terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vencedor.


      Era a crônica de uma tragédia anunciada. Quem assistiu à final do campeonato mundial de futebol organizado pela FIFA no último domingo viu a superioridade técnica da equipe do Barcelona sobre a do Santos, sim o Santos de Pelé. Mas não somos o país do futebol? Os únicos pentacampeões mundiais? Não temos o mais difícil campeonato nacional do planeta? Tudo isso é correto, mas só a fama não resolve os nossos problemas, pois não temos a cultura de vencedores, nos sentimos mais gratificados com o esforço do que com a vitória, afinal somos latinos, emotivos e malevolentes. Já o esporte é razão e resultado e que premia somente os melhores.

      Também é lugar comum dizer que não existe almoço grátis e no esporte não é diferente. Não se chega a um resultado expressivo sem talento, técnica apurada e muito trabalho. Talento temos de sobra, mas são poucas as opções onde se cultiva a boa técnica e é principalmente com relação ao trabalho que temos a maior dificuldade, pois nossa cultura é a da autopiedade.

      No futebol são incontáveis os casos dos atletas que fogem das concentrações, que chegam atrasados aos treinos e que não aceitam a reserva. Como a cobrança da torcida é imediata troca-se o técnico, pois é mais fácil e barato trocar um do que vários, além do que, o técnico é um empregado, já os jogadores são parte do patrimônio do clube, e assim o trabalho não tem continuidade. Somando-se a desorganização de calendário, horários inadequados dos jogos e a política extracampo, além do excesso de jogos, ingressos pouco acessíveis, estádios com infraestrutura precária, dificuldade de acesso e a violência gratuita, temos a receita do fracasso.

      A maior parte dos esportistas não possui estrutura suficiente para lidar com a fama e com a riqueza, e em muitas das vezes ao final da curta carreira onde ganharam rios de dinheiro e os despejaram em cachoeiras de bebidas e drogas entre outros excessos, se vêm falidos.

      São poucos os clubes que investem seriamente nas categorias de base de maneira profissional buscando a formação integral do atleta e do cidadão. E com uma legislação permissiva os atletas ainda garotos são cooptados pelos chamados agentes que passam a representá-los e os vendem a clubes que não investiram em sua formação, trazendo prejuízos para os primeiros. Os garotos sem a formação adequada ao invés de treinar fundamentos e se prepararem para uma vida profissional, se deslumbram com a fama e a moda.

      Ainda que de família melhor estruturada e ter sido formado por uma das boas instituições brasileiras e possuindo também consultoria de imagem, o maior talento do Santos, um fenômeno jogando bola e fazendo marketing, usa brincos grandes e brilhantes, bonés e roupas de marcas ostensivas e consagradas, cabelo ridiculamente cortado e pintado, e sempre aberto a aparecer e a ostentar de maneira inconsequente, tanto que aos 19 anos já é pai. Já o argentino, craque do Barcelona, e que deve ganhar pela terceira vez consecutiva o premio da FIFA de melhor jogador do mundo é apenas 5 anos mais velho, é igualmente talentoso, muito mais rico, porém recluso e circunspecto, e ao invés de aprender dancinhas, aprendeu a ser vencedor.

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