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sábado, 17 de março de 2012

Arquitetura

      Não sou arquiteto e nem tenho um apurado senso estético, mas considero feias todas as nossas cidades. Já morei em sete delas e conheço muitas outras, e nenhuma é bonita. Algumas têm alguns lugares bonitos, mas as cidades em si são um horror. A avenida Paulista em São Paulo? Horrível. A avenida Atlântica no Rio de Janeiro? Terrível.

      Talvez seja a cidade a maior invenção humana, uma maneira simples de se comunicar, de se proteger e de se sustentar, mas os quesitos organização, eficiência e beleza foram deixados de lado. Não há como negar a importância econômica, política, cultural e turística de certos lugares, mas o que determina a arrumação das cidades é o ganho ou o menor gasto de dinheiro e por isso produzimos esses Frankensteins urbanos.

      Nossa história é pequena se comparada a outros lugares do mundo assim o nosso patrimônio é de poucas centenas de anos e aqui em São Carlos especificamente, de pouco mais de 150 anos e nem isso conseguimos conservar. Vejam esse prédio na área central da cidade, ninguém nota a parte de cima que está mal preservada mas é possível perceber a sua beleza, ainda que escondida por esse maldito poste e suas ligações que mais parecem um “gato”. O que chama a atenção é a descaracterização da parte debaixo por um pequeno aglutinado de comércio inexpressivo.



      Na mesma rua um pequeno edifício foi recentemente restaurado e teve a sua fachada preservada, mas na lateral foram instalados dois aparelhos condicionadores de ar. Oras, não dá para negar a utilidade dos mesmos, mas será que não daria para escondê-los?


      Nesse caso trata-se de dinheiro privado e o proprietário pode não querer gastar, mas e quando o patrimônio é público como é o edifício que abriga a câmara municipal e que homenageia o escritor Euclides da Cunha que morou ali perto e foi o engenheiro construtor do prédio ao lado que abriga a escola Paulino Carlos? O Edifício Euclides da Cunha foi restaurado em 1995, mas recentemente fizeram a porquice de autorizar instalação de alguns condicionadores de ar na fachada, isso é um atentado ao patrimônio. Quem instalou pensou apenas na facilidade e no custo, e quem autorizou, bem, não acredito que esse possa pensar em alguma coisa boa.



      Além disso há um bom exemplo de como não se deve fazer uma instalação elétrica.


      Não bastassem os problemas culturais, estruturais e políticos, ainda conseguimos tornar horrível o que já era feio.

      Nota: já escrevi aqui que o SAAE refaz mal o que já havia sido mal feito. Tirei essa foto ainda há pouco aqui perto de casa. Há poucos meses eles já haviam remendado esse mesmo local e a água está novamente vazando, ou seja, o nosso dinheiro está literalmente escorrendo para o bueiro.


domingo, 7 de novembro de 2010

Quatro motivos para não gostar do SAAE.

      Quando pensei em escrever esse artigo eu tinha apenas dois motivos para não gostar do SAAE, mas depois de visitar-lhe, ainda que superficialmente, a web page, as razões elevaram-se a quatro. Tenho até medo de inteirar-me de todos os detalhes, pois se o cheiro já não é bom, imaginem a substância. SAAE e o acrônimo da autarquia municipal do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de São Carlos, cuja especialidade é fazer o mesmo serviço várias vezes além de esburacar as já mal cuidadas ruas da cidade.

      As mountain bikes são confortáveis, possuem suspensão, pneus macios com apenas 40 libras de pressão, e são construídas para percorrer trilhas, passar por buracos e dar alguns saltos, já as speeds são projetadas para atingir alta velocidade, são duras, pneus com 100 libras, freios ruins e pouca aderência, logo, para provocar queda, uma pequena irregularidade no terreno é suficiente, e isso é o que não falta em São Carlos, pois o SAAE, travestido de agente de trânsito, se encarrega de reduzir a nossa velocidade. Aconteceu na minha rua o que se vê em toda a cidade. A prefeitura concluiu o serviço de recapeamento em uma sexta feira e na terça o SAAE já tinha aberto um buraco em toda a largura da rua, a poucos metros da minha casa. E o serviço é padrão: interdita-se a rua, utiliza-se ferramentas de cortes, de perfuração, de escavação, empesteia-se de lama o local e mais umas duas quadras à frente, coloca-se terra, deixa-se que os carros façam a compactação e depois aplica-se uma camada asfáltica vagabunda com uma compactação pior ainda que deixa um caroço no asfalto, e que após as primeiras chuvas já começa a perder as bordas. Dessa maneira, caroço após caroço, transitar de speed, além de arriscado, gera dor de cabeça de tanto chacoalhar o cérebro. Está bem, esse público é minoria, mas o que falar dos carros? Um carro que tenha apenas um ano de uso nesse piso dá a impressão que ira desmontar, pois a partir de 40 km por hora apresenta toda a sorte de ruídos e não ha encaixes ou fixações que resistam. O SAAE além de não nos deixar divertir ainda acaba com o nosso patrimônio.

      Quando temos que refazer algum trabalho costumo perguntar aos meus colegas se nós aprendemos a trabalhar no SAAE, pois esse, de cada quatro buracos que fazem nas ruas, três são em locais onde já haviam sido esburacados. Das duas uma, ou a rede subterrânea está podre e a administração não toma a decisão correta de refazê-la ou o serviço de manutenção corretiva é de péssima qualidade. Além do que, o tempo de resposta a um problema é longo. A rua à frente da minha casa é plana, mas as laterais são bastante inclinadas, e em uma delas, a umas 3 quadras acima da minha surgiu um vazamento. Dez dias depois ainda havia uma forte correnteza passando pela esquina. Adivinhem como ficou o local do vazamento após esse ter sido consertado. Adivinhem também se não quebraram no mesmo lugar onde isso já havia ocorrido. A aposta agora é quanto tempo se passará até que um novo vazamento venha ocorrer naquele local.

      Esses foram os meus desapontamentos iniciais, mas vendo o balanço financeiro da empresa, concluí que 81milhões de reais é compatível com o serviço em uma cidade com cerca de 230 mil habitantes. Quatrocentos e vinte e dois funcionários efetivos me parece ser pouco para fazer todo o trabalho, o que justifica o longo prazo para a solução dos problemas, 14 funcionários afastados por licença médica e licença gestante, OK, normal, mas 39 aposentados por invalidez, não sei avaliar, talvez haja alguma explicação plausível, no entanto, 88 funcionários comissionados! Imperdoável, um descalabro! A cada 5 contratados para trabalhar tem um contratado para receber. Não bastaria que os diretores e uns dois assessores para cada diretoria fossem nomeados? Um grupo executivo com cerca de 10 pessoas já seria suficiente, e não há nada no mundo que justifique moralmente essa quantidade de apaniguados. Para mim isso é revoltante.

      Verificando o fluxo de caixa vi um pagamento de R$ 326 mil reais para uma agência de publicidade sob a rubrica "propaganda", mas para que? Essa empresa é a única concessionária do serviço público na cidade, não tem concorrência, logo, qualquer cidadão que deseje a conexão à rede de água ou esgoto deve a ela se dirigir, além disso não há nenhuma campanha educativa em andamento, qual seria o real motivo da tal propaganda? Eu nem considero a tarifa tão cara assim, costumo gastar muito mais com supérfluos do que com esse serviço essencial, mas quando assim o faço, eu tomo a decisão e uso o meu dinheiro, mas não os autorizei a utilizar o também meu dinheiro dessa forma. O que realmente houve eu não sei, mas que isso tem cheiro de campanha política, isso tem.

      Ainda que a qualidade da água seja boa, o que é obrigação, e que está em início de operação a usina que irá tratar 100% do esgoto doméstico, aliás, o que já não era sem tempo, o que se discute é a qualidade dos demais serviços e a qualidade administrativa, está faltando respeito para com aqueles que pagam a conta e que são, em última análise, os donos da empresa, ou seja, nós, a população.