quarta-feira, 15 de maio de 2019

Para Não Funcionar.


      Não é sobre pessoas, é sobre processo, até porque todas as pessoas que me atenderam o fizeram muito bem. Nenhuma estava com a cara fechada, sempre foram simpáticas e atenciosas. Claro que vi algumas situações embaraçosas que envolvia terceiros, mas esses ou eram folgados ou pouco instruídos, mas não ocorreu comigo.

      Sabe qual governo irá resolver o problema da saúde no Brasil? Nenhum!

      Sabe quando será resolvido o problema da saúde no Brasil? Nunca!

      Sabe o porquê? Porque o sistema foi desenhado para:

      1 – Tratar da doença, não do paciente.

      2 – Atender aos médicos, às clínicas, aos laboratórios, aos planos de saúde, aos hospitais, não necessariamente nessa ordem, mas o paciente vem em último lugar.

      Com o foco no lugar errado, não há processo que dê jeito.

      Se você não passou pela situação a seguir descrita, ou você tem muito dinheiro e resolve fácil seus problemas, ou não tem nenhum e vai morrer antes de ser atendido. ( http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2016/01/familia-recebe-retorno-de-consulta-11-anos-apos-morte-da-paciente-no-rs.html )

      Toca o seu telefone e a mocinha, toda educada, no outro lado da linha diz que quer confirmar a sua consulta com o doutor fulano amanhã às 9h. Pede para você chegar com meia hora de antecedência e levar um documento com foto e a carteirinha do convênio médico. Você chega no horário, pega uma senha, conferem a sua ficha, você assina a guia, é direcionado para a sala de espera, fica sabendo que o médico ainda não chegou e que há 5 pacientes na sua frente. Como você é, literalmente, paciente, você espera. Esse é o desenho básico. Todos os envolvidos, exceto você, estão trabalhando e irão ganhar por isso. Você está sofrendo, pagando e gastando o seu tempo, eles não, pois o tempo deles tem prioridade sobre o seu.

      No dia 11 de fevereiro à noite senti fortes dores na região dos rins, procurei o atendimento no pronto socorro e no dia 17 de maio farei uma segunda cirurgia para a retirada de um cateter que foi deixado para auxiliar na cicatrização de umas feridas causadas por uma pedra que ficou enroscada entre o rim direito e a bexiga. A pedra foi fragmentada com laser em um procedimento sem cortes, realizado no dia 07/05. Ou seja, um processo que demorou 96 dias e poderia ter sido resolvido em 12 dias. Bastava que eu ficasse internado no dia 11, fizesse todos os exames e consultas no dia 12, fosse operado no dia 13 e voltasse para retirar o cateter no dia 23, já que é necessário o espaço de uns 10 dias entre a cirurgia e a retirada do cateter.

      Só leia o próximo parágrafo se tiver tempo, pois ele marca todas as providências que tomei a partir do evento do dia 11 em ordem cronológica, e é um calvário!
      No pronto socorro fui atendido por um médico que receitou um analgésico a ser aplicado na veia, solicitou um exame de sangue e um raio X do tórax. Ao analisar os exames não se chegou a um diagnóstico. Voltei para casa ainda na madrugada, e na manhã seguinte marquei uma consulta com um urologista para a data mais próxima. Fui à consulta, foi solicitado um novo exame de sangue, exame de urina e um ultrassom. Saí do consultório, passei no laboratório peguei o coletor de urina, passei na central do convênio e pedi a aprovação do exame (ultrassom), fui até a clínica e agendei o exame para a data mais próxima. Na manhã seguinte fui ao laboratório, levei a urina e o sangue foi coletado. Sabendo quando eu teria os resultados dos exames marquei consulta de retorno. Na data agendada fui à clínica e foi feito o ultrassom e peguei o resultado na hora. Na data correta voltei ao médico. Novamente, água! Como se dizia nos jogos de batalha naval, sem diagnóstico. Agora vai precisar fazer uma tomografia. Fui à central de aprovação, fui à clínica e agendei o exame. Sabendo da data marquei uma nova consulta. Na data correta fui à clínica e foi feita a tomografia. Na data correta busquei o resultado e depois fui à consulta. Bingo! Estava lá uma pedra de 6mm enroscada, era caso para a cirurgia. O médico emitiu a guia. Fui à central do convênio para solicitar a aprovação. Era uma segunda-feira, deixei os documentos e, segundo o atendente, até quinta-feira o processo estaria incluído no sistema e a partir de então seriam necessários até 21 dias para que o processo fosse aprovado, mas costuma ser aprovado antes. Caso ocorresse a aprovação ou se houvesse algum problema eles entrariam em contato. Dezoito dias depois, ainda dentro do prazo, passei por lá para saber do andamento. O processo estava parado desde o dia 8. Eles inseriam a solicitação no sistema, o convênio aprovava a cirurgia mas não aprovava o material, eles cancelavam o pedido, inseriam novamente a solicitação e o processo se repetia. Até que eles pararam de fazer e ficou por isso mesmo. Pediram para eu ligar no convênio. Vocês conhecem bem como são esses atendimentos em call center. Liguei, e, ao final do estresse, a atendente me disse que sem o pedido no sistema ela não tinha como acessá-lo e que os cancelados estavam...cancelados, não havia nada a fazer. Voltei à central, e ficou acertado que seria feita uma nova inserção na segunda-feira, pois havia um feriado prolongado no meio do caminho. Na segunda-feira, fiz contato com a central por telefone, e voltei a ligar no convênio, a atendente, dessa vez, analisou e me disse que a equipe do hospital deveria ligar no convênio. Voltei a ligar na central do hospital, passeia a instrução. Eles fizeram o que foi pedido e me retornaram a ligação. Foi aprovado. Agendei nova consulta com o médico para a data mais próxima. Fui à consulta em uma terça-feira e a cirurgia foi marcada para a terça-feira seguinte, mas na quarta-feira havia um feriado e começou a correria. Fui à central de agendamento, marquei consulta com o cardiologista para a sexta-feira e anestesista para a segunda. Na central de aprovação peguei autorização para fazer um raio X do tórax, fui à clínica e o fiz na hora, mas o laudo só poderia ser pego na segunda-feira à tarde. Na quinta, pela manhã, fui ao laboratório para a coleta de sangue para novo exame, pedi urgência para o resultado e eu poderia pegá-lo na segunda, antes da consulta com o anestesista. Na sexta-feira fiz um eletrocardiograma e fui atendido pelo cardiologista, peguei um documento dizendo que o risco, do ponto de vista cardiológico, para a cirurgia era baixo. Na segunda-feira peguei o resultado do exame de sangue e fui à consulta com o anestesista, tudo bem, peguei novo documento. No período da tarde busquei o resultado do raio X. Na terça pela manhã me internei e fui operado. Passei a noite no hospital e na manhã seguinte foi me foi dada a alta, voltei para casa e marquei nova consulta com o urologista para a semana seguinte. Fui à consulta e foi emitida a guia para a internação para a retirada do cateter. Fui à central de aprovação e a retirada foi aprovada. Voltei à central de agendamento e consegui agendar nova consulta para o dia seguinte. Voltei ao urologista e foi marcado o novo procedimento para o dia 17/05/2019. Voltei à central de agendamento para que a data ficasse registrada.
Acesso em minha mão esquerda durante a cirurgia. A depilação é gratuita.

      Se, ao ter dado entrada no pronto socorro, eu já ficasse internado e saísse somente após ter sido realizada a primeira cirurgia, o custo de todo o processo teria sido muito menor, além do que, com a racionalização do tempo, sobraria espaço para atender a mais pessoas com a mesma estrutura. Casos semelhantes ocorrem com outras pessoas e esse desperdício de tempo é improdutivo, é dinheiro jogado fora. Nenhum governo vai resolver essa situação, pois quem deveria cuidar disso, na maioria das vezes, vem do meio médico e, para eles, isso é normal, é como a Gabriela, nasci assim, cresci assim, e vai ser sempre assim. É preciso mudar a visão. Um administrador competente irá atender ao paciente e o resto virá a reboque.

      E o pior, durante a noite em que passei no hospital, perdi o sono por volta das 2h da madrugada e fiquei pensando em tudo isso e, ao final, me senti envergonhado. Sim, envergonhado por não me sentir merecedor de estar em um quarto só para mim, sendo atendido por profissionais atenciosos e competentes, e sabendo que há pessoas sendo atendidas em corredores, isso é, quando conseguem ser atendidas. E eu, ao contrário, se quisesse, poderia estar sendo assistido por um acompanhante para o qual até lanche, jantar e café da manhã foram oferecidos. Esse sentimento doeu mais do que a cirurgia.

      Mas como em tudo a gente precisa conquistar algo positivo, entre as idas, vindas e espera, li um livro e meio, cerca de 800 páginas, daquelas densas, pois ainda sou daqueles que preferem um bom livro a besteiras da internet.
      Na sexta-feira será a segunda intervenção. Espero que resolva.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

O Meu 2018

      Você sabe o que têm em comum, além de talento, sucesso, dinheiro e fama, Prince, Michael Jackson, Madonna e Sharon Stone? Nasceram em 1958. Em 2018 completariam ou completaram 60 anos assim como eu, que não tenho nenhuma dessas características, e terminei o ano ainda pobre e desempregado. Aliás, no final de 2017 eu já sabia que a minha carreira como engenheiro de televisão, após 41 anos de trabalho, estava sendo encerrada, e eu sonhava em produzir por mais 5 anos. Portanto, 2018 não seria nada fácil, e não foi!

      Foi muito difícil acordar e não ter para onde ir. Fiquei e continuo ainda preocupado com as despesas mensais sem ter receita compatível. Foi o ano em que mais tive tempo e que menos o aproveitei. Não li o suficiente, reli algumas coisas, boas e ruins, li alguns autores novos para mim, mas nem de longe com a mesma vontade e aplicação. Também não me exercitei o suficiente, ainda estou fraco e gordo. Deixei de aproveitar por simples falta de vontade. Deixei-me abater e a procrastinar tarefas que antes eu resolvia de imediato.


Mapa do meu peso em 2018

      Passei também a ter vários problemas de saúde, a começar por insônia, dores na coluna, nos joelhos, resfriado várias vezes, infecção no olho 4 vezes, problemas na pele, estômago, e até tontura. No final de setembro, passei dois dias meio atordoado. Para não fugir à regra, nas poucas consultas com médicos a que me submeti, e respondendo sempre às mesmas e típicas perguntas, quando não era diagnosticada virose, nos casos dos resfriados, a causa poderia ser tcham tcham tcham tcham: estresse! Enfim, tanto nos problemas quanto na causa estou passando pela deteriorização da minha qualidade de vida.

      Quando durmo e sonho, em muitas das vezes me vejo trabalhando. Fico imerso em situações semelhantes às que já vivi e com pessoas com quem trabalhei em todas as emissoras pelas quais passei. Às vezes misturo as situações e as pessoas. É claro que as mais recentes predominam. 

      Não me serve de consolo imaginar que ainda tenho capacidade física e intelectual para trabalhar em alto nível e que fui “abatido” por fatores econômicos. Por outro lado também não culpo os executivos e a empresa que luta para sobreviver em meio à crise. Sou apenas mais um entre tantos outros amigos, colegas e desconhecidos do mesmo setor e também de outros. O desastre econômico produzido por sucessivos governos ruins até que foi abrandado nos últimos dois anos, mas não o suficiente para o mercado reagir, os investimentos aparecerem e a economia voltar a crescer.

      Voltei a morar em São Carlos - SP, onde minhas despesas são menores e aqui estou mais próximo da minha mãe e perto da filha, genro e neto, o que me trouxe vários momentos de felicidade. Deixei para trás, em Salvador, amigos e o mar. Lá eu corria na beira da praia, aqui também tenho amigos, mas quando me animo, corro na margem do córrego do Gregório. O que por si só, já faz uma enorme diferença.

      É grande a dor de estar desempregado. É maior a dor de ter tido a carreira encerrada pela circunstância, não por opção. E ainda doeu muito mais o fato de não ter deixado um legado no último emprego. Tenho consciência de que não produzi um desastre, mas ser apenas normal nunca me foi suficiente. Até reconheço que para algumas pessoas com as quais trabalhei diretamente fiz a diferença, mas para mim foi pouco. Ainda vai demorar muito para que eu assimile essa queda.

      Em nossas vidas há elementos que marcam determinadas passagens. Pode ser uma pessoa, uma imagem, uma fragrância, um gosto, uma música, enfim, são coisas particulares, e eu associaria esse ano à frase: “…e sem o seu trabalho, o homem não tem honra…" 

https://www.youtube.com/watch?v=2t7XXneQgtk


      A vida tem que continuar. Não é do meu feitio aceitar passivamente, sem reagir. Uma característica da engenharia é resolver problema e estou diante de um enorme! Não consegui meu diploma de engenheiro no lixo, e, além do mais, tenho responsabilidade para com várias pessoas. Não vai ser rápido, não vai ser fácil, não será indolor, mas estou me estruturando para voltar a ser produtivo e a gerar receita.

      Principalmente no segundo semestre houve uma politização imensa na sociedade brasileira, houve uma renovação marcante no poder executivo e legislativo federal e há um clima de muito otimismo para 2019. Todos sabemos que os problemas estruturais não serão resolvidos de imediato, que a crise ainda se arrastará por algum tempo, mas o que importa é a direção. Se o novo governo traçar um caminho coerente pode ser que o otimismo se concretize e dessa forma todos possamos colher bons frutos. Que venha 2019.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Imbecis, Idiotas

      Em um espaço relativamente curto de tempo a tecnologia sepulta algumas coisas, mas nem tudo. O cinema ainda existe, o rádio ainda existe, a televisão ainda existe, os jornais impressos ainda existem, assim como também as revistas. Em tese, tudo isso seria suplantado pela internet. Pode até ser que isso ainda ocorra, mas não será tão breve. Até mesmo a internet poderá ser suplantada por outra tecnologia que ainda não nos é acessível. No entanto, ela sempre provocou mudança nos costumes.

      Até bem pouco tempo atrás a imprensa tradicional e seus veículos ditavam a ordem. Era uma comunicação unidirecional. Se não saiu no Jornal Nacional não é notícia! Em qualquer programa de televisão uma celebridade, mesmo que efêmera, vaticinava conceitos e juízos que eram seguidos, ditava-se a moda! Agora não é mais exatamente assim. Essa imprensa ainda pode muito, mas não pode tudo, há uma voz de retorno. Sempre há alguém para contestar e, em muitas delas, há a reverberação massiva, rápida e dura. Que pode até estar errada, mas faz um estrago...

      Como disse Humberto Eco “As redes sociais deram voz aos imbecis”. É verdade, mas também deram voz aos intelectuais que não tinham acesso às mídias tradicionais. Além do que, podemos conceituar imbecil como sendo aquele que discorda da gente. E mais, o imbecil em um assunto por ser o cara legal em outro. Ele pode ser meu adversário político, logo, imbecil, mas pode torcer para o mesmo time que eu, portanto, legal, correto!

      Humberto Eco também disse “A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia”. Aqui tocou em um ponto importante, a hierarquia. Quem determinava essa hierarquia? A academia que se reune para a escolha do prêmio Nobel? O presidente Americano? Russo? Chinês? A imprensa tradicional? Sim, todos esses, porém sem exclusividade, agora deve-se ouvir também o anônimo, ou nem tão anônimo assim, mas cuja opinião que possui enorme penetração na sociedade conectada, barulhenta, também formadora de opinião.

      A imprensa tradicional, além de sofrer com a concorrência dos conteúdos mais ágeis e numerosos das redes sociais, padece por ter que partilhar o mesmo “teatro de operações”. Migrou parte do seu efetivo para a rede e perdeu uma grande porção da autoridade que lhe restava, pois abriu mão da qualidade em troca dos "likes e views”. Hoje temos excesso de textos com erros crassos de português, de dados não verificados, de citações de fontes não confiáveis, e o pior, de desinformação. Ou seja, desceu a um terreno que não domina, onde não tem experiência, logo, perdeu a primazia da narrativa, e bem ao estilo da frase atribuída a Mark Twain “Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao nível dele, e depois vence-te em experiência”.

      Nem todo elemento da mídia tradicional é ruim, assim como apenas uma ínfima parte do que se encontra na internet tem boa qualidade, além do que, há bons jornalistas nos dois lados. A nós, simples consumidores de informação, nos compete apenas avaliar cuidadosamente a fonte e depois o seu conteúdo, já que imbecis e idiotas, todos somos. 

      Citações do Humberto Eco extraídos do link: https://www.huffpostbrasil.com/2016/02/20/as-redes-sociais-deram-voz-aos-imbecis-veja-as-17-frases-mais_a_21683863/

As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel. O drama da internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade”.

“A internet não seleciona a informação. Há de tudo por lá. A Wikipédia presta um desserviço ao internauta. Outro dia publicaram fofocas a meu respeito, e tive de intervir e corrigir os erros e absurdos. A internet ainda é um mundo selvagem e perigoso. Tudo surge lá sem hierarquia. A imensa quantidade de coisas que circula é pior que a falta de informação. O excesso de informação provoca a amnésia. Informação demais faz mal. Quando não lembramos o que aprendemos, ficamos parecidos com animais. Conhecer é cortar, é selecionar”.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Escravos Cubanos

      Não é pelo modismo, mas pelo posicionamento. Em meu post nesse blog, no dia 30/04/2016, eu escrevi:

      "Como tudo o que é ruim pode piorar, o Lula elegeu e reelegeu sua sucessora, a Dilma. Ela se superou. Conseguiu ser pior do que o Sarney. Que governo, ou melhor, desgoverno, mais vagabundo. Inepto, arrogante, corrupto que mesmo nas boas ideias consegue ser ruim. Veja o caso do programa mais médicos. Trazer de fora médicos que atuem em regiões pobres onde os brasileiros não querem ir, foi de fato uma boa ideia, mas escravizar os vindos de Cuba pagando uma miséria aos profissionais e levando uma fortuna para um regime totalitário, arcaico e sanguinário?… "

      A boa ideia do programa Mais Médicos é levar médicos à população que tem acesso. Essa população precisa, essa população mais que merece, ela tem direito. O que fez o programa funcionar foi o fato de que o governo federal passou a pagar o salário dos médicos e as prefeituras, já altamente endividadas, se livraram dessa despesa e passaram a arcar apenas com as refeições e moradias. Isso fez muito sentido em muitas comunidades onde não havia nenhuma assistência, mas em outras, o que ocorreu foi a demissão de médicos brasileiros e adoção do programa como forma de economia para a prefeitura local. Aqui já se revelava uma falha.

      Um segundo ponto a ser discutido é a questão do exame de validação dos diplomas estrangeiros. Há profissões que não necessitam de tamanha exigência, pois a qualificação é mínima, agora, imagine-se dentro de um avião em pleno ar e se descobre que o piloto não está treinado…Imagine-se em um edifício construído sem que tivessem sido observadas as normas técnicas…Imagine-se em uma mesa de cirurgia e o médico, …bem, sabe-se lá se a criatura que está com o bisturi na mão é mesmo um médico… Acho que você não se submeteria a tais circunstâncias, mas você pode aceitar que para a população pobre, sem acesso, qualquer um que se diga médico possa atender, diagnosticar, prescrever, operar? É, no mínimo, estranho.

      No caso específico dos médicos cubanos é sabido que o processo não foi transparente e que o objetivo foi mesmo financiar a ditadura cubana mais do que ajudar aos brasileiros, pois o acordo foi feito através da OPAS (Organização Panamericana de Saúde) e não entre dois países, pois se assim fosse, o processo deveria ter sido aprovado pelo legislativo, onde, dificilmente teria sucesso. Dessa forma, os médicos recebem pouco mais de 30% do valor pago e o governo cubano fica com a maior parte. E ainda menos republicanas são as cláusulas que impedem o médico de trazer a família e, pasmem, de pedir asilo aos Brasil. A família fica em Cuba como refém.

      É sabido que a “exportação” de médico é uma das principais receitas da mais longeva ditadura caribenha. Em Cuba há quatro classes sociais, a dos dirigentes, a dos militares, a dos trabalhadores em hotéis e turismo, e a população que é praticamente favelada. Assim, os médicos que ficam em Cuba trabalham cerca de 60 horas semanais e recebem menos de R$ 100,00 por mês, portanto, os que para cá vieram, recebendo moradia, alimentação e pouco mais de R$ 3500,00, podem enviar dinheiro para a família e ainda se sentem privilegiados. Para que esse “produto de exportação” continue a render, Cuba implantou cursos mais curtos de medicina, de maneira a aumentar a quantidade de mão de obra disponibilizada para, principalmente América Latina e África. Para os dirigentes e turistas há médicos e hospitais razoáveis, mas para a população local, a estrutura é insuficiente e precária.

      É sabido que algumas centenas dos tais médicos que estão aqui, na verdade, são espiões que controlam a vida dos realmente médicos e impedem que eles desertem e peçam asilo político. Os tais agentes recebem quase o dobro do que os médicos, mas essa função não aparece no contrato.

      É mais do que sintomática a quebra unilateral do contrato de forma antecipada sendo que nenhuma tratativa houve com o governo brasileiro que se iniciará em 2019. Se fosse uma situação normal, depois que o governo tomasse posse, haveria negociações sobre os termos, e se não houvesse concordância, o contrato seria rompido, e como qualquer contrato, com um período negociado. O objetivo é tirar todo mundo antes do final do ano, para que os não médicos não possam ser desmascarados através do exame “Revalida” e que os realmente capacitados não possam pedir asilo.

      É claro que parte da população ficará sem atendimento e isso tem que ser conhecido e divulgado, porém, a “propaganda” dominante não esclarece as circunstâncias e procura jogar a responsabilidade em um governo que ainda nem começou. Faz o mesmo tipo de gritaria que houve no final da escravidão: com a libertação dos escravos, quem cuidará das nossas lavouras?

      Seguem alguns links sobre o assunto, inclusive de um médico falando na câmara dos deputados e da Zoe Martinez, cubana naturalizada brasileira:
 
 https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/12/internacional/1484236280_559243.html?fbclid=IwAR3tjN6L1eybOUfQfpDF9pqmCN4x7gnBLBhST3Iznnhq8kOfw6s50m1kDYw

https://velhocomandante.blogspot.com/2014/09/jornalista-publica-texto-apos-visitar.html?fbclid=IwAR2Lds303uSjD5dnFE2566g5aureEwdCcOyBn9Yaytt0AIaiu1jqPkUyQVs

https://www.youtube.com/watch?v=V94Myx81Fdc

https://www.youtube.com/watch?v=bzpAD0ij_UE

https://www.youtube.com/watch?v=lXsbOkF3EnA


quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Eleições 2018

      Pergunte para qualquer americano quem são os irmãos Wright e todos responderão: os inventores do avião. Pergunte também sobre Samuel Pierpont Langley, e poucos saberão responder.

No início do século XX havia muitos competidores em uma “corrida” para criar o avião. Samuel tinha o que deveria ser a receita para o sucesso. Recebeu 50 mil dólares do Departamento de Guerra, logo, dinheiro não era problema. Ele era professor em Harvard e havia trabalhado no Smithsonian Institute, portanto, bem relacionado. Conhecia os melhores cientistas da época e contratou vários deles. As condições do mercado eram fantásticas, o The New York Times o seguia a todos os lugares, e todo mundo estava torcendo por ele. 

      A poucos quilômetros de distância, em Ohio, Orville e Wilbur Wright não tinham a “receita”. Não tinham dinheiro, e usaram o que ganhavam em sua loja de bicicletas. Ninguém da equipe havia se formado na faculdade, incluindo os dois, e o The New York Times nunca os seguiu. Eles tinham apenas uma causa, acreditavam que eles poderiam criar a máquina voadora.

      Enquanto a equipe de Samuel trabalhava pelo salário, a equipe dos irmãos Wright suava sangue. Os Wright falharam diversas vezes e ninguém ficou sabendo, e também quando fizeram a máquina voar, ninguém viu. O mundo ficou sabendo alguns dias depois.

      Quando Samuel soube disso, ele poderia ter se aproximado dos “vencedores” e proposto o aprimoramento da invenção maravilhosa, mas não, ele desistiu.

      Samuel trabalhava em busca de resultado, fama e dinheiro, enquanto Orville e Wilbur foram impulsionados por uma causa, um propósito, uma crença. 

      Esse é o mesmíssimo motivo da eleição do Bolsonaro.

domingo, 23 de setembro de 2018

Personalismo

      Será que existe um interesse legítimo para se tornar presidente da república? Qual é o real motivo que leva algumas pessoas a postularem tal cargo, que, com certeza, lhes trará muitos dissabores e aborrecimentos? Seria altruísmo? Seria vontade de ajudar ao próximo? Seria mostrar que conhece o caminho? Que sabe o que é melhor para sociedade? Refastelar-se com o poder ou desviar para si, ou apaniguados, ilicitamente, o dinheiro do contribuinte não cabem em minha cabeça.

      A marca dessa eleição é o personalismo. Quem assiste a uma entrevista do Gal Mourão ou do economista Paulo Guedes logo percebe que eles têm mais conteúdo do que o deputado Jair Bolsonaro, mas eles não têm votos. Governar é uma coisa, eleger-se, é outra, só que a eleição vem antes do governo, assim, a identidade do Capitão se materializa em votos, 20% garantidos, que não mudam de lado de jeito nenhum, e mais uns 10% que representam o medo da continuidade do período da ladroagem clara e farta. Vale a personalidade.

      Multiplicando-se por menos um (-1) assistimos, no lado oposto, a um presidiário, condenado a 12 anos e um mês de prisão em regime fechado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, além de estar indiciado em vários outros processos que, pelo visto, pode lhe render outras condenações. Apesar do envolvimento de seus parceiros em diversos esquemas de desvio de dinheiro possui o efeito “Tefal” no qual nada gruda, e, por si só, tem cerca de 30% dos votos, mas como, por motivos óbvios, não pode se candidatar, transferiu para quem aceitou ser sua sombra outros 20% das intenções de voto. Aqui temos novamente a questão de personalidade. A personalidade forte do Lula que faz e desfaz de todos que o cercam, concordem ou não, e a do Haddad, pois o próprio fato de renunciar à sua personalidade para se encarnar em Lula, mostra sua própria, fraca! E aqui vale um parênteses.

      A primeira vez em que vi a expressão foi logo após o ataque terrorista ao jornal satírico francês Charlie Hebdo em janeiro de 2015, imediatamente começou a circular: Somos Todos Charlie Hebdo. Não concordei, sou um bos… mas sou eu. Posso ter horror à violência, me condescender com a dor das pessoas, das famílias, dos fãs, mas continuo sendo eu. Isso aconteceu outras vezes, recentemente foi com a vereadora carioca Mariele Franco. Quiseram emplacar o Somos Todos Mariele Franco. Não sou não. Meus sentimentos à família, meu repúdio ao brutal assassinato que ainda necessita de respostas, mas eu continuo aqui, na minha vidinha miserável. Se não assumo ser outra pessoa mesmo em momentos de comoção será que eu assumiria a personalidade de um presidiário? Qual é o valor da personalidade de quem renuncia à própria?

      Disputam ainda o primeiro turno um bloco intermediário Ciro Gomes (o mais profissional, mas destemperado como o Bolsonaro ), Geraldo Alckmin ( esse sem tempo e que está enterrando o PSDB) e a Marina Silva (que aparece a cada 4 anos), e na lanterna, está a turma dos 3% ou menos: Amoedo, Meirelles, Boulos, Daciolo, Dias e outros.

      Ao que tudo indica, se houver segundo turno nas próximas eleições presidenciais estarão os dois, Bolsonaro e Haddad (ou três, pois Haddad é Lula e Lula é Haddad), e por serem pólos opostos, não há uma terceira opção viável, e o mais lógico seria que esse balaio de gatos se juntasse para constituir uma nova via, mas não, o  personalismo não deixa. Todos se entendem ser melhores que os outros para que se abra mão. O Ciro, que faz o tipo coronel, que manda prender e manda soltar, vai naufragar pela terceira vez. Ele poderia ter sido viável se tivesse costurado uma aliança com o PT, mas foi incompetente para isso, ganharia de lavada. O Alckmin irá se desidratar pela segunda vez, e por causa da sua experiência, ou falta dela, como governador de São Paulo, matou a candidatura do João Dória, que, esse sim, poderia ser competitivo na eleição nacional. A Marina, bem, a Marina é a Marina, que até se arriscou a tomar algum partido agora que o fim está próximo, admitiu que houve roubo ao erário praticado pela cúpula do PT, e fez isso sozinha, nem precisou de um plebiscito nem de um amplo debate com a sociedade, não é de se admirar? Dos demais, o único que poderia ter alguma chance é o Amoedo, mas sozinho, sem tempo de TV, sem capilaridade, pode receber o troféu revelação e o de consolação.

      Por um movimento natural as candidaturas mais à direita são Bolsonaro, Amoedo e Álvaro Dias, mais à esquerda estão Haddad e Boulos e no centro, porém à esquerda desse, estão Ciro, Alckmin e Meirelles e os outros, bem, esses não têm peso. Mantendo-se as candidaturas viáveis de Bolsonaro e Haddad, e se todos os outros desistissem em favor do Amoedo, os próximos 15 dias seriam interessantes, aliás, muito interessantes.

      E se tratando de interessante, a dinâmica das eleições mudou de rumo e esse caminho é sem volta. Até 2014 havia somente a esquerda e o centro-esquerda, sendo que só a primeira era composta por militantes ativos, agora surgiu a direita. Alguns tratam até de extrema-direita, mas isso é besteira, mesmo os mais conservadores são light quando comparados às extremas européias e americana, mas se trata de um grupo ativo, que está se organizando e, ao contrario da maioria de esquerda, são estudiosos, têm conteúdo e fazem barulho.

      Além disso, há as redes sociais. O embate já seria interessante pois somente a coligação do Alckmin possui quase a metade do tempo total de TV (5’32”), o segundo lugar é do PT (2’23”), o Meirelles tem 1’55”, o Álvaro dias tem 40’, o Ciro tem 38” e os demais têm pouquíssimo tempo. As inserções avulsas, as chamadas pílulas, que são exibidas como comerciais de 30” durante a programação é dividida na mesma proporção. Enquanto o Alckmin tem 434 inserções o Ciro tem 38 e o Bolspnaro, por sua vez tem 8” diários e 11 inserções, e mesmo com a tamanha desproporção, e sendo vítima do ataque dos demais, lidera, e com folga em todas as pesquisas de intenção de votos, e mais, depois que foi esfaqueado nem campanha está fazendo e seus eleitores continuam se multiplicando.

      Os marqueteiros do PT foram tenazes, ganharam 4 eleições seguidas, mas dividiram o país. Ficou o clima do nós contra eles, dos pobres contra os ricos, dos pretos contra os brancos, dos gordos contra os magros, dos heteros contra os LGBT (mais um abecdário) e isso não fez bem ao país. Por isso, não se iludam, o próximo governo não terá vida fácil. Nenhum, qualquer que seja, será excelente. Se fizer um arroz com feijão, mesmo com um temperozinho mais ou menos, poderá ser considerado vitorioso, mas isso é assunto para depois, pois ainda tem as eleições.

      Mais do que programa de governo, mais do que proposta de solução, o que está fazendo a diferença nessa eleição é a militância, as redes sociais e, acima delas, a personalidade do candidato. E quanto a nós, aqui sim: Somos Todos Eleitores.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Quem Você Admira?

      As imagens são importantes em nossa vida e, em muitas das vezes, retratam aquilo que somos, o que vivemos, e em que acreditamos. Não é comum ver alguém com uma camiseta com a foto do Hitler, pois essa é associada ao Nazismo que, sem dúvida, foi um regime maléfico e que, no século XX, matou cerca de 40 milhões de pessoas. Com razão, quem ousa usar tais imagens ou outras relativas a isso logo é associado à violência e ao racismo. Podem ser presos e são massacrados pela imprensa. O mesmo não se vê quando se associa à imagem de Che Guevara, Fidel Castro Mao Tse Tung e Nelson Mandela, pois esses estão ligados ao Socialismo ou Comunismo, e se acredita que essas ideologias estejam ligadas à justiça social. O que não se diz é que a palavra Nazismo é junção de "Nacional Socialismo”, logo, a busca pelo socialismo na Alemanha. Também não se usa dizer, mas que todos sabem, que os sistemas Comunistas e Socialistas, no mesmo século XX, aniquilou mais de 70 milhões de pessoas, e em todo lugar em que foi aplicado tornou a população mais igualitária, porém nivelada por baixo. O povo se igualou na miséria e os dirigentes na riqueza, brotando corrupção de dar inveja a petistas.

      O dia 18 de julho é celebrado pela ONU (Organização das Nações Unidas) como O Dia Internacional do Nelson Mandela, como forma de valorizar a luta pela liberdade, pela justiça e pela democracia, referências a esse que nasceu nessa data em 1918, ou seja há 100 anos. Nelson Mandela esteve preso na África do Sul por 27 anos durante o período do Apartheid. Após sua libertação Mandela foi o primeiro presidente Negro da África do Sul, ganhou mais de 250 condecorações, inclusive o Prêmio Nobel da Paz em 1993. Até aí é bonito, mas e o quê não se fala?

      Durante o apartheid a África do Sul era o local de refúgio das populações de outras nações africanas, pois era mais seguro viver lá. A partir do governo do Mandela, os índices de violência dispararam para cima e os indicadores sociais, para baixo. Particularmente houve o incremento da AIDS e que tem uma causa peculiar. Segundo pesquisa da Medical Research Foundation de 2010  37% dos homens haviam estuprado pelo menos uma mulher e 7% dos homens participaram de gangs de estupradores. Uma a cada três mulheres será estuprada anos dos 18 anos, e uma, a cada duas, será estuprada pelo menos uma vez. O índice de estupros de bebês é grande pois eles acreditam que manter relações sexuais com virgens os curam da AIDS. O Ministro da Defesa disse que não pode combater a criminalidade pois desde que o partido do Mandela assumiu o poder em 1994 a moeda se desvalorizou em 70%. 

      O Advogado Mandela foi o mentor e líder do "Umkhonto We Sizwe” o braço armado co Congresso Nacional Africano (CNA), de ideologia comunista. Mandela, como chefe, ordenou enorme quantidade de atentados à bonda, foram mais de 150 atos de violência pública. A partir de 1962 passaram a atacar igrejas e centros comerciais, principalmente em épocas de natal, atingindo civis, entre eles, crianças. Quando de sua prisão, Mandela foi encontrado com mais de 50.000 minas terrestres fornecidas pela União Soviética, entre outros armamentos.

      Mandela nunca renunciou à violência e nem mesmo a condenou. Além disso, sua segunda mulher, a Winnie Mandela participava de execuções em que os prisioneiros eram amarrados com arame e em seus ombros era colocado um pneu encharcado com gasolina e no qual se ateava fogo. São os chamados colares. Winnie foi condenada pela morte de um garoto de 14 anos.

      Ao assumir o governo Mandela nacionalizou bancos, empresas e mineradoras. Além disso gastou algo entre 25 e 38 bilhões de dólares comprando armamento, munição, helicópteros, submarinos e aviões de caça. Foi amigo de ditadores como Muammar Kadafi, da Líbia, do Suharto, da Indonésia e fã do Fidel Castro, de Cuba e escreveu um tratado ensinando a ser um bom comunista. Dessa maneira nunca levaria, como não levou, prosperidade ao próprio país.

      Aproveitando a coincidência da data, ontem o governador do Rio de Janeiro decretou o Dia da Marielle Franco, vereadora carioca covardemente assassinada, justificando a data como sendo o dia de luta contra o genocídio da mulher negra. Será que o Mandela está à altura de representar a luta do bem contra o mal?

      As imagens são importantes em nossa vida, mas devemos ter cuidado com quem veneramos. Nem sempre a imagem risonha e simpática é verdadeiramente um exemplo a ser seguido.