domingo, 8 de agosto de 2010

Entrei pelo cano.

      Moro em apartamento faz muito tempo e no atual já se passaram mais de 12 anos. Um grupo de pessoas se juntou para construir suas próprias moradias e por esse motivo os serviços foram feitos lentamente por umas quatro diferentes construtoras. Eu o comprei antes de ter sido instalado o acabamento, portanto sou o primeiro morador de um apartamento razoavelmente grande, confortável, bonito e bem localizado, mas três, entre os 20 apartamentos do prédio, o meu e os dois abaixo, tiveram uma péssima qualidade na execução dos serviços de hidráulica, assim faz mais de uma década que luto contra vazamentos.

      Por várias vezes já foram quebradas as paredes da cozinha, da área de serviço, do banheiro de serviço e do banheiro do meu quarto, isso sem falar das infiltrações que ocorreram em três janelas e também na junção de duas paredes. O último quebra-quebra se deu há umas duas semanas para consertar o que já havia sido consertado. Não deixei taparem o buraco, ele está lá, parecendo uma janela entre a parede da cozinha e a área de serviços e somente será reparado quando eu tiver certeza que as paredes secaram e que não há um novo vazamento no mesmo lugar, essa também foi a estratégia que usei no banheiro do meu quarto. Após o último vazamento mandei quebrar todas as paredes, substituir todo o encanamento, deixei os buracos abertos e demos um jeito de utilizá-lo mesmo com as paredes arrebentadas.

      Fazia parte do acordo, antes que se transformasse em divórcio, que minha esposa gerenciasse a reforma, mas como isso não se concretizou decidir resolver a questão. Contratei a mão de obra, compramos o material, pois não sou louco de comprar e ficar ouvindo que a louça não combina com a pia, que as pastilhas não são compatíveis com o piso e coisas semelhantes. Todo mundo sabe que as reformas sempre são um transtorno e que tudo é muito caro, mas isso não é o pior. O problema é: o que vou fazer com o entulho? É simples, diria a maioria das pessoas, contrate uma caçamba. Fiz isso, pois amanhã os serviços serão inciados, mas tive uma péssima notícia: não se pode depositar gesso na caçamba, e o forro que será retirado é de gesso.

      Em termos de restos de construção trata-se de uma quantia irrisória, são apenas 0,24 metros cúbicos de gesso, mas o que vou fazer com isso? O próprio locador da caçamba sugere: - faça como todo mundo, reduza-o a pequenos pedaços, misture-os ao entulho comum e deposite na caçamba, se a fiscalização não pegar, resolvido, caso contrário terei que pagar cerca de R$ 500,00 para que seja levado a Guatapará, onde há um local para descarte desse material. Em tempo, o aluguel da caçamba por uma semana custa R$ 70,00.

      Imagino que a tal proibição ocorra em função da poluição ambiental que esse tipo de material possa causar, portanto não me sinto confortável para seguir as instruções, mas também não posso ficar com um quarto de metro cúbico de gesso guardado em casa sem ter espaço para isso. Vejo aqui duas possíveis soluções que poderiam ser implantadas, já que esse não deve ser um problema apenas meu. Ou o município cria um espaço para armazenamento e posterior transporte para um local apropriado, ou os próprios empresários das caçambas o fazem, evidentemente, em ambos os casos, cobrando dos interessados de maneira proporcional ao volume do material.

      Conversando com outras pessoas sobre isso me deram duas soluções igualmente porcas: triturar o material e misturá-lo aos poucos ao lixo orgânico, ou jogá-lo no ralo mantendo a torneira aberta. Ora, nos dois casos estarei gerando poluição, o que não desejo, mas penso que muita gente deva fazer isso.

      Como dói a minha consciência, pensei em fazer uma proposta ao dono da caçamba, tudo bem, eu pago os R$ 500,00 para que isso seja levado ao local correto, deixe uma segunda caçamba em casa apenas para o gesso. Mas quem me garante que ele não irá pegar o meu dinheiro, misturar o gesso aos outros entulhos que ele retira na cidade, e jogará isso tudo no aterro local que proíbe essa prática?

      Com certeza o novo forro do banheiro não será de gesso, e ainda não sei o que fazer com o velho, mas sei que esse é um problema típico do subdesenvolvimento. Há pouca conscientização do problema, não há solução pública ou privada, mas há uma lei que proíbe sem que exista a contrapartida da solução.

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