sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sou masoquista.

      Definitivamente admito: tenho tendência a ser masoquista. Trato bem quem me trata mal, sempre gosto de quem não liga para mim e, principalmente, assisto ao horário eleitoral na televisão e o ouço no rádio do carro. O pior é que não aprendo. Esse é um filme que já sei o final, conheço as personagens, já decorei os argumentos, mas continuo repetindo esse comportamento a cada dois anos.

      Saúde, educação e segurança fazem parte das plataformas sinceras ou não de todos os candidatos porque ninguém é tonto de ser contra, mas e as propostas? Ninguém fala seriamente em investir em saneamento básico que reduz a mortalidade infantil, a internação hospitalar, e que produzirá economia no futuro, pois implantar tubulações, para eles é, literalmente, enterrar dinheiro, pois não dá visibilidade e os resultados serão dos adversários que virão depois. Preferem fazer pontes e viadutos nominando-os com os nomes de parentes e sem falar do malfadado trem bala. Quer ilusão maior que essa? Resultado zero, marketing, 10! Dados divulgados hoje apontam que 20% da população não têm água potável em casa e, pasmem: 50% não têm rede de coleta de esgoto. Repetindo: metade da população não tem esgoto coletado. Esgoto tratado então é uma miséria! E vem dizer que trem bala é solução?

      Morro de raiva quando ouço que o papel do deputado ou senador é lutar para trazer verbas para a sua região. Que pensamento pobre. Eles devem criar uma regra para que os recursos sejam divididos com algum critério aceitável e que os repasses sejam automáticos, estando o valor empenhado, cabe ao poder executivo proceder como quando se tem um carnê na mão, no dia do vencimento, paga-se. Simples assim. A não ser alimentar a corrupção não existe motivo plausível para que o dinheiro fique parado na burocracia que se alimenta da máxima: criar dificuldades para vender facilidades.

      Desde a Grécia antiga a nobreza dos legisladores está na ação de criar leis para que a sociedade se organize e a população se defenda do estado. Aqui somos reféns do estado e recebemos as migalhas que eles nos dão como se nos fizessem favores. Oras, por que os nossos nobres legisladores não se preocupam em limpar o código do processo civil tornando mais simples a vida do cidadão e dos empreendedores? Por que não reformulam o código penal para que os criminosos perigosos sejam mantidos presos e a população seja livre novamente? Por que não atualizam a CLT para adaptá-la às atividades e tecnologias atuais? Por que não reescrevem a lei eleitoral exigindo compromissos e metas dos executivos e punindo os ineptos e corruptos?

      Só tenho uma fonte de renda sobre a qual são recolhidos 27,5% de imposto descontado na fonte, e somando todos os demais impostos embutidos naquilo que consumo, trabalho 6 meses para o governo, e com a outra metade do salário mantenho a minha família e pago novamente por aquilo que eu deveria receber de graça: saúde, educação e segurança, pois o que o estado oferece é uma lástima, e para piorar, já estou começando a acreditar que eu mereço, logo, sou masoquista.

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