quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Quem Pode Nos Salvar?


      Assistimos novamente à agonia de um ministro caindo em desgraça, defenestrado pela imprensa, cozido pelo governo, abandonado pelos pares e que depois da queda saiu atirando. Atirando a esmo, pois credita a culpa não aos próprios desvios morais, mas àqueles que os denunciaram. Esse filme é tão antigo quanto a corrupção que solapa os cofres públicos, humilha os contribuintes e desassiste a sociedade que é carente dos serviços básicos: educação saúde, segurança e infraestrutura.

      O professor Sérgio Buarque de Holanda em sua obra de 1936, Raízes do Brasil, já descrevia o espírito cordial do brasileiro que pensa e faz tudo a partir da afetividade não distinguindo o público do privado. Daí para a impunidade foi um pulo. Todas as condutas amorais vistas hoje recebem o eufemismo de malfeito, de maneira que uma vez destituídos seus autores, as acusações cessem e não sejam dados prosseguimentos às investigações, pois não são crimes, são apenas malfeitos.

      O nosso modelo político está esgotado. O tal presidencialismo de coalizão se transformou em balcão de negócios partidários e personalistas que enche as burras dos próprios políticos e respectivas legendas. Em nome da governabilidade que traduzido para a linguagem comum significa apenas apoio irrestrito aos projetos de interesse do governo, os ministérios, secretarias e autarquia estão sendo sistematicamente entregues à chamada base aliada sem que dela seja cobrada eficiência e parcimônia, o que equivale a delegar o galinheiro à raposa . É impossível ser eficiente quando se conta com uma estrutura de primeiro escalão composta por quase 40 ministérios e cerca de 22.000 funcionários comissionados, e já se fala em 25.000. Estrutura criticada pela própria coordenação da Câmara de Gestão, Desempenho e Competitividade, órgão ligado à Casa Civil da Presidência da República.

      Como tudo que é ruim pode piorar os desmandos não são exclusividades do poder executivo, impregnam, e como, o poder judiciário e principalmente o legislativo. O compadrio e espírito de corpo permitem que até corrupção flagrante, denunciada, gravada e exibida em horário nobre por redes nacionais não seja considerada desvio de conduta, portanto não passível de punição ou perda de mandato, ou seja, liberou geral. Em menores montantes mas em maior quantidade a corrupção e a permissividade se espalham para os poderes estaduais e municipais onde os favorecidos zombam dos infelizes cidadãos.

      Perdeu-se a noção de que os governantes são servidores do público e não são servidos pelo público, logo a função de fiscalização que deles se esperava foi para o ralo vindo a ser assumida pela imprensa. Mal cai um administrador e um órgão da imprensa descobre a ponta de um fio, outros jornalistas desenrolam o novelo e pronto, já tem uma nova autoridade na capsula, pronta para ser detonada. Ainda que estejamos sujeitos a todos os males pelo menos a nossa incipiente democracia deixou a imprensa livre e que atualmente tem prestado bons serviços, ainda que o partido no governo assim não o deseje.

      Se esse é o exemplo propalado por nossas principais autoridades o que se pode esperar dos nossos jovens educandos? Como não podemos esperar ajuda dos superherois das estórias em quadrinhos só resta uma pergunta: quem pode nos salvar?

Nenhum comentário:

Postar um comentário