A presidente Dilma já entrou para a nossa história como sendo a primeira mulher a governar o país, mas isso é pouco. Ser homem ou mulher a comandar uma nação não muda em nada a vida de ninguém, o que importa é fazer um bom governo, e nesse quesito ela está perdendo uma oportunidade ímpar.
Às voltas com tantos escândalos de corrupção a sensação é que essa aumentou, mas pode ser apenas isso, sensação, pois não existe medida oficial, existe somente a percepção, e em sendo esses cada vez mais apresentados ao público, é justo imaginar que tenha havido o incremento dessas atividades. Faz tempo que o governo está apagando um incêndio por dia, trocam-se os protagonistas mas a estória não muda, ou muda pouco. Primeiro faz-se de conta que não é comigo, depois passa-se para o processo de explicações, segue-se trocando as personagens até que esse seja esquecido por causa de um escândalo mais recente.
Em todo o mundo rouba-se. O roubo e a corrupção não foram inventados aqui e nem ocorrem aqui somente, o que muda são os processos de como fazê-los e como combatê-los. E aqui está claro que o nosso sistema judiciário é parte do problema, talvez nem seja por causa das pessoas, mas pelo próprio sistema no qual quem pode protela até que a punição não mais ocorra, ou quando ocorra não seja reparadora e muito menos inibidora, enfim, aqui o crime compensa.
Além do risco brando os processos e respectivos controles são risíveis. Por não ter maioria no congresso o poder executivo, para aprovar os projetos de seu interesse, se utiliza de um grupo de partidos que cobra pelo apoio, e o preço são cargos em ministérios e autarquias, principalmente naqueles de grande orçamento, onde é grande a chance de “faturar algum”. Assim, hoje no Brasil são mais de vinte mil cargos comissionados, sendo que nos Estados Unidos, a maior economia do planeta, com um PIB 7 vezes maior que o nosso, são cerca de 10% disso.
Se considerarmos que a economia não vai tão bem quanto querem nos mostrar os discursos e propagandas oficiais, pois a inflação mensal já atingiu limite superior do previsto, a taxa de juros SELIC continua elevadíssima, a moeda está supervalorizada, continuamos exportando matéria prima e importando produtos de alto valor agregado e sabendo que a economia mundial não irá voar em céu de brigadeiro como ocorreu nos 6 primeiros anos do governo anterior, esse é o momento certo para tomar certas medidas certas!
A presidente deveria reduzir o tamanho do estado mostrando, ao povo, austeridade. Não seriam necessários mais do que cerca de uns 15 ministérios, ao invés dos mais de 30 atuais, e, além disso, cortar as verbas oficiais de publicidade, pois a melhor propaganda de um governo é governar seriamente. Deveria ainda profissionalizar a administração reduzindo os cargos comissionados, e, ao invés de culpar a imprensa a cada novo escândalo, se aproveitar dela para, a cada denúncia, afastar os partidos que se aproveitam do governo. O poder executivo não pode ser refém dos partidos, pois quem lhe dá legitimidade é o voto popular.
Mal se passaram 7 meses do atual governo e já vimos escândalos na chefia da casa civil, no ministério dos transportes, no da agricultura e no ministério do turismo. Dois ministros já foram substituídos, dezenas de funcionários foram demitidos e hoje mais de 30 foram presos. Até quando o governo irá tapar o sol com a peneira e nós ficaremos indiferentes? Não, a presidente, ou presidenta como ela gosta de ser chamada, não pode deixar escapar essa oportunidade de passar para a história com a fama de boa administradora que ela tem.
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