Era a crônica de uma tragédia anunciada. Quem assistiu à
final do campeonato mundial de futebol organizado pela FIFA no último domingo
viu a superioridade técnica da equipe do Barcelona sobre a do Santos, sim o
Santos de Pelé. Mas não somos o país do futebol? Os únicos pentacampeões
mundiais? Não temos o mais difícil campeonato nacional do planeta? Tudo isso é
correto, mas só a fama não resolve os nossos problemas, pois não temos a
cultura de vencedores, nos sentimos mais gratificados com o esforço do que com
a vitória, afinal somos latinos, emotivos e malevolentes. Já o esporte é razão
e resultado e que premia somente os melhores.
Também é lugar comum dizer que não existe almoço grátis e
no esporte não é diferente. Não se chega a um resultado expressivo sem talento,
técnica apurada e muito trabalho. Talento temos de sobra, mas são poucas as
opções onde se cultiva a boa técnica e é principalmente com relação ao trabalho
que temos a maior dificuldade, pois nossa cultura é a da autopiedade.
No futebol são incontáveis os casos dos atletas que fogem
das concentrações, que chegam atrasados aos treinos e que não aceitam a
reserva. Como a cobrança da torcida é imediata troca-se o técnico, pois é mais
fácil e barato trocar um do que vários, além do que, o técnico é um empregado,
já os jogadores são parte do patrimônio do clube, e assim o trabalho não
tem continuidade. Somando-se a desorganização de calendário, horários inadequados
dos jogos e a política extracampo, além do excesso de jogos, ingressos pouco
acessíveis, estádios com infraestrutura precária, dificuldade de acesso e a violência
gratuita, temos a receita do fracasso.
A maior parte dos esportistas não possui estrutura suficiente
para lidar com a fama e com a riqueza, e em muitas das vezes ao final da curta
carreira onde ganharam rios de dinheiro e os despejaram em cachoeiras de
bebidas e drogas entre outros excessos, se vêm falidos.
São poucos os clubes que investem seriamente nas categorias
de base de maneira profissional buscando a formação integral do atleta e do
cidadão. E com uma legislação permissiva os atletas ainda garotos são cooptados
pelos chamados agentes que passam a representá-los e os vendem a clubes que não
investiram em sua formação, trazendo prejuízos para os primeiros. Os garotos sem
a formação adequada ao invés de treinar fundamentos e se prepararem para uma
vida profissional, se deslumbram com a fama e a moda.
Ainda que de família melhor estruturada e ter sido formado
por uma das boas instituições brasileiras e possuindo também consultoria de imagem,
o maior talento do Santos, um fenômeno jogando bola e fazendo marketing, usa brincos
grandes e brilhantes, bonés e roupas de marcas ostensivas e consagradas, cabelo
ridiculamente cortado e pintado, e sempre aberto a aparecer e a ostentar de
maneira inconsequente, tanto que aos 19 anos já é pai. Já o argentino, craque
do Barcelona, e que deve ganhar pela terceira vez consecutiva o premio da FIFA
de melhor jogador do mundo é apenas 5 anos mais velho, é igualmente talentoso,
muito mais rico, porém recluso e circunspecto, e ao invés de aprender
dancinhas, aprendeu a ser vencedor.
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