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domingo, 30 de outubro de 2016

Cinco Palavras

      Desde 1980, quando nos mudamos para Ribeirão Preto, passamos a viver longe dos nossos familiares, isso é, tudo tem que ser resolvido por nós. Há cerca de dois anos vivemos no nordeste, longe das nossas origens em São Paulo, e da nossa filha, agora com marido e neto. Vivemos em uma cidade turística com o oceano a poucos metros de casa, ou seja, às vezes recebemos amigos e familiares e isso ocorreu neste final de semana.

      Ainda que a chegada tenha sido em horários diferentes recebemos dois sobrinhos na quinta-feira e a Nega os acompanhou, já que eu estava trabalhando, e eles foram à praia. Na sexta-feira, depois da praia eles foram conhecer o centro histórico e jantamos em um shopping. No sábado também fomos à praia, almoçamos em um restaurante típico e nós três, fomos a um show de rock, para o qual eu já havia comprado ingressos.

      Meus dois sobrinhos são ligados à música, um por formação acadêmica e em conservatório erudito, e, por enquanto, também profissional, enquanto não completa outra graduação, o outro, por esforço mesmo, e eles gostam mesmo disso. O show aconteceu na recém reformulada Concha Acústica do Teatro Castro Alves (TCA), e isso tem uma vantagem, por ser aberto, tem que acabar até as 10 da noite, por isso começou cedo, às 17:30h.

      Por ser em Salvador, estranhei a pouca presença de pessoas negras, vi várias pessoas sozinhas e muitas com idade mais elevada, como a minha, mas, evidentemente, a maioria era jovem.

      O primeiro número foi de um artista local que não conheço e vou continuar sem conhecer. Depois de prepararem o palco os Titãs se apresentaram, isso é, os remanescentes, pois da formação original, que deveria ter uns 8 integrantes restam apenas 3. Como em todo show tocaram os principais sucessos e algumas músicas inéditas. Posso dizer que eu, por não ser fã, conhecia apenas metade das músicas apresentadas.

Titãs - Rock Concha - 
Concha Acústica TCA - 29/10/2016

      Para finalizar a noite se apresentaram os músicos do Sepultura. Eu nunca havia visto nada semelhante ao vivo, assim, na minha frente. Me causou estranheza o grupo aglomerado perto do palco pulando e se batendo uns aos outros, eles chamam isso de dança, e eu, de bizarrice. Na platéia muitos se contorciam dobrando a cintura e balançando a cabeça como se estivessem jogando os cabelos, o que mesmo os carecas faziam. Ainda tive que aguentar o cheiro de uma maconha desqualificada. Acho que aquilo só iria produzir dor de cabeça nos usuários. O vocalista, que não é brasileiro, provavelmente terá problemas na garganta e o baterista tem que ganhar cachê dobrado, pois trabalha muito mais do que os outros. Não consegui gravar pois a memória do meu telefone acabou durante uma das músicas dos Titãs.

      Até os 45 minutos do show eu havia entendido apenas uma palavra: Salvador, quando vieram, em sequência, outras três, o já famoso: um, dois, três… passaram-se mais uns 20 minutos e quando eu já estava de saída e ouvi outra palavra inteligível e conhecida: obrigado! Pois é, em um show de uma hora e quinze consegui identificar 5 palavras. Me dei por satisfeito. Mesmo que eu não aprecie, é estranho saber que as bandas brasileira de rock que ainda carregam o público são as mesmas de 30 anos.

      Meus sobrinhos já foram embora e estavam muito contentes, e nós ficamos felizes por eles.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Meu 2015.

      Após uma sequência de anos vitoriosos chegou a inflexão: 2015 não começou bem e terminou pior, agora a curva aponta para baixo. Eu posso dizer que para mim até que não foi dos piores se comparado com o de muita gente. O ano começou frenético e terminou se arrastando. Vi amigos e conhecidos perderem o emprego, tanto aqui, na Bahia, quanto no estado de São Paulo, e isso é péssimo. Alguns perderiam naturalmente, pois as estruturas precisam se renovar, mas a maioria foi por causa da crise econômica e política. As três esferas de poder estão contaminadas por ideologias rasteiras e por vigaristas de todas as espécies, e não há consolo, pois 2016 não parece que será alvissareiro.  A gente não merece isso, mas é o que temos.

      Não consegui cumprir as minhas promessas. Apesar de ter mantido o mesmo peso do final do ano passado não voltei a treinar com a regularidade necessária, e desde o final de setembro estou com uma lesão no joelho esquerdo que dói muito e me levará a uma cirurgia. Segundo o médico eu poderia viver assim, mas a vida de atleta estaria encerrada. Espero ser operado ainda no início do ano para logo aumentar a intensidade e a regularidade dos treinos, pois já estou ativo mas com baixa frequência. Além do que, vou praticar um esporte náutico, embora ainda não tenha decidido qual será.
Menisco Lesionado
      
      Não tenho problemas na família, a única preocupação é com minha mãe que mora sozinha e longe dos 3 filhos, e isso não está bom, precisamos discutir esse caso com mais assertividade. ( Eu fico em Salvador - BA, meu irmão em São Mateus - ES, e a minha irmã em Sorocaba - SP, a mais perto. O nome das 3 cidades começa com S ). Se em 2014 ganhamos um filho quando a nossa filha se casou, agora temos também um neto. Um garoto saudável, com habilidades motoras notáveis para a idade, bonzinho, e que acorda com um bom humor expressivo. A gente está “babando” por ele.
Na praia com o meu netinho. Em 8 meses é a terceira vez que ele vem aqui e a primeira que entra no mar.
      
      Não estudei e vai demorar para que eu encontre algo que eu precise e me atraia. Fiz apenas um curso rápido à distância que foi de pouca serventia, achei-o fraco. Eu leio com alguns propósitos: aprender, distrair e recordar e isso fiz bastante. Ainda que tenha pouco tempo disponível, aproveito-o bem, e esse é um ponto positivo. Novamente não assisti a shows, mas em setembro fiz uma viagem empolgante a Washington, até porque não paguei por ela como já contei em um post do dia 03 de maio. Visitamos, a Nega e eu, vários lugares, fomos a museus incríveis: de história natural, de arte, de escultura, de história e de ciências, além termos ido aos principais pontos turísticos ( a minha foto no blog foi tirada durante essa viagem no Lincoln Memorial ) e também a restaurantes típicos. Ficamos também alguns dias em Las Vegas onde nos encontramos com amigos. Lá passeamos e fizemos algumas compras. Viagem tranquila, o que estragou foi a desvalorização do Real frente ao Dólar, que saiu da casa dos dois e pouco por Dólar, para mais de quatro quando viajamos. Outra vez: eta governo incompetente!
Lidos em 2015. Faltam nessa foto uns dois que estão emprestados.
      
      Profissionalmente também foi um ano turbulento e a minha expectativa foi mudada em função das necessidades, mudou em janeiro e novamente em novembro. Apesar de ainda ter a televisão na veia, hoje o meu trabalho está ligado à infraestrutra de televisão. Aquilo que era figurante em meu trabalho hoje é protagonista, deixei de ser generalista para tentar ser especialista em duas disciplinas. O problema é que precisamos de resultado antes de ter uma equipe bem formada, e o meu estilo não é o “arrasa quarteirão”,  aquele que chega e arrebenta, trabalho melhor construindo aos poucos, mas de maneira sólida. Sinto que terei dificuldade, mas me conheço e sei que tenho uma enorme capacidade de me motivar, igualmente me motivam a dor e o prazer. Se não vou fazer o que mais gosto, vou fazer bem feito o que tem que ser feito porque é um desafio. Vamos, como diz a Ivete Sangalo, pra frente, pra frente...

Prá frente, prá frente...




terça-feira, 21 de abril de 2015

Para Ler Dostoiévski

      Fazia muito que eu estava acordado e não eram ainda seis da manhã em São Carlos. A Nega dormia ao meu lado em um hotel simples mas bem equipado. Ao invés do barulho do televisor preferi ler as mensagens e acessar a web até que ela acordasse. Às sete tomamos café e exagerei no carboidrato pois sabia que o dia seria longo e as refeições irregulares. Após me barbear, tomar banho e arrumar as malas deixamos o hotel para nos encontrar com nossa filha, genro e neto.

Romeo dormindo em meu colo.
      
      Entre conversas e planos recebemos a visita de uma amiga que há um ano eu gostaria de ver. Foi rápido, mas acalentador, pois é bom saber que ela está bem. Às dez da manhã e após ter tomado banho, o neto, de uma semana, se pôs a chorar e parou no colo do avô babão, que andava feito tonto pela casa e conversava com ele assistindo àqueles olhinhos admirados. Foram quarenta e cinco minutos curtos e com os três quilos mais leves que há tanto tempo eu não carregava. Chegou nova visita, uma família de amigos que já são de casa. O meu prazo se esgotou. É hora de ir para a rodoviária, não sem antes me lamentar pelas despedidas.

      Com cinco minutos de atraso chegou o ônibus, novo, limpo, refrigerado e confortável. Veio cheio de estudantes, principalmente garotas que dormiam esparramadas pelas poltronas. Como é linda a juventude, e seria mais ainda se não se excedesse nas bebidas alcoólicas. A parada de vinte minutos é mais do que suficiente para uma alimentação de bom sabor e baixa qualidade. Mas o posto, assim como atestei na ida, quanta diferença com os da realidade da Bahia. Grande, limpo, decorado, confortável, refrigerado, com muita opção, inclusive de comida saudável, onde o wifi funciona, o 3G funciona, e sob a marquise de 80m x 5m não se fuma. Apesar de ser dia de retorno do feriado prolongado o movimento foi tranquilo e as estradas, Washington Luis, Anhanguera e Bandeirantes são boas.

      Aproveito o conforto e o tempo para ler Dostoiévski enquanto ouço uma sequência em ordem alfabética das quase mil músicas armazenadas no telefone. Entre estrangeiras e nacionais comecei onde havia parado, na letra I e terminei na M, muito antes de Metamorfose Ambulante, do baiano Raul Seixas. A chegada a São Paulo foi com chuva e trânsito bom. Tudo muito rápido no Terminal Rodoviário do Tietê, por onde o Brasil inteiro passa. Só dá para ficar contrariado com o preço do taxi, R$ 120,00 para ir até o aeroporto de Guarulhos. Há outras opções, mas para não perder tempo, é melhor pagar. Sem problemas cheguei à sala de embarque com uma hora de antecedência o que me fez ler um pouco mais. Os terminais 1 e 2 foram ampliados, remodelados e não estão dos piores, mas falta sinalização, escadas rolantes e fingers, pois ainda há embarques em que se toma um ônibus para se chegar até o avião. Como não ia ter janta em casa, tive que morrer com o preço elevado da comida ruim daqui mesmo.
Área de embarque doméstico do aeroporto de Guarulhos.

      Quando você for de São Paulo a Salvador aconselho a pegar uma poltrona na janela do lado direito. Durante o dia e mesmo à noite, a chegada é bonita. O sobrevoo na Ilha de Itaparica, em grande extensão da Bahia de Todos Os Santos, a vista do Farol da Barra, da orla, da via Paralela são de se admirar. Durante o dia, se olhar bem vai aparecer muita coisa feia, mas a parte bonita se sobressai. O estacionamento contíguo ao aeroporto de Salvador é prático, mas além de ruim é caro, nunca vi um atendimento tão ruim. Ali não se faz jus à fama de ser, o povo baiano, acolhedor. Das muitas dezenas de vezes que passei por lá em apenas uma a atendente me cumprimentou. Dessa vez utilizei um estacionamento mais distante por ser mais barato, mas que disponibiliza um serviço de van para os clientes. Não é tão prático, mas para estadias mais longas o preço compensa o desconforto. A via de saída da área do aeroporto sob os arcos de bambus é particularmente bonita durante o dia e até mesmo à noite tem seu charme.

      Tempo bom, trânsito tranquilo e rapidamente cheguei à nossa casa para rever e conversar com nosso filho. Saber e contar as novidades, jogar um pouco de conversa fora, ler as mensagens e dormir cedo para acordar cedo que amanhã é dia de voltar a trabalhar, e trabalhar muito. No próximo dia cinco completarei um ano trabalhando em Salvador e essa foi a primeira vez que deixei de trabalhar por quatro dias seguidos. Por várias pessoas eu faria isso, mas dessa vez foi especial, foi pela filha e pelo neto. Chego ao final do dia cansado, já com saudade mas muito feliz.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Na minha vez, muda!

      No trânsito, se estou em uma faixa ela segue mais devagar do que a vizinha, se troco, a nova pára e a antiga anda. Como diz um colega, na minha vez, muda. O mesmo ocorre na fila do banco e no caixa do supermercado, aliás, aqui em Salvador fila do caixa de supermercado é um martírio, mas na minha vez, muda.

      Quem, como eu, cresceu no tempo da ditadura militar passou do período do tudo é proibido aos dias de hoje onde tudo é permitido, na minha vez, muda!

      Naquele tempo aprendíamos na escola a ter respeito para com os mais velhos. Me lembro claramente da professora da segunda série dizendo que deveríamos respeitar os pais, que não devíamos perturba-los quando eles chegavam em casa, pois estavam exaustos trabalhando para nos dar o melhor. Hoje é diferente, ai do pai que ao chegar em casa não dê atenção ao filho. Será rotulado como ausente. Na minha vez, muda. Havia o almoço de domingo, e a comida era especial: macarrão com frango. A coxa, evidentemente, era para o pai. Hoje essas não são os pratos especiais, mas a coxa também não é do pai, na minha vez, muda.

 Meu avô, meu pai, meu filho e eu em 1988

      Na semana passada meu pai teria completado 82 anos e eu conversava com o meu filho e dizia da saudade que tenho dele. Meu pai nunca me levou à escola, nunca fez a minha matrícula e nunca sabia em que série eu estava, mas me dava um conselho: se você não quiser ficar como eu, estude. Meu pai nunca leu uma estória para mim, nunca me levou a festas e nem a viagens, no máximo fomos nadar no rio Tietê onde também pescamos juntos umas poucas vezes. Me lembro, ainda na fase dos 3 anos, que ele almoçava em casa e se deitava após o almoço e eu me deitava com ele, depois, quando ele saia para trabalhar me levava de bicicleta até a esquina de onde eu voltava correndo. Me lembro também das 3 vezes em que apanhei dele e da correia de couro que ficava atrás da porta da cozinha que era usada para castigar mim e aos meus irmãos. Essas são situações hoje inadmissíveis e ainda que na minha vez tenha mudado, não posso esquecer da bondade que meu pai tinha, não se tratava de fazer caridade ou oferecer o que sobrava, mas dividir o pouco que se tinha. Também não posso me esquecer do comprometimento com o trabalho. Para quem como ele ficou muito tempo desempregado depois de ter participado de uma greve no período da ditadura, fazia questão de me mostrar a importância do trabalho e da retidão de caráter, talvez meu maior patrimônio, e espero que isso não tenha mudado.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Entre carros e o ENEM

      Tenho uma boa relação com carros, mas não sou aficionado, os vejo como ferramentas e me sinto bem quando estou dirigindo. Hoje dirijo diariamente mais que nos últimos anos, e andava considerando ter um carro pequeno para poluir menos, pela facilidade para estacionar e, por fim, para economizar mesmo. No entanto, após o último acidente, passei a dar mais valor à segurança, por isso tenho um que é um pouco mais pesado. Não vou generalizar para não incorrer em erro, mas a maioria dos carros que passa por mim em alta velocidade, costurando no trânsito e executando manobras ilegais é de carro pequeno ou velho, até mesmo porque esses são a maioria. Também, na maioria, dirigido por jovens. Creio que vários fatores estão associados, a pouca maturidade, o senso de poder, o relativo baixo custo, e, claro, a educação. Mesmo não sabendo identificar as motocicletas, percebo que a maioria dos condutores também é formada por jovens, e isso justifica as estatísticas de serem, os jovens, justamente os que mais sofrem mortes no trânsito brasileiro.
      Os costumes variam com o tempo, às vezes evoluem, às vezes não, mas sempre causam impacto em nossas vidas. A seta dos carros não serve mais para indicar a direção que o condutor pretende ir, mas sim para te dizer: saia da frente que eu vou passar. Da mesma forma, a buzina não é um alerta de perigo, mas serve para te dizer, seu burro! Não sabe dirigir? Essa involução decorre da perda de valores, da falta de educação.
      A educação é responsabilidade da sociedade, da escola e, principalmente, da família. A família deveria educar e a escola ensinar, e hoje ambas estão em baixa. Há duas semanas o resultado do ENEM mostrou que cerca de 529 mil estudantes, 8,5% do total de inscritos obtiveram nota zero na redação.
      Na comparação com estudantes de outros países os brasileiros sempre disputam os últimos lugares, também pudera, a escola de ensino fundamental passou a ser um depósito de crianças e muitas delas têm estrutura precária que culmina com a baixa qualidade e que só faz se propagar para as séries superiores. No ensino médio há disciplina demais e exige-se conhecimento amplo, mas falta o básico, escrever, ler, entender e fazer contas simples.
      Com uma geração mal educada e mal formada fica fácil entender o porquê do aumento da criminalidade, que associada aos acidentes de trânsito geram mais de cem mil mortes anualmente. Assim fica difícil vislumbrar um bom futuro para o nosso país.

sábado, 31 de dezembro de 2011

O Meu 2011.


      Mais um ano do qual não tenho muito a reclamar mas tenho muito que agradecer. Não estou acostumado a ficar tanto tempo sem comemorar um título significativo do SPFC, mas não foi dessa vez. Um querido tio de 72 anos teve diagnosticado um problema de saúde que está sendo tratado, e uma cunhada teve infarto mas já se recuperou. Em agosto tomei um susto quando a minha filha sofreu um acidente de trânsito na rodovia, mas não passou disso, um susto, e de mais grave, só isso. Aborrecimentos, sim, tive alguns, mas fazem parte da convivência, da profissão, e do dia-a-dia, servem até mesmo de referência para medir o quanto a vida me deu de bom.

      Em termos de família temos avançado, cada vez mais unidos, maduros e fazendo planos. Em 2012 minha filha terá uma clínica só dela, minha esposa continuará com os trabalhos voluntários e meu filho está cada vez mais próximo da gente. Através de uma rede social fui encontrado por um amigo que há muito não tínhamos contato mas que foi determinante em minha formação. O considero como sendo um dos meus primeiros bons professores. Foi com aquela turma, e principalmente com ele, que tomei gosto pela leitura e conheci alguns autores clássicos de filosofia, religião e história. E o melhor de tudo é que pude dizer isso a ele. Como trabalho com tecnologia tenho uma ideia de como essas coisas funcionam, mas fiquei encantado por ter conversado e visto a imagem ao vivo de uma amiga que estava em um navio russo de pesquisas próximo do polo norte e eu no sofá de casa. Incrível.

      Profissionalmente foi um ano produtivo. Em gestão melhorei alguns resultados que não havia alcançado em 2010 e fizemos muita coisa, inclusive criando alguns postos de trabalho. Nem tudo andou na velocidade que eu gostaria, mas dentro das possibilidades, até que fomos bem e cumprimos as metas estabelecidas. Há mais cidades recebendo o sinal digital e outras com a instalação pronta aguardando apenas pelas autorizações. Por atraso no fornecimento de equipamentos não conseguimos iniciar as produções em alta definição, mas as instalações estão preparadas e em poucos dias isso ocorrerá. Devo tudo isso à excepcional equipe com a qual trabalho. É assim mesmo, eles trabalham e eu levo a fama.

      Como esperado, passadas as eleições a economia piorou e o governo vagueia entre pagar as contas e se manter no poder. O povinho corrupto esse brasileiro! Quanta roubalheira, pouca vergonha, desfaçatez. Não é justo que gente honesta e trabalhadora se faça de joguete na mão desses cínicos travestidos de autoridades, e o pior, não há solução fácil, indolor ou rápida. Nesse quesito temos que nos lembrar do título do filme: À Espera de Um Milagre.

      Estive nos Estados Unidos duas vezes. Na primeira para trabalhar mas tirei alguns dias para me distrair. Voltei à Nova York onde fiz compras e visitei museus, como o imperdível Metropolitan, e em Washington fui ao Aeroespacial, História Natural, da Espionagem e ao aquário, além de ter ido a alguns memoriais, ao Capitólio e à Casa Branca. No Arizona fui ao Grand Canyon e à usina Rover Dam e em Nevada, a Las Vegas, onde assisti a 3 shows, incluindo o Cirque De Soleil: Viva Elvis, e o Rei Leão. A esse último eu não teria ido a não ser, como diz a música: O que a gente não faz por amor! Pois fui com a minha esposa e ela queria muito. Nessa viagem passamos 10 dias juntos e sem brigar. Divertimo-nos bastante, foi excelente.

      Do ponto de vista físico me saí muito bem.  Preparei-me como planejei e em setembro com dois amigos percorri os 540km do Caminho da Fé em apenas 4,5 dias. Senti orgulho em conseguir sprints de mais de 20km a mais de 20 km/h com mountain bike em estrada de terra depois de ter percorrido mais de 100km com muita subida. A resposta do meu corpo foi fantástica. Como preparação andei muito, e só em agosto pedalei mais de 1200km. Saia para pedalar às 6 da manhã mesmo com chuva e frio, ou mesmo com muito frio, mas deu resultado. Fiquei mais forte, mais resistente e com menos gordura no corpo. Como valeu muito a pena, terá mais no próximo ano. Estou editando para contar um fato que ocorreu no dia 13 de agosto. O Rodrigo, o Alex e eu estávamos treinando para o Caminho da Fé e fomos de São Carlos aVargem Grande para nos testarmos. Entre Tambaú e Casa Branca, em um trecho de asfalto com forte descida formou-se um redemoinho com uns 10m de diâmetro. Imagino que o vento estava a uns 60km por hora e não tivemos opção. Passamos pelo seu interior. Ao entrar a bicicleta foi deslocada lateralmente, freio bruscamente e no lado oposto foi deslocado para o lado oposto. Havia muita poeira, folhas e galhos rodando em torno da gente. Foi uma sensação indescritível.

      Ainda não consegui uma boa desculpa ou uma boa maneira para voltar a cursar algo sério, que faça diferença em minha vida, e isso está me fazendo falta, mas com os planos que tenho estou impossibilitado de levar isso adiante. Esse tema será recorrente até que eu o encare de frente, e falando nisso, também não estou satisfeito com a minha escrita. Preciso urgentemente de alguém que me ensine a escrever. Já vi que posso relatar, mas não sei escrever, e como não tenho talento preciso de técnica, e como não gosto de estudar, mas apenas de aprender, vou ter que cair na mão de alguém. Também não estou estudando inglês ou espanhol, mas estou querendo aprender um pouco de russo.

      Essa é a minha maneira. Confusa? Misturada? Sim, mas está dando certo. Que venha 2012.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Para o Pior Não Há Limite.

      É um comportamento comum subestimarmos a dor dos outros e supervalorizarmos a nossa. Mas às vezes a realidade bate à porta e percebemos, como diz um amigo e uma das mais inteligentes pessoas que conheço, para o pior não há limite.

      Nesse fim de semana recebemos em casa a visita de uma cunhada e um sobrinho, esse fazia muito tempo que eu não o via, e a imagem que eu tinha dele era de um menino bonito, alto, forte e esperto. Hoje com cerca de 30 anos de idade e usuário de drogas está acabado. Incapaz de manter um diálogo coerente e com movimentos físicos involuntários, inquieto, irritado e irritante. Sempre dependente de alguma substância para manter-se controlado, no mínimo, álcool.

      Fiquei pasmo e sem reação. Não sabia, e ainda não sei o que devo fazer. Tenho dúvida sobre o que é melhor, ajudá-lo ou ajudar à mãe que tem a árdua tarefa de tentar reverter essa situação, pois a mãe não abandona o filho, porém o pai já o abandonou faz muito tempo. Que situação constrangedora a da minha pobre cunhada, que se desdobrava para controlá-lo sentindo ao mesmo tempo e sem querer demonstrar, vergonha por aquela situação.

      Também não tenho certeza que ele possa vir a se recuperar, mas caso venha, qual será o seu futuro? Sabemos que o cérebro não se regenera e também sabemos que o mundo é hostil e lugar para fortes e preparados, e que destino pode ter nesse mundo uma pessoa com mais de 30 anos, sem formação, com funções comprometidas e uma pesada estória para carregar? No meu entendimento a resposta é simples: nenhum!

      Diante dessa situação adianta buscar culpados? Adianta buscar as causas ou deve-se cuidar das consequências? Essa me parece uma daquelas perguntas como quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha. Se ficar cuidando das causas talvez não dê tempo para cuidar do rapaz, se cuidar da consequência não haverá uma situação sólida para apoiá-lo durante a recuperação, ou seja, não há resposta fácil. O que se ouve é: é preciso buscar ajuda. Sim claro, mas qual? Onde? Para uma família com posses limitadas as alternativas são pequenas. Não adianta apelar para o poder público, porque apesar de previsto em lei, os recursos são escassos e não haverá mudança significativa a curto prazo. Restam as organizações como o Amor Exigente que podem orientar, mas cuidar ali, no dia-a-dia, só mesmo a família.

      Esse quadro é um daqueles que só costumamos ver na TV, algo que só acontece com os outros, mas não é bem assim. Vendo de longe é fácil dar palpites, mas quando se aproxima também chega a impotência e os questionamentos, e há um lado ainda pior, esse caso não é o único, trata-se de uma doença que corrói o tecido social com enfermidades, crimes e que deve ser combatida. Sim, nós podemos, devemos e iremos apoiar essa família, mas e as demais, quem irá auxiliar?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Na sua casa.

      Pessoas não são boas ou ruins simplesmente por serem pessoas, mas as pessoas moldam as suas personalidades de acordo com fatores genéticos e sociais que, ao longo do tempo, determinam o seu comportamento, e, como a água, sem barreiras para bloqueá-las, as pessoas expandem os seus limites. Deriva daí a necessidade de se criar regras para a convivência em grupos. Não há como atender a todos em tudo, e muitos deixam de serem atendidos, em muitos casos, em suas básicas necessidades, em outros, em caprichos. A insatisfação, seja por um ou outro motivo, às vezes faz com que comportamentos sejam radicalizados tornando pessoas oponentes da convivência civilizada, seja por distorções apenas morais ou também por coerção física, e nesse caso, resultando em violência. Nessa categoria encontram-se todos os envolvidos com a criminalidade, seja ela ligada ou não ao tráfico de drogas, e para combatê-los há o chamado estado de direito, que detém o poder de polícia e o seu respectivo departamento de justiça.

      Há uma comoção geral na imprensa sobre a ocupação de favelas e ações policiais que há pouco mais de uma semana enfrenta, com notadas vitórias, a bandidagem carioca. O balanço das operações mostra números superlativos de apreensão de drogas, armas e de delinquentes além de dezenas de mortes, sem dúvida trata-se de uma vitória para um estado desacreditado, que se via obrigado a pedir licença aos bandidos para fazer obras de infraestrutura nas favelas, situação que se mostrava extremamente vexatória. No entanto, tal cenário nos remete a alguns questionamentos. Como tal situação se estabeleceu? Como um poder paralelo pode atuar durante tanto tempo se, como se viu, uma ação para desalojá-los não foi nenhum bicho-de-sete-cabeças e que em uma hora estava concluída? Claro que foi com a conivência de autoridades corruptas e com membros da própria sociedade, que não vêem em delitos menores conexões com o crime organizado.

      Quando se compra um CD pirata, se faz um download não autorizado, ou até mesmo compras no comércio regular sem a devida emissão da nota fiscal, está se alimentando o crime. Não é possível se passar por inocente quando se sabe que em nosso país a carga tributária é escorchante, o que faz com que nossos produtos sejam caros, logo, se algo tem um valor muito baixo de revenda, é de suspeitar que algo está errado, e sim, algo está errado. Quem participa desse tipo de ação pode estar economizando míseros reais no curto prazo, mas está pagando muito caro durante toda a vida, pois o custo para manter uma máquina policialesca é alto, e a manutenção da população carcerária é exorbitante.

      Pior ainda é o caso daqueles que direta ou indiretamente estão ligados ao consumo de drogas ilícitas, pois além de porem em risco a própria saúde e pendurar parte dessa conta para toda a sociedade, está financiando o tráfico diretamente. Não dá para passar a mão na cabeça de um usuário só porque ele é legal, pois o fornecedor dele pode um dia vir a balear alguém da sua família. Aquele necessita de tratamento e não adianta pregar a ladainha que deveria haver campanhas de prevenção, clínicas públicas de recuperação, pois esperar esses benefícios de uma cadeia de governo que não consegue distribuir água e fazer rede de esgotos é tapar o sol com a peneira, tais pessoas precisam é da ajuda da própria família. É fácil constatar que a maior parte dos criminosos vem de famílias pouco estruturadas, mas grande parte dos financiadores faz parte de famílias regularmente constituídas, instruídas e com um relativamente alto poder de consumo, assim, não é apenas em sua estrutura a deterioração da família, mas, principalmente, em seus valores. Enfim, a solução não está apenas nas ações do estado ou da polícia, esses podem ser os pilares, mas a base está em sua casa.