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sábado, 23 de setembro de 2017

Palmas Para Quem Merece…

       Há duas semanas tivemos um problema no encanamento da pia da cozinha e lá pelas 15:30h fui verificar. Não consertei, apenas constatei o problema, mas fiz uma sujeira… Bem, tive que limpar, porém molhei parte da garagem. Estava tirando a água quando escorreguei, caí e bati com a cabeça no chão. Levantei tonto e com um pequeno sangramento na orelha e na lateral da cabeça. Entrei, tomei banho e fiquei sentado na cama. Por volta das 18h tomei leite com torradas, a cabeça ainda doía assim como a articulação da mandíbula. Por volta das 19h tomei um analgésico e mais ou menos às 20:30h dormi.

      Acordei às 3:30h aproximadamente e ao abrir os olhos o mundo começou a girar. Girava velozmente e comecei a suar e a sentir náuseas. Esperei uns instantes, me levantei fui ao banheiro, tomei água, me deitei e adormeci. Depois de uma hora tornei a acordar com os mesmos sintomas e não consegui controlar, vomitei água. Escovei os dentes, tomei água e tornei a dormir até umas 7h da manhã. Acordei e tudo se repetiu. Decidi ir para o setor de emergência do Hospital São Rafael, que é relativamente próximo de casa e do qual eu havia ouvido falar bem.

      Cheguei à recepção às 8:14h e um minuto depois já estava preenchendo o cadastro, recebi uma pulseira branca com a minha identificação e fui encaminhado a outra sala de espera. Não fiquei nem 5 minutos sentado quando fui levado para um setor de triagem onde uma enfermeira fez o básico, mediu a minha pressão sanguínea, mediu a temperatura, verificou a pulsação e fez perguntas e me colocou uma pulseira amarela e me levou para um ambulatório. Tudo muito rápido. Fiquei em uma maca e uma médica me examinou e seguiu um protocolo de testes básicos, outra enfermeira tomou as mesmas medidas que a primeira e colocou uma agulha em meu braço na qual foi injetado um analgésico e um remédio contra enjoos. A médica disse que era um quadro normal para o evento porém me encaminhou para um neurologista e disse que seria feita uma tomografia do crânio.

      Aqui houve uma pequena falha. O neurologista ficou me esperando e eu esperando por ele, pelo menos foi o que ele me disse. Ao chegar me examinou e realizou vários testes para testar reflexos, reação e sensibilidade. Me encaminhou para o exame de tomografia, procedimento para o qual precisei ser “internado”. Fiquei em uma pequena ala para observação onde enfermeiras realizaram as mesmas medidas, fui atendido por outra médica e por uma nutricionista. Demorou um pouco, mas fui conduzido ao tomógrafo e o exame foi feito. Retornei para a mesma sala de observação e esperei por uma meia hora. O neurologista voltou com o resultado do exame, me disse que não havia maiores consequências, fez novos testes incluindo de equilíbrio e direção, e me deu alta. O exame eu só poderia pegar durante a semana porque faltava fazer o laudo, o que não fiz até hoje. Em 10 minutos fui liberado e por volta das 12:30h eu já estava em casa, mas com a prescrição de medicamento contra enjoo e analgésico, para eu usar  somente se eu voltasse a me sentir mal, e com a recomendação expressa de não dirigir.

      Passei a tarde em casa e tomei um analgésico e o remédio contra enjoo antes de dormir. Na segunda-feira pela manhã não fui trabalhar, terminei de preparar uma apresentação em casa mesmo, e à noite fui ao centro de Salvador, já dirigindo, onde fiz a apresentação e acho que me saí muito bem. Por problemas na organização do evento acabei ficando até o final, cerca das 23:30h e ao sair, fiquei, por alguns minutos, preso em um engarrafamento, fui parado em uma blitz da PM e tive que assoprar no bafômetro e fui liberado. Cheguei em casa por volta da meia noite, a partir daí a vida foi normal.

      Diante das mazelas que o país atravessa e para as quais sou muito crítico, e às vezes até muito ácido, me vi agora diante de um ambiente bem cuidado, tão agradável quanto um hospital pode ser, com pessoas profissionais e profissionais pessoas, muito atenciosas e competentes. Senti segurança estando lá e, mesmo com o meu jeito de sempre colocar defeito em tudo, devo reconhecer que fui muito bem cuidado. Dessa vez não tenho nada a reclamar, só a elogiar e agradecer. À equipe que me atendeu no Hospital São Rafael no último dia 09, meu muito obrigado, os meus parabéns e o meu reconhecimento pela qualidade, competência, profissionalismo e humanismo com que me receberam.

domingo, 18 de outubro de 2015

Ribeirão Preto - O trabalho

      Como se diz aqui na Bahia, pense! Pense em algo que deu certo! Essa foi a minha passagem por Ribeirão Preto. Em Ribeirão nasceu o meu filho, a minha filha foi alfabetizada, minha esposa voltou a estudar, construí amizades excepcionais, montamos uma emissora de televisão, a atualizamos tecnicamente algumas vezes e lá comprei a minha primeira casa. Em Ribeirão cheguei técnico e saí gerente. Nada mal para uma carreira de apenas 12 anos de técnico em eletrônica com curso de nível médio. Foram oito anos intensos e incríveis.

Com os filhos em Ribeirão Preto

      Ainda em Campinas, concomitantemente com os dois primeiros anos como técnico de retransmissão e o primeiro como técnico de manutenção de TV, trabalhei em uma empresa que produzia transmissores e antenas para transmissão de sinais de TV, de onde herdei do meu primeiro pai profissional a obrigação de se fazer tudo com qualidade. Do meu segundo pai profissional ganhei a liberdade de criar o conceito de serviço bem feito, e que foi aperfeiçoado, e muito, graças a dois amigos que trabalhavam em uma equipe de instalação. A esses quatro amigos, já mortos, tenho muito a agradecer.

      Comecei como técnico e logo passei a conduzir a equipe, que para a época foi muito bem montada e se tornou eficiente e altamente qualificada. Era um tempo em que todos equipamentos eram importados, e a importação, além de ser um processo difícil, era muito cara, e isso nos obrigava a ser criativos. Os videotapes amassavam as fitas e essas eram reaproveitadas eliminando-se a parte ruim. Era um trabalho manual e lento. Criamos, com madeira e peças usadas, uma máquina simples para rebobinar as fitas e o trabalho ficou eficiente. As baterias de câmeras e VTs tinham vida útil muito baixa, criamos um equipamento que analisava cada célula das baterias, assim reuníamos as melhores células, montávamos novas baterias e dávamos uma sobrevida a cerca de 60% delas. Havia 8 VTs e apenas 2 equipamentos para a estabilização de imagens que eram muito caros, os Time Base Correctors (TBCs) em cuja entrada os sinais dos VTs eram comutados, no entanto eram sub utilizados, pois a comutação não contemplava a radiofrequência para a correção dos sinais  quando o defeito era causado por amassados ou perda de óxido das fitas. Criamos dois equipamentos que associados às matrizes que comutavam o sinal de entrada comutavam também a radiofrequência e disponibilizamos esse recurso.

      A inventividade sempre foi nosso forte. O primeiro prêmio de jornalismo de relevância  nacional que a a empresa ganhou era sobre a piracema no rio Mogi Guaçu e que mostrava imagens subaquáticas. Não dispúnhamos de equipamento para isso e nós desenvolvemos uma caixa blindada na qual enfiávamos uma câmera grande e extraíamos o seu sinal. A dificuldade foi fazê-la afundar e torná-la manobrável. Fizemos dezenas de testes com esse aparato na caixa d’água da empresa antes de disponibilizá-lo para a operação.

      A transmissão dos evento era um capítulo à parte. Desmontávamos metade da emissora, enfiávamos tudo dentro de uma Kombi, viajávamos para o local da transmissão e fazíamos a instalação. Dava muito trabalho, cansaço e estresse pois a possibilidade de algo dar errado era muito grande. Surgiu então a necessidade de se construir uma unidade móvel e a empresa apostou na nossa capacidade. Comprou um furgão e, a nosso pedido, ferramentas de serralheria e fizemos a integração do carro para transmissão dos eventos. Era uma estrutura fixa, com o cabeamento já posicionado, os locais dos equipamentos já determinados, criamos multicabos e disponibilizamos energia para os equipamentos e comunicação para os operadores. Mesmo assim tínhamos que desmontar metade da emissora, mas os instalávamos no carro ainda na emissora, os testávamos e chegávamos ao local do evento com a instalação praticamente pronta. A estreia foi em uma corrida de rua em Campinas e foi um sucesso. Entre um evento e outro o carro era utilizado para o transporte de equipamentos pesados de iluminação para as gravações externas de comerciais.

      Essas foram apenas algumas das muitas as vitórias técnicas, porém a principal foi o amadurecimento. Eu não tinha visão clara de carreira profissional, mas percebia que não haveria muita competição e tudo foi dando certo e eu me tornando arrogante. Eu “protegia os meus” e atirava em todas as direções com empáfia e com força desnecessária, mas tive tempo de me recuperar. Eu dispendia muita energia para sempre estar alerta, pois da mesma maneira que disparava eu levava chumbo. Aos poucos fui percebendo a minha ignorância, curando feridas e remendando situações. Finalmente compreendi que o importante não é “causar” quando se chega, mas o que de bom foi construído antes de sair. Assim me sinto feliz sabendo que lá deixei um bom legado e amigos melhores ainda. É um daqueles lugares em que posso sempre retornar e ser bem recebido. Faço, portanto, a minha homenagem a todos que trabalharam comigo, me suportaram nos dois sentidos: me ajudaram e aguentaram a minha bizarrice, pois em todas as coisas boas que foram criadas eles fizeram a maior parte. Muito obrigado amigos.