segunda-feira, 23 de agosto de 2010

WebTV

      Vi em minha tortura predileta uma candidata a deputada por um desses partidos que se arvoram ser de extrema esquerda, que esbravejava contra a invasão da polícia militar na reitoria da USP, ocorrida durante a greve de parte dos estudantes no ano passado, e comparava o tal “ato fascista” aos mais negros períodos da ditadura militar. Ela deve ter os seus 20 e poucos, mas poucos mesmo, anos e queria demonstrar sua autoridade no conhecimento do ocorreu nos idos anos 70.

      O tal partido político é um dos ativos participante do Fórum de São Paulo, criado pelo PT, e que recentemente se reuniu na Argentina e cujo expoente foi o presidente deposto e fugitivo da potência econômica, social e militar: Honduras. O modelo de desenvolvimento pregado é cubano, o de liberdade é o da Coréia do Norte e o exemplo de democracia é a Bolívia, onde falar mal do governo dá cadeia e se for algum canal de comunicação será fechado, aliás, com tão boas companhias deve-se adicionar o justíssimo Irã, onde se apedreja as viúvas que buscam um novo relacionamento. Por outro lado, é necessário lembrá-la que o partido do qual ela é representante só existe porque vivemos em uma democracia, sim, defeituosa, incipiente e hilariante em certos aspectos, mas democracia. Bem ou mal, muitas vezes mais mal do que bem, as instituições funcionam, o governo quase governa, os legisladores às vezes legislam, se muito que em causa própria, o judiciário às vezes faz justiça, e o conjunto inferniza a vida dos cidadãos, mas podemos dizer qualquer idiotice que quisermos, ela inclusive, e temos mobilidade, incluindo a social, a imprensa é livre e a internet não tem barreiras, a não ser as das limitações técnicas.

      Diz o ditado que todos são revolucionários aos dezessete e conservadores aos setenta, e sob essa ótica ela está correta, deve sim buscar a reinvenção do sistema, mas bem que eles poderiam ser mais atuais. Depois da derrocada da União Soviética em 1989 e da quase abertura comercial da China, que passou da condição de miserável coadjuvante a player da economia mundial, não dá mais para dizer que o futuro é o comunismo ou o socialismo, pois ele é a antítese disso, tais sistemas são apenas o passado.

      Longe de mim defender o capitalismo, mas na falta de outro melhor, o que deve ser feito é aprimorá-lo e isso é ser revolucionário nos dias atuais. Já critiquei os malefícios que a internet trouxe para nossas vidas, entre eles a necessidade constante de se manter conectado e acabando com o sossego, no entanto, é através dela que tomamos conhecimento dos fatos que ocorrem em qualquer parte do mundo, e em situações extremas, até mesmo nos mais fechados regimes há sempre alguém que consegue uma conexão e se comunica com o exterior. Foi através da internet que surgiu a denúncia da desastrada invasão de um navio de ativistas pelas forças militares de Israel. Esses são exemplos de atuação contra as forças de opressão, mas há aquelas que reinventam o capitalismo. Quando temos acesso a livros, textos, estudos, vídeos e músicas via web estamos praticando um novo modelo econômico, pois no modelo de alguns anos atrás, teríamos que pagar os royalties sobre tudo, e essa barreira está sendo quebrada, ou seja, é o capitalismo contra si próprio. Os do velho modelo não querem as mudanças, mas os criadores das novas ferramentas estão querendo sepultar as práticas anteriores.

      Ainda hoje li um novo artigo sobre a Google TV. Não é a primeira vez que entro em contato com o tema, mas agora ele está se tornando mais claro e as informações estão se avolumando. A rede como está desenhada deverá estar saturada em pouco tempo e os tempos de acesso não satisfarão aos usuários, e a Google, com toda a sua expertise e poder econômico deseja criar uma nova rede com acesso pago, mas que operaria com altíssimas taxas de transferência de dados, aquilo que o marketing denominou de velocidade da rede. Agora eles tentam convencer os produtores de conteúdo como os grandes estúdios de cinema e as grandes redes de TV a aderirem ao projeto. Todos estão ainda assustados com o potencial de criação e destruição do projeto. Se por um lado essa implementação permitirá que os conteúdos sejam acessados sob demanda em tempo real, sem cortes e em alta definição, por outro gera a dúvida: quem vai ganhar dinheiro com isso? Porque depois que o conteúdo chegou à rede, a distribuição passa a ser gratuita, mesmo que por hora seja considerada pirata, mas quem nunca fez um download não autorizado? A Google pode fazer dinheiro cobrando pelo acesso, mas e os produtores? Como esses terão suas remunerações e poderão continuar operando? O que ocorrerá com o próprio negócio televisão ou cinema se o usuário não dependerá do meio atual de distribuição? Ele será o dono do seu tempo e do seu conteúdo e o melhor, no sofá da sua sala e na distância de um clique!

      Esse é mais e um exemplo da tecnologia aplicada que subverte o sistema dominante, ou seja, é revolucionário. Não é possível ainda dizer o quê e como vai ocorrer, mas com certeza esse é o futuro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário