Que muitos dos nossos políticos são incompetentes e corruptos
todos sabemos, e devemos saber também que a culpa é nossa por elegê-los,
mantê-los e por não exigir que façam mudanças essenciais nas leis que poderiam
acabar com esse desmando.
Nesse país onde ainda há trabalho escravo é possível
reconhecer a necessidade do voto secreto. Eu posso declarar meu voto porque sei
que não haverá retaliação, mas em determinados rincões ainda impera o voto de
cabresto, cabendo à população votar em quem o senhor manda. Assim o segredo do
voto continua sendo essencial.
Para nós, eleitores, o voto é obrigatório, mas não deveria
mais sê-lo. Quem quer vota, quem não quer delega o poder de decisão, simples
assim. Essa mudança não ocorre porque os maus políticos ficarão sem voto. Quem
vota com consciência escolhe o seu representado e quem vota por obrigação vota
elege qualquer palhaço que aparece.
Em nosso congresso ocorre justamente o oposto e aqui a
mudança é imperativa. Para os parlamentares o voto deveria ser obrigatório. Não
é possível que um congressista se dê o direito de não votar uma matéria sem
justificativa plausível. Isso ocorre muitas vezes porque nem a presença lhes é
exigida. Em muitas das vezes as matérias são aprovadas por acordo de
lideranças, o que embute uma enorme distorção no sistema. Aprovam-se
excrescências junto ao texto principal. O parlamentar é um empregado do povo e
é pago para representá-lo, portanto não pode simplesmente faltar com a sua
responsabilidade que é apreciar todas as matérias e estar presente em todas as
votações.
Já o voto do congressista que é secreto deveria ser aberto.
O povo tem o direito de saber como o seu representante vota. O Voto do deputado
ou senador interessa à população, pois essa deve saber como pensa e agem os
seus eleitos. Não há justificativa para que o voto seja secreto, a não ser
enganar o eleitor. Nas democracias avançadas nada é tão desgastante para um
político como a mentira, mas aqui se mente deslavadamente sem que haja a
necessária punição.
Muitas outras mudanças são necessárias, mas a implementação
dessas medidas já seria um bom começo.
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