Eu ia descrever em detalhes a viajem que fiz para assistir ao show do Paul McCartney no Morumbi em São Paulo, e desde que saí de casa comecei a elaborar mentalmente um texto com todos os detalhes dos acertos e de todas as dificuldades: comprar ingresso, planejar a logística, tempo de espera e cansaço, sono, fome, sede, falta de banheiros e coisas assim, mas depois de assistir ao show todos esses detalhes se tornaram desimportantes. No Brasil a pontualidade britânica atrasou 5 minutos, mas no total foram 2:45h de boa música, equipamentos de boa qualidade, interpretação impecável e participação maciça da plateia.
Paguei para assistir a uma pessoa cantando e ouvi 64.000. E esses não cantavam apenas o refrão, cantavam completamente todas as músicas; eu devia ser o único que não conhecia todas as letras. Dos 8 aos 80 anos, de todos os cantos do país e de alguns países vizinhos, de todos os tipos, de todas as tribos e sem confusão, esse foi o público presente. Apesar dos aproveitadores de sempre, como cambistas – Compro e vendo ingresso, dos ambulantes que vendiam produtos piratas como camisetas oficiais com fotos horríveis de outras turnês, dos tradicionais churrascos de filé Miau e dos vendedores de cerveja que fugiam do “rapa”, dentro do estádio foi tudo tranquilo, lógico que com preços superfaturados, como uma garrafa de meio litro de água por 3 reais, a cerveja em lata, quente, que não tomei mas meu sobrinho sim, por 5 reais, o mesmo preço do amendoim, do Doritos ou da batata frita.
Fiquei longe, para mim o Paul é menor que o Nelson Ned, mas os dois telões tinham boa definição para aquela distância. Vendo do alto, os únicos locais onde não havia pessoas eram atrás do sistema de torres que suportava a iluminação e da cabana que abrigava as câmeras da Globo, de resto, o estádio estava tomado, e como diz a Renata, era até bonito de se ver. Eu nunca havia assistido, ao vivo, a um show dessa proporção, sempre os vi pela TV, DVD ou internet, e ouso dizer que a estrutura, apesar de compatível com a dimensão desse show era simples, o sistema de som também, mas todos eram corretos e funcionaram perfeitamente. A única falha foi do próprio artista que depois do segundo bis se despediu do público do nosso lado, correu para o extremo oposto do palco e fez o mesmo, pegou uma bandeira do Brasil e correu para o centro, mas nesse momento canhões jogavam papel picado e iluminado por luz verde e o Paul tropeçou, escorregou, derrubou a bandeira e caiu de barriga. Eu vi em tempo real a queda de um Beatle de 68 anos! Ele se levantou fez um aceno de positivo, apagaram-se as luzes e fomos todos embora.
Acredito que ninguém tenha ido até lá para assistir a um Paul McCartney da carreira solo, tenho a impressão que todos foram para ver um dos líderes da banda mais famosa do mundo e por isso suponho que ele mesclava músicas das duas fases, sendo que no final do show só deu Beatles. Ele abriu cantando Venus and Mars seguida de Rock Show, Jet e o público adorou, e na sequência tocou All my Loving e o estádio tremeu de maneira alucinante com um hit de 40 e tantos anos. Em apenas uma música Live & Let Die, houve efeitos especiais, que se resumiram a um também correto número com fogos de artifício, porém nas demais teve apenas o ídolo cantando e tocando violão, guitarra, contra baixo, bandolim, creio eu, e piano. A banda era composta por apenas 4 instrumentistas, mas o resultado foi sensacional.
Acho que o melhor elogio que posso fazer ao show é dizer que para colocar em êxtase todo o público o Sir Paul McCartney só precisou tocar e cantar, ao contrário de todos aqueles que conhecemos que necessitam de extrema pirotecnia, como pintar o corpo e o rosto, utilizar roupas estapafúrdias, arrancar cabeça de galinha com os dentes, jogar sangue na plateia, se atirar sobre o público ou quebrar a guitarra no palco. Eu que tenho a mesma idade e segui a carreira de dois também Mega Stars: a Madonna e o Michael Jackson, posso afirmar sem medo de errar, somados, os dois não são a metade do que foram os Beatles, e se há uma possibilidade de se equiparar ao McCartney, apenas o John Lennon, se esse ainda vivesse.
Que inveja de quem tinha ingresso para o show da segunda-feira!
Gravei esse video com câmera fotográfica amadora, com zoom limitado, com o ruído do público e trepidação minha, da arquibancada e esbarrões. Live & Let Die.
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Esse post está 2 dias atrasado. Isso porque tentei anexar alguns vídeos e sempre ocorreu erro no up load, deve ser por causa do tamanho dos arquivos, mas vou continuar tentando.
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