domingo, 15 de agosto de 2010

Pílulas

      Minha esposa decidiu comprar parte do almoço e fui com ela até um restaurante. Enquanto ela fazia as compras eu estacionava o carro, e nesse momento vi uma família saindo do restaurante e um senhor que tomava café em um copo plástico enquanto andava. Fiquei imaginando o que ele faria com o copo. Não errei! Cinquenta metros à frente ao entrar em seu carro ele jogou o copo no meio fio. Tomava todo o vidro traseiro de seu carro um adesivo de um candidato, que não sei se era o próprio e cujo nome não consegui identificar, mas vi o número: 1234. Esse com certeza não teria o meu voto e agora menos ainda. No mesmo instante uma senhora fumava na calçada em frente ao restaurante e ao terminar não teve dúvida: jogou o cigarro no chão e pisou em cima. Essa tem o meu voto: está eleita a porca do dia.

      Quatro dias após ter percorrido o Caminho da Fé fui a Araraquara assistir a uma palestra do grande Amyr Klink. É evidente que não posso me comparar a ele, mas quando ele falou do planejamento, preparação, perseverança e o sabor de ter conseguido, eu sabia exatamente o quê ele queria dizer, pois eu ainda saboreava aquela vitória. O que posso dizer dele? Achei-o autoritário, arrogante e egoísta e não deve ter sido sem motivos que uma de suas tripulações quis matá-lo a facadas, mas ele é muito bom no que faz, isso pra não dizer que excelente é pouco. O engraçado é que tive essa mesma impressão hoje ao ler as páginas amarelas da Veja que trás a entrevista com o Galvão Bueno, afinal não deve ser nada mal ganhar R$ 1.000.000,00 por mês para narrar apenas as corridas de fórmula 1 e os jogos da seleção.

      A esperteza matreira do nosso presidente só funciona mesmo com os pouco instruídos que lhe dão apoio incondicional. Novamente o Itamaraty, que sempre foi visto como um celeiro de bons quadros e intelectuais, fez papel de idiota perante a comunidade internacional e parece que não aprendem. Foram novamente enganados pela teocracia iraniana no caso da condenada à morte Sakineh Ashtiani e que agora, novamente solicita a intermediação do Brasil no caso das inspeções às instalações nucleares. E falando da pobre moça, por mais que seja vítima e que mereça a comoção internacional, porque a nossa sociedade não age com a mesma indignação com relação aos milhões de miseráveis e desamparados brasileiros?

      As verdades, assim como as certezas, são efêmeras. Essa é uma das lições que aprendi e imputo todo o seu peso à idade. O novo é que move o mundo, mas o novo também envelhece e é descartado para que outro mais novo predomine. Sempre vejo vantagem naquilo que é novo: é mais bonito, completo, eficiente, ágil, refinado, enfim, sempre supera o antigo, mas se aquele é melhor, esse é imbatível na sabedoria. Mesmo para aqueles cujo limite do conhecimento foi, por alguma razão, limitado, a sabedoria compensa. Há os que lutam ingloriamente contra o envelhecimento e se tornam azedos, mas aqueles que o aceitam até se divertem. E se divertem principalmente quando assistem a muitas situações com aquela sensação de De J’ai vu.

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