Não bastasse a baixa qualidade do ensino no Brasil, temos
que conviver também com a falta de educação. A nossa permissiva constituição
determina que o estado provenha educação básica e que cuide das crianças. Isso
seria ótimo...se funcionasse. Vejo todo início de ano pais reclamando da falta
de vaga para seus filhos nas creches municipais. São enfáticos: é nosso
direito... pagamos nossos impostos... Não posso dizer que eles estão errados,
pois a lei os ampara, mas a escola que já tinha baixa qualidade piorou. Virou
depósito de criança.
São muitas as famílias que transferem para a escola a
responsabilidade de educar os seus filhos e não apenas de transmitir-lhes
conhecimento. É evidente que sem a estrutura adequada em termos físicos e de
recursos humanos a escola não faz uma coisa nem outra e a deseducação só faz
aumentar.
Quando falta educação a qualidade da cultura também é sofrível.
Pertencemos ao país da malandragem, do jeitinho, da malemolência, do deixar
tudo para a última hora e de levar vantagem em tudo. Não querendo entrar na
seara da incompetência, da corrupção e da política, vou me ater ao trânsito.
Somos também do país do desrespeito total às regras de trânsito. Ultrapassamos
pela direita, não respeitamos a sinalização, velocidade máxima então só serve
para dar dinheiro a quem produz as placas e que nem mesmo a indústria da multa consegue
dar um jeito. De acordo com a seguradora que administra o DPVAT morrem 160
pessoas por dia no trânsito no Brasil, a maioria é de jovens com idade entre 21
e 30 anos. Das indenizações pagas em 2010 31% foram por causa de acidentes de
carros e 61% de acidentes com motos.
Há pouco mais de um mês quase fui atropelado na esquina de
casa. Por eu ter somente uma vaga de garagem no prédio onde moro a deixo para a
minha filha e alugo outra garagem na esquina. Tenho que atravessar duas ruas e
fiz isso sobre as duas faixas para pedestres. Na primeira tudo bem, mas na
segunda, quando eu já estava no meio da rua, um motociclista não respeitou a
placa de parada obrigatória e com a visão encoberta por uma van não me viu e
desviou muito perto. Aquela caixa horrível que esses entregadores carregam nas
costas, e na qual provavelmente deveria haver pizzas, bateu em minha mochila.
Devido à alta velocidade ele levou uns 40m até reduzir, voltou na contra mão e
por sobre a calçada e queria brigar comigo. Ele foi categórico ao afirmar que eu estava ficando louco,
pois a placa de parada obrigatória não é para ser respeitada e se não vem
ninguém na outra rua ele não precisa nem reduzir a velocidade, e que a única
função da faixa é gastar tinta! Me vi numa situação ridícula de ter que
discutir no meio da rua e poderia ter sido pior, ter que enfrentá-lo
fisicamente, ainda que ele estivesse com luvas, blusa de couro, capacete, e
sendo 10cm mais alto que eu e provavelmente uns 15kg mais pesado, com a minha
condição atlética acredito até que eu não sairia tão mal, mas não preciso
disso. Não devo e não quero viver nesse nível.
Eu não vou mudar o mundo e sou do tipo consumidor idiota
fiel aos locais e marcas, mas só até que algo me desagrade e me obrigue a
trocar, mas há muito tempo tomei uma decisão: eu não peço a entrega de comida
pronta. Se for preciso saio de casa e vou buscar, mas não alimento esse tipo de
emprego e cultura, sim, pois essa maneira de utilizar as motos vêm dos “motoboys”
de São Paulo que te fecham, chutam os espelhos, se chamam de irmãos e se
transformam em uma turba contra qualquer motorista que supostamente tenha
desrespeitado a um deles.
Acredito que esses desgraçados não tenham tido a oportunidade
de ter uma melhor instrução, qualificação e conseguido melhores empregos, mas
se depender de mim, não irão ganhar a vida fazendo entregas e disseminando essa
falta de valores.
Concordo com você. Ao não solicitarmos a entrega de pizzas, lanches, botijões de gás e outros ítens, diminuímos a quantidade de motoqueiros trogloditas nas ruas.
ResponderExcluirO brasileiro de classe média adora justificar sua preguiça, comodismo e pendores feudais paternalizando o boçal ("pedindo a pizza geramos emprego"). Quer ganhar bem vai estudar...
Ontem uma vizinha aqui do prédio fez um comentário interessante: o dinheiro não é nosso, ele apenas muda de mão. É verdade, mas não irá direto da minha mão para a dos motoqueiros.
ResponderExcluirCompletamente apoiado Cesar!!
ResponderExcluirObrigado Tati.
ExcluirTambém concordo com você. Educação e respeito cabe em qualquer lugar. Abraço.
ResponderExcluirObrigado Godoy e parabéns pela nomeação.
ExcluirOntem lembrei do seu post. Passava pela frente da casa de um vizinho e vi um exemplar de um jornal, provavelmente a Folha, em cima do telhado da garagem.
ResponderExcluirAbs