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sábado, 17 de fevereiro de 2018

Pro Nordeste O País Vira as Costas... Será?

      Um amigo me ensinou que só há dois tipos de música: a boa e a ruim. A boa é a que eu gosto. A Nega gosta daquelas que tem um som agradável à ela e cuja letra traga algum sentido positivo. Eu não. Não sou sofisticado. Gosto do conjunto, mesmo que o sentido não seja construtivo ou nem mesmo faça sentido algum. Se eu gostar de cantar eu gosto dela e pronto. Às vezes nem entendo direito a letra, mas mesmo assim eu gosto. Em muitas das vezes concordo com maioria das pessoas e gosto de um sucesso, e em muitas outras, detesto aquele sucesso. Assim tenho várias centenas de músicas no telefone que ouço enquanto dirijo, corro, caminho, pedalo, estou sozinho, enfim…ouço sempre.

      Hoje pela manhã estava sozinho e fui caminhar, percorri quase 13 km (se alguém quiser conferir veja o link do Strava: https://www.strava.com/athletes/20418723) e, portanto, ouvi várias delas, e entre as quais estava uma gravação da Banda Mel de 1998, Protesto do Olodum, também conhecida por E Lá Vou Eu. Pode ser ouvida no link:    https://www.youtube.com/watch?time_continue=8&v=U4vcfptLLWU, e a letra segue abaixo. Bem, os artistas têm, assim dizendo, uma liberdade poética, e eu poderia contestar diversas afirmações, mas me fixei em uma apenas: Pro o Nordeste o País Vira as Costas... Será?

      Fugi das aulas de Metodologia de Pesquisa Científica e as estatísticas brasileiras não são tão apuradas, organizadas e as séries nem sempre são tão históricas, mas fiz uma rápida busca na internet para entender o por quê. Ainda que a gravação seja de 1998, esse bordão ainda é muito ouvido por aqui como um mantra. Vejamos:

      Esse é um ano de eleição importante, vamos eleger presidente, deputados, senadores e governadores e se dá muita importância à presidência, que pode muito, mas não pode tudo. Ninguém faz nada sem o congresso, e por isso eu acho que esse deveria ter muito mais atenção. O Nordeste tem 27,5% da população do país (dado do IBGE) e possui 29,43% dos deputados e 33,33% dos senadores. O Sudeste, por exemplo, que tem 41,86% da população tem 34,89% dos deputados e 14,81% dos senadores, ou seja, o Nordeste com população 35% menor manda mais que o Sudeste, pois tem praticamente o mesmo número de deputados: 151 x 179 e mais que o dobro de senadores, são 27x12.

      O governo federal repassa aos estados cerca de 29% do imposto que arrecada (dados de 2015) e o Nordeste contribui com 7,96%, recebe 37,53% e tem um superávit efetivo de 35,6%, ou seja, recebe 35,6% a mais do que recolhe. O Sudeste, por sua vez, recolhe 68,1% de todo o imposto e recebe 29,68% isso é, recebe efetivamente, 12,54% do que paga. Ou seja, o Nordeste é superavitário.

      Das quase 50 milhões de pessoas contempladas com o programa Bolsa Família, 49,30% estão no Nordeste, enquanto 24,54% estão no Sudeste (dados no site do programa). Apesar do valor médio do programa ser de cerca de R$180,00, ou seja, baixo, há maior transferência para o Nordeste. 

      Há 36 universidades federais no Brasil, 27,78% estão no Nordeste e no Sudeste, 36,11%, pois somente em Minas Gerais há 7 delas, mas em São Paulo, apenas duas. Porém há que se considerar que no Sudeste há 30 milhões de pessoas a mais do que no Nordeste, nesse há 57 milhões contra 87 milhões no Sudeste.

      Se estendermos as comparações com as demais regiões, o Nordeste continua levando vantagem, portanto, não entendi quem exatamente vira as costas para quem. Posso estar errado, como estou em muitas das vezes, mas me parece muito mais um caso de ser “Bom em Marketing e Ruim em Administração”.


E Lá Vou Eu.
Banda Mel - Ao vivo. 1998

Força e pudor,
Liberdade ao povo do Pelô.
Mãe que é mãe no parto sente dor,
E lá vou eu…

Declara a nação
Pelourinho contra a prostituição
Faz protesto, manifestação,
E lá vou eu…

AIDS se expandiu
E o terror já domina o Brasil
Faz denúncia Olodum, Pelourinho
E lá vou eu…

Brasil liderança
Força e elite na poluição
Em destaque o terror Cubatão
E lá vou eu…

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

Lá e cá Nordescópia
Na Bahia existe Etiópia
Pro nordeste o País vira as costas
E lá vou eu…

Moçambique, hei
Por minuto um homem vai morrer
Sem ter pão nem água prá beber
E lá vou eu…

Mas somos capazes
O nosso Deus a verdade nos traz
Monumento da força e da paz
E lá vou eu…

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

Desmond Tutu
Contra o apartheid na África do Sul
Vem saudando ao Nelson Mandela
O Olodum

Ioioioioio
Lálalálálá
E lá vou eu

domingo, 30 de outubro de 2016

Cinco Palavras

      Desde 1980, quando nos mudamos para Ribeirão Preto, passamos a viver longe dos nossos familiares, isso é, tudo tem que ser resolvido por nós. Há cerca de dois anos vivemos no nordeste, longe das nossas origens em São Paulo, e da nossa filha, agora com marido e neto. Vivemos em uma cidade turística com o oceano a poucos metros de casa, ou seja, às vezes recebemos amigos e familiares e isso ocorreu neste final de semana.

      Ainda que a chegada tenha sido em horários diferentes recebemos dois sobrinhos na quinta-feira e a Nega os acompanhou, já que eu estava trabalhando, e eles foram à praia. Na sexta-feira, depois da praia eles foram conhecer o centro histórico e jantamos em um shopping. No sábado também fomos à praia, almoçamos em um restaurante típico e nós três, fomos a um show de rock, para o qual eu já havia comprado ingressos.

      Meus dois sobrinhos são ligados à música, um por formação acadêmica e em conservatório erudito, e, por enquanto, também profissional, enquanto não completa outra graduação, o outro, por esforço mesmo, e eles gostam mesmo disso. O show aconteceu na recém reformulada Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), e isso tem uma vantagem, por ser aberto, tem que acabar até as 10 da noite, por isso começou cedo, às 17:30h.

      Por ser em Salvador, estranhei a pouca presença de pessoas negras, vi várias pessoas sozinhas e muitas com idade mais elevada, como a minha, mas, evidentemente, a maioria era jovem.

      O primeiro número foi de um artista local que não conheço e vou continuar sem conhecer. Depois de prepararem o palco os Titãs se apresentaram, isso é, os remanescentes, pois da formação original, que deveria ter uns 8 integrantes restam apenas 3. Como em todo show tocaram os principais sucessos e algumas músicas inéditas. Posso dizer que eu, por não ser fã, conhecia apenas metade das músicas apresentadas.

Titãs - Rock Concha - 
Concha Acústica TCA - 29/10/2016

      Para finalizar a noite se apresentaram os músicos do Sepultura. Eu nunca havia visto nada semelhante ao vivo, assim, na minha frente. Me causou estranheza o grupo aglomerado perto do palco pulando e se batendo uns aos outros, eles chamam isso de dança, e eu, de bizarrice. Na platéia muitos se contorciam dobrando a cintura e balançando a cabeça como se estivessem jogando os cabelos, o que mesmo os carecas faziam. Ainda tive que aguentar o cheiro de uma maconha desqualificada. Acho que aquilo só iria produzir dor de cabeça nos usuários. O vocalista, que não é brasileiro, provavelmente terá problemas na garganta e o baterista tem que ganhar cachê dobrado, pois trabalha muito mais do que os outros. Não consegui gravar pois a memória do meu telefone acabou durante uma das músicas dos Titãs.

      Até os 45 minutos do show eu havia entendido apenas uma palavra: Salvador, quando vieram, em sequência, outras três, o já famoso: um, dois, três… passaram-se mais uns 20 minutos e quando eu já estava de saída e ouvi outra palavra inteligível e conhecida: obrigado! Pois é, em um show de uma hora e quinze consegui identificar 5 palavras. Me dei por satisfeito. Mesmo que eu não aprecie, é estranho saber que as bandas brasileira de rock que ainda carregam o público são as mesmas de 30 anos.

      Meus sobrinhos já foram embora e estavam muito contentes, e nós ficamos felizes por eles.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Doze Vezes Não.


     Não li todos os livros que eu gostaria, porém, dos que li, gostei de vários, muitos me foram indiferentes e alguns muito ruins.

      Não assisti a todos os filmes que imagino serem bons, mas assisti a vários que foram terríveis e nenhum foi excelente, pois sempre encontro defeitos.

      Não ouvi todas as músicas que me agradariam, pois creio que as melhores ainda não foram compostas, no entanto já me vi obrigado a escutar muita porcaria.

      Não assisti a muitos concertos, mas àqueles a que pude ir, em sua maioria, gostei, pois nesse quesito sempre fui seletivo.

      Não estive tanto quanto eu gostaria em teatros, peças e espetáculos, mas naqueles em que estive, apenas de poucos não gostei.

      Não estive em todos os lugares que eu gostaria de ter estado, e nem com todo o dinheiro do mundo e tempo disponível eu conseguiria, pois a vontade é maior do que uma vida. Entretanto já permaneci tempo demais em lugares que jamais quis estar.

      Não saboreei as melhores refeições, mas isso não me faz falta. Sinto falta da refeição, mas não dos sabores.

      Não disputei todas as partidas que me alegrariam, também, eu não jogo nada tão bem.

      Não voei de asa delta e nem pulei de paraquedas porque tenho medo, e não subi o Everest porque não tenho condição física adequada e muito menos quarenta mil dólares para isso, porém coragem não me falta.

      Não estudei tudo o que acho que eu precisaria, porque eu gosto de saber, não de estudar.

      Não conheci todas as pessoas que considero serem valiosas, e nem seria possível, pois a maioria é de outra época.

      Não confiei em cardiologista que fuma, preparador físico barrigudo e nutricionista gordo. Porque então acreditaria em político que mente e rouba?