teria com um só número todo o histórico do cidadão, no jargão policial, a capivara. Não se iludam, eles já os possuem, só que custou um pouco mais caro e você já pagou por essa conta. Como não sou muito curioso não fico vasculhando os sites das empresas com os quais mantenho relações comerciais, mas outro dia verifiquei uma conta que tenho numa operadora de cartão de crédito e descobri que eles sabem muito mais da minha vida do que eu mesmo. Eles sabem o quanto gastei, com o quê, quando e onde. Tenho vários colegas que não se inscreveram para obter o reembolso da nota fiscal paulista para que o governo não vasculhe as suas vidas. Ilusão. Como eu, eles têm uma só fonte de renda, pois os amigos de pobres também são pobres, assim não eles não têm o que esconder, e estão perdendo uns bons trocados.

      O problema não seria a implantação de um sistema grande como esse, pois a soma dos sistemas menores é muito maior. E se não é possível fazer de uma vez, sejamos pragmáticos, para os adultos deixem como está, comecem implantando para os recém-nascidos e continuem ampliando. Daqui a algum tempo todo mundo estará inscrito. O importante é que parem de importunar o cidadão. Porque se os diversos cadastros já são um horror, lembrem-se, eles devem ser atualizados regularmente.

      Falando nisso, preciso renovar a minha carteira de motorista, o passaporte, e fazer a tal Carteira Nacional de Saúde.

domingo, 23 de outubro de 2011

A VIVO e Eu.

      Mudei-me para São Carlos em janeiro de 1.991 e tive que alugar um telefone, pois quem é novo não se recorda, mas naquele tempo o serviço de telefonia fixa era estatal, em São Paulo feito pela Telesp, e o serviço não atingia a todos. Dessa maneira, telefone era um bem passível de ser declarado no imposto de renda, e alguns investidores tinham tantas linhas que sua administração era feita por imobiliárias. No mercado informal o custo corrente de uma linha era de cinco mil dólares e o aluguel mensal girava em torno de meio salário mínimo, não estou considerando a tarifa pelo uso do serviço. E não adiantava querer comprar uma linha diretamente da concessionária, pois não havia. Era necessário se cadastrar em um plano de expansão que demorava vários anos para ocorrer e o pagamento era feito em, no mínimo, 12 parcelas. Telefone celular então ainda não existia, e esse serviço passou a ser oferecido por volta de 1.993 pela então chamada Telesp Celular. No primeiro semestre de 1.984 comprei nos Estados Unidos meu primeiro aparelho que era, claro, o famoso PT 100, da Motorola. Esse tinha a dimensão de meio tijolo, pesava mais de meio quilo e a bateria não durava mais que duas horas, e o pior, não havia linha disponível. Aguardei pelo segundo plano de expansão e no dia de seu início fui até Araraquara para habilitar o aparelho, pois foram disponibilizadas apenas 700 linhas para São Carlos que se somaram às 700 habilitadas no ano anterior.

      A Telesp foi privatizada, sendo comprada pela Telefonica e o custo de uma linha fixa gira em torno de cem reais e a compra pode ser feita pela internet, que naquele tempo também não existia. A telefonia móvel da Telesp foi vendida para a Vivo e como sou um típico consumidor burro, continuei fiel à marca e mantive o mesmo número. E devo confessar, as empresas adoram idiotas como eu, mesmo que a minha conta não seja elevada, a receita é certa e constante. Como utilizo pouco o telefone, pago pela disponibilidade, e a Vivo é a companhia que me dava maior área de cobertura, e acredito que até hoje ainda seja assim, e como não havia ainda a lei da portabilidade, eu não queria perder o meu número. Além disso, há apenas uns 3 anos eu tive um único e pequeno problema, passaram a tarifar alguns trocados por pacote de SMS. Reclamei alguns meses depois e resolveram.

      Faz uns quatro anos que tenho smartphone sem ter contratado plano de dados, acesso apenas em rede wireless. No ano passado comprei um tablet e reduzi em muito o uso do smartphone, mas na conta telefônica de do mês passado, que pago com débito automático, veio debitado R$ 102,00 por dados excedentes. Demorei alguns dias mas fui à loja da Vivo me informar. A atendente buscou uma listagem no banco de dados de todos os meus supostos acessos, inclusive constava o dia 13 de agosto no qual pedalei das 5 da manhã às 5 e meia da tarde. Para mim estava mais do que caracterizado que a tarifação era indevida. Questionei-a a respeito mas ela se limitou a mostrar a evidência: a listagem. Eu disse então que eles são os donos do banco de dados e eles podem colocar o que quiserem. Polidamente, mas firme, ela me respondeu que a Vivo não precisa disso. No mesmo tom retruquei: não precisa mas está fazendo. De qualquer maneira não tive a minha demanda atendida, era necessário ligar para o um determinado número. Não o fiz de imediato e na conta desse mês veio o débito de R$ 318,00, mas com a greve dos correios não recebi a fatura e por isso demorei para reclamar, mas o fiz, e esse foi o calvário.

      Às 11:37h da quarta-feira fiz a ligação e fiquei esperando por 12 minutos sem ser atendido. Desliguei, liguei novamente e fiquei mais 15 minutos até ser atendido. Foi um procedimento burocrático longo e para resumir permaneci ao telefone até às 13:45 e não sei se resolvi o problema. Insisti que não solicitei o serviço, não o utilizei, exigi que o bloqueassem e me devolvessem o dinheiro. Autorizei que se fizesse em crédito nas contas futuras. Deixei claro para a atendente que, aliás, foi simpática, solícita e que aparentemente tentava a solução, que o meu problema era com a empresa e não pessoal.

      A minha reflexão a respeito é a seguinte: uma empresa que tem 20 milhões de assinantes e que quer fazer caixa pode proceder dessa maneira com apenas 10% de seus clientes distribuídos geograficamente. Se eles forem taxados em apenas R$ 200,00 cada um estamos falando de um montante de 400 milhões, que reclamados apenas no mês seguinte representa um empréstimo sem juros por um mês. Se apenas 50% exigirem o ressarcimento imediato em dinheiro, serão 200 milhões em caixa por mais um mês e sem o pagamento de juros. Essa é uma boa maneira de se administrar uma empresa. Capital de giro sem mexer no fluxo de caixa e financiado sem juros.

      Visto dessa forma vocês podem pensar que sou contra a privatização, mas não sou. As estatais são mais ineficientes e os custos que nos impõem são muito maiores, haja vista a situação inicial que descrevi, sem telefones e serviço ruim. Ou seja, o governo não é provedor e nem regulador, é incompetente.

      E para encerrar, me parece que o problema é sistêmico, pois em casa quando falei com a minha filha sobre o caso, ela, no mesmo dia, ficou tentando resolver a taxação de aproximadamente R$ 500,00 em débito em sua conta corrente pela operadora Claro que lhe taxava por 900 torpedos supostamente enviados no mês anterior.

      Se não tivermos as nossas demandas atendidas iremos reclamar formalmente junto a Anatel.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Oportunidade.

      A presidente Dilma já entrou para a nossa história como sendo a primeira mulher a governar o país, mas isso é pouco. Ser homem ou mulher a comandar uma nação não muda em nada a vida de ninguém, o que importa é fazer um bom governo, e nesse quesito ela está perdendo uma oportunidade ímpar.

      Às voltas com tantos escândalos de corrupção a sensação é que essa aumentou, mas pode ser apenas isso, sensação, pois não existe medida oficial, existe somente a percepção, e em sendo esses cada vez mais apresentados ao público, é justo imaginar que tenha havido o incremento dessas atividades. Faz tempo que o governo está apagando um incêndio por dia, trocam-se os protagonistas mas a estória não muda, ou muda pouco. Primeiro faz-se de conta que não é comigo, depois passa-se para o processo de explicações, segue-se trocando as personagens até que esse seja esquecido por causa de um escândalo mais recente.

      Em todo o mundo rouba-se. O roubo e a corrupção não foram inventados aqui e nem ocorrem aqui somente, o que muda são os processos de como fazê-los e como combatê-los. E aqui está claro que o nosso sistema judiciário é parte do problema, talvez nem seja por causa das pessoas, mas pelo próprio sistema no qual quem pode protela até que a punição não mais ocorra, ou quando ocorra não seja reparadora e muito menos inibidora, enfim, aqui o crime compensa.

      Além do risco brando os processos e respectivos controles são risíveis. Por não ter maioria no congresso o poder executivo, para aprovar os projetos de seu interesse, se utiliza de um grupo de partidos que cobra pelo apoio, e o preço são cargos em ministérios e autarquias, principalmente naqueles de grande orçamento, onde é grande a chance de “faturar algum”. Assim, hoje no Brasil são mais de vinte mil cargos comissionados, sendo que nos Estados Unidos, a maior economia do planeta, com um PIB 7 vezes maior que o nosso, são cerca de 10% disso.

      Se considerarmos que a economia não vai tão bem quanto querem nos mostrar os discursos e propagandas oficiais, pois a inflação mensal já atingiu limite superior do previsto, a taxa de juros SELIC continua elevadíssima, a moeda está supervalorizada, continuamos exportando matéria prima e importando produtos de alto valor agregado e sabendo que a economia mundial não irá voar em céu de brigadeiro como ocorreu nos 6 primeiros anos do governo anterior, esse é o momento certo para tomar certas medidas certas!

      A presidente deveria reduzir o tamanho do estado mostrando, ao povo, austeridade. Não seriam necessários mais do que cerca de uns 15 ministérios, ao invés dos mais de 30 atuais, e, além disso, cortar as verbas oficiais de publicidade, pois a melhor propaganda de um governo é governar seriamente. Deveria ainda profissionalizar a administração reduzindo os cargos comissionados, e, ao invés de culpar a imprensa a cada novo escândalo, se aproveitar dela para, a cada denúncia, afastar os partidos que se aproveitam do governo. O poder executivo não pode ser refém dos partidos, pois quem lhe dá legitimidade é o voto popular.

      Mal se passaram 7 meses do atual governo e já vimos escândalos na chefia da casa civil, no ministério dos transportes, no da agricultura e no ministério do turismo. Dois ministros já foram substituídos, dezenas de funcionários foram demitidos e hoje mais de 30 foram presos. Até quando o governo irá tapar o sol com a peneira e nós ficaremos indiferentes? Não, a presidente, ou presidenta como ela gosta de ser chamada, não pode deixar escapar essa oportunidade de passar para a história com a fama de boa administradora que ela tem.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Esgotos E Estádios.

      Com uma renda per capita de cerca de 10 mil dólares o Brasil é um país pobre. Com uma escola pública que privilegia o corporativismo ao invés do livre debate de idéias e da excelência acadêmica, a nação ganha analfabetos funcionais e um sem número de ignorantes, o que é bom para a manutenção da classe política, mas não enriquecerá a nação e nem diminuirá a desigualdade social. Cabe àqueles que podem utilizar-se dos meios acessíveis, sendo a imprensa e a internet seus exemplos, além, é claro, do voto consciente para pressionar os governantes a tomarem as medidas adequadas para por fim a esse descalabro.

      Incentivar a indústria turística e investir em infraestrutura são ações positivas e desse ponto de vista tanto a copa de 2014 como as olimpíadas de 2016 podem render dividendos, se não pelos milhares de empregos ainda que temporários, mas  principalmente pelo legado que deixará, pois os serviços, a segurança, as comunicações e os transportes deverão ser incrementados e a população poderá desfrutar deles após o término desses eventos, mas como aqui nada é perfeito, o governo apoiar é uma coisa, já, fazer, são outros quinhentos, e bota quinhentos nisso.

       Tanto a Fifa quanto o COI são entidades privadas e não estão em posição de impor leis ao país, até porque com tantas denúncias de corrupção envolvendo seus dirigentes essas entidades ainda podem ter força política, mas não moral, algo como ocorre com muitos dos nossos representantes nas três esferas de poder. A tentativa de impor as suas regras faz parte do jogo, aceitá-las faz parte das nossas fraquezas, e nosso governo capitulou.

      Desde o primeiro momento mesmo com a descrença geral falava-se que não haveria a utilização de recursos públicos em tais eventos, mas ocorreu o óbvio. O início das necessárias obras foi adiado até o limite do impossível para que fosse aprovada uma lei que abrandasse as regras de transparência e boa gestão, que ruim com elas, muito pior sem elas, permitindo que aqueles que superfaturam as obras venham a nadar de braçadas. O tal regime de contratação aprovado pelo congresso mereceu o seguinte comentário feito pelo senador Álvaro Dias, do Paraná: “ A Medida Provisória abre portas e janelas para a corrupção desenfreada” e se ele que está lá dentro diz isso é porque sabe o que está falando.

      O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que se utiliza de recursos do tesouro e os repassa subsidiados aos empresários é o braço do governo encarregado de viabilizar as obras. Por si só já é um disparate tomar dinheiro a 12,25%aa e emprestá-lo a menos de 6%aa a grandes e ricas empreiteiras, mas utilizando-os em serviços básicos, vá se lá, em portos, aeroportos, estradas, saneamento, habitação, ainda é compreensível, mas senhores e senhoras, o absurdo dos absurdos é financiar a construção de estádios de futebol.

      Por que temos que pagar para que clubes tenham seus estádios? Porque pagar para construir arenas para mais de 45 mil pessoas em locais cuja média de público em campeonatos regulares é de cerca de 2.000 pessoas, ou seja, os estádios serão utilizados umas 3 ou 4 vezes e ficarão ao limbo e sem dinheiro para a sua cara manutenção. Até aqui se falou de estádios administrados pelos estados, e o que dizer então daqueles que são de clubes privados?

      Tem coerência investir em campo de futebol quando metade da população do país não tem esgoto tratado? Esse governo e o anterior se fizeram bradando contra as privatizações, pela "não dilapidação do patrimônio público em benefício de empresas privadas". Esse mesmo governo agora diz que irá privatizar os aeroportos e financiará a construção de estádios. Tem cabimento? Tem coerência?

      Como já disse, não tenho outra saída a não ser reclamar e lamentar, mas esse governo não me representa.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Prato cheio.

      Li recentemente um artigo do conhecido Frei Leonardo Boff, doutor, teólogo e expoente da Teologia da Libertação, no qual ele dizia que os governos priorizam a economia em detrimento às pessoas, e que aquilo que era um meio em si, transformou-se em fim. Como sempre defendeu o governo Lula como sendo o governo de mudança e coisas afim. Concordo em gênero, número e grau sobre a questão da economia e desprezo o abismo existente na distribuição de renda passado ou atual, mas como fazer melhor? Sendo Robin Wood, tirando à força dos ricos para dar aos pobres? E o que fazer com aqueles que sabidamente apenas esperam pelas benesses? Pois se ele, ou alguém, imagina que isso não existe, posso afirmar categoricamente: existe sim. Como já disse anteriormente, o capitalismo é um péssimo sistema, mas qual é melhor e mais bem sucedido?

      No entanto discordo dele quanto ao governo Lula ser um governo de mudança. Reforço ainda a ideia de que a economia vai bem não por causa do Lula, mas apesar do Lula. Ela iria bem até mesmo se um incompetente como eu tomasse conta, o difícil foi vencer a inércia, o que foi feito pelo FHC, o que veio depois foi conseqüência, e explico. A economia brasileira, após o controle da inflação, é baseada em 3 princípios: câmbio flutuante, metas de inflação e manutenção do superávit primário. Qual foi a contribuição do Lula nessas questões? Nenhuma, mas a inflação em crescimento e a mudança no método de cálculo do superávit primário para gastar um pouco mais, que é muito, no ano eleitoral pode comprometer o próximo ano do futuro governo. Quem paga as contas do governo é o setor produtivo, que se desonerado poderia investir mais em estrutura aumentando a produtividade e a produção. Em que o governo mudou? Nada. Não reduziu impostos e não modificou leis arcaicas. Nesses oito anos foi reduzida a diferença de renda significativamente? Não. Se os pobres melhoraram, os ricos o fizeram muito mais. Estão cada vez mais ricos, basta ver os últimos balanços das grandes empresas e principalmente dos 3 maiores bancos nacionais. Com relação às taxas de juros, saímos da maior taxa de juros do mundo para onde? Para a maior taxa de juros do mundo. Caiu? Sim, é verdade, mas mudou? Não. E a reforma agrária avançou? Nadinha, nadinha.

      Saindo da agenda econômica e verificando a social, qual foi a contribuição do governo para a redução da violência? Meia dúzia de presídios e a criação da força nacional, o que é muito pouco. Continuamos com uma legislação obsoleta que pune apenas os pobres, entope cadeias, e entulha o judiciário de processos que se arrastam por anos a fio. O governo criou algumas universidades federais, distribuiu vagas baseadas em cotas, ampliou o programa de crédito universitário e modificou o sistema de avaliação dos cursos e de ingresso às universidades, ou seja, investiu novamente de forma errada, pois no modelo atual se investe muito mais em educação superior do que na básica e o resultado é péssimo, assim o correto seria investir na educação básica, aumentando o nível de conhecimento médio da população, permitindo que o ingresso nas universidades se desse apenas pelo mérito e por fim, também com maior aproveitamento.

      Na área de infraestrutura, nada significativo para comemorar, pois os tais Programas de Aceleração do Crescimento não passaram de peças de marketing integrando um monte de obras já planejadas ou iniciadas que estão sendo inauguradas sem mesmo terem sido terminadas, e que não modificaram em um milímetro sequer as questões básicas. Continuamos sem portos, aeroportos, estradas, saneamento básico, e distribuição desigual de energia elétrica. E quanto a saúde? É preciso comentar? Vemos todos os dias reportagens sobre o mau atendimento nos hospitais, das intermináveis filas de espera para fazer exames e da falta de remédios. Enquanto isso a dengue e a malária avançam, e até a Hanseníase (lepra) voltou a dar as caras. E no setor ambiental? Devemos comemorar a redução no índice de desmatamento? Oras, isso significa apenas que está se desmatando menos do que se fazia, o que precisamos é celebrar a recuperação de áreas desmatadas, o que também não ocorreu.

      O governo Lula teve méritos? Sim, muitos. Em primeiro lugar foi um governo de continuação. Continuou com a política econômica, continuou, ampliou e renomeou os programas sociais, continuou e ampliou as avaliações do sistema de ensino, mas principalmente domou o próprio partido não permitindo a ruptura, o que levaria o país ao desastre, além disso, tomou também as rédeas dos chamados movimentos sociais como os Movimentos dos Sem alguma coisa, que pode ser terra, emprego, moradia, bancos, etc e tal. Fazia muito tempo que não tínhamos uma sequência tão grande de tranquilidade. As invasões foram apenas pontuais e não sistemáticas.

      Não creio que a nossa presidente vá se dar tão bem quanto se saiu o Lula, e também como eu já disse, ele deverá se candidatar novamente em 2014, e o melhor de tudo: como figura ímpar, carismática, matreira e tagarela, é um prato cheio para eu falar mal dele. Vou sentir falta.